Discurso no Senado Federal

IMPORTANCIA PARA O ESTADO DA PARAIBA DO HOSPITAL NAPOLEÃO LAUREANO, EM JOÃO PESSOA, E DO HOSPITAL DO CANCER, EM CAMPINA GRANDE.

Autor
Ney Suassuna (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/PB)
Nome completo: Ney Robinson Suassuna
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
SAUDE.:
  • IMPORTANCIA PARA O ESTADO DA PARAIBA DO HOSPITAL NAPOLEÃO LAUREANO, EM JOÃO PESSOA, E DO HOSPITAL DO CANCER, EM CAMPINA GRANDE.
Aparteantes
Romeu Tuma.
Publicação
Publicação no DSF de 13/02/1998 - Página 2916
Assunto
Outros > SAUDE.
Indexação
  • COMENTARIO, CRITICA, PRECARIEDADE, ATENDIMENTO, ASSISTENCIA MEDICO-HOSPITALAR, HOSPITAL, SAUDE PUBLICA, BRASIL.
  • ANALISE, DADOS, ESTATISTICA, COMPROVAÇÃO, EFICACIA, FUNCIONAMENTO, FUNDAÇÃO, HOSPITAL, ESPECIALIZAÇÃO, TRATAMENTO, DOENÇA INCURAVEL, CANCER, MUNICIPIO, JOÃO PESSOA (PB), ESTADO DA PARAIBA (PB).
  • INFORMAÇÃO, CRIAÇÃO, HOSPITAL, ESPECIALIZAÇÃO, TRATAMENTO, DOENÇA INCURAVEL, CANCER, MUNICIPIO, CAMPINA GRANDE (PB), ESTADO DA PARAIBA (PB), RESULTADO, EMPENHO, INICIATIVA, ROBSON DUTRA, DEPUTADO FEDERAL.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr.ª Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, as notícias e comentários hoje passados à população pelo rádio, pela televisão ou pelos jornais, relativamente à problemática da saúde, em nosso País, são de abandono e desalento.

Pior ainda, a realidade descrita é a verdade vivida pelas pessoas que são obrigadas a demandar os hospitais para cuidar de sua saúde. Se se trata do sistema público, a situação é de desestruturação, de superlotação, de sucateamento e de falta de profissionais, de instrumentos e de remédios.

Embora o Ministro Albuquerque tenha feito e continue fazendo força para reestruturar, organizar, melhorar, modernizar o sistema de saúde, sabemos das dificuldades que enfrenta.

Sr.ª Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, a cada dia ouvimos notícias mais calamitosas. São crianças que morrem em série nos hospitais; são velhos largados à sua sorte nos hospitais, que também morrem em série; são pessoas que têm dificuldades renais e que também morrem em série. De uns tempos para cá, essas hecatombes são comuns, são usuais, para nossa tristeza.

Se o enfoque passa a ser a rede particular, o problema manifesta-se nos preços exorbitantes, no atendimento altamente seletivo, na extorsão de alguns planos de saúde, na exploração dos profissionais e na falta de ética que muitas vezes ocorre.

Pouco ou nada é divulgado sobre as experiências bem sucedidas - elas são raras -, marcadas pela eficiência, pela competência e pela dedicação. Experiências silenciosas existem e são mostradas raramente.

Um exemplo de empreendimento bem sucedido e de exemplar capacidade de resposta às necessidades da população encontra-se no meu Estado, a Paraíba. Refiro-me à Fundação Napoleão Laureano de Combate ao Câncer, com sede em João Pessoa, cujo Hospital Napoleão Laureano vem se projetando sempre como protótipo de “fiel combatente na gigantesca luta contra o câncer.” Minhas afirmações estão fundamentadas no conhecimento pessoal e na análise do relatório referente às atividades do hospital no ano de 1996.

Os números demonstram a eficiência dessa instituição e seu inestimável valor para uma quantidade muito alta de pacientes que de seus serviços específicos necessita. No ambulatório do hospital, é registrada, por mês, uma freqüência superior a 10 mil pessoas, provenientes não somente da Paraíba, mas também de Pernambuco, do Rio Grande do Norte e de outros Estados da região.

O perfil dos que procuram os serviços do Hospital é fundamentalmente o de gente simples, do interior, sem renda familiar estável e totalmente desprovida de informações sobre as doenças de que é acometida ou sobre os seus direitos de cidadania.

