Pronunciamento de Ciro Nogueira em 02/09/2026
Discurso proferido da Presidência durante a 121ª Sessão Especial, no Senado Federal
- Autor
- Ciro Nogueira (PP - Progressistas/PI)
- Nome completo: Ciro Nogueira Lima Filho
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
- Matérias referenciadas
O SR. PRESIDENTE (Ciro Nogueira. Bloco Parlamentar Aliança/PP - PI. Para discursar - Presidente.) – Sras. Senadoras, Srs. Senadores, pastores, representantes da Assembleia de Deus em todo o país – em especial do meu amado Estado do Piauí –, demais autoridades aqui presentes, minhas senhoras e meus senhores, há números que medem o tamanho, Senador Amin, de uma trajetória, mas há números que, embora pequenos, são capazes de nos fazer compreender a grandeza e o impacto dessa história. Há 90 anos, eram apenas 28 pessoas; 28 homens e mulheres reunidos na minha querida Teresina, na Rua Olavo Bilac, movidos pela fé e pela convicção de que uma pequena comunidade tinha de cumprir a sua missão. Eles não poderiam saber o que o futuro lhes reservava, não poderiam imaginar que, nove décadas depois, aquela pequena reunião estaria na origem de uma presença que alcançaria todo o Estado do Piauí. Hoje, o Senado Federal se reúne para celebrar essa história.
Antes, quero fazer uma breve menção à minha própria história junto à Assembleia de Deus, que começou com o saudoso Pastor Nestor Mesquita. O Pastor Nestor sempre foi um grande líder da congregação no Estado do Piauí e um nome de imenso respeito no Brasil e foi ele quem me guiou com seus sábios conselhos por muito tempo. Agora, quem está com essa missão é o meu querido Pastor Besaleel, que sucedeu o Pastor Nestor na Presidência da nossa Ceadep e continua me nutrindo com as suas orientações, sempre baseado na retidão de quem caminha com Deus e nos pilares cristãos.
Eu agradeço cada momento que eu tenho ao seu lado, Pastor.
Mas, meus amigos, a história que hoje celebramos começou a ser escrita antes mesmo de 1936. Há registros de que o início do movimento pentecostal no Piauí foi em 1927, com o evangelista Raimundo Prudente de Almeida. Depois vieram outros homens e mulheres e outras iniciativas em outras comunidades. E chegamos, então, a 7 de agosto de 1936, na Rua Olavo Bilac, em Teresina, onde essas 28 pessoas se reuniram para organizar oficialmente a Assembleia de Deus no Piauí, sob a liderança de José Bezerra Cavalcante.
Ninguém que estivesse naquela reunião poderia imaginar que, nove décadas depois, a história daquela pequena comunidade seria celebrada aqui, no Plenário do Senado Federal. Ninguém poderia imaginar que aquela semente se espalharia em todo o território piauiense. Ninguém poderia também imaginar que, em 2026, a Assembleia estaria presente, Senador Amin, em mais de 5 mil templos espalhados pelo meu Estado.
Entre aquelas 28 pessoas e os mais de mil templos de hoje, existe um tempo que não pode ser medido apenas em números e, sim, por uma belíssima uma história; uma história construída por pastores, evangelistas e também por obreiros, professores, músicos, mulheres, jovens, idosos, pais, mães e crianças. É, por isso, que precisamos lembrar que as instituições são feitas por pessoas. São pessoas que transformam uma ideia em uma obra e uma comunidade em uma história.
A história da Assembleia de Deus no Piauí foi também uma história de perseverança. Perseverar é continuar quando ainda não se pode enxergar o resultado, é plantar quando ainda não se sabe quando virá a colheita. Foi assim que a Assembleia de Deus avançou pelo Piauí, Piripiri, Coivaras, Campo Maior, Parnaíba, Picos, minha amada Pedro II, Valença e tantos outros municípios do nosso estado.
Em 1940, foi adquirido o terreno que daria origem ao primeiro Templo Central de Teresina. Em 1941, foi inaugurado esse templo. Mas a construção mais importante não estava em tijolos, estava nas vidas. Para milhões de brasileiros, a igreja não é apenas o lugar para onde se vai em determinado dia da semana. Ela é também lugar de acolhimento principalmente, lugar onde se compartilham alegrias e tristezas, lugar onde famílias encontram apoio e esperança nos momentos difíceis.
