Pronunciamento de Dra. Eudócia em 02/09/2026
Discurso durante a 120ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
- Autor
- Dra. Eudócia (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/AL)
- Nome completo: Eudocia Maria Holanda de Araujo Caldas
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Matérias referenciadas
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL. Para discursar.) – Boa noite, Sr. Presidente, colegas Senadores e Senadoras aqui presentes. É um prazer falar com vocês sobre os inícios do trabalho do Setembro Dourado, no mês de setembro, que é alusivo às doenças oncológicas infantojuvenis.
Fui Presidente de uma audiência pública na CAS, que acabou há pouco tempo, em que nós conversamos e palestramos com vários personagens da saúde brasileira, oncologistas pediátricos, toda a equipe do Ministério da Saúde, e falamos, na oportunidade, sobre a questão do diagnóstico precoce para nossas crianças com doenças oncológicas – diagnóstico precoce e tratamento precoce, porque essas doenças oncológicas na faixa etária infantojuvenil têm grandes chances de cura quando o diagnóstico chega precocemente, e obviamente, o tratamento.
Então isto é motivo de muita preocupação, saber que hoje as doenças oncológicas são as doenças que mais matam as nossas crianças e os nossos adolescentes. Por isso é que eu levanto essa bandeira aqui, da oncologia, no Senado, para que possa mudar essas estatísticas e possa mudar o avanço do combate ao câncer.
E me sinto honrada em ser autora do projeto de lei, que hoje é lei, que é o marco regulatório da vacina contra o câncer, e de ser Relatora do projeto de lei das imunoterapias, contemplando todas as imunoterapias do rol da ANS também para os nossos pacientes do SUS. É motivo de muita alegria poder ter participado de cada momento desse processo aqui no Senado Federal, e de o Ministério da Saúde poder também acompanhar o meu trabalho, e juntos podermos fazer esse avanço em termos de tratamento em toda a área do câncer, de todas as faixas etárias, mas especialmente, em se tratando de Setembro Dourado, a faixa etária infantojuvenil.
E solicitei que, nos dias 22 e 23 deste mês, as cúpulas do Congresso Nacional sejam iluminadas com a cor dourada, para que a gente possa fazer mobilizações e fazer também trabalhos voltados à conscientização da sociedade em prol dessa causa tão nobre que é o câncer infantojuvenil.
Sr. Presidente, Sras. Senadoras, Srs. Senadores, a vida pública não se mede pela extensão dos mandatos, nem pelo número de vezes em que o nome aparece nas urnas. Mede-se pelo legado que se constrói enquanto se exerce o mandato, pela responsabilidade com que se honra a confiança popular, sobretudo pela capacidade de preservar a própria trajetória.
E, quando uma longa trajetória passa a ser marcada reiteradamente por investigações, representações, inquéritos, denúncias, por organização criminosa e graves questionamentos públicos, já não basta responder a processo por processo como se cada episódio existisse isoladamente. Chega um momento em que um conjunto dos fatos impõe uma pergunta: até quando a sociedade deve tratar como normal aquilo que, de tão recorrente, passou a acompanhar uma vida pública inteira?
E aqui eu estou falando do Senador Renan Calheiros. Quem escolhe viver da vida pública também escolhe viver ao lado do povo. E quero dizer ao Sr. Senador Renan Calheiros que o povo o observa, o povo compara e o povo guarda na memória. Não só o povo alagoano, mas o povo brasileiro.
A trajetória do Senador Renan Calheiros atravessa mais de quatro décadas da política brasileira. São décadas marcadas por sucessivos episódios que colocaram seu nome sob investigação e sob questionamento público. Nenhuma decisão judicial apaga a responsabilidade de um homem público de responder politicamente pela trajetória que construiu. A memória política de um povo deve ser sempre estimulada e revivida.
