Pronunciamento de Jayme Campos em 12/08/2026
Pela Liderança durante a 113ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Indignação com suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A.
Esclarecimentos sobre o fim do mandato de S. Exa. sem nova candidatura. Pedido de desculpas pelo apoio de S. Exa. à candidatura do ex-Governador mato-grossense, Sr. Mauro Mendes, com apelo às autoridades competentes para que não parem as investigações relacionadas a ele.
- Autor
- Jayme Campos (UNIÃO - União Brasil/MT)
- Nome completo: Jayme Veríssimo de Campos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Pela Liderança
- Resumo por assunto
-
Controle Externo,
Governo Estadual:
- Indignação com suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A.
-
Controle Externo,
Eleições,
Eleições e Partidos Políticos,
Governo Estadual:
- Esclarecimentos sobre o fim do mandato de S. Exa. sem nova candidatura. Pedido de desculpas pelo apoio de S. Exa. à candidatura do ex-Governador mato-grossense, Sr. Mauro Mendes, com apelo às autoridades competentes para que não parem as investigações relacionadas a ele.
- Aparteantes
- Carlos Fávaro, Wellington Fagundes.
- Publicação
- Publicação no DSF de 13/08/2026 - Página 58
- Assuntos
- Organização do Estado > Fiscalização e Controle > Controle Externo
- Outros > Atuação do Estado > Governo Estadual
- Jurídico > Direito Eleitoral > Eleições
- Outros > Eleições e Partidos Políticos
- Indexação
-
- INDIGNAÇÃO, QUADRILHA, LAVAGEM DE DINHEIRO, DESVIO, RECURSOS PUBLICOS, ACORDO, GOVERNO, ESTADO DE MATO GROSSO (MT), EMPRESA PRIVADA.
- MANDATO, RENUNCIA, REELEIÇÃO, AUSENCIA, CANDIDATURA, PROCESSO ELEITORAL, PEDIDO, RETRATAÇÃO, POLITICA, APOIO, EX-GOVERNADOR, MAURO MENDES, SOLICITAÇÃO, AUTORIDADE PUBLICA, ORGÃO, INVESTIGAÇÃO, CONTINUIDADE, INVESTIGAÇÃO POLICIAL, COMBATE, CORRUPÇÃO, FISCALIZAÇÃO, CONTROLE, ATUAÇÃO, PARLAMENTAR.
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT. Pela Liderança.) – Muito obrigado, Sr. Presidente. Não foram 24; foram apenas 22 horas, marcadas e cronometradas aqui no nosso relógio.
Sr. Presidente, querido e estimado amigo Senador Davi Alcolumbre, Sras. e Srs. Senadores, desde ontem era para eu fazer aqui uma fala sobre esse assunto em relação ao Estado do Mato Grosso, particularmente sobre a candidatura, e venho aqui de público dizer que é muito triste ver o nosso Estado de Mato Grosso estampado nas principais manchetes policiais do Brasil.
Na semana passada, uma operação da Polícia Federal trouxe a público uma investigação sobre suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro que pode alcançar a cifra de R$308 milhões. Sr. Presidente, nós estamos falando de R$308 milhões. Para que se tenha a dimensão do que isso representa, esse valor seria suficiente para financiar a implantação de 4 mil UTIs. Imaginem o impacto disso na saúde pública de Mato Grosso. Quantas vidas poderiam ser salvas? Quantas famílias poderiam ter atendimento digno? Quantos municípios poderiam ampliar a sua estrutura de saúde? Também poderíamos construir milhares de casas populares e poderíamos construir creches e escolas.
É um episódio lamentável para a história do nosso estado. Cabe às autoridades investigar, cabe aos órgãos competentes apurar com responsabilidade, garantindo o direito de defesa e o devido processo legal, mas uma coisa precisa ficar muito clara: a lei deve valer para todos. Defendo uma investigação profunda, rigorosa e célere. Se ficar comprovado que alguém meteu a mão no dinheiro público, este precisa responder por seus atos. Não podemos aceitar a impunidade. Política não pode ser instrumento de enriquecimento pessoal. Quem ocupa um cargo público assume um compromisso moral com a sociedade. Estamos aqui para servir ao povo.
