Pronunciamento de Izalci Lucas em 12/08/2026
Discurso durante a 113ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Críticas à suposta impunidade em casos de corrupção, com destaque para a CPMI do INSS e do caso BRB-Master.
Reflexão sobre a importância do período eleitoral para a preservação da harmonia entre os três Poderes. Anúncio da candidatura de S. Exa. ao cargo de Deputado Federal pelo Distrito Federal e breve relato de sua trajetória política.
- Autor
- Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
- Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Controle Externo,
Regime Geral de Previdência Social,
Sistema Financeiro Nacional:
- Críticas à suposta impunidade em casos de corrupção, com destaque para a CPMI do INSS e do caso BRB-Master.
-
Eleições,
Eleições e Partidos Políticos:
- Reflexão sobre a importância do período eleitoral para a preservação da harmonia entre os três Poderes. Anúncio da candidatura de S. Exa. ao cargo de Deputado Federal pelo Distrito Federal e breve relato de sua trajetória política.
- Publicação
- Publicação no DSF de 13/08/2026 - Página 46
- Assuntos
- Organização do Estado > Fiscalização e Controle > Controle Externo
- Política Social > Previdência Social > Regime Geral de Previdência Social
- Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
- Jurídico > Direito Eleitoral > Eleições
- Outros > Eleições e Partidos Políticos
- Indexação
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- CRITICA, IMPUNIDADE, COMBATE, CORRUPÇÃO, DESVIO, RECURSO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), PREVIDENCIA SOCIAL, BANCO DE BRASILIA (BRB), SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL, FRAUDE, FISCALIZAÇÃO, CONTROLE, CONTROLE EXTERNO, ETICA, ADMINISTRAÇÃO PUBLICA.
- IMPORTANCIA, PERIODO, ELEIÇÕES, ELEIÇÃO, PROCESSO ELEITORAL, HARMONIA, ANUNCIO, CANDIDATURA, DEPUTADO FEDERAL, CAMARA DOS DEPUTADOS, DISTRITO FEDERAL (DF), ATIVIDADE, POLITICA, BIOGRAFIA, HISTORIA, PARLAMENTAR.
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Obrigado, Presidente.
Cumprimento aqui os nossos queridos Senadores e Senadoras.
Presidente, o Brasil vive um momento muito difícil. O brasileiro perdeu o poder de compra, a dívida pública do Governo geral chegou a R$10,6 trilhões. A educação vem enfrentando grandes dificuldades, e grandes escândalos de corrupção assolam o país.
Quando falo de corrupção, eu falo principalmente da CPMI do INSS, do caso BRB-Master. São dois casos gravíssimos, que precisam ser investigados. E mais, são casos que também acendem um sinal de alerta para nós aqui do Distrito Federal, diante das informações e dos fatos que vieram a público.
Eu estou no Congresso há muitos anos, já fui três vezes Deputado Federal e agora estou como Senador. O que mais vi, em todos esses anos, foi a impunidade, principalmente nas CPIs e CPMIs das quais fiz parte. Nós investigamos, ouvimos depoimentos, quebramos sigilos, encontramos documentos, apresentamos relatórios e encaminhamos tudo para os órgãos competentes. Mas, depois de algum tempo, muitas vezes, o assunto some, e a sensação que fica para a sociedade é a de que nada acontece.
Isso poderia ser um ponto que eu nem deveria tocar mais nos meus discursos aqui, só que não tem como. Não é possível normalizar a impunidade. Não é possível aceitar que uma CPI ou uma CPMI mobilize o Congresso Nacional, a imprensa e a sociedade durante meses e, depois, os responsáveis simplesmente não respondam pelos seus atos. Se existem indícios, precisamos investigar. Se existem provas, precisamos responsabilizar. Não importa quem seja, qual partido represente ou qual cargo ocupe. E é justamente por isso que eu tenho insistido tanto nesses casos.
O brasileiro que trabalha, que paga seus impostos e que cumpre as suas obrigações não consegue entender como escândalos dessa proporção acontecem e, muitas vezes, parece que ninguém é responsabilizado. Quem rouba dinheiro público não está roubando de um governo, está tirando dinheiro da saúde, da educação, da segurança e daqueles brasileiros que mais precisam do Estado. Nós precisamos mudar isso neste ano. É um ano muito importante, um ano em que podemos fazer a diferença e mudar a realidade pela qual estamos passando: é um ano de eleição; é ano da democracia brasileira, que segue firme e forte; é o momento em que cada brasileiro poderá analisar o que aconteceu nos últimos anos, avaliar os seus representantes e decidir qual caminho quer para o futuro do país.
Nesses últimos quatro anos, vimos os Poderes não se respeitarem e acontecimentos que deixaram o mundo de boca aberta. A eleição de 2026 vai ser extremamente importante, principalmente para a composição do Senado Federal. O Senado tem um papel fundamental na defesa do equilíbrio entre os Poderes e no cumprimento da Constituição. Precisamos de Senadores independentes, que não tenham rabo preso e que tenham a coragem para exercer as prerrogativas que a própria Constituição deu a esta Casa.
Eu tenho feito críticas duras ao Supremo Tribunal Federal e continuarei fazendo sempre que entender que existe abuso ou que as atribuições do Congresso estão sendo invadidas. Não faço isso com alegria, falo isso com pesar no coração, porque isso não deveria estar acontecendo. O Supremo é uma instituição fundamental para a democracia brasileira, mas nenhuma instituição, nenhuma autoridade pode estar acima da Constituição.