Entre maio e novembro de 2007, esta Casa recebeu seis representações por quebra de decoro parlamentar contra um único Senador, chamado Renan Calheiros. Seis – seis – representações em menos de sete meses. Estou falando da origem de recursos usados para pensão alimentícia envolvendo a empreiteira Mendes Júnior. Estou falando aqui também de suspeita de tráfico de influência em favor de uma empresa chamada Schincariol, que tinha, e tem, lá em Alagoas – é uma cervejaria que comprou fábrica de propriedade do próprio irmão do Senador –, e de suspeitas envolvendo o Banco BMG e o fundo de pensão Postalis.
Esse fundo de pensão Postalis é o fundo de pensão dos aposentados dos Correios, e ele recebeu R$30 milhões – R$30 milhões – roubando os cofres do Postalis, do fundo de pensão dos aposentados dos Correios. Mas ele não fez isso sozinho, ele teve a ajuda do Ricardo Magro, o Ricardo Magro, sim, que nós conhecemos, que está foragido nos Estados Unidos, que está no rol da Interpol, na lista vermelha da Interpol – que está foragido. É com essas pessoas que o Senador Renan Calheiros se associa, que o Senador Renan Calheiros anda e que o Senador Renan Calheiros tem amizade.
Ele também tem uma denúncia, aqui nesta Casa, de espionagem contra colegas, contra colegas desta própria Casa. Olhem que absurdo! Como um colega Senador faz espionagem aqui dentro da própria Casa?
O Conselho de Ética chegou a aprovar o relatório favorável à cassação em mais de uma dessas representações – foram seis. Em mais de uma dessas representações, o Senador Renan Calheiros teve o apoio dos colegas para a cassação do seu mandato, e isso é muito grave.
Sr. Presidente, caros Senadores e Senadoras aqui presentes, há um fato que nenhuma interpretação pode apagar: em 4 de dezembro de 2007, o próprio Renan Calheiros leu, neste Plenário, uma carta de renúncia à Presidência do Senado Federal. Ele não foi cassado porque ele renunciou. Ele renunciou à Presidência do Senado para tentar evitar a cassação do seu mandato parlamentar por quebra de decoro, e quem renuncia a um cargo dessa magnitude por vontade própria reconhece, na prática, que havia se tornado insustentável manter-se nesse cargo, dessa forma reconhecendo seus próprios erros.
Alguns diriam que 2007 foi um ano isolado, mas os fatos posteriores dizem o contrário: de 2015 a 2025, portanto, por dez anos, o nome de Renan Calheiros voltou a aparecer sistematicamente em investigações conduzidas pela mais Alta Corte do país. Foram nove processos, originados não de boatos de corredor, mas de colaborações premiadas de executivos da Odebrecht, reportagens investigativas e decisões da própria Procuradoria-Geral da República.
Pergunto a esta Casa e ao povo brasileiro e, em especial, ao povo de Alagoas, do meu querido Estado de Alagoas: é razoável que nove processos distintos, ao longo de dez anos, quase um por ano, envolvendo Petrobras, fundos de pensão de trabalhadores, incentivos fiscais bilionários e a maior operação de combate à corrupção da história do país, tenham como denominador comum o mesmo nome, o nome do Senador Renan Calheiros?
E, depois de mais de 40 anos – mais de 40 anos –, o espantoso não é o povo ainda perguntar. O espantoso é ainda existir tanto a ser explicado. E o Senador Renan Calheiros continua em silêncio, continua calado. Ele não explica os motivos pelos quais ele praticou tantos crimes de corrupção contra o Estado brasileiro e contra o Estado de Alagoas.
E – mais grave – esse modo de fazer política não parece ter ficado preso ao passado, não, porque as pessoas não esquecem e até...
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – ... porque está registrado nos Anais desta Casa e está registrado nas reportagens dos maiores jornais do Brasil e de Alagoas. Ele atravessou gerações, ocupou administrações e continua produzindo perguntas ao Brasil e ao meu Estado de Alagoas.
Quando seu filho, o ex-Governador Renanzinho, que também foi Prefeito da cidade de Murici na região da Zona da Mata do meu querido Estado de Alagoas... Quando Renanzinho assumiu a Prefeitura de Murici em 2005, uma dessas perguntas chegou até a merenda das crianças. Pasmem! Isso existiu, isso é real. Aconteceu no meu estado. Aconteceu na cidade de Murici.