Digo isso, Sr. Presidente, com essa tranquilidade de quem dedicou mais de 40 anos de sua vida ao serviço público: fui Prefeito por três mandatos, Governador e Senador da República por dois mandatos. Ao longo dessa caminhada, procurei fazer política com altivez, equilíbrio, respeito às instituições, lealdade aos meus companheiros e, acima de tudo, à sociedade mato-grossense.
Sras. e Srs. Senadores, no último dia 30 de julho participei da convenção do União Brasil. Coloquei meu nome à disposição do partido para disputar o Governo do estado. Infelizmente, nossa candidatura não foi referendada pela maioria dos convencionais. Sou um democrata e respeito à decisão. Tenho uma longa história dentro do partido, desde os tempos do PDS, passando pelo PFL, passando pelo Democratas e chegando ao atual União Brasil. Nunca precisei mudar de lado de acordo com a conveniência do momento, sempre procurei fazer política mantendo minha palavra, minhas convicções, e é exatamente por isso que eu quero dizer para o povo mato-grossense não esmorecer.
Vou cumprir o meu mandato de Senador da República até o dia 31 de janeiro de 2027 com o mesmo espírito público com que procurei exercer as funções que o povo mato-grossense me confiou, porque minha relação com o Mato Grosso nunca dependeu de eleição, de convenção partidária ou de cargo: é uma relação construída ao longo da minha vida.
Sras. e Srs. Senadores, o nosso estado precisa discutir muito mais do que nomes, partidos ou projetos pessoais. Mato Grosso precisa discutir o estado que queremos deixar para as nossas próximas gerações.
O Sr. Carlos Fávaro (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MT) – No seu devido tempo, Senador Jayme Campos, queria a concessão de um aparte, por favor.
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT) – Com muita honra, prezado e estimado amigo. Aguarde-me só um pouquinho? Eu já dou, com muita honra e satisfação, um aparte a V. Exa.
Precisamos de um projeto estruturante de desenvolvimento. Um projeto que compreenda o crescimento econômico sozinho não basta. Precisamos de um Governo que invista nas pessoas, de um Governo mais humano, eficiente e próximo dos municípios e, acima de tudo, de uma gestão pública íntegra, honesta e eficiente, capaz de planejar o estado não apenas para a próxima eleição, mas para as próximas décadas.
Um Mato Grosso que seja admirado pelo Brasil, por aquele que produz, pela força de sua economia, pela qualidade dos seus serviços públicos e pela seriedade de suas instituições. Esse é o Mato Grosso, Sr. Presidente, que eu quero ver nas manchetes. Não é o Mato Grosso das páginas policiais, não é o Mato Grosso dos escândalos, mas é o Mato Grosso da produção, da inovação, das oportunidades e da boa política, o Mato Grosso das famílias que conseguem prosperar, o Mato Grosso onde o dinheiro público chega a quem realmente pertence: ao cidadão.
Tenho orgulho da história que eu construí e, sobretudo, tenho esperança no futuro do nosso estado. Cargos passam, mandatos terminam, eleições chegam e vão embora, mas algo que precisa permanecer é o compromisso com o nosso estado.
Feito isso, quero dizer aos amigos e amigas aqui: esse compromisso meu vai continuar guiando a minha trajetória política. Acima de tudo, até o último dia do mandato, lutarei sempre pelas boas causas do povo brasileiro e, sobretudo, do povo mato-grossense.
Concedo um aparte ao Senador Carlos Fávaro.
O Sr. Carlos Fávaro (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MT. Para apartear.) – Muito bem. Muito obrigado pelo aparte, Senador Jayme Campos.