Precisamos dar dimensão humana a este fato: ao longo de 90 anos, a Assembleia de Deus esteve presente na vida de gerações e gerações de piauienses, esteve presente quando nasciam os filhos, esteve presente quando as famílias celebravam suas conquistas, esteve presente quando as pessoas enfrentavam enfermidades, dificuldades financeiras, perdas ou lutos, esteve presente quando alguém precisava simplesmente encontrar uma palavra de esperança e esteve presente também através de muito serviço.
A assistência social em as ações comunitárias, o apoio às famílias e as iniciativas filantrópicas fazem parte da atuação institucional da Assembleia de Deus no nosso Piauí. Isso merece ser reconhecido.
Senhoras e Senhores, o Senado Federal é a Casa da Federação. Aqui estão representados os Estados brasileiros em sua diversidade. E o Piauí não chega a este Plenário apenas por meio de suas instituições políticas, chega também por meio de sua história, de sua cultura, de sua gente e de suas comunidades.
Por isso, homenagear a Assembleia de Deus no Estado do Piauí significa reconhecer uma instituição que, há nove décadas, participa ativamente da vida de milhares de piauienses e celebrar a trajetória da Assembleia de Deus nesta Casa significa reconhecer a contribuição histórica e social de uma comunidade de fé.
Meus senhores e minhas senhoras, ao celebrar os 90 anos da Assembleia de Deus no Piauí, precisamos olhar para aqueles que vieram antes de nós, precisamos lembrar os pioneiros, precisamos lembrar José Bezerra Cavalcante, precisamos lembrar Alfredo Carneiro, precisamos lembrar aqueles primeiros 28 irmãos, precisamos lembrar do meu querido Nestor Mesquita e de pastores, evangelistas e obreiros, que, geração após geração, se dedicaram a dar continuidade a esse trabalho. Muitos deles, infelizmente, já não se encontram entre nós, mas uma parte de sua história permanece ativamente na nossa memória, permanece nos templos e na memória dos que foram alcançados pelo seu trabalho. Talvez esta seja a maior recompensa de uma vida dedicada ao bem: continuar presente na vida daqueles que vieram depois.
Noventa anos depois significam também muita responsabilidade, porque quem recebe uma história recebe também o compromisso de preservá-la. As novas gerações da Assembleia de Deus têm diante de si uma tarefa tão importante quanto a dos pioneiros: continuar escrevendo essa história em um mundo muito diferente de 1936.
A celebração dos 90 anos, portanto, não deve ser apenas uma homenagem ao passado, mas também deve ser uma afirmação de futuro.
Por isso, nesta sessão solene, não apenas homenageamos as pessoas que compõem a Assembleia de Deus no Piauí, mas tudo aquilo que ela realizou nos seus 90 anos. Homenageamos também aqueles que tiveram a coragem de começar quando ainda não podiam enxergar o tamanho da obra e aqueles que hoje celebram a responsabilidade de conduzi-la para o futuro.
O nosso desejo é o de que saibam preservar aquilo que receberam e, ao mesmo tempo, tenham coragem de plantar novas sementes.
Que os próximos 90 anos encontrem a Assembleia de Deus no nosso Piauí fiel às suas raízes e firme em seus valores e que continuem contribuindo para uma sociedade mais solidária, mais fraterna e mais humana.
Aos 28 pioneiros, a nossa eterna gratidão. Às gerações que vieram depois deles, o nosso reconhecimento. Às famílias que ajudaram a construir essa história, o nosso respeito. À Assembleia de Deus no Estado do Piauí, pelos seus 90 anos de trajetória, receba agora esta homenagem do Senado Federal.
Muito obrigado. (Palmas.)
Concedo a palavra ao meu querido e grande amigo, Pastor Besaleel Assunção, Presidente da Assembleia de Deus no Município de Picos e da Convenção Estadual das Assembleias de Deus do Estado do Piauí.
O senhor pode ocupar a tribuna.