Discurso no Senado Federal

REFLEXÃO SOBRE O TURISMO NO PAIS, DESTACANDO A AUSENCIA DA EMBRATUR NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS E INVESTIMENTOS EM PROL DA REGIÃO AMAZONICA.

Autor
Ernandes Amorim (PPB - Partido Progressista Brasileiro/RO)
Nome completo: Ernandes Santos Amorim
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
TURISMO.:
  • REFLEXÃO SOBRE O TURISMO NO PAIS, DESTACANDO A AUSENCIA DA EMBRATUR NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS E INVESTIMENTOS EM PROL DA REGIÃO AMAZONICA.
Aparteantes
Carlos Wilson, Esperidião Amin, Joel de Hollanda, Lúdio Coelho, Ramez Tebet, Romeu Tuma.
Publicação
Publicação no DSF de 21/01/1998 - Página 950
Assunto
Outros > TURISMO.
Indexação
  • CRITICA, ABANDONO, INSTITUTO BRASILEIRO DO TURISMO (EMBRATUR), REGIÃO AMAZONICA, ESPECIFICAÇÃO, ESTADO DE RONDONIA (RO), PROJETO, INCENTIVO, TURISMO, REGIÃO.
  • CRITICA, INEFICACIA, POLITICA NACIONAL, TURISMO, BRASIL, ESPECIFICAÇÃO, ESTADO DE RONDONIA (RO).

              O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, ocupo esta Tribuna para tratar de uma questão que intriga milhares de brasileiros, o turismo; tenho sido bastante abordado pelo povo da minha região, sobre o turismo na Amazônia.

              A todos nós da Amazônia, parece-nos que fomos riscados do mapa pela Embratur - órgão subordinado ao Ministério da Indústria, Comércio e Turismo, dirigido brilhantemente pelo eminente Deputado Federal do PPB - Francisco Dornelles - do qual tenho certeza merecerei toda a sua atenção, agência de desenvolvimento esta no meu Estado - Rondônia, é uma ilustre desconhecida, embora seja uma empresa brasileira de turismo, só se faz presente no Nordeste e Sudeste, esquecendo-se do restante do país, em especial a região amazônica, se é que podemos, com a nossa generosidade amazônida, chamar assim.

              Rondônia em sua história, jamais foi contemplada com qualquer projeto e investimentos no setor de turismo, a não ser alguns hotéis financiados pela Sudam, com incentivos fiscais do Fundo 157, entretanto, estamos percebendo a movimentação em torno do Programa Nacional de Municipalização do turismo, no entanto, apesar de sermos uma Unidade da Federação, em nossos 52 municípios nada se sabe a respeito: Quando será que a Embratur vai chegar em Rondônia, abraçando o nosso turismo em toda a sua plenitude? 

              Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, baseado nesse contexto do meu Estado é que proponho uma séria reflexão sobre como está sendo trabalhado o turismo em nosso País.

              Sempre vale a pena lembrar as proporções continentais do nosso Brasil, que resultam na sua diversidade natural, e sua rica cultura, seu povo alegre e hospitaleiro.

              Entretanto, o nosso País no ano de 1995 (última estatística publicada pela Embratur) não recebeu mais de 1.991.416 (hum milhão, novecentos e noventa e hum mil e quatrocentos e dezesseis) turistas; números estes, inferiores ao dos nossos vizinhos argentinos e uruguaios.

              Isto se deve Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, a um planejamento pouco agressivo e profissional por parte da Embratur - Órgão Oficial de Turismo no Brasil, que insiste em promover os mesmos pólos turísticos, alguns já desgastados, e outros, que por si só podem se promover, deixando de lado outros tantos atrativos das mais diversas origens, naturais ou culturais, desconhecidas até mesmo por seu próprio povo.

O Sr. Joel de Hollanda (PFL-PE) - Permite-me V. Exª um aparte?

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Pois não, nobre Senador.