Cumprimento devidamente os colegas.
Não poderia deixar de aparteá-lo para dizer que fico muito triste: mais uma vez, o Mato Grosso tendo, na sua história, uma operação policial com denúncias tão graves.
Defendo o pleno direito de defesa, o amplo direito de defesa, mas que nada fique encobertado. O povo mato-grossense não merece, Senador Jayme Campos, passar por mais essa tristeza.
Eu quero aqui também aproveitar este aparte para dizer que não vou entrar no mérito da discussão partidária, da discussão que foi feita no âmbito das convenções, lá no Estado de Mato Grosso, mas quero entrar no mérito do reconhecimento de o senhor ser um dos protagonistas, com a sua pré-candidatura ao Governo do Estado de Mato Grosso, muito próximo da liderança das pesquisas para ser Governador mato-grossense mais uma vez.
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT) – Obrigado.
O Sr. Carlos Fávaro (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MT) – E, no âmbito do seu partido, não teve essa oportunidade. Fico triste, porque eu conheci a ausência do poder público. Conheci um Mato Grosso, por exemplo, em que, na minha cidade de Lucas do Rio Verde, nós não tínhamos uma concessionária de energia elétrica que levava esse serviço público; em que nós não podíamos pensar em desenvolvimento, porque, de Diamantino para cima, não tinha linhão de transmissão de energia. E foi o senhor, Governador, que levou o linhão de transmissão para todo o norte do estado e permitiu, a partir daí, os desdobramentos de desenvolvimento.
Cito esse linhão de energia como todas as outras políticas públicas que passaram pela sua mão e de sua família. E, com o seu desejo de continuar trabalhando, foi interrompido neste momento. Mas não desista. Mato Grosso precisa muito do senhor e da sua família, e nós estaremos sempre juntos.
Parabéns pelo seu pronunciamento.
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT) – Eu agradeço a V. Exa., Senador Carlos Fávaro.
E quero dizer, Senador Carlos Fávaro, que quem vota em Jayme Campos não vota por engano. Muito pelo contrário, eu tive a primazia de ser Governador do meu estado. O meu Irmão também foi Governador, por quatro anos; foi Senador da República; por quatro vezes, o Júlio foi Deputado Federal; foi Prefeito de Várzea Grande; e, atualmente, hoje com quase 80 anos, ainda é Deputado Estadual, Vice-Presidente da Assembleia Legislativa daquele estado.
Mas aqui, de público, diante das câmeras de televisão do Senado Federal, dos ouvintes da Rádio e da TV Senado, eu quero pedir ao povo de Mato Grosso minhas desculpas. Perdão por ter saído, em 2018, puxando por estas mãos aqui, deste homem que conhece palmo a palmo do nosso estado, e apresentando o cidadão Mauro Mendes, que, até então, foi Governador do nosso estado e renunciou para que pudesse ser candidato a Senador.
Apresentei esse cidadão, que eu esperava que fosse um homem de bom caráter, um homem que certamente poderia corresponder à expectativa do povo mato-grossense. Por isso eu estou aqui, com a minha humildade, que é peculiar – nasci com ela –, pedindo perdão para o povo de Mato Grosso, por lhe dar, com certeza, essa oportunidade, até porque ele vinha de uma derrota ou duas derrotas, porque ele disputou a eleição para Prefeito de Cuiabá, perdeu, e perdeu também para o Governo do Estado.
Nós demos essa oportunidade e, lamentavelmente, a esse povo de Mato Grosso, a esse eleitor que confiou muito nele – mas, a maioria tenho a certeza de que confiou no Senador Jayme Campos, que o estava puxando pela mão –, quero pedir desculpas, perdão por ter apresentado o cidadão que eu esperava ser aquela pessoa que sempre dizia que ia fazer um Governo em favor da maioria da sociedade mato-grossense.