A gestão municipal do Renanzinho tornou-se objeto de investigação envolvendo recursos federais destinados ao Programa Nacional...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – ... de Alimentação Escolar (Pnae). (Fora do microfone.)
Segundo as apurações divulgadas à época, entre 2005 e 2008, a prefeitura recebeu cerca de R$1,25 milhão, em valores atualizados, para a alimentação escolar.
Imaginem um Prefeito tirar da boca de uma criança o alimento! Olha ao que esse Prefeito se propôs em 2005, o Prefeito Renan Calheiros Filho, conhecido em Alagoas como Renanzinho.
A empresa vencedora dessa licitação da merenda escolar foi a RJS Comércio. Passou a ser investigada. E a CGU (Controladoria-Geral da União) apontou irregularidades no procedimento licitatório.
A investigação também confrontou notas...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – Presidente, por gentileza, estou concluindo. Eu lhe agradeço a atenção.
A investigação também confrontou notas fiscais apresentadas à prefeitura com registros fiscais na empresa, além de examinar a atuação da administração municipal no processo de contratação. Anos depois, já no STJ, houve determinação de quebra dos sigilos fiscal e bancário da empresa no âmbito da apuração.
Estamos aqui falando, povo brasileiro, povo alagoano, de merenda escolar, de dinheiro destinado a colocar comida no prato de criança! Quando até o recurso da alimentação dos alunos vira objeto de inquérito e de questionamento dos órgãos de controle, não estamos diante de uma pequena controvérsia administrativa, e, sim, diante de um episódio que não pode ser apagado da memória política de Alagoas! Porque as pessoas não esquecem. Não esquecem o que aconteceu no nosso querido Estado de Alagoas. O povo alagoano tem o direito de conhecer os fatos, compreender o que aconteceu e saber quem participou dessa história.
Décadas se passaram, mudaram os casos, cresceram as cifras, surgiram novos personagens, mas há algo que insiste em permanecer: os escândalos e questionamentos continuam lançando sombras sobre a trajetória política dos Calheiros e, por consequência, atingindo a imagem política de Alagoas. O povo alagoano não merece – o povo alagoano não merece – carregar o peso de uma história que não escreveu. Não foi o povo alagoano que escreveu essa história, e, sim, os Calheiros, que estão maculando, que macularam lá atrás, há 40 anos, e continuam maculando a história política do meu querido Estado de Alagoas.
Agora, elas passam pelo bilionário mercado dos combustíveis. A Operação Carbono Oculto revelou a dimensão nacional da infiltração do crime organizado na cadeia de combustíveis. Seus desdobramentos chegaram às Operações Carbono Oculto e Sem Refino, da Polícia Federal e da Receita Federal. Nesta última, Sem Refino, passou a apurar suspeita de gestão fraudulenta, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas e crimes contra a ordem econômica, envolvendo o grupo relacionado à Refit e ao empresário Ricardo Magro.
Está aqui Ricardo Magro, mais uma vez, na história política de Alagoas...
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – ... e dessa vez – com licença, Sr. Presidente – envolvido com o ex-gestor estadual Renanzinho. O mesmo Ricardo Magro estava lá, sonegando... Na verdade, ele não. O ex-Governador Renanzinho estava sonegando impostos através do esquema fraudulento com Ricardo Magro, dono da Refit.
O que acontecia? Os navios que vinham do exterior com os combustíveis, com as naftas passavam pelo mar de Alagoas; não eram atracados no porto e nem fiscalizados. Passavam pelo mar de Alagoas e iam para o Rio de Janeiro. E o Senador Renan Calheiros Filho, o Renanzinho, sonegou esses impostos para o povo alagoano. O dinheiro a que o povo alagoano tinha direito foi sonegado para facilitar uma transação junto com Ricardo Magro.
Qual é o interesse que um Governador tem de sonegar impostos sabendo que o nosso Estado de Alagoas é um estado... não vou dizer que é pobre, mas é um estado que precisa muito de recursos? E você sonegar impostos? Mas ele fez isso, junto com o Secretário Estadual de Finanças. Eles fizeram várias autorizações para que fossem pagos com dinheiro dos precatórios e não fazendo da devida forma que teria que ter sido feita pela lei estadual.