O Sr. Joel de Holanda (PFL-PE) - Senador Ernandes Amorim, estou ouvindo com atenção o pronunciamento que V. Exª faz da tribuna do Senado, nesta tarde, abordando um tema extremamente importante: a questão do turismo no nosso País. Louvo a preocupação de V. Exª em fazer considerações sobre o,setor do turismo, verdadeira indústria de geração de divisas, que tem um papel muito importante também na criação de empregos no nosso País. Apenas gostaria de ponderar a V. Exª que, com relação às ações que a Embratur está desenvolvendo, estas são de estímulo e de incentivo às regiões, aos Estados e até aos Municípios que se apercebem que a indústria de turismo é moderna, tendo uma capacidade de resposta econômica e social muito forte. A Embratur, como órgão executivo da política nacional de turismo, procura justamente apoiar as iniciativas dos Estados e Municípios que marcham nessa direção. V. Exª referiu-se ao Nordeste, onde o desenvolvimento do turismo é fruto dos investimentos que estão sendo feitos pela iniciativa privada e com o apoio dos Estados e Municípios, evidentemente, cumprindo também os ditames da política nacional de turismo. É preciso que haja em cada Estado e Município um despertar para a importância do turismo. Não é a Embratur que vai fazer com que haja o desenvolvimento do turismo no Município A, B ou C da Amazônia, mas, sim, a sociedade civil, as lideranças dessa região, através da conscientização da importância do turismo, procurando apresentar os projetos, quer na Embratur, no BNDES ou nos órgãos de financiamento, para implantar a infra-estrutura necessária para o seu desenvolvimento. Por isso, tenho acompanhado aqui, ao lado de outros companheiros do Nordeste, todo o desenvolvimento da indústria de turismo na região, dialogando, buscando superar os pontos de estrangulamento e fazendo valer essa parceria entre a iniciativa privada, o Governo Federal, os Estados e os Municípios, para que essa atividade se desenvolva e atinja os seus objetivos. Se o Nordeste hoje está explodindo como destino turístico é porque ali há muitos anos vêm sendo feitos importantes investimentos; investimentos em hotéis, parques aquáticos, em parques temáticos, em hotelaria, em profissionais, em mão-de-obra adequada para receber o turista; e fruto também do trabalho que esta Casa tem desenvolvido junto às companhias aéreas, que estão fazendo promoções de suas passagens, os pacotes turísticos estão podendo ser financiados em um número maior de parcelas. Hoje, a região está competitiva em relação aos outros destinos do País. Portanto, a Embratur - que até bem pouco tempo esteve sob a direção do Dr. Caio Carvalho - promoveu essa integração dos Estados e Municípios, essa descentralização das ações de turismo, promoveu o chamamento da iniciativa privada, e o resultado é este que estamos assistindo. V. Exª faz muito bem quando chama a atenção para as potencialidades da Região Amazônica, mas é preciso que o empresariado da região, os Prefeitos e Governadores se mobilizem também para viabilizar os projetos e fazer aquilo que o Nordeste está fazendo com êxito: tornar-se um destino turístico reconhecido pelas suas potencialidades e pela sua importância. Muito obrigado a V. Exª pelo aparte.

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Incorporo as palavras de V. Exª ao meu discurso. Quando V. Exª diz que o Nordeste não tem recebido recursos da Embratur, que a empresa não trabalha pelo Nordeste, menos ainda faz pela Região Norte. Daqui a pouco não há razão de existir a Embratur.

O Sr. Joel de Hollanda (PFL-PE) - Vem recebendo recursos da Embratur, mas em parceria com a iniciativa privada - iniciativa privada e Governos dos Estados. Por exemplo, o Prodetur - Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste - é uma ação conjunta Governo Federal, Estados e Municípios, com o apoio também da iniciativa privada. O Programa Nacional de Municipalização do Turismo envolve todos os Municípios da região que têm potencialidade, que procuraram e encontraram na Embratur o apoio necessário para o desenvolvimento das suas ações.Vem recebendo apoio, mas é um apoio às ações e iniciativas da própria Região.