Mas não é verdade. Lamentavelmente, hoje, o Estado de Mato Grosso passou a ser um verdadeiro balcão de negócios, passou a ser um estado que não é do povo, é um estado privado, um estado de meia dúzia de cidadãos que estão, com certeza, usurpando o erário público, a sociedade. Lamentavelmente, o que tem acontecido em Mato Grosso é caso, constante e recorrentemente, de atitudes e ações que a Polícia Federal tem que estar lá em Mato Grosso promovendo. Estão fazendo com que o dinheiro público arrecadado através dos impostos que o cidadão mais humilde do setor privado recolhe aos cofres públicos não seja aplicado em favor da nossa sociedade.
Num estado em que, lamentavelmente, se compra uma roda gigante, para colocar num parque, por R$70 milhões, eu entendo que isso é roubar a esperança da sociedade, das nossas crianças, do cidadão menos afortunado, que precisa de uma saúde pública de boa qualidade, que precisa de uma segurança para combatermos as organizações criminosas, que precisa de um estado que certamente possa proporcionar também educação às nossas crianças. Esse não é o estado que eu quero e, tenho a certeza, não é a sociedade que V. Exas. e o povo brasileiro querem.
Por isso, quando venho a esta tribuna, eu venho aqui dizer ao povo de Mato Grosso: desculpem-me pelo que eu fiz quando saí, em 2018, puxando o cidadão pelas mãos para fazer com que o povo de Mato Grosso lhe desse a oportunidade.
Mato Grosso, Sr. Presidente... Aqui eu preciso, de público, primeiramente cumprimentar o Ministro Flávio Dino: numa decisão, da última semana, foram 25 buscas e apreensões em residências de secretários de estado, do próprio ex-Governador – não só dele como de sua família.
Esse cidadão – aqui, de público, eu tenho que dizer – é um homem desumano, que envolveu até uma criança, sua filha de dez anos, como cotista de empesas para lavagem de dinheiro.
Da mesma forma, os seus secretários – a maioria também – estão envolvidos em verdadeira corrupção desenfreada que hoje campeia o nosso estado. Não podemos permitir.
Preciso – e quero – recorrer aqui, de público, ao chefe da Controladoria-Geral da União, Dr. Vinícius Carvalho, para que faça uma investigação em relação à Secretaria de Saúde de Mato Grosso. Pelo que me consta, mais de R$1,5 bilhão, até agora, foi desviado, em desfavor da saúde da nossa população. Solicito aqui ao Ministro André Mendonça, de público, que faça uma investigação severa em relação aos consignados. Lamentavelmente, o que se fez lá foi roubar o servidor público. Tem gente que pediu emprestados R$10 mil, pagou R$20 mil e ainda deve R$50 mil.
Não. Nós temos que lutar para melhorarmos esse ambiente, em termos de poder público, em Mato Grosso. Virou verdadeiramente um antro de corrupção em que o dinheiro público, hoje, você não sabe se é público ou se é privado. Houve grandes negociatas feitas na calada da noite. Nós temos que dar um ponto final nisso para que o dinheiro de fato arrecadado, em Mato Grosso, seja aplicado em favor da nossa população.
De forma, Sr. Presidente, que é um desabafo que eu faço aqui, mas na defesa das boas práticas políticas. Não estou aqui defendendo o interesse de quem quer que seja, de partido e, muito menos, de segmentos da sociedade. Estou aqui para defender toda uma coletividade que está tendo roubada a sua esperança, roubada a oportunidade de ter um estado que possamos construir com justiça social e com mais cidadania.
Portanto, faço um apelo aqui às autoridades competentes, sobretudo à própria Polícia Federal, para que não pare a sua investigação; ao Ministério Público Federal, para que não pare a sua investigação; e ao Dr. Paulo Gonet, por quem eu tenho a maior admiração. Eu espero, Dr. Paulo Gonet, em nome do povo de Mato Grosso, que não barre as investigações que temos lá. Faça, de fato, valer o papel do Ministério Público Federal.
