Discurso no Senado Federal

SATISFAÇÃO COM A REALIZAÇÃO DE SESSÕES DELIBERATIVAS AS SEGUNDAS E SEXTAS-FEIRAS. IMPORTANCIA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1999, DA CNBB, CUJO TEMA E 'SEM TRABALHO... POR QUE?'.

Autor
Pedro Simon (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/RS)
Nome completo: Pedro Jorge Simon
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
SENADO. IGREJA CATOLICA.:
  • SATISFAÇÃO COM A REALIZAÇÃO DE SESSÕES DELIBERATIVAS AS SEGUNDAS E SEXTAS-FEIRAS. IMPORTANCIA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1999, DA CNBB, CUJO TEMA E 'SEM TRABALHO... POR QUE?'.
Aparteantes
Gilberto Mestrinho.
Publicação
Publicação no DSF de 20/03/1999 - Página 5986
Assunto
Outros > SENADO. IGREJA CATOLICA.
Indexação
  • CONGRATULAÇÕES, ANTONIO CARLOS MAGALHÃES, PRESIDENTE, SENADO, DECISÃO, REALIZAÇÃO, SESSÃO ORDINARIA, DIA, SEMANA.
  • IMPORTANCIA, TEXTO, CAMPANHA DA FRATERNIDADE, CONFERENCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB), APRESENTAÇÃO, DADOS, GRAVIDADE, SITUAÇÃO, DESEMPREGO, PAIS, CONSCIENTIZAÇÃO, SOCIEDADE, PARTICIPAÇÃO, BUSCA, SOLUÇÃO, PROBLEMA.

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, nesta sexta-feira, inclusive com a presença do Sr. Antonio Carlos Magalhães no plenário, quero felicitar o Presidente desta Casa pela decisão de também nos reunirmos nas segundas e sextas-feiras. Se S. Exª conseguir influenciar os Líderes para que esta Casa se reúna às segundas, terças, quartas, quintas e aos sábados, ou seja, nos dias necessários para, no mês, limpar a Ordem do Dia - e posteriormente cada um poder ir para o seu Estado e lá ficar pelo tempo necessário -; para ficarmos aqui durante 20 dias - e dez dias no Estado -; para ficarmos aqui durante 30 dias, não indo nenhum dia para o Estado; para ficarmos aqui por 15 quinze dias e por 15 dias no Estado, eu o felicitarei.  

Ridículo é estarmos aqui às terças-feiras à tarde, quartas e quintas de manhã, e sextas, sábados, domingos e segundas no Estado. Um terço do tempo estamos no avião; um terço, no Estado, e um terço, no Senado. A minha proposta é que esse tempo gasto no avião seja cortado. E que se aumente o tempo dedicado ao Senado e ao nosso Estado. Que a proposta do Presidente Antonio Carlos Magalhães, de se fazer as sessões nesses dias, seja concluída. Seria normal, por exemplo, que, no mês que vem, na Semana Santa, pudéssemos passar toda a semana nos nossos Estados. Assim, viajaríamos uma vez só.  

Felicito o Senador Antonio Carlos Magalhães, porque, na minha opinião, depende dele essa mudança. Se S. Exª quiser, ele convence os Líderes de que devemos fazer exatamente isso.  

Quando falei a primeira vez em trabalhar no sábado, disseram: "Trabalhar no sábado? Ninguém trabalha no sábado!" Mas quando as pessoas forem assistir televisão no sábado, elas vão dizer: "Os Senadores estão trabalhando no sábado". Acho normal.  

Feito isso, felicito esta Casa, porque estamos trabalhando de segunda a sexta-feira. Só que não temos que trabalhar aqui quando não há pauta a ser cumprida. Se em determinado mês cumprimos a nossa missão, podemos tranqüilamente ir para os nossos Estados e ficar cinco, seis, dez dias lá. Aliás, é o que se faz em qualquer parlamento do mundo. O que não se faz é trabalhar dois dias e meio, passar dois dias no avião e dois dias e meio no Estado.  

Sr. Presidente, venho com emoção a este plenário para falar, como faço todos os anos, sobre a Campanha da Fraternidade da CNBB. Essa campanha, muito em breve, vai se tornar um movimento de praticamente todas as igrejas, pois está acima da igreja. Ela traduz o momento em que direcionamos a espiritualidade para o nosso povo.  

