Discurso durante a 111ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Discurso de posse de S. Exa.

Autor
Sargento Reginauro (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/CE)
Nome completo: Reginauro Sousa Nascimento
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Atividade Política, Saúde Pública, Segurança Pública:
  • Discurso de posse de S. Exa.
Publicação
Publicação no DSF de 12/08/2026 - Página 67
Assuntos
Outros > Atividade Política
Política Social > Saúde > Saúde Pública
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas > Segurança Pública
Indexação
  • AGRADECIMENTO, SENADOR, EDUARDO GIRÃO, DESTAQUE, ATUAÇÃO, ORADOR, BOMBEIRO MILITAR, PACIENTE, CANCER, DEFESA, CUMPRIMENTO, LEI FEDERAL, TRATAMENTO, DOENÇA, COBRANÇA, MELHORIA, ASSISTENCIA, SISTEMA UNICO DE SAUDE (SUS), PREOCUPAÇÃO, CRIME ORGANIZADO, ESTADO DO CEARA (CE), APOIO, POLITICA, SEGURANÇA PUBLICA.

    O SR. SARGENTO REGINAURO (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - CE. Para discursar.) – Presidente Davi Alcolumbre, demais membros da mesa, demais Senadores e Senadoras que aqui se encontram, respeitosamente, em deferência a todas as mulheres Senadoras que aqui se encontram, minha saudação especial a esta mulher que acompanho, admiro e tenho hoje a honra de estar aqui ao lado: Senadora Damares.

    Aproveito este momento para, primeiro, agradecer ao Senador Eduardo Girão, um amigo de mais de 20 anos de história. Bem antes da política, iniciamos um trabalho em defesa da vida, contra a legalização das drogas, um trabalho que fazíamos voluntariamente, não pensando em mandatos, mas pensando na conscientização do nosso povo, na luta contra a legalização do aborto. Eram as pautas que nos uniam. E quis o destino que eu acabasse sendo a pessoa responsável por apresentar o Senador Eduardo Girão à política. O convite para ser candidato ao Senado partiu de mim e do ex-Deputado Federal Capitão Wagner, e conseguimos convencê-lo a aceitar esse convite.

    E o Eduardo Girão se tornou essa referência para o Brasil, um político íntegro, um político ético, que faz nesta Casa a melhor representação possível daqueles que o colocaram aqui e que esperam um Brasil justo, esperam um Brasil livre da corrupção, esperam um Brasil livre da jogatina, esperam um Brasil que respeite os valores da família.

    Então, eu queria deixar aqui o meu agradecimento. É uma grande honra e uma responsabilidade estar substituindo aquele que eu considero um dos políticos mais íntegros que o Congresso Nacional tem hoje e que está partindo para uma outra missão, como Vice-Presidente, na chapa do Novo, para poder representar o pensamento, suas ideias, suas bandeiras pelo país afora.

    Queria aqui aproveitar também para agradecer a presença da minha esposa, que se encontra aqui, Karine Balbino, a mulher que Deus me deu como companheira e que tem sido uma guerreira ao meu lado, e eu explico já, já um pouco dessa história para vocês. Karine, obrigado, meu amor. Quero agradecer aos meus filhos, à minha família, a todos no Estado do Ceará que estão torcendo por mim, um estado de gente guerreira, um estado de gente forte, um estado que luta para realmente mudar a realidade e até o entendimento que se tem de um Nordeste que só é um Nordeste de seca, que só é um Nordeste de dependência social e de miséria social. Temos um potencial gigantesco na nossa mão de um estado que tem um povo guerreiro e trabalhador, mas que, lamentavelmente, hoje ainda amarga situações extremamente delicadas.

    Eu entrei na política através da luta classista. Eu sou Sargento do Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará; até onde me consta, talvez o primeiro bombeiro a assumir uma vaga no Senado da República. Em 2011, conheci o então Deputado Estadual Capitão Wagner, que estava ali representando, na Assembleia, os nossos interesses. Acabei sendo tragado pela política. Bombeiro militar, professor, artista, mas, a partir do momento em que eu percebi a oportunidade de mudar a realidade dos profissionais de segurança do Estado do Ceará através da política, aceitei o convite do Capitão Wagner para estar ao seu lado numa luta difícil que se arrasta até hoje, para que militares, policiais e bombeiros do Brasil e, especialmente, do Ceará fossem finalmente enxergados, tivessem o mínimo de visibilidade, porque até aquele momento eram os invisíveis.

    Nós éramos uma categoria que... Para ilustrar bem, o bombeiro é praticamente como um extintor: ele está ali na parede, todo mundo sabe que é importante, mas você só se lembra dele na hora do incêndio. O policial militar e o bombeiro eram vistos dessa forma. Através da nossa organização política, hoje, se debate a valorização dos profissionais da segurança. E esse foi o caminho da nossa porta de entrada. E é claro que jamais esperei chegar aonde estou hoje.

    Em 2019, assumi o mandato de Vereador na cidade de Fortaleza. Em 2020, durante a pandemia, eu descobri que estava com câncer – o primeiro diagnóstico de linfoma – e passei seis meses em tratamento. E, nesse período, estava acontecendo o processo eleitoral para a minha reeleição de Vereador. Eu fui reeleito Vereador em Fortaleza, dentro do hospital, sem poder pisar um dia na rua para fazer campanha e pedir voto. Recebi o diagnóstico positivo, estava curado e fui reeleito Vereador para mais quatro anos de mandato.

    Em 2022, fui eleito Deputado Estadual e pouco depois recebi o segundo diagnóstico de câncer. Graças a Deus, consegui vencer a segunda batalha. Estava me sentindo muito bem, e este ano recebi o terceiro diagnóstico. A doença voltou – voltou de forma mais agressiva –, e eu precisei fazer um transplante de medula.

