Presidência durante a 124ª Sessão Especial, no Senado Federal

Em fase de revisão e indexação
Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Senado Federal
Tipo
Presidência

    O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Bem, primeiro, quero parabenizar a iniciativa do Presidente Hélio de ouvir as pessoas. Eu aprendi aqui no Congresso: "Nada de nós sem nós". É inadmissível você fazer uma lei, um projeto, uma política para o povo sem ouvir realmente as partes que serão afetadas.

    Aqui nós temos, no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado, as Comissões. Nas Comissões é que as coisas acontecem, o debate. Nós temos muitas audiências públicas. E essas audiências são públicas: todos podem interagir, podem participar, podem realmente perguntar, podem colocar, no site do Senado, no da Câmara, a opinião sobre todos os projetos, sugestões. Tudo isso já acontece tanto na Câmara quanto no Senado.

    Agora, com relação à administração – e eu tenho aqui o privilégio de mais uma vez presidir esta sessão –, nós temos as prerrogativas do administrador. Está na lei, está no decreto. Então, a gestão é do administrador. Quando eu tenho uma... Quando eu estou doente, eu procuro quem? Um médico, não é isso? Se eu vou construir minha casa, eu procuro um engenheiro. Se eu quero fazer um projeto, eu procuro um arquiteto. Se eu quero ver a situação da minha empresa, o balanço, eu procuro um contador. E aí, o administrador fica onde nessa história?

    E vou dizer para vocês as consequências disso. A falta de administrador, a falta de gestor, principalmente na área pública, gera o caos. Nós estamos hoje devendo... O Brasil deve hoje R$10 trilhões. Nós vamos pagar de juros... Pagar não; vamos incorporar à dívida, porque não tem dinheiro para pagar. Nós vamos incorporar à dívida R$1,2 trilhão de juros, que é o dobro do que se investe em educação, saúde e segurança. Então, tudo aquilo que a gente aplica em educação, saúde e segurança é a metade dos juros da nossa dívida. E o que é isso? Falta de gestão.

    Se você pegar como exemplo hoje os Correios: no segundo semestre, foram quase R$9 bilhões de prejuízos; já no primeiro semestre agora deste ano, o prejuízo é de R$5,5 bilhões. Se você pegar a Emgepron, R$2,8 bilhões de prejuízos; a Emgea, R$791 milhões; a Infraero, R$775 milhões de prejuízos. O que é isso? Falta de gestão. E o pior: nós aprovamos uma lei – eu ainda era Deputado, quando nós aprovamos uma lei – proibindo colocar nas estatais políticos nos cargos políticos. Neste Governo, colocaram vários, foram para o Supremo, o Supremo autorizou, aliás o Supremo disse: "Não, não pode, mas quem já está fica". E aí vêm as consequências.

    Eu participo de toda fiscalização aqui. Participei da CPI da Petrobras, da Lei Rouanet, do Carf, da JBS, do Petrolão, do INSS, da Covid, porque é obrigação do Parlamentar fiscalizar. O papel do Senador, do Deputado, é fiscalizar, no caso federal, do Governo Federal, legislar e buscar recurso, levar recurso do orçamento para os municípios, para os estados. Esse é o nosso papel. Agora, quem executa as políticas públicas, quem faz as coisas é o Executivo – que é o Prefeito, é o Governador, é o Presidente da República.

    Eu tenho visto muitas pessoas nesta campanha agora dizendo: "Não quero saber de política, não gosto de política, não quero me envolver na política". E eu quero dizer para vocês que quem não gosta de política vai ser governado por quem gosta. Se você não participa, alguém vai decidir por você. Então, você tem que pesquisar para não acontecer o que tem acontecido: as pessoas no lugar errado. O Supremo Tribunal Federal é uma vergonha nacional. E eu espero que amanhã, se o Fachin não resolver essa questão, que esta Casa tome vergonha e afaste esses Ministros corruptos, que estão lá no Supremo Tribunal Federal. (Palmas.)

    Agora, precisamos colocar aqui na Casa, tanto no Congresso quanto nas câmaras, políticos que não tenham rabo preso, que não tenham processo, que não sejam condenados, para evitar que os ministros liguem aqui, ameaçando os Senadores e Deputados sobre a votação de qualquer matéria.