Quero cobrar aqui também, de público, do Procurador-Geral de Justiça de Mato Grosso, querido e estimado amigo Rodrigo Fonseca, porque o Ministério Público não pode ficar, como está até hoje, alheio, com certeza, às denúncias. Acabou de sair uma denúncia agora de dinheiro desviado, ou seja, roubado. Os R$308 milhões do negócio com a Oi também foram parar em empresas particulares lá do Estado de Mato Grosso, do ex-secretário-chefe da Casa Civil, demitido no dia de ontem, e até do próprio Governador. São sócios de um empreendimento, de uma usina, no Estado do Piauí.
Tem que ser apurado, Senador Wellington. Não podemos permitir que o dinheiro do povo de Mato Grosso seja roubado, à luz do dia praticamente, por uma organização criminosa, por uma quadrilha que se instalou no nosso estado, roubando, com certeza, o recursozinho do servidor público, do pequeno produtor rural, do pequeno comerciante, que lamentavelmente, hoje, está sendo desviado para interesses pessoais. De maneira, Sr. Presidente, que isso é real.
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) – Senador Jayme, posso fazer um aparte a V. Exa?
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT) – Pois não, Senador Wellington.
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT. Para apartear.) – Brasil, Mato Grosso, nós acabamos de ter aqui uma CPI dos consignados, que foi conhecida como uma CPI para combater a pouca vergonha neste país, como a CPI para combater aqueles que estavam roubando dos nossos aposentados do Brasil, colocando em risco, inclusive, a previdência brasileira – tudo uma organização com o mesmo sistema, com origem lá no Banco Master.
E eu quero lembrar aqui, Senador Jayme Campos... V. Exa. afirma a sua indignação. Primeiramente, é importante dizer, como pré-candidato, quantas vezes nós tivemos a oportunidade de dizer que, quanto mais candidato tivesse, isso seria melhor para a democracia. E, assim, com altivez, sempre fomos para o embate, para a discussão, mas com altivez e com respeito a todos os adversários.
V. Exa. não teve oportunidade, com a sua história, de que já falou aqui, em quantos e quantos anos em que ajudou a construir esse grande partido que é o União Brasil, que hoje faz parte de uma federação...
Mas foi lá atrás que V. Exa. começou essa história.
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT) – Em 1980, no PDS.
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) – Em 1980. Assim como eu também comecei a minha carreira política no primeiro mandato, juntamente com V. Exa., em 1990.
Por isso, eu trago aqui o meu respeito a V. Exa., mas também, principalmente, a minha indignação por ver um homem da sua história não ter oportunidade de, democraticamente, disputar as eleições. E o povo que decida quem deve ser o próximo Governador.
Eu, na condição, também hoje já homologado como candidato a Governador, quero aqui transmitir, porque a população de Mato Grosso está a nos cobrar. O Senador Fávaro já colocou e eu quero aqui dizer também, em nome daqueles que acreditam no Wellington Fagundes, na minha história de vida. E quero lembrar que aqui nós tivemos a CPI do Crime Organizado e aqui esteve presente o ex-Governador e ex-Senador Pedro Taques, que veio, espontaneamente, para fazer uma denúncia à CPI.
Foram quase duas horas de depoimento. Mas, antes de tudo, eu fiz um alerta ao ex-Senador Pedro Taques, já que ele era candidato e, também, o Governador, à época, era candidato a Senador. E nós não aceitaríamos que a CPI fosse transformada num palanque.
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT) – Perfeito.
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) – Portanto, a responsabilidade dele era muito grande.
E ele fez as denúncias. Quase duas horas colocando, também, é claro, a sua experiência como ex-Procurador da República, da mesma forma como ele fez outras grandes investigações. E ele disse muito claramente: "Eu apenas peço aqui a vocês membros da CPI que abram o sigilo para que eu possa comprovar as minhas denúncias".