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, dando continuidade ao meu discurso, o turismo é considerado a economia que mais cresce no mundo atualmente, gerando cerca de 380,7 bilhões de dólares, perdendo apenas para o “petróleo”, sem o qual o turismo não poderia existir.

              Estatísticas nos mostram ainda que o turismo emprega no mundo 01 em cada 10 trabalhadores direta e indiretamente.

              O turismo inter-relaciona-se com milhares de setores da atividade socioeconômica, tais como: construção civil (ampliação da rede hoteleira), produção artística e cultural, comunicações, transportes aéreo, rodoviário, marítimo e fluvial; ligado diretamente a 52 setores do comércio e serviços, imóveis, alimentação, hospedagem, etc, além dos setores agrícola e financeiro.

É por este motivo que se fala o “FENÔMENO TURISTICO’, ou a “INDÚSTRIA DO TURISMO”, que na verdade faz parte do setor terciário da nossa economia, mas pela sua complexidade e importância, metaforicamente, é chamada de “INDÚSTRIA DO TURISMO”

O Sr. Ramez Tebet (PMDB-MS) - Permite-me V. Exª um aparte?

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Pois não, nobre Senador Ramez Tebet.

O Sr. Ramez Tebet (PMDB-MS) - Senador Ernandes Amorim, pedi o aparte para parabenizá-lo. Este é um assunto em que o País precisa avançar, e o mais urgentemente possível. V. Exª afirmou, e todos nós sabemos, que a indústria que mais dá emprego no mundo hoje é a indústria turística. Todos nós sabemos, e o mundo reconhece, que nenhum outro país oferece condições e possui belezas naturais necessárias para o incremento turístico do que o nosso querido Brasil. V. Exª pede infra-estrutura adequada, fala das outras atividades com as quais o turismo se relaciona. Eu queria aproveitar a oportunidade do seu pronunciamento para dizer que o Estado que V. Exª representa, o Estado de Rondônia, também tem condições de receber e de incrementar a indústria do turismo. Eu sou do Centro-Oeste, e no contexto do Centro-Oeste está Mato Grosso do Sul, Estado que modestamente represento, juntamente com outros Colegas, e posso dizer que uma das maiores dádivas da natureza está situada no Estado do Mato Grosso do Sul, que é o nosso Pantanal, afora outras regiões do nosso Estado. Mas, infelizmente, faltam incentivos para que os próprios brasileiros conheçam o Brasil, conheçam Mato Grosso do Sul, conheçam Rondônia. É uma oportunidade ímpar. O turismo está se desenvolvendo. Hoje o turismo não é mais o conhecimento das cidades antigas, das cidades históricas e dos museus. Hoje o turismo está se desenvolvendo em outro setor, que é o conhecimento da própria natureza, dos recursos que Deus nos deu, em suma, é o ecoturismo que está prevalecendo. Nesse setor, o nosso Brasil, sem dúvida alguma, ocupa lugar de maior destaque quando comparado aos outros países. Portanto, junto o meu apelo, o apelo de Mato Grosso do Sul, ao apelo de V. Exª, que fala por Rondônia, no sentido de que acordemos, no sentido de que o Brasil precisa acordar para isso. O Senador Joel de Hollanda acaba de afirmar que, às vezes, a simples redução das tarifas aéreas é suficiente para que nós, os brasileiros, antes de conhecermos o exterior, conheçamos o nosso próprio País. Para finalizar, digo a V. Exª que um alto diretor do Banco do Brasil há alguns dias disse-me que só uma empresa de navegação aérea do Brasil, a Varig, possui 42 vôos semanais do Brasil para os Estados Unidos. Ora, são divisas que saem do Brasil e que enriquecem outros países. Precisamos, então, lutar para que as nossas divisas permaneçam aqui e que recebamos as divisas de irmãos de outros países que queiram nos visitar. Cumprimento V. Exª e agradeço por permitir a minha interferência no seu belo pronunciamento.