Alguns dados estatísticos, apenas, são suficientes para caracterizar o volume do atendimento executado durante o ano de 1996: 27.649 consultas ou revisões; 32.500 exames em patologia clínica; em radiologia, 49.235 aplicações do aparelho acelerador linear e 30.020 de telecobalto; 11.822 exames radiológicos e 6.310 ultra-sonográficos para diagnóstico por imagem.

Esses resultados, quantitativamente os mais significativos, são competentes para sublinhar a importância do Hospital Napoleão Laureano para o Nordeste.

Nos últimos cinco anos, Srª Presidente, o hospital foi sendo equipado e aperfeiçoado progressivamente no campo tecnológico e no dos recursos humanos - desenvolvimento tornado possível graças à presença e à participação de uma dedicada equipe multidisciplinar de profissionais de espírito empreendedor e sintonizada com os objetivos e os ideais da Fundação Laureano.

Outro traço marcante no trabalho da Fundação é a participação e a solidariedade da comunidade paraibana, que tem sido fundamental para a sustentação da extensão e da qualidade dos serviços prestados pelo hospital, associada a uma assistência médica humanizada.

No momento em que cumprimento a Fundação Laureano, informo também o Senado de que algo semelhante estamos fazendo em Campina Grande, onde estamos criando um hospital do câncer, graças ao trabalho de um Deputado exemplar, o Deputado Robson Dutra. Ele está criando o Hospital do Câncer de Campina Grande, nos moldes e no exemplo do Hospital Napoleão Laureano, de João Pessoa.

Desta Casa, louvo essas duas instituições, porque elas servem, Srª Presidente, para minorar a angústia e o sofrimento dos que têm essa maldita doença e que, se não tivessem na sua vida um hospital como o Napoleão Laureano...

O Sr. Romeu Tuma (PFL-SP) - Permite-me V. Exª um aparte?

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) - Concedo o aparte a V. Exª.

O Sr. Romeu Tuma (PFL-SP) - Senador, desculpe-me interrompê-lo, mas estou analisando, até com uma dose de emoção, o discurso de V. Exª. Em São Paulo, acompanhei de perto a luta de uma senhora, no Instituto do Câncer, que, parece-me, foi o primeiro dedicado ao atendimento universal àqueles que sofrem essa terrível doença. Ela desenvolveu um grande trabalho, sempre lutando para angariar verba e sensibilizar a sociedade para que compreendesse como é importante ajudar aqueles que sofrem dessa doença. Por uma razão dessas que Deus, um dia, poderá nos deixar tomar conhecimento, tenho um filho que é médico e especializou-se em neuroncologia, nos Estados Unidos. Perguntei-lhe por que escolheu essa especialidade, em que normalmente o resultado é a morte, com sofrimento. Disse-me ele: “Pai, temos de minorar a dor. Todos têm direito a uma morte respeitosa, sem sofrimento”. A especialização daqueles que lutam contra o câncer - e hoje já há esperança de cura total - visa ajudar aqueles que estão com essa doença, visa mitigar a agonia da morte, que é terrível. São louváveis iniciativas nesses sentido. Tomara que V. Exª volte a fazer um pronunciamento como esse e tomara que sejam compreendidos aqueles que procuram ajudar esses hospitais e institutos, porque não há dúvida de que quem os procura pertence sempre à camada mais pobre da população. Meus parabéns.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) - Muito obrigado, Senador Romeu Tuma. Sensibiliza-me o aparte de V. Exª, por uma razão simples. Sofri, em minha casa, com minha mãe, um processo semelhante a esse. Sei o que é o sofrimento. São dois tipos de câncer: o câncer físico, da pessoa que está sofrendo, e o câncer econômico da família, que gasta todos os seus recursos.

Eu concluía, Sr. Presidente, dizendo que são dois exemplos devem ser louvados, mas que são duas instituições que devem ser auxiliadas pelas autoridades públicas: tanto o Hospital Napoleão Laureano, de João Pessoa, como o Hospital do Câncer, de Campina Grande.

O Sr. Romeu Tuma (PFL-SP) - Senador Ney Suassuna, eu mencionei uma senhora, mas não registrei o seu nome. Trata-se da Drª Carmem Prudente, que foi a pioneira em uma área desconhecida.

O SR. NEY SUASSUNA (PMDB-PB) - Sr. Presidente, essas duas instituições, que levam toda a sua existência a auxiliar as pessoas que estão condenadas a conviver com esse mal, precisam ser auxiliadas, para continuar cumprindo a sua missão.

Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 13/02/1998 - Página 2916