    Eu já sabia que o Senador Girão iria concorrer ao Governo do Estado do Ceará. Havia a possibilidade de eu assumir, mas a possibilidade estava cada vez mais distante, porque eu precisava iniciar o tratamento e fazer o transplante. Quis Deus que eu conseguisse concluir o tratamento, e o Eduardo – conhecido pela maioria aqui como Senador Girão, mas eu o chamo carinhosamente de Eduardo – me convida no momento em que eu poderia, em tese, estar mais livre para assumir. Estou aqui hoje com autorização médica, ainda estou em tratamento. Apesar de ter dado tudo certo no transplante, apesar de hoje poder assumir e dizer publicamente que venci o terceiro câncer, estou em processo de recuperação do transplante de medula e assumo esse mandato, por quatro meses apenas, na Casa mais importante do Poder Legislativo brasileiro, com a responsabilidade de não apenas defender a pauta da segurança pública, mas também como um paciente oncológico que já venceu três batalhas contra o câncer.

    Quero lembrar ao Brasil, lembrar a esta Casa, lembrar aos governantes que nós temos em vigor no Brasil uma lei chamada Lei dos 60 dias. Uma vez em posse do diagnóstico, o paciente precisa ter acesso ao início do tratamento em 60 dias, porque o câncer não espera. E o câncer no Brasil avança matando muito mais gente.

    Eu costumo dizer sempre: o câncer não mata mais porque ele é uma doença sem cura, Senadora Damares. O câncer mata mais hoje porque o SUS se tornou insuficiente, se tornou impotente. As políticas de saúde pública não chegam em tempo para socorrer esse paciente e os tratamentos são meramente paliativos. A pessoa não morre de câncer; ela morre de esperar o início do tratamento, ela morre sem a medicação adequada, ela morre sem o procedimento adequado.

    No meu primeiro tratamento, em seis meses, eu descobri a doença, fiz todo o processo de tratamento e um transplante, o primeiro transplante. Hoje convido os senhores e as senhoras, em seus estados, a descobrir quanto tempo passa alguém esperando uma mamografia, e o câncer de mama continua sendo o câncer que mais mata no Brasil.

    A um homem que está com câncer no estômago, pergunte há quanto tempo ele está esperando uma consulta especializada. Ele não vai conseguir chegar; e, quando ele conseguir, a doença já avançou de tal forma que já não tem muito o que se fazer. Então a gente precisa levantar a bandeira para que a Lei dos 60 dias seja cumprida.

    Da mesma forma, por uma questão muito maior que está no meu DNA – a defesa da segurança pública –, nós precisamos, esta Casa precisa, o Governo Federal, os governos estaduais, encampar, unir todos os esforços e dizer para o crime organizado no Brasil: "não há mais como tolerar o que nós estamos vivendo". A população está completamente refém de criminosos que dizem quem vive e quem morre; quem tem casa e quem deixa de ter casa; que estão, hoje, entrando no mercado, não vivem mais de droga, apesar de ser narcotráfico, vivem de provedor de internet, de venda de água mineral, vivem de cobrar pedágio para o comerciante poder funcionar.

    Lamentavelmente, é como se encontra o meu estado neste momento. Infelizmente, hoje, no Ceará, um empresário, um microempresário, para trabalhar, além da carga pesada tributária que tem que pagar aos cofres públicos, ainda precisa pagar o pedágio do crime organizado. E se ele se nega, ele morre ou precisa fechar o seu negócio. Pessoas estão sendo expulsas de suas casas. Infelizmente, essa é uma realidade que está sendo colocada como impossível de ser resolvida. Mas nós temos experiências pelo Brasil mostrando que é possível combater isso, e é um dever de todos nós. Nós não podemos deixar que o crime tome conta do Estado neste país e exerça a função que é do Estado e é de nossa responsabilidade: fiscalizar e cobrar.

    Então, Presidente, para que a gente não se estenda mais do que aquilo que precisávamos, é um dia, para mim, muito especial, a oportunidade que estou tendo de estar nesta Casa. Um jovem da periferia de Fortaleza, filho de um operário, Sr. Vicente José de Sousa, pai de 15 filhos, que criou sua família com uma única fonte de renda, e da D. Maria José Nascimento de Sousa, meu anjo sem asas que se encontra hoje no céu, dona de casa, que, mais uma vez, Senadora Damares, nunca pensou em abortar um filho – 15 filhos e ainda um adotado, porque foi colocado na sua porta –, uma mulher de um coração sem igual; aquele jovem lá da periferia que estudou em escola pública, que foi soldado do Corpo de Bombeiros, que foi artista, que trabalhou em praça, hoje, está no Senado da República. E eu rendo isso, este momento, a Deus. Deus que me trouxe até aqui, Deus que me fez vencer três cânceres e disse para mim quando eu pensei em desistir de tudo: "Quem tem o controle sobre sua vida sou eu e eu vou mostrar-lhe onde eu posso levar você". E eu devo essa oportunidade – além, é claro, das oportunidades que eu já citei, das pessoas que trabalharam para que eu estivesse aqui – especialmente ao nosso Pai, a quem eu devo toda honra e glória por estar, neste momento, podendo representar o Estado do Ceará por esses quatro meses, e farei o possível para representá-lo da melhor forma possível.

    Muito obrigado a todo o povo cearense, que torceu por mim, que orou por mim, que mandou mensagens de incentivo, que tem me encorajado a continuar na vida pública. Eu espero dar, realmente, a minha contribuição para aqueles que mais precisam, através do nosso trabalho.

    Muito obrigado, Presidente, e muito obrigado aos demais Senadores e Senadoras.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 12/08/2026 - Página 67