              O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Senador Ramez Tebet, incorporo o aparte de V. Exª, que, na minha opinião, completa o meu pronunciamento.

              O turismo como fonte geradora de riquezas só é alcançado quando existe a união da comunidade, que está à mercê da demanda turística, com os empreendedores - a iniciativa privada, portanto - e o respaldo dos órgãos públicos.

              Desta forma, alcança-se o chamado “TURISMO SUSTENTADO”, com planejamento e perspectivas futuras, e não este turismo imediatista que muitos tecnocratas pregam.

              Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, estas constatações não são minhas apenas, são muito mais dos profissionais sérios que fazem o pouco de turismo que temos no Brasil, e que podem provar e comprovar este fato. Porém, infelizmente, não é isso que está acontecendo, mas que deveria estar, desde a criação da Embratur.

              Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, precisamos inverter esses números, pois os dados de que disponho demostram que o Brasil é um dos países mais cobiçados, só que para o turismo emissivo!

              No ano de 1996, viajaram para fora do País cerca de 2.943.400 (dois milhões, novecentos e quarenta e três mil e quatrocentos) turistas, que geraram uma receita de R$2.469.146.000,00 (dois bilhões, quatrocentos e sessenta e nove milhões, cento e quarenta e seis mil reais) e deixando no exterior R$5.825.498.000,00 (cinco bilhões, oitocentos e vinte e cinco milhões e quatrocentos e noventa e oito mil reais), o que nos dá uma receita negativa de mais de três bilhões de reais, segundo estimativas do Banco Central.

              É esse o turismo que queremos? O que leva nossas divisas e enriquece mais ainda os países ricos, empobrecendo nossa balança comercial, que há muito deixa a desejar?

              É para isso que foi criado o órgão brasileiro de turismo que, diante dos fatos, institui às pressas campanhas medíocres, tentando incentivar o turismo interno, campanhas essas sem respaldo, e sem impacto no consumidor final?

              Todos sabemos que é muito mais barato viajar até Miami do que ir de Rondônia a Pernambuco.

Que tipo de publicidade é essa que leva dos cofres públicos bilhões de reais e não traz resultados concretos e condizentes com as cifras gastas, já que nem dados relativos ao retorno da campanha publicitária o referido órgão tem?

O Sr. Lúdio Coelho (PSDB-MS) - Senador Ernandes Amorim, V. Exª me permite um aparte?

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Pois não, nobre Senador Lúdio Coelho.

O Sr. Lúdio Coelho (PSDB-MS) - Senador Ernandes Amorim, V. Exª está tratando de um assunto da mais alta importância. Os dados de 1997 a respeito das perdas brasileiras em turismo ainda são maiores do que os apresentados por V. Exª. No ano passado, gastamos mais no exterior - cerca de R$4,6 bilhões a mais do que os estrangeiros gastaram aqui. Isso revela também uma supervalorização da nossa moeda. As pessoas estão viajando para o exterior porque está muito barato. Tenho a impressão de que o ideal seria investir mais no turismo interno, como V. Exª está propondo, porque esse setor está extremamente descapitalizado. Penso que, por exemplo, essas viagens ao Pantanal, a Bonito, a todas essas regiões necessitam de um pouco mais de conforto. Tenho a impressão de que, financiando-se o turismo, haveria um retorno muito alto. Felicito V. Exª por chamar a atenção da Casa para um assunto tão importante para a Nação brasileira. Muito obrigado.

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Agradeço o seu aparte, Senador Lúdio Coelho.

Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, cabe aqui enfatizar o papel do Governo neste contexto, o fator econômico, gerador de divisas e influenciador das condições envolvidas neste processo.

A política nacional de turismo é o instrumento governamental que deveria nortear o desenvolvimento do turismo.