As igrejas cristãs, como a Católica, têm a Quaresma; os israelitas e os muçulmanos têm também um período semelhante e praticamente todas as religiões e todos os povos dedicam um período do ano à meditação. Há uma espécie de sacrifício no sentido de uma purificação.  

O tema apresentado pela CNBB, desta vez, é: "Sem trabalho... por quê?" Olha, seria muito difícil encontrarmos um tema mais importante do que esse. Não há dúvida de que a praga deste final de século, não há dúvida de que a praga deste final de milênio é o desemprego, que atinge 1/3 da população mundial. Mais de 1 bilhão de pessoas estão desempregadas. E é esse, hoje, o maior desafio para as administrações públicas mundiais, desde as dos países mais miseráveis, até, a rigor e à exceção dos Estados Unidos, as das potências mais importantes. Tanto nas nações mais ricas quanto nas mais pobres, todos os Governos se esforçam para criar postos de trabalho a fim de atender aos que chegam ao mercado e aos que perderam seus postos, mas quase sempre, infelizmente, não conseguem evitar a redução de vagas na indústria, no comércio, no setor dos serviços e nem sequer na agricultura.  

Hoje em dia, ao redor do mundo, a plataforma dos políticos em campanha, sejam eles candidatos a prefeito, governador, à presidência da República ou ao que for, é sempre centrada na questão do emprego. Ganha quem convence o eleitor de que tem a fórmula certa para gerar novas oportunidades no mercado de trabalho.  

O flagelo do desemprego atinge, repito, igualmente os países ricos e pobres, mas, é claro, mostra-se mais dramático nos países pobres, onde não existe uma eficiente rede de proteção social e onde, muitas vezes, ela nem mesmo existe.  

É importante analisar o caso do Brasil. Aqui, além da persistente redução dos postos de trabalho, temos também os problemas inerentes ao subemprego e à economia informal, complexa questão brasileira que deve ser analisada sob esses três ângulos diferentes.  

Sensível à magnitude desse problema, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, escolheu o desemprego como seu tema para a Campanha da Fraternidade do último ano deste milênio. Seu lema é: "Sem trabalho... por quê"?  

O texto base tem cento e quarenta páginas e divide-se em três partes. Na primeira, intitulada Ver, são apresentadas as causas e as conseqüências do desemprego, ao mesmo tempo em que são examinados os modelos políticos e econômicos vigentes no nosso País. Na segunda parte, intitulada Julgar, os bispos brasileiros mostram sua indignação ética diante da grandeza que assumiu essa questão. Na terceira parte, intitulada Agir, os religiosos apresentam soluções julgadas moralmente sustentáveis pela Igreja.  

Inicialmente, eu gostaria de alinhar alguns dados levantados pelo documento da CNBB: "O trabalho, entendido como um emprego de tempo integral e estável, desde a saída da escola até a aposentadoria remunerada sob a forma de salário, está escasseando" - triste e dramática verdade; "O capitalismo foi reduzindo o trabalho humano ao emprego"; "Uma pesquisa de Rede de Diários Econômicos da América Latina detectou que o desemprego é o problema que mais preocupa os latino-americanos. Depois do desemprego, vêm os baixos salários, a inflação, a pobreza e a miséria absoluta"; "Segundo especialistas reunidos na Costa Rica, no mês de fevereiro de 1997, 56% da população latino-americana só pôde encontrar ocupação no mercado informal. Dos 17 milhões de empregos criados na América Latina e no Caribe, no período de 1990 e 1995, 84% estão no setor informal."  

O documento da CNBB traz alguns números impressionantes sobre a situação do emprego no Brasil. No setor bancário, entre julho de 1994 e dezembro de 1996, houve uma subtração de setecentos e cinqüenta e cinco mil postos de trabalho. No setor industrial, o número de trabalhadores caiu 16%, sendo que no ramo têxtil a demissão alcançou 1/3 da categoria: 33,4%. Apesar de tudo isso, a produtividade na indústria cresceu entre 1994 e 1996.  

Outro dado assustador se refere à desocupação entre a juventude. Segundo a CNBB, entre 1989 e 1996, a taxa de desemprego de jovens entre 15 e 19 anos, na Grande São Paulo, pulou de 18% para 39,8%.  

Por fim, gostaria de mencionar números sobre o trabalho infantil, que, na verdade, é proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Conforme o IBGE, em 1995, cerca de 3,3 milhões de crianças brasileiras - 18,7% dos que têm entre 10 e 14 anos - trabalhavam, ainda que de forma informal, para ajudar as suas famílias.  