Executivo, Legislativo e Judiciário precisam conviver em harmonia, mas harmonia não significa submissão. Cada poder tem sua função e os seus limites. Quando um poder avança sobre as competências do outro, cabe às instituições reagirem dentro da lei e da Constituição. E é exatamente por isso que a composição do Senado é tão importante para o futuro do Brasil.
Falando sobre eleições, neste ano eu sou candidato a Deputado Federal – sim, isso mesmo. Pensei muito sobre isso neste ano e percebi que a Câmara precisa de políticos experientes, que sabem como destravar as pautas, que conhecem os caminhos e que conseguem converter e conversar com todos. O Distrito Federal e o Brasil precisam de representantes que conheçam o funcionamento do Congresso e saibam transformar uma ideia em uma política pública que realmente funcione.
Eu já fui Deputado Federal por três mandatos, conheço a Câmara dos Deputados, conheço as Comissões, conheço o Orçamento e sei como funciona a construção de uma maioria dentro do Congresso, porque não adianta apenas apresentar um bom projeto. Para fazer uma proposta avançar, é preciso conversar, construir acordos, convencer os Parlamentares, acompanhar a tramitação e lutar para que aquilo não fique parado numa gaveta, como tem vários projetos que aprovamos aqui e que estão na gaveta, como o fim das decisões monocráticas, como a questão das drogas, que nós aprovamos aqui e que continua na gaveta, na Câmara. Tem vários outros projetos de interesse do país.
Foi assim que eu sempre trabalhei na minha vida pública: quem conhece a minha história sabe da minha luta pela educação, pela ciência e tecnologia. Eu fui professor e a educação sempre fez parte da minha vida, mas minha atuação nunca ficou restrita a uma única área, trabalhei pela segurança pública, pela saúde, pela ciência e tecnologia, pelos empreendedores, pelos trabalhadores, pelas entidades de classe e, principalmente, pelo Distrito Federal.
Ao longo desses anos, aprendi que o Parlamentar precisa saber o que está acontecendo fora do Congresso. Não adianta ficar apenas dentro de um gabinete, é preciso conhecer a realidade das cidades, das escolas, dos hospitais, das empresas, dos pequenos comerciantes, dos profissionais de segurança e de quem acorda cedo, todos os dias, para trabalhar.
Eu também aprendi que experiência na política faz diferença. Quando você conhece o orçamento, sabe onde buscar os recursos; quando conhece o Regimento, sabe como fazer uma pauta avançar; quando conhece o Congresso, sabe com quem precisa conversar para construir uma maioria; quando conhece o Distrito Federal, sabe onde estão os problemas e aonde os recursos precisam chegar. É com essa experiência que eu pretendo continuar minha vida pública.
Tenho muito orgulho do que conseguimos construir até aqui, mas sei também que existe muito a fazer, muito a ser feito. O Distrito Federal tem problemas graves na saúde, na educação, na segurança e na infraestrutura. Esses problemas não se resolvem apenas com discurso. Precisamos de recursos, projetos, fiscalização e, principalmente, gente que saiba fazer as coisas acontecerem.
Eu não estou encerrando uma história, estou me preparando para um novo momento dela. Até o último dia do meu mandato, continuarei exercendo com responsabilidade o cargo de Senador da República, fiscalizando, cobrando, apresentando propostas e defendendo o Distrito Federal. E vou continuar fazendo aquilo que sempre fiz, defendendo aquilo em que acredito, sem medo de desagradar quem quer que seja. A política precisa voltar a ser um instrumento para transformar a vida das pessoas e não um instrumento para proteger poderosos, partidos ou interesses particulares.
O Brasil tem muitos desafios pela frente, mas eu acredito no nosso país, acredito no Distrito Federal, acredito na democracia e, principalmente, acredito que nós podemos fazer muito mais. Eu estou pronto para continuar trabalhando. Por isso, agradeço a todos os nossos colegas Parlamentares, Senadores e Senadoras, pelo apoio.
E esse é o grande momento, Presidente, da decisão. Eu falo sempre nas reuniões: quem não gosta de política vai ser governado por quem gosta, e voto não tem preço, voto tem consequência. Quando você vota de qualquer jeito, as consequências estão aí. A cada quatro anos as coisas vão piorando.
Então, agradeço a V. Exa. Agradeço aos meus queridos Parlamentares. Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – Muito obrigado, Senador Izalci Lucas. Parabéns pela decisão! Eu fico um tanto chateado de V. Exa. não estar no Senado a partir do ano que vem, mas eu tenho certeza de que a Câmara dos Deputados ganha um Deputado excelente. Eu me lembro muito bem do nosso tempo lá, como Ministro, do trabalho, juntos aqui, para a ciência e tecnologia, para a educação. Depois, durante esses quatro anos aqui, também juntos, na bancada da ciência e tecnologia. Mas eu tenho certeza de que essa parceria agora, nós aqui no Senado, V. Exa. lá na Câmara dos Deputados, porque vai ser eleito, e, futuramente – por que não? –, Presidente da Câmara dos Deputados. Isso aí seria excelente.
O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Obrigado, Presidente.