O Sr. Carlos Wilson (PSDB-PE) - Permite-me V. Exª um aparte?

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Pois não, nobre Senador.

O Sr. Carlos Wilson (PSDB-PE) - Senador Ernandes Amorim, antes de tudo, quero parabenizar V. Exª por trazer nesta tarde um tema da maior oportunidade. Sabemos que o Brasil dispõe de um alto potencial a ser explorado. Há muitos e muitos anos, ouvimos falar em turismo, mas o Brasil não usufrui das riquezas que existem aqui. Há pouco, o Senador Lúdio Coelho falava no turismo interno. Destaco a atuação de alguns Srs. Senadores, como o Senador Joel de Hollanda, aqui presente, que é um batalhador, um entusiasta do desenvolvimento do turismo no nosso País. Agora, as companhias de aviação resolveram, numa boa hora, fazer o chamado “vôo da madrugada”, um vôo mais do que noturno, um vôo a partir de meia-noite até as quatro da manhã. Citarei um exemplo para que V. Exª tenha a noção de quanto isso poderá trazer de rentabilidade, principalmente para as Regiões Norte e Nordeste: uma passagem Recife-São Paulo vai custar em torno de R$170,00, ou seja, será mais barata do que uma passagem rodoviária. São essas as medidas incrementadas hoje pela Embratur. Faço questão de destacar o trabalho desenvolvido pelo seu Presidente, Caio Luiz de Carvalho, que tira do atraso algumas dezenas de anos. V. Exª menciona campanhas que não foram bem divulgadas no exterior. Agora, com otimismo, vejo que a Embratur se volta para o turismo interno. Mas, mais do que isso, precisamos ter também uma preocupação com as companhias aéreas, esperando que elas possam dar uma contribuição para um melhor desenvolvimento do turismo no nosso País. Posso dizer que este ano tem sido promissor para o Nordeste, no que diz respeito ao desenvolvimento do turismo. E atribuo isso tudo, também, a um trabalho que vem sendo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Turismo, comandada pelo Presidente Caio Luiz de Carvalho. Então, parabenizo V. Exª, porque é muito oportuno o tema que V. Exª traz ao debate nesta Casa na tarde de hoje.

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Obrigado, Senador Carlos Wilson.

O Sr. Romeu Tuma (PFL-SP) - Senador Ernandes Amorim, permite-me V. Exª um aparte?

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Ouço V. Exª com prazer.

O Sr. Romeu Tuma (PFL-SP) - Senador Ernandes Amorim, sei que às vezes os apartes interrompem um pouco o raciocínio, mas, como o assunto abordado por V. Exª é muito importante, torna-se difícil não tomar parte no debate. Além disso, quero também endossar as colocações do Senador Carlos Wilson no que diz respeito ao trabalho que o Dr. Caio Luiz de Carvalho tem realizado à frente da Embratur. Esta Casa tem colaborado para que melhorem as condições para a indústria do turismo; pode-se citar por exemplo a abertura dos portos à navegação dos navios de bandeira estrangeira, que tem proporcionado o turismo por meio de embarcações do Primeiro Mundo, que vêm fazendo uma série de viagens ao longo de nossas costas - que são tão lindas, não é Senador Carlos Wilson? Estive presente à última reunião da entidade, quando assumiu a sua presidência o Dr. Caio - pessoa que conheço e respeito nessa área de prestação de serviço ao turismo -, com muito entusiasmo e com muito otimismo. Creio que temos de trazer a esta Casa o debate sobre a indústria do turismo, visando melhorá-la. Senador, aqui se discutiu muito, durante os debates sobre contrato temporário de trabalho, o que ocorreu na Espanha com relação a essa questão. Naquele país, implantou-se o contrato temporário de trabalho, do qual se desistiu ante um acordo laboral entre o capital e o trabalho. Há dez anos, a Espanha cresce industrialmente, infelizmente a 1% ao ano. Por meio do turismo, pode-se manter o equilíbrio do nível de emprego. O turismo é a grande fonte de renda da Espanha, de Portugal, da França e de vários outros países. Comparando a dimensão desses países com a do Brasil e o que nos foi oferecido por Deus, em termos de natureza, podemos constatar que não estamos explorando 1% daquilo que seria o ideal. Nestes dias, tenho visto que o seu Estado e outros Estados - que até então eram Territórios - estão sendo capazes de oferecer algumas coisas diferentes, principalmente ao turista estrangeiro. Com a própria intervenção do DAC e da Infraero, no sentido de facilitar os vôos charters em território brasileiro, penso que, primeiramente, vamos atrair estrangeiros para o nosso País e que, em segundo lugar, vamos oferecer aos brasileiros razão para viajar e conhecer o nosso País e não precisar ir a Miami, a Nova Iorque, a Paris ou a Londres. Vamos dedicar um investimento maciço à indústria do turismo aqui. Muito obrigado pelo aparte. Cumprimento V. Exª.