Sr. Presidente, Srs. Senadores, tentemos agora a tradução desse número em sofrimentos humanos. Segundo a CNBB, o desemprego passivo e com múltiplas manifestações está atingindo a dignidade da pessoa, das famílias, das comunidades, da sociedade e inviabiliza uma solução para os problemas do Brasil. E acrescenta: na maioria dos casos, o desemprego significa uma perda irreparável e, às vezes, uma forte tentação para a marginalidade, a contravenção e a corrupção social e política. O desemprego agrava a pobreza, impede a vida digna.  

Pretendo encerrar com um pensamento: para nós, classe média, classe média alta e classe rica, é muito difícil nos colocarmos na posição daqueles que são a nossa maior responsabilidade. No Senado, representamos a Federação brasileira. Debatemos questões como o desemprego, a fome, a miséria e a injustiça; mas, como bem perguntou o então Presidente, Senador Ademir Andrade, quando falava sobre questão do Poder Judiciário, qual dos poderes, qual de nós cumpre a sua parte, a sua cota para que isso não aconteça?  

Durante muito tempo, as igrejas cristãs consideravam que se devia era rezar, pedir a Deus perdão, esperar um lugar lá em cima e também dizer que amava o próximo. Mas, de concreto, o que se fazia? Vejo, e me chama a atenção, que os hinos da comunidade cristã nessa Campanha da Fraternidade, ao contrário do que se viu sempre, faz um chamamento ao sentimento do cidadão, convocando-o para participar dessa realidade, ainda que o cidadão não seja senador, nem governador, nem Presidente, nem prefeito, não seja nada. Pretendem atingir o homem comum, com os seus problemas e suas dificuldades. Portanto, hoje se pretende conscientizar o cidadão para que faça sua parte. Peguei um livro litúrgico, O Domingo , para observar a letra da músicas que estão sendo cantadas pelos fiéis.  

"Somos povo de Deus, que caminha ao convite que o Pai hoje faz: - venham todos, trabalhem na vinha, do meu Reino de vida e de paz!"  

Na esperança de um tempo melhor, sem trabalho não fique ninguém. Com Jesus, nosso Mestre e Senhor, rumo ao novo Milênio que vem!  

Na alegria lançamos sementes, mesmo em lutas, trabalho e dor, esperando que brote a justiça, na partilha fraterna do amor!  

Convertei-nos, ó Pai, do pecado, do egoísmo, de toda ambição. O trabalho, direito sagrado, dê a todos a casa e o pão!  

Nas famílias e na sociedade, com Jesus, Maria e José, festejamos a fraternidade, no trabalho, na vida, na fé!"  

Mais adiante.  

"Nossos sonhos, clamores, todo o nosso viver, nosso rumo de dores sem trabalho...por quê? A esperança que resta de quem cré com vigor, na certeza da festa do encontro e do amor.  

Nesse chão de fartura, falta o pão para comer. Quanta gente insegura sem trabalho... por quê? Mesmo assim, Deus da Vida, bendizemos teu nome, pelo pão que convida a matar toda fome. Já o trigo floresce, novo tempo se vê. Nosso grito se aquece: sem trabalho... por quê? Nossa lida e vontade, nossa luta e labor pela fraternidade, te ofertamos, Senhor"!

 

Reparem, mais adiante:  

"Convidado para a mesa da partilha, da esperança, o teu povo aqui deseja celebrar nova aliança. Para vencer a idolatria do dinheiro e do poder, nós buscamos, na alegria o teu Pão que faz viver.  

Em tua mesa, solidários, repartimos o teu Pão. Com justiça e mais trabalho haverá mais comunhão.  

Contemplamos lá no monte a vitória sobre a cruz: do Calvário, no horizonte vida nova já reluz. Não nos seja indiferente tanto pranto, tanta dor, o lutar de nossa gente por emprego e mais valor.  

És a fonte que sacia toda sede eternamente, vem, Senhor, dar, neste dia, dessa água a toda gente; pois assim logo veremos os direitos que Deus quer respeitados nos pequenos, no idoso e na mulher."  

O Sr. Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) - Permite-me V. Exª um aparte?  

O SR. PRESIDENTE (Ademir Andrade) - Nobre Senador Pedro Simon, cumpro com o dever de informá-lo que o tempo de V. Exª já se esgotou.  