E Alagoas entrou neste debate por uma razão que precisa ser esclarecida até o fim. Foram formalmente levados ao STF e à Procuradoria-Geral da República questionamentos sobre operações da Refit no Estado de Alagoas, benefícios tributários concedidos durante o Governo do Renanzinho, circulação de combustíveis por Alagoas com destino a outros estados e utilização de precatórios para pagamento de ICMS.
Isso tem um nome: se chama sonegação. Sonegação é crime. Quando um gestor sonega o dinheiro aos cofres públicos, faltam residências para os munícipes, para os nossos cidadãos e cidadãs alagoanos e alagoanas. Faltam hospitais, faltam insumos para nossos pacientes, falta toda a infraestrutura para as cidades, falta água no Sertão.
E, por falar em Sertão, quero falar em Canal do Sertão. O Senador Renan Calheiros também está envolvido na questão da construção do Canal do Sertão, também fazendo desvio de recursos nessa obra. Olha a que ponto, gente: o canal que foi feito para levar água para o povo sertanejo, que não tem condições de pagar um carro-pipa – custa de R$300 a R$500 um carro-pipa.
E as pessoas hoje, agora... Isto está acontecendo agora, hoje, no meu Estado de Alagoas: o Sertão está agonizando por falta d'água. As pessoas pobres, que não têm condições de comprar um prato de comida, têm que juntar dinheiro para comprar um carro-pipa no valor de R$300 a R$500, se quiserem ter água limpa para beber e para comer.
E está lá o Canal do Sertão, que não funciona, que não chega às residências – não chega às residências. Estive lá, pessoalmente, fiscalizando no Sertão. As pessoas abrem as torneiras e não vem a água. E, quando vem, é de uma forma reduzida, reduzidíssima. Isso é muito grave e isso é muito cruel.
Continuando aqui a questão da sonegação dos impostos lá em Alagoas.
O ex-Governador Renanzinho terá que devolver, porque não é o povo de Alagoas que vai pagar esse dinheiro que foi cerceado do povo alagoano, não – quem tem que pagar é o ex-Governador Renanzinho. Ele terá que devolver aos cofres públicos do Estado de Alagoas o que foi sonegado ao povo alagoano durante a sua gestão – durante a sua gestão –; e não o povo alagoano pagar o rombo que ele deixou quando foi Governador do estado. São alegações submetidas a autoridades competentes e que não podem ser empurradas para debaixo do tapete.
E esse padrão de questionamentos também aparece no sistema financeiro, no encontro entre o antigo caso BMG e o atual caso Banco Master. Em 2007, o nome do Senador Renan Calheiros já aparecia em suspeitas relacionadas...
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – Com licença mais uma vez, Sr. Presidente, por gentileza. Eu agradeço a sua atenção.
O povo alagoano não merece isso aqui que eu estou falando.
Muito grata, Sr. Presidente.
Em 2007, o nome do Senador Renan Calheiros já aparecia em suspeitas relacionadas ao Banco BMG e ao crédito consignado. Em 2026, o próprio Senado voltou a registrar questionamentos públicos sobre possíveis conexões entre BMG, Banco Master e operadores do mercado de consignados.
E fui além: apresentei o requerimento para a criação da CPI dos Bancos BMG e Master e consegui, com os nobres colegas Senadores e Senadoras, todas as assinaturas necessárias para que esses fatos sejam devidamente investigados nessa CPI e as responsabilidades esclarecidas, passando esse caso a limpo...
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – ... tanto para o Brasil como para o meu querido Estado de Alagoas.
Sr. Presidente, trata-se de cobrar a respostas para fatos objetivos que vieram a público. O próprio Senador Renan Calheiros afirmou – ele afirmou – ter conversado três vezes com Daniel Vorcaro, que é controlador do Banco Master.
Também foi apontado publicamente que Márcio Alaor de Araújo, que estruturou a área de consignados do BMG nos anos 2000, posteriormente apareceu no ecossistema do Banco Master, novamente ligado ao setor de benefícios e consignados.