    Então, na hora de votar, tem que identificar a pessoa, conhecer a pessoa, saber qual é o motivo que ela está entrando na política, o que ela já fez na vida, se ela não está para defender os seus interesses pessoais. Tudo isso é importante.

    Vocês que são formadores de opinião precisam realmente conversar com as pessoas menos cultas, pessoas que não têm... Eu falo muito: voto não tem preço, voto tem consequência. Votou errado? São quatro anos de sofrimento. Então, pesquisem. Dia 4 de outubro é a eleição. Ninguém aguenta mais este país do jeito que está: mal-governado, com muita corrupção. E quem pode mudar isso? Nós, cada um de nós. Um voto – um voto – pode eleger um Presidente da República ou não; pode eleger um Governador ou não. Um voto, o seu voto. Então, é muito importante que todos participem disso.

    É evidente que, quando eu estive no Executivo, eu fui Secretário, por duas vezes, de Ciência e Tecnologia. Brasília não tinha instituto federal. Eu trouxe institutos federais, através do Ministério da Educação, e arrumei o terreno na Terracap. Brasília tem 11 institutos federais e construiu mais 9 escolas técnicas.

    Eu fui o Presidente da Comissão que aprovou o novo ensino médio, para que os jovens possam ter educação profissional no ensino médio, como era na minha época. Todos nós saíamos do ensino médio com uma profissão. Acabaram com isso.

    Nós criamos... Aqui em Brasília eu criei um projeto chamado Cheque Educação, ocupando as vagas ociosas das escolas, que hoje virou o Prouni. O Prouni é o Cheque Educação que nós lançamos aqui em 1998, e tem milhões de alunos estudando hoje na faculdade que não tinham condições de fazer. Mas, mesmo tendo o Prouni, só 22% dos jovens entram na faculdade, 78% dos jovens não entram na faculdade – e ficam na geração nem-nem, que não estudam e nem trabalham. A minha avó dizia: "Cabeça vazia, oficina do diabo". Não tem o que fazer, vai fazer o que não presta.

    Então cabe a nós realmente criar curso de capacitação para os jovens e para os adultos também. Mas isso é um papel do Executivo. Por isso, o papel das universidades... Hoje está uma esculhambação geral. É inadmissível o que está acontecendo nas universidades hoje: depredação completa, um desinteresse completo... E quem paga essa conta somos nós. Daí a importância de cada um de vocês se envolver agora no dia 4 de outubro.

    Hoje eu sou Senador. Sou candidato agora a Deputado Federal. Já fui, inclusive, Distrital e Federal. Queria muito ter ido para o Governo – infelizmente não consegui a legenda –, porque me preparei para isso. Mas vamos para a Câmara Federal e vamos continuar fazendo o que a gente faz.

    Então eu quero aqui, mais uma vez, dizer da minha alegria de poder presidir esta sessão. Os administradores têm um papel fundamental na sociedade. Se o Brasil está desse jeito, é por falta de administração. Então nós precisamos do Conselho Federal e dos conselhos regionais, para que atuem na fiscalização, vão aos órgãos públicos e notifiquem, multem as pessoas que estão exercendo o papel sem nenhum conhecimento.

    Hoje quem governa este país são os cargos comissionados, politiqueiros, cabos eleitorais. Nós temos que acabar com isso.

    Seria interessante que o próprio conselho começasse a fiscalizar e autuar todos aqueles que estão fazendo gestão hoje e que não têm competência e não têm prerrogativa para isso, como acontece com os nossos contadores. No serviço público ainda tem muita gente exercendo papel de contabilidade sem formação, e os conselhos precisam atuar muito em cima disso aí. Os advogados fazem isso muito bem. Você não faz nada neste país hoje sem ter a assinatura do advogado. Por quê? Porque eles são organizados, eles começaram a se organizar muito tempo. Infelizmente, a OAB, inclusive, está deixando muito a desejar com relação ao Supremo. É lamentável o que vem acontecendo no Brasil sem apoio da OAB, que deveria se manifestar sobre esse escândalo que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal.

    Mas, gente, cumprida então a finalidade desta sessão especial, eu quero agradecer a presença de todos aqui, em especial os alunos, os professores, os administradores que aqui vieram, e declaro encerrada esta sessão solene.

    Muito obrigado. (Palmas.)

(Levanta-se a sessão às 11 horas e 31 minutos.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 15/09/2026 - Página 20