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) - Pois não, Sr. Presidente, já concluirei. Permita-me apenas ouvir o aparte do nobre Senador Gilberto Mestrinho.  

O Sr. Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) - Eminente Senador Pedro Simon, V. Exª, mediante seu discurso de hoje, aborda a Campanha da Fraternidade, tema muito atual. Gostaria apenas de fazer um adendo: o mundo está mudando; se não nos adaptarmos a essa realidade, se a formação da sociedade, através da educação, não seguir um caminho novo, vamos ficar cada vez mais para trás nesse processo. Um pensador conta a história de uma tribo de índios nos Estados Unidos que era especialista em fazer canoas. De pai para filho, o ofício era ensinado, fazendo com que os índios se tornassem mestres na construção de canoas. Mas o que eles não sabiam é que o rio estava sendo desviado e, portanto, suas canoas não teriam mais utilidade. O Brasil, infelizmente, está vivendo assim. Não se toma nenhuma providência para adaptar, orientar, treinar, reciclar trabalhadores e a nossa juventude, para que possam ser inseridos no mercado de trabalho desse mundo novo que se instala. Esse problema preocupa a todos no universo. Os índices de desemprego no mundo são alarmantes, como V. Exª citou. Portanto, temos que tomar a atitude de reestudar esse quadro e fazer com que as autoridades responsáveis pela educação direcionem nossa sociedade, porque o trabalho convencional, de carteira assinada, tende a desaparecer.  

Porém, temos de gerar postos de atividade econômica para que o homem possa, efetivamente, ter ocupação e levar sustento para a sua família. É louvável essa campanha da Igreja Católica - sou católico, sou cristão - e V. Exª faz um pronunciamento que nos faz pensar. Muito obrigado.  

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) - Concordo com V. Exª,. nobre Senador. Temos que parar para pensar sobre a modernidade. Por exemplo, quando falamos sobre o desemprego nos bancos, não há como deixar de reconhecer que um setor específico dessa área, naturalmente, vai causar desemprego: o computador. E acontece o mesmo com relação à grande indústria. Há algum tempo, uma grande fábrica tinha um percentual "x" na administração. Esse percentual está diminuindo cada vez mais, porque a máquina está fazendo esse trabalho.  

Não fico parado no tempo, como aconteceu àqueles trabalhadores e àquelas lideranças que queriam queimar as máquinas da Inglaterra, porque estas iriam substituir o trabalho humano. Acredito que o avanço da tecnologia é imperecível. Também não quero imitar. Na França, quando surgiu a luz, fez-se um movimento fantástico de protesto, porque milhares e milhares de trabalhadores que acendiam e apagavam as tochas e as abasteciam de gás iam ficar desempregadas. Eles se perguntavam: "Mas como? E o que essa gente vai fazer?" Porém, não se podia impedir a vinda da energia. Sei que a tecnologia está avançando. Concordo com V. Exª e acho oportuno o seu aparte. Temos que nos adaptar a essa realidade. Mas, entre se adaptar a esta realidade e não fazer nada... Por exemplo, estou reabrindo uma Comissão de minha iniciativa, criada no ano passado, que debate a questão do desemprego. Essa é, realmente, a questão mais importante que pode existir. Já no início das nossas conversações...  

O SR. PRESIDENTE (Ademir Andrade. Fazendo soar a campainha) - Senador Pedro Simon, V. Exª já ultrapassou em 6 minutos o seu tempo. Ainda há oito oradores inscritos.  

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) - Vou encerrar, Sr. Presidente. Mas seria bom que a sessão fosse até às 14 horas, para mostrarmos que na sexta-feira temos muitos Senadores presentes  

O SR. PRESIDENTE (Ademir Andrade) - Mas o horário regimental é até às 13h; Senador.  

O SR. PEDRO SIMON (PMDB-RS) - Mas o horário pode ser prorrogado se V.Exª assim o desejar. V.Exª coloca a questão em votação e nós votamos a favor.  

Mas, Sr. Presidente, nessa Comissão, inicialmente, apresentei três propostas concretas e objetivas que, na minha opinião, deveriam ser absolutamente prioritárias no plano do Governo. Primeiro, justiça seja feita ao Sr. Fernando Henrique e ao Ministro Francisco Turra, que está dando uma força especialíssima e total à agricultura familiar. Não é um "Pronafinho" com meia dúzia de batatas; é uma montanha de dinheiro para a agricultura familiar. Vejo, agora, que o Ministro Francisco Turra está criando um programa de volta à terra.  