E há ainda uma questão política que merece explicação. Enquanto o Senador Renan Calheiros preside a Comissão de Assuntos Econômicos, responsável por acompanhar o caso Master, Renan apresentou propostas para ampliar a proteção do Fundo Garantidor de Crédito a fundos públicos de previdência...
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – ... atingidos por investimentos em papéis do banco, comportando-se como o verdadeiro advogado do Vorcaro.
E aí eu faço uma nova pergunta ao Senador Renan Calheiros, como fiz na ocasião, lá em uma das reuniões da CAE, que ele ainda não respondeu. Senador Renan Calheiros, eu lhe pergunto mais uma vez: Quem elaborou esse projeto de lei, da sua autoria, que protege o Vorcaro e faz com que o Fundo Garantidor de Crédito tenha que pagar o rombo do Banco Master, no lugar de Vorcaro pagar o que ele roubou do Brasil e dos brasileiros e brasileiras? Você se comporta como um verdadeiro advogado do Vorcaro e você ainda não deu essa resposta para o Brasil e para Alagoas.
Diante desse conjunto de fatos, a pergunta é legítima: Qual é, afinal, a extensão da relação entre Renan Calheiros, o antigo caso BMG e o Banco Master? Essa ligação precisa ser esclarecida com transparência, investigação e respostas objetivas.
E, quando mais um ciclo eleitoral se aproxima, é hora de colocar em perspectiva todos os discursos, todas as promessas, todos os supostos feitos de pessoas assim. Quem se coloca como exemplo de homem público, de referência em cuidar das pessoas merece mais atenção ainda. A população não pode se deixar levar por propagandas enganosas nem falsas promessas.
O Senador Renan Calheiros, nessa hora que se avizinha, esconde sua ficha corrida e todo o perverso caminho que percorreu.
Portanto, é hora de levar luz às pessoas para que não sejam ludibriadas mais uma vez.
Eu quero mostrar a todos aqui presentes os 23 processos durante a vida pública do Senador Renan Calheiros – total de 23 processos. Nós, o povo brasileiro, não merecemos isto aqui: ter um Senador da República representando o povo brasileiro, em especial representando o povo alagoano, com 23 processos. Alguns desses processos estão arquivados, mas eu já solicitei desarquivamento, para que esses fatos sejam elucidados. Ele falou também na CAE, outro dia, que ele tinha sido inocentado. Não, Senador Renan Calheiros! Você não foi inocentado pela Justiça. Os seus processos, alguns deles foram arquivados, mas eu já solicitei desarquivamento. E o povo brasileiro vai saber e vai passar essa história a limpo, e o povo alagoano também. Sempre tem o dia D, e o seu dia D se aproxima. É só você aguardar mais um pouco.
Ontem, a pergunta...
(Interrupção do som.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – Estou concluindo, Sr. Presidente.
Ontem, a pergunta estava, como eu já falei, na merenda da cidade de Murici; hoje está nos milhões e bilhões que atravessam a cadeia dos combustíveis e o escândalo BMG Master. E os números falam por si. Foram, como eu já elenquei aqui, 23 processos contra o Senador Renan Calheiros entre casos, operações, inquéritos e processos. Não estamos falando de um fato isolado, de uma única controvérsia ou de um episódio perdido no tempo. Estamos falando de uma sucessão de questionamentos que atravessam décadas – décadas – de vida pública.
Há decisões que revelam muito sobre um governo, revelam suas prioridades, seus critérios e, sobretudo, aquilo que ele já está disposto a tolerar.
O que aconteceu na saúde de Alagoas – quero aqui incluir também o caso da saúde de Alagoas – exige uma resposta política clara. Estou falando aqui da saúde estadual de Alagoas. A Polícia Federal pediu o afastamento do Secretário Estadual de Saúde, o Dr. Gustavo Pontes de Miranda, apontado, nas investigações da Polícia Federal, como um dos chefes da organização criminosa investigada. E o que fez o Governo de Alagoas? E o que fizeram os Calheiros, que são cúmplices de tudo isso, que são cúmplices, junto com o Governador atual, Paulo Dantas? E o que fez o Governo de Alagoas? – pergunto mais uma vez. Na primeira oportunidade, colocou o Secretário Gustavo Pontes de Miranda novamente no comando da saúde –novamente, pasmem! –, e está lá ainda como Secretário Estadual de Saúde.