              O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - A Política Nacional de Turismo é o instrumento governamental que deveria nortear o desenvolvimento do turismo, não somente no aspecto econômico, mas favorecendo a diminuição das desigualdades regionais, a geração de empregos e renda, a integração ao mercado de trabalho de um contingente populacional de baixa qualificação profissional, mediante a execução de atividades correlatas.

              Eis aí a questão: não estão sendo colocados em prática essas diretrizes, principalmente no tocante às desigualdades regionais. Gostaria de saber do Sr. Caio de Carvalho, Presidente do Instituto Brasileiro de Turismo - e, aqui, foi elogiada a sua administração - que incentivos o Estado de Rondônia recebeu nos últimos anos que favorecessem alguns dos aspectos relacionados acima? Naturalmente, não seria por falta de vocação turística, creio até mesmo por total ignorância em relação ao que é o Vale do Guaporé, no caso do meu Estado, tais como os Municípios de Costa Marques, São Francisco, Guajará-Mirim e Pimenteiras - estrada de ferro Madeira Mamoré e o Forte Príncipe da Beira, a nossa fauna, flora e a diversidade dos nossos animais silvestres e pescados.

              Anteriormente, mencionei o porquê de se chamar o turismo de indústria. O que isso implica? A estrutura de atendimento local na origem do turista, guias, agências que preparam a viagem, transportadoras, equipamento receptor no local do destino, serviços prestados ao turista e demais relações oferta X demanda, faceta que revela atualmente como a que merece mais atenção do fenômeno turístico.

              E aí me vem um novo questionamento. Dos 1.142 Municípios engajados no Programa Nacional de Municipalização do Turismo, implantado pela Embratur, conforme Deliberação Normativa 324, de 06 de dezembro de 1993, para identificar municípios prioritários para o desenvolvimento do turismo, quantos já conseguiram efetivamente alguma verba governamental para a melhoria da infra-estrutura urbana e turística do seu local? Pois, para qualquer planejamento, revitalização urbana ou qualificação profissional, fazem-se necessários recursos financeiros.

              Mas por que esse questionamento? Porque partimos da premissa de que nenhum turista sai do seu local de origem para conhecer uma comunidade ou um atrativo turístico sem a mínima infra-estrutura necessária a sua permanência. A cidade boa para o turista é aquela boa para seu cidadão, é aquela que tem qualidade de vida e que as pessoas se sentem atraídos a conhecê-la. Caso contrário, ninguém pode oferecer um bom atendimento se não vive com dignidade. A qualidade de vida está intimamente relacionada com a utilização racional dos recursos turísticos existentes, naturais ou culturais, sem comprometer a possibilidade do usufruto pelas gerações futuras.

           O SR. PRESIDENTE (Ronaldo Cunha Lima) (Faz soar a campainha)

           O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Sr. Presidente, solicito a V. Exª que me conceda mais alguns minutos para concluir o meu discurso.