Ora, Senador Gilberto Mestrinho, V. Exª deve saber, porque os gaúchos andam pelo seu Estado: são três milhões de famílias que andam pelo Brasil, nos subúrbios, nas favelas de Porto Alegre, de São Paulo etc, que têm o seu pedaço de terra, dos seus 30 ou 40 hectares, que já produziu muito; que é fruto da vinda do supermercado; que é fruto da proibição do colono por não poder entrar com sua carrocinha na cidade; que é fruto, porque, lá pelas tantas, no Rio Grande do Sul, passaram a cobrar impostos do coitadinho do italiano que nem sabia escrever. Ele tinha que tirar uma nota e, não a tirando, tomavam todo o produto dele.  

Pois essa campanha de fazer três milhões de pequenos proprietários voltarem à terra, de, através do Pronaf, dar dinheiro ao pequeno proprietário para que este tenha condições de produzir e de diversificar sua produção, de ter o seu açude, a sua irrigação, a sua cultura, o seu silo, resolve o problema de milhões, tira milhões da favela e cria a comida, a alimentação que é fundamental para um país que tem fome.  

O segundo, é exatamente um grande mutirão de construção de moradia popular. A prefeitura entra com a terra; o Governo do Estado entra com a infra-estrutura; o Governo Federal entra com o dinheiro, e o cidadão, em forma de mutirão, constrói a sua casa.  

Podemos criar, inclusive, Sr. Presidente, organizações como as que vi, no interior do Rio Grande do Sul, em que a prefeitura monta uma fábrica de casa popular, colocando a infra-estrutura praticamente no dia em que se constrói a casa, porque ela já vem toda armada, de uma forma e com uma tecnologia especial. Resolve-se o problema da moradia e o da mão-de-obra.  

E o terceiro, Sr. Presidente, é copiar o Banco Bangladesh, o banco do povo. E, diga-se de passagem, há programas, em Brasília, no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, em São Paulo, em que uma grande instituição bancária abre um pequeno crédito para que o cidadão possa abrir o seu negócio. Cito, por exemplo, um que há aqui, em Brasília: uma doceira fazia doce ali na vila e hoje está produzindo e exportando para o exterior. Ou seja, com o pequeno empréstimo que lhe foi concedido, com a cozinha semi-industrial, ela conseguiu se desenvolver e produzir. Como aconteceu, dando meia dúzia de centavos para o cidadão que criava galinha para produção de ovos. Com não sei quanto, mas uma ninharia, podendo garantir que os ovos não estejam podres, a prefeitura, o governo pode dar um atestado de qualidade e os seus produtos passarão a ser vendidos no supermercado. São milhares de pessoas que hoje estão ao relento e que podem se transformar, primeiro, em microempresários; depois, ali, na esquina, em pequeno empresário, garantindo mão-de-obra para ele e para mais meia dúzia de pessoas.  

Penso que essas questões, Sr. Presidente, têm que ser analisadas e discutidas. O mal é que cobramos, debatemos, falamos e nada acontece. Para o Proer, 30 bilhões, e, para o "Pronafinho", 30 milhões.  

Muito obrigado, Sr. Presidente.  

 