Senhoras e senhores, estamos falando da pasta que cuida da vida das pessoas, que administra hospitais, medicamentos, tratamentos em um orçamento gigantesco.
Para vocês terem uma ideia, só para o hospital chamado Hospital Carvalho Beltrão, que fica na cidade de Coruripe – estou aqui até com os dados –, entre o ano de 2017, quando o ex-Governador Renanzinho era Governador, até os dias atuais, até 2026, foi enviado para o Hospital Carvalho Beltrão, em Coruripe, quase R$1 bilhão. Está aqui, ó. Eu trouxe a planilha para vocês verem. Quase R$1 bilhão, isso tudo para um único hospital, que é um hospital particular, que tem a rede SUS também funcionando lá. O que justifica você mandar para um único hospital quase R$1 bilhão, e você não ter o tratamento devido da saúde dos nossos pacientes?
Os pacientes oncológicos estão morrendo na fila, esperando o atendimento oncológico, esperando a biópsia. Quando têm a biópsia, não têm a consulta precocemente, e, quando têm a consulta e têm a prescrição médica, não têm o medicamento.
A saúde do meu Estado de Alagoas está um caos: pessoas morrem nas filas, crianças morrem nas filas, e gestantes morrem por não terem maternidade e colegas que possam fazer o seu trabalho devidamente, porque não tem estrutura no hospital.
É como, por exemplo, o hospital da nossa maternidade, que está agonizando, a Maternidade Santa Mônica, onde as parturientes ficam no corredor, esperando atendimento, e os nossos colegas estão dando o melhor de si, mas o hospital não tem estrutura para um trabalho de excelência.
É por esse motivo que também não morrem só parturientes, não morrem só mães, morrem também os bebês. Infelizmente, esse é o caos que está instalado na saúde estadual de Alagoas.
Inclusive, eu pedi ao Ministro da Saúde intervenção na saúde do Estado de Alagoas – eu espero ainda uma resposta do Ministro –, para que a gente possa se posicionar e para que pessoas não morram mais, para que crianças não morram mais.
O Hospital da Mata e o Hospital do Agreste, que o ex-Governador deixou, são hospitais até grandes por fora, mas dentro não tem os insumos, dentro não tem estrutura necessária para atender nossos pacientes. E os pacientes agonizam e terminam, muitas vezes, indo a óbito.
E o Hospital da Cidade, que é o único hospital do Município de Maceió, está dando toda a estrutura necessária para esse déficit, só que nós não podemos garantir só com o Governo municipal. O Governo estadual tem que fazer o seu papel.
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – Mais uma vez, obrigada. Mas eu estou concluindo de verdade, Sr. Presidente. Agradeço a sua atenção de sempre.
Senhoras e senhores, aqui eu já falei das pastas que cuidam da vida, mas eu quero dizer que... Eu quero fazer um questionamento: que mensagem um Governo transmite ao povo quando, diante de acusações dessa gravidade, escolhe manter no centro do poder justamente quem está sob investigação? Por que o Dr. Gustavo Pontes de Miranda continua como Secretário Estadual de Saúde – e está sendo vergonhosa a gestão dele – com esses desvios todos? Ele foi apontado, pela Operação Estágio IV, da Polícia Federal, que esteve lá na Secretaria Estadual de Saúde... A Operação Estágio IV da Polícia Federal o colocou como o principal, como chefe da quadrilha – o Secretário Estadual de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, como chefe da quadrilha –, investigando o desvio de R$100 milhões dos cofres públicos da saúde do Estado de Alagoas.