O Alessandro Vieira, Senador Relator, fez o papel, encaminhou para o Ministério Público. Assim como as denúncias foram feitas pelo ex-Senador Pedro Taques a todos os órgãos de controle do Mato Grosso e, também, aos órgãos de controle federal. Agora, nós já temos uma definição. A Polícia Federal, por determinação da Justiça Federal, já está apurando. E já está aí provado o desvio que V. Exa. está colocando.
Portanto, o dinheiro público tem que ser cuidado com responsabilidade.
O atual Governador, que foi por sete anos e pouco Vice-Governador, disse que não sabia, não acompanhou, sendo que, uma semana atrás, ele dizia que tudo o que aconteceu no Governo, durante esses sete anos e pouco, foi mérito dele também. Agora começam as denúncias e já quer se esquivar: "Olha, das coisas erradas eu não sabia".
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT) – A coisa boa fez.
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) – Então, eu chamo a atenção aqui da população.
Eu fiz até um aparte que eu queria ler, porque às vezes a emoção nos leva a um excesso.
Mas eu quero aqui, Sr. Presidente, dizer que, naquela oportunidade, eu cobrei explicações sobre os recursos do BNDES, sobre a possível relação com o Banco Master e perguntei, de forma muito objetiva, quais eram as provas e os documentos que sustentavam aquelas acusações. Isso lá na CPI do Crime Organizado.
Também questionei como havia sido possível chegar àquela complexa estrutura envolvendo os fundos Sefer e Acura, o Banco Master e o acordo da Oi, as empresas e pessoas envolvidas, e qual tinha sido o método utilizado para rastrear essas operações com tanta profundidade. E fiz questão de alertar, naquele momento: Mato Grosso precisa de resposta. Eu disse que aquilo não poderia terminar apenas em discussão política, muito menos sem uma conclusão.
Por isso, como Líder do Bloco Vanguarda, lá na CPMI, eu cobrava que a CPI realmente enviasse para os órgãos de controle. E a CPI precisava ir até o fim...
(Soa a campainha.)
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) – ... recorrer a quem fosse necessário e esclarecer os fatos para a população, principalmente para os servidores públicos que, segundo acusação do Dr. Pedro Taques, ex-Senador, que foi contratado pelos servidores públicos de Mato Grosso para fazer não só a defesa, mas, muito mais: a apuração dos recursos, inclusive, de servidores públicos que ficaram endividados e se suicidaram. Portanto, não tem maior maldade que se possa fazer com uma família, com um servidor público, um pai, uma mãe ou até um avô, e hoje estão lá desesperados.
E está tudo comprovado agora pela Polícia Federal. E, é claro, teremos o julgamento final.
Agora, querer dizer que isso foi feito...
(Soa a campainha.)
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) – ... por influência política, aí não dá.
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT) – Aí não dá.
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) – Aí não dá.
Portanto, eu quero aqui, concluindo também, dizer que já muitos servidores públicos me procuravam: "Senador Wellington, você tem que investigar". E eu dizia: "Olha, investigação cabe à Polícia Federal e aos órgãos de controle". Nós já encaminhamos, através da CPI, e o Senador Alessandro Vieira fez o seu papel.
Portanto, eu cobrei respostas. É claro que eu nunca transformei isso em palanque político, porque acusar e principalmente julgar não é papel nosso. Julgar não é papel nosso. Cada Poder tem o seu papel. O Poder Executivo lá fazendo as obras... Mas, olha, a principal obra do Mato Grosso, com que eu sonhei... E quero aqui fazer uma homenagem póstuma ao Deputado Jota Barreto, que me ajudou no sonho de ter a duplicação do trecho que tinha mais acidentes frontais do Brasil, que era Rondonópolis-Cuiabá.