as ¿ , À Xà lhador brasileiro, ao desejo de crescimento do Pa\'eds. \plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20\b O SR. RAMEZ TEBET \plain\f1\fs20 (PMDB-MS) - Muito obrigado. \plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20 Sr. Presidente, vou encerrar. Comecei o meu pronunciamento dizendo que vinha a esta tribuna inspirado por um artigo do ex-Senador Paulo Brossard, que o inicia com um ponto de interroga\loch\f1\hich\f1 \'e7\'e3o. Pergunta ele: "O Banco do Brasil est\'e1 \'e0 venda?" E, no corpo do seu artigo, faz registros hist\'f3ricos e lembra que Afonso Pena, antes de ser Presidente da Rep\'fablica, foi Presidente do Banco do Brasil. \plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20 Sr. Presidente, formulo votos para que o Presidente Fernando Henrique passe para a hist\loch\f1\hich\f1 \'f3ria como o Presidente que n\'e3o vendeu o Banco do Brasil, nem a Caixa Econ\'f4mica, nem a Petrobr\'e1s. E que, imediatamente, seja respondida a pergunta do ex-Senador Paulo Brossard: "O Banco do Brasil est\'e1 \'e0 venda?" Que se responda imediatamente; que haja algu\'e9m que escreva um artigo dizendo: o Banco do Brasil, a Caixa Econ\'f4mica e a Petrobr\'e1s s\'e3o inegoci\'e1veis. \par\pard\plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20\b O Sr. Jos\loch\f1\hich\f1 \'e9 Foga\'e7a \plain\f1\fs20 (PMDB-RS) - V. Ex\loch\f1\hich\f1 \'aa me concede um aparte? \plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20\b O SR. RAMEZ TEBET \plain\f1\fs20 (PMDB-MS) - Pois n\loch\f1\hich\f1 \'e3o, Senador Jos\'e9 Foga\'e7a. \plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20\b O Sr. Jos\loch\f1\hich\f1 \'e9 Foga\'e7a \plain\f1\fs20 (PMDB-RS) - Muito obrigado, Senador Ramez Tebet. Quero usar apenas alguns segundos para dizer que, sem d\loch\f1\hich\f1 \'favida nenhuma, acredito que, no Governo Fernando Henrique, n\'e3o haver\'e1 privatiza\'e7\'e3o do Banco do Brasil. N\'e3o me parece ser essa uma disposi\'e7\'e3o do Presidente, n\'e3o me parece ser essa uma tend\'eancia afirmativa do Presidente; o que h\'e1, evidentemente, s\'e3o especula\'e7\'f5es. H\'e1 grupos dentro do Congresso e fora do Congresso, dentro do Governo e fora do Governo, que est\'e3o interessados na privatiza\'e7\'e3o, que pretendem que ela venha a ser uma solu\'e7\'e3o para a estrutura\'e7\'e3o do sistema financeiro no Brasil. Senador Ramez Tebet, creio que dever\'edamos defender, de forma intransigente e inquebrant\'e1vel, o Banco do Brasil, assegurando a essa institui\'e7\'e3o higidez e sa\'fade financeira. Porque somos os primeiros - falo da classe pol\'edtica em geral - a querer sempre perdoar d\'e9bitos e transferir d\'edvidas. O Banco do Brasil \'e9 a "casa da m\'e3e Joana"! H\'e1, por exemplo, R$4 bilh\'f5es de t\'edtulos da d\'edvida do Munic\'edpio de S\'e3o Paulo em carteira no Banco do Brasil, que est\'e1 arcando com isso. Creio que o discurso em defesa da n\'e3o-privatiza\'e7\'e3o passa por a\'ed: por se tentar, de todas as formas, estabelecer uma regra: o Banco do Brasil \'e9 sagrado! Portanto, quem n\'e3o paga seus d\'e9bitos, quem \'e9 inadimplente, est\'e1 querendo privatizar o Banco do Brasil, est\'e1 pretendendo fazer desmoronar a sua estrutura. \'c9 assim que vejo o problema. H\'e1 pouca preocupa\'e7\'e3o com essa parte da realidade, porque ela \'e9 muito mais amarga, muito mais dif\'edcil. O Banco do Brasil n\'e3o vai permanecer como estatal s\'f3 por patriotismo dos brasileiros; ele vai permanecer como estatal se houver sa\'fade e higidez financeira na sua estrutura administrativa. Muito obrigado a V. Ex\'aa. \plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20\b O SR. RAMEZ TEBET \plain\f1\fs20 (PMDB-MS) - Respondo a V. Ex\loch\f1\hich\f1 \'aa encerrando o meu pronunciamento. \plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20 Creio que V. Ex\loch\f1\hich\f1 \'aa tem raz\'e3o. As suas palavras n\'e3o se dirigem ao Congresso Nacional, mas a quem comanda, que deve evitar que o Banco do Brasil seja essa "casa da m\'e3e Joana" a que V. Ex\'aa se referiu. \plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20 Essa dose de patriotismo que tanto V. Ex\loch\f1\hich\f1 \'aa como n\'f3s temos \'e9 que nos faz vir a esta tribuna em defesa intransigente do Banco do Brasil. Um pouco de nacionalismo, um pouco de patriotismo, j\'e1 dizia algu\'e9m, n\'e3o faz mal a ningu\'e9m. \plain\f0\fs20\line\par\plain\f1\fs20 Muito obrigado, Sr. Presidente. \plain\f0\fs20\line\par\line\par acus| \par }


Este texto não substitui o publicado no DSF de 20/03/1999 - Página 5986