Como que um gestor tem esse relatório da Polícia Federal e mantém um gestor no cargo? Essa é a pergunta que eu faço; essa é a pergunta que eu faço, porque isso é extremamente inexplicável e tem uma só explicação. E aqui eu não estou afirmando, aqui eu estou perguntando também: será que há cumplicidade? Isso é uma pergunta, Sr. Presidente. Será que há uma cumplicidade por parte dos Calheiros, que gerem o estado, que administram o Estado de Alagoas...
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – ... junto com o atual gestor, com o Governador Paulo Dantas? Porque como é que pode dois Senadores – pai e filho –, dois Senadores de mandato assistirem de camarote ao que está acontecendo no meu Estado de Alagoas, especialmente agora, nessa questão da saúde, e não fazerem nada? Isso é subestimar o povo. Isso é dizer que o povo não está atento. Isso é dizer que o povo não tem que ter esperança, não tem que ter sentimento de esperança e de mudança. Mas isso vai mudar, porque tudo tem um limite.
Já que os dois Senadores que representam o meu Estado de Alagoas não fazem o seu mister, como Senadores que são, eleitos pelo voto popular, eu, enquanto Senadora, a única Parlamentar...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – Estou concluindo. Obrigada, Sr. Presidente.
Eu, a única mulher Parlamentar... Eu tenho muito orgulho de representar a todas as mulheres do Brasil e a todas as mulheres do meu querido Estado de Alagoas – e aqui mando o meu forte abraço para todas as mulheres, cidadãs brasileiras e do meu querido Estado de Alagoas. Isso é fazer com que... é o mesmo que falar que as pessoas não raciocinam e não estão vendo, não estão enxergando a gravidade do que está acontecendo debaixo dos nossos olhos.
Mas eu continuarei aqui, investigando e colocando para cada alagoano e alagoana, colocando para cada brasileiro e para cada brasileira o que está acontecendo no meu estado, fazendo o que é devido a mim fazer pelos mais de 1 milhão de votos...
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – ... que obtive junto com o Senador Rodrigo Cunha.
Essa é uma questão política, porque o povo de Alagoas merece um governo que, diante da dúvida, escolha a prudência; diante de uma investigação grave, escolha a transparência; e, diante do dinheiro da saúde, não deixe sequer pairar uma sombra de desconfiança.
E aqui eu quero colocar também... Mas como tempo é exíguo, Sr. Presidente, e já lhe agradeço a sua atenção de sempre com a minha pessoa e com todos os colegas aqui Senadores, porque o senhor é um Presidente que realmente respeita muito os pares e agradeço por isso...
Isso sem comentar da Lava Jato, em que o Renan Calheiros também estava envolvido, em que ele foi apontado. Foi um dos primeiros Senadores a ser apontado na questão da Lava Jato...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – ... e isso foi algo que ele deixou muito marcante na vida política dele – uma das, uma das –, foi a questão da Lava Jato, em que ele estava totalmente envolvido também.
E isto me traz um sentimento de tristeza, saber que um Parlamentar tem a coragem de olhar para os votos que obteve no seu estado, a confiança que o povo colocou naquele Parlamentar, e ele fazer tudo isso que ele fez e vem fazendo. É motivo de muita tristeza e, posso dizer, também de vergonha de ter um colega nesta Casa que fez, faz e com certeza continuará fazendo tudo o que é de mais perverso e tudo o que é de mais corrupto...
(Interrupção do som.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL. Fora do microfone.) – ... que possa existir.
(Soa a campainha.)
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – Infelizmente, essa é a realidade.
Sr. Presidente, muito grata, um grande abraço.
Que Deus continue o abençoando!
O SR. PRESIDENTE (Davi Alcolumbre. Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - AP) – Obrigado, Senadora Dra. Eudócia.
Apenas me permita fazer uma ponderação a V. Exa., que, pelo tempo regimental, V. Exa. teria dez minutos para o uso da palavra, e, pela informação da Secretaria-Geral da Mesa, V. Exa. falou por 38 minutos.
Então me desculpe o toque da campainha. Eu fui tentando prorrogar o máximo de tempo para atender o pronunciamento de V. Exa.
A SRA. DRA. EUDÓCIA (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AL) – Muito grata, Sr. Presidente. Grata pela atenção.
Parabéns!