Com Jonas Pinheiro, sonhamos e realizamos a duplicação de Rondonópolis à Serra de São Vicente, que era um ponto extremamente crítico. Em homenagem a Jonas Pinheiro, um Senador referência, à sua história, fica aqui também à Celcita Pinheiro o meu respeito e homenagem póstuma ao Senador que tanto lutou.
Essa duplicação foi executada na divisa de Mato Grosso do Sul – Rondonópolis, Cuiabá, Rosário, Posto Gil. Depois da obra, veio a concessão. Infelizmente, todas as concessões que foram feitas naquele Governo não deram certo, porque o BNDES tinha a obrigação de financiá-las e não o fez.
No Mato Grosso do Sul, tem uma concessão da mesma 163 que é da CCR, uma das empresas maiores do mundo, que não teve nenhum envolvimento. O Governo do estado assumiu essa concessão, numa grande engenharia. Foi dito à época pelo Governador Mauro que era a maior engenharia e arquitetura e que ele guardava todo o segredo, porque só ele e poucas pessoas podiam saber.
Nós fomos ao Tribunal de Contas, fomos à ANTT para apoiar aquilo que nós entendíamos que era bom para o Mato Grosso, que era a duplicação tão sonhada de Cuiabá até a cidade de Sinop. Infelizmente, hoje nós estamos vendo que essa arquitetura, essa grande engenharia foi contratada pelo Banco Master.
Nessa situação, infelizmente, nós queremos aqui exigir... Não é pedir, não. Não é pedir, porque aqui foi passado pela sabatina. Portanto, nós indicamos o Procurador-Geral da República. Hoje eu tive a oportunidade de encontrar-me com ele, porque eu o sabatinei, porque eu votei nele para que ele cumprisse o seu papel, e assim acredito que está fazendo e fará. Da mesma forma, os Ministros. É papel nosso sabatinar e votar aqui para que tenha um Ministro. Portanto, é nossa exigência. E que seja rápido, porque agora já está em curso uma eleição. E não venham dizer que isso é denúncia apenas eleitoreira, porque isso foi feito lá atrás, e nós nunca acusamos. Nós só pedimos as investigações.
Então, eu quero aqui dar uma satisfação à população do meu estado...
(Soa a campainha.)
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) – ... para não vir alguém amanhã dizer que é inoportuno fazer uma investigação em período eleitoral como se alguém que roubasse durante a campanha não pudesse ser investigado. Isso é um absurdo. Que me desculpem... Quem tem a ousadia de fazer uma afirmação como essa!
A população exige uma resposta, porque o cidadão que está lá pagando o imposto, Senador Jayme Campos, não aceita, porque ele está sofrendo. V. Exa. disse: na Baixada Cuiabana, hoje, nós temos o maior déficit habitacional. Falta água em Várzea Grande porque precisa investimento.
Hoje, infelizmente, nós temos que dizer que, no estado que mais produz no Brasil, no estado que todos nós falamos que é um estado rico, nestes últimos oito anos, já estão sendo criadas favelas na nossa capital.
(Interrupção do som.)
O SR. PRESIDENTE (Davi Alcolumbre. Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - AP. Fazendo soar a campainha.) – Senador...
O Sr. Wellington Fagundes (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - MT) – Essa riqueza não pode ser só para uns. Essa riqueza tem que ser para todos. (Fora do microfone.)
Eu concluo apoiando V. Exa. na sua missão como Senador da República e com o reconhecimento, porque eu gostaria muito de tê-lo para o embate eleitoral, para os debates necessários para que a população mato-grossense pudesse escolher o melhor. Mas fazer esse esclarecimento, fazer essas investigações e concluir é obrigação do Estado brasileiro, através dos seus órgãos de controle e também do Supremo Tribunal Federal.
Muito obrigado.
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT) – Obrigado, Senador Wellington. Obrigado, Senador Davi, pela paciência, até pelo tempo tomado aqui. Agradeço. Minha gratidão eterna. Muito obrigado.