O Sr. Esperidião Amin (PPB-SC) - Senador Ernandes Amorim, se a Mesa tolerar, peço a V. Exª um aparte.

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Pois não, nobre Líder Esperidião Amin.

O SR. PRESIDENTE (Ronaldo Cunha Lima) - O orador já ultrapassou em seis minutos o horário regimental. Entretanto, Senador Esperidião Amin, V. Exª poderá fazê-lo, conhecido que é pela sua capacidade de síntese.

O Sr. Esperidião Amin (PPB-SC) - Ainda que em prosa. Sr. Presidente, agradeço. Quero fazer um registro muito rápido ao nobre correligionário, Senador Ernandes Amorim. Em primeiro lugar, cumprimento S. Exª por tratar de um assunto da importância que é o turismo, do ponto de vista social, ecológico e econômico. O Brasil tem que fazer um grande esforço para recuperar tempo e oportunidades perdidos em matéria de turismo; nunca se fará o suficiente. Mas não posso deixar de trazer aqui um testemunho pessoal, em favor, em primeiro lugar, do Ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo, que é nosso companheiro, Francisco Dornelles, que tem se empenhado para diversificar as oportunidades de expansão qualitativa também do turismo no Brasil. Em segundo lugar, fazer o registro do empenho pessoal do Presidente da Embratur, Dr. Caio, e de sua Diretoria, que têm feito um esforço inclusive de divulgação dessa magnífica diversidade que o Brasil oferece não apenas como potencial, mas como realidade para empreendimentos turísticos. Congratulo-me com V. Exª, mas não posso deixar de trazer aqui este testemunho, até porque considero que o turismo deve ser objeto da maior atenção, da mais qualificada atenção do Governo.

O SR. ERNANDES AMORIM (PPB-RO) - Agradeço o aparte do nobre Senador e o incorporo ao meu pronunciamento.

              A fome, a pobreza, o desemprego. Podemos e devemos - e é por este motivo que hoje faço este pronunciamento - chamar a atenção desta Casa, pois o Governo tem que criar situações que fomentem o turismo nacional mediante o turismo sustentado e que seja tão profissional quanto às dimensões do Brasil, quanto à vontade de vencer do nosso povo, que necessita de uma alternativa de vida mais digna. O que se pode observar é que aqui se discute a viabilidade de um turismo sustentado como se fosse ecológico apenas e muito mais como opção econômica para atrair turistas do que como alternativa para a preservação do patrimônio turístico natural, e que até o momento não lhe foi dado o devido valor e incentivo mediante sua grandeza.

              Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, podemos comprovar tal fato, observando o tamanho dos investimentos aplicados na Amazônia, e eu destaco especificamente o m

              eu Estado, Rondônia, que contribui, e muito, para o surgimento do fluxo turístico na região, atraídos que são os turistas pelo incontestável valor natural e ordem cultural existente no meu Estado.

              Onde está a Embratur? Que visão tem os seus técnicos do turismo ecológico na Amazônia? O que pensa a nossa agência de desenvolvimento de turismo para implementar e vender as nossas potencialidades turísticas?

              Volto a cobrar da Embratur: que tipo de agência de desenvolvimento de turismo é esta que não procura novos produtos turísticos, que não incentiva o surgimento de novos atrativos capazes de modificar estruturas e favorecer o processo econômico em um espaço diferenciado dos já existentes? Afinal de contas, não podemos nos esquecer que o Brasil vai muito além de sua faixa litorânea.

              Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, poderia prosseguir por horas a fio discorrendo sobre a visão caolha dos nossos promotores do turismo no Brasil, o que certamente farei em outra oportunidade, pois estou convicto - e creio que as Srªs e Srs. Senadores não têm dúvidas - de que mudanças se fazem necessárias, e urgentes, para que possamos reverter este quadro, e promover uma política Nacional de Turismo, e não apenas regional ou litorâneas, como é atualmente.

Era o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente.

Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 21/01/1998 - Página 950