Discurso durante a 22ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

POSICIONAMENTO POLITICO ASSUMIDO POR S.EXA. NO DISTRITO FEDERAL. CRITICAS A POSTURA DO GOVERNADOR JOAQUIM RORIZ NA APURAÇÃO DOS RESPONSAVEIS PELA MORTE DE FUNCIONARIOS DA TERRACAP.

Autor
Lauro Campos (PT - Partido dos Trabalhadores/DF)
Nome completo: Lauro Álvares da Silva Campos
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF).:
  • POSICIONAMENTO POLITICO ASSUMIDO POR S.EXA. NO DISTRITO FEDERAL. CRITICAS A POSTURA DO GOVERNADOR JOAQUIM RORIZ NA APURAÇÃO DOS RESPONSAVEIS PELA MORTE DE FUNCIONARIOS DA TERRACAP.
Aparteantes
José Roberto Arruda, Pedro Simon.
Publicação
Publicação no DSF de 28/03/2000 - Página 5387
Assunto
Outros > GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF).
Indexação
  • COMENTARIO, REALIZAÇÃO, ORADOR, OPOSIÇÃO, GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF), PERIODO, GESTÃO, CRISTOVAM BUARQUE, EX GOVERNADOR, MOTIVO, APROXIMAÇÃO, GOVERNO FEDERAL, REFERENCIA, IDEOLOGIA, LIBERALISMO, ARTICULAÇÃO, PRIVATIZAÇÃO, DESVALORIZAÇÃO, SINDICATO.
  • CRITICA, JOAQUIM RORIZ, GOVERNADOR, DISTRITO FEDERAL (DF), AUSENCIA, CONCLUSÃO, INVESTIGAÇÃO, CRIME, AUTORIA, POLICIA MILITAR, HOMICIDIO, FUNCIONARIO PUBLICO, COMPANHIA URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL S/A (NOVACAP).
  • REGISTRO, REALIZAÇÃO, DEBATE, ORADOR, DELFIM NETTO, DEPUTADO FEDERAL, INICIATIVA, EMISSORA, TELEVISÃO, SENADO.

O SR. LAURO CAMPOS (Bloco/PT – DF. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, durante mais de cinco anos de exercício do mandato que me foi conferido pelo esclarecido eleitorado de Brasília, nem sequer uma vez tratei de assuntos paroquiais. Nenhuma vez me referi, seja positiva, seja negativamente ao governo do meu colega de Partido e da Universidade de Brasília Cristovam Buarque.  

Na primeira campanha, trabalhei até a exaustão. Senti que depois de cumprida a minha missão pessoal, de ter conseguido a minha vitória, como o Senador mais votado, até então, de Brasília, poderia recolher-me ao descanso. Mas não o fiz.  

Três vezes por noite, eu fazia discursos, esgotava a minha capacidade física no sentido de auxiliar na vitória daquele que, então, era meu amigo, meu companheiro na Universidade de Brasília. Três vezes por semana, eu o recebia em minha casa, acompanhado de sua esposa, e traçávamos juntos o caminho de sua vitória.  

Também o companheiro Chico Vigilante esteve comigo, diariamente, diuturnamente, em duas campanhas que lhe foram vitoriosas. Silenciei-me durante os quatro anos de seu mandato, porque não concordei com sua atitude em relação aos sindicatos que o haviam elegido. E ele seguia, já de longe, as perspectivas do Governo Federal e de sua aproximação àquela área, farejando de alguma forma aquilo que seria a inexorável, para os fracos, dominação das determinações do neoliberalismo: a venda de empresas estatais, o combate à desarticulação dos sindicatos a fim de que fossem enxugadas as folhas de pagamento e que fossem reduzidos não apenas o número de funcionários por meio das diversas formas de demissão – demissões ditas voluntárias, ditas racionais para enxugar as folhas de pagamento, demissões feitas de acordo com a Lei Camata, que considero uma das mais desumanas formas de conceder prioridade às coisas em detrimento das pessoas. Não mais do que 60% das receitas para o pagamento das pessoas; mas, em relação ao pagamento dos juros da dívida, em relação ao pagamento dos empreiteiros não há limites neste País - um País que deu prioridade envergonhada às coisas, ao dinheiro, aos juros e à agiotagem; um País que se deixou dominar e que não encontrou uma reação por parte do Governo de Brasília. E tantos outros fatos me distanciaram.  

De modo que, em quatro anos, apenas me avistei com ele quatro vezes. A última para dizer que eu seria anticandidato e que sabia que teria uma derrota completa, mas que, para mim, a derrota era algo contumaz e gostava – e hoje, confirmo –, mais de minhas derrotas do que de minhas vitórias.  

Na primeira vez que fui derrotado, tendo sido o segundo candidato mais votado em Brasília, quando havia três vagas, dizia que o que perdi é como se fosse um pedaço de uma unha que deveria ser cortada ou dos meus poucos fios cabelos que também deveriam ser aparados. Não senti nada com a perda. Não tenho vocação política, não tenho desejo de poder. Não sei mandar no próximo - e nem gosto de fazê-lo. Gosto de respeitar o próximo, não de mandar nele. Não conduzo ninguém. Os meus alunos me ouviram falar centenas de vezes: não sou guru de ninguém; sou um crítico da sociedade. E faço essa crítica sem procurar tirar qualquer proveito.  

O meu livro principal levei trinta anos para publicá-lo, produzindo-o e deixando-o na gaveta. O simples fato da criação intelectual me deu tantos orgasmos que não precisava do aplauso ou da crítica de ninguém. Naquele momento, eu me bastava.  

Isso é algo realmente que contraria uma cabeça marxista, que sabe que é preciso conhecer o mundo para transformá-lