Discurso no Senado Federal

POSIÇÃO, DE S.EXA. QUANTO A SUA FILIAÇÃO PARTIDARIA. COMENTANDO NOTICIA PUBLICACA NO JORNAL FOLHA DE S.PAULO, COLUNA PAINEL, INTITULADA MEXENDO EM VESPEIRO, ACERCA DA REJEIÇÃO DE S.EXA. PELO PSDB NO MARANHÃO. DESMENTINDO O SEU POSSIVEL INGRESSO NO PSDB.

Autor
Epitácio Cafeteira (PPB - Partido Progressista Brasileiro/MA)
Nome completo: Epitácio Cafeteira Afonso Pereira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
POLITICA PARTIDARIA.:
  • POSIÇÃO, DE S.EXA. QUANTO A SUA FILIAÇÃO PARTIDARIA. COMENTANDO NOTICIA PUBLICACA NO JORNAL FOLHA DE S.PAULO, COLUNA PAINEL, INTITULADA MEXENDO EM VESPEIRO, ACERCA DA REJEIÇÃO DE S.EXA. PELO PSDB NO MARANHÃO. DESMENTINDO O SEU POSSIVEL INGRESSO NO PSDB.
Aparteantes
Esperidião Amin.
Publicação
Publicação no DSF de 10/02/1996 - Página 1653
Assunto
Outros > POLITICA PARTIDARIA.
Indexação
  • CONFIRMAÇÃO, ORADOR, FILIAÇÃO PARTIDARIA, PARTIDO PROGRESSISTA BRASILEIRO (PPB).
  • COMENTARIO, INEXATIDÃO, ARTIGO DE IMPRENSA, TROCA, ORADOR, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA (PSDB), ESTADO DO MARANHÃO (MA), OPOSIÇÃO, JOSE SARNEY, PRESIDENTE, SENADO.

O SR. EPITACIO CAFETEIRA (PPB-MA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, o assunto que vou tratar hoje normalmente não precisaria ser tratado, porque penso que intrigas políticas não merecem resposta. Acontece que sou Líder do PPB. Tenho, pelo menos, que prestar considerações ao meu Partido. Muito mais à opinião pública.

Quando fui candidato a Governador do Maranhão, contei com o apoio do PSDB do Maranhão, que preferiu ficar com minha candidatura do que com a candidatura de Roseana Sarney. Hoje, está pagando por isso. Eu não diria que o Maranhão está a pão e água, porque nem isso tem. Lá, a situação é muito difícil para o Partido, mas, mesmo tendo eles enfrentado toda sorte de abandono, continuam meus amigos.

Há poucos dias, quando circulou a notícia de que eu poderia sair do PPB, o Presidente do PSDB, meu amigo, o nobre Senador Artur da Távola, aqui presente, perguntou-me se poderia começar a convencer-me. Respondi que não, porque, se eu saísse do meu Partido, não iria para partido algum. Tenho sete mandatos, em um total de 34 anos de política, e estive apenas em três partidos políticos. Não resta dúvida, portanto, quanto à minha posição e à posição não só do PSDB do Maranhão, como a do PSDB nacional.

Dizem: "O Cafeteira não tem adversários: o Cafeteira tem inimigos." E os inimigos se permitem tudo: se permitiram na eleição e se permitem agora. Se algum Senador leu O Globo de domingo, deve ter tomado um susto.

Diz esse jornal que fui escolhido, por unanimidade, o Senador mais aborrecido, mais turrão, e que os colegas até evitam contato comigo, quando, na realidade, só tenho aqui amigos e na roda em que estiver conversando é sempre uma alegria. Então, aquilo já era o início de algo maior.

Na segunda-feira, na coluna "Painel" da Folha de S. Paulo, saiu outra nota que se intitula "Mexendo em Vespeiro" que diz:

      "O PSDB vetou a entrada do Senador Epitacio Cafeteira (PPB) na legenda no Maranhão. O motivo é um só: os tucanos não querem nem pensar em contrariar o Senador José Sarney (PMDB-AP) e seus aliados políticos."

Li essa notícia e achei que deveria continuar ignorando. Havia a notícia de domingo e a de segunda. Mas novamente ontem, agora já na coluna - aquela outra não tinha assinatura, e sei que, em coluna política de jornal, cada um põe uma notícia, o que dificultaria saber quem a colocou - de uma jornalista conceituada, Denise Rothenburg e dizia o seguinte:

      "No caso do PMDB, os tucanos já começaram a agir. Em dezembro, o Senador Epitacio Cafeteira (PPB-MA), inimigo número um de Sarney no Maranhão, tentou ingressar no PSDB, mas foi vetado. O veto teve o objetivo de não melindrar Sarney."

Fiquei pensando, Sr. Presidente: por um lado, eu tinha que mostrar aos meus companheiros de Partido que isso era tudo mentira, e os Srs. Parlamentares sabem, assim como o povo do Maranhão, que tudo isso é destituído de verdade.

Então, Sr. Presidente, creio que dá para entender por que isso está sendo feito. Acredito que é muito mais para tentar passar a imagem de que o Presidente da República tem medo do Presidente desta Casa, o nobre Senador pelo Amapá, José Sarney. E repetem a notícia na segunda e na quarta-feira. O desejo é dar idéia de força ao Presidente do Senado. Não tenho a menor dúvida de que qualquer Senador que esteja presidindo o Senado tem força política. Mas não deveria deixar que se colocasse na imprensa a idéia de que o Presidente da República tem medo do Presidente do Senado. Imagino que essa notícia foi veiculada muito mais para atingir Fernando Henrique Cardoso do que para atingir o Senador Epitacio Cafeteira. Afinal de contas, Cafeteira não pode ser atingido porque todo mundo sabe que isso é totalmente infundado. O que realmente tem fundamento, Sr. Presidente, é esse desejo de se levar a imagem de que o Presidente desta Casa é realmente importante, ou seja, que faz medo ao Presidente da República.

Espero que a jornalista Denise Rothenburg - como já disse, uma jornalista séria - coloque na sua coluna quem lhe deu essa informação. Tenho a impressão de que se trata da mesma pessoa que colocou a nota no domingo, dizendo que eu era malquisto pelos meus colegas, a mesma que colocou a nota no "Painel" da Folha de S. Paulo, ou seja, vamos encontrar uma pessoa que, sei, está muito ligada ao Presidente desta Casa.

O Sr. Esperidião Amin - V. Exª me concede um aparte?

O SR. EPITACIO CAFETEIRA - Com muita alegria, Presidente do meu Partido, nobre Senador Esperidião Amin.

O Sr. Esperidião Amin - É do meu dever não apenas ouvi-lo, como também fazer uma rápida intervenção, no momento em que V. Exª, justificadamente, usa da tribuna para prestar esclarecimentos e, sob certo aspecto, até fazer uma devida auto-reparação. Não acompanhei todas essas matérias a que V. Exª se refere: a de domingo e a de segunda, mas li a de ontem, quarta-feira, na coluna da jornalista Denise Rothenburg, que é uma pessoa que tenho na melhor das contas, como profissional da imprensa brasileira.

O SR. EPITACIO CAFETEIRA - Eu também.

O Sr. Esperidião Amin - Julgo oportuno que V. Exª preste essas informações e faça esses comentários, até em função da credibilidade da jornalista, que a merece, e se há, como V. Exª deixa flagrante, reparos a fazer às informações que lhe prestaram, é justo que V. Exª use a tribuna, que o povo do Maranhão lhe conferiu, para fazer esse desagravo, do qual eu gostaria de participar. Considero judiciosas e procedentes as colocações de V. Exª sobre os reflexos dessa notícia de ontem sobre o PSDB, sobre o Presidente da República. Mas não me cabe fazer análise de qual seria a reação do PSDB ou do seu Presidente, ou dos próceres do PSDB diante de um suposto veto a alguém para não desagradar outrem. Mas acho que as colocações de V. Exª fazem sentido, são procedentes. Desejo também cumprimentá-lo pelo esclarecimento cabal que dá acerca dos fatos, e me congratular com a disposição de V. Exª em continuar colaborando como partidário, como Líder da nossa Bancada, que integro aqui no Senado, para o fortalecimento do nosso Partido, Partido que procura fortalecer-se para defender não bancos, não banqueiros, mas para defender o povo brasileiro, para defender o pequeno produtor rural, para defender o pequeno e o microempresário, para libertar o País de taxas de juros escorchantes, de um ciclo cambial complicado, um Partido que se mobiliza para proteger o emprego, o empresário, a atividade econômica brasileira. Esse é o nosso principal empenho. É claro que não somos os donos da verdade. Outros partidos têm talentos tão bons ou até melhores do que os nossos para se lançarem nessa empreitada. Quero me congratular com a manifestação de V. Exª e oferecer-lhe a minha sincera solidariedade, dos seus companheiros de Bancada no Senado e do nosso Partido.

O SR. EPITACIO CAFETEIRA - Agradeço o aparte do nobre Senador Esperidião Amin, cujo trabalho à frente do Partido o tem feito crescer, exatamente na busca desses objetivos citados por V. Exª. Ainda ontem o Partido conseguia, através da formação de um bloco, ser o segundo colocado na Câmara dos Deputados.

Mas, Sr. Presidente, enganam-se as pessoas que levam essa notícia para dar a idéia de um Presidente da República amedrontado. E digo isso porque acredito que o Real criou uma aura tão grande para o Presidente da República que hoje o que vemos nas duas Casas do Congresso é a falta de uma oposição a um Governo que tem seus defeitos, que está criando dificuldades quanto ao emprego, que está cobrando juros altos, que é fácil de ser levado à contestação por fatos negativos. Mas o Real é tão forte que não seria o Presidente do Senado, Senador pelo Amapá, e não pelo Maranhão, cuja passagem pelo Maranhão já ocorreu há algum tempo, e não tem hoje mais a ver com esse Estado, a não ser os parentes, e cuja linha política é a do Estado do nobre Senador Sebastião Rocha e não mais a do Maranhão, que iria ameaçá-lo. Então, não teria por que o Presidente se atemorizar diante de um político que todos conhecem.

Muito obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 10/02/1996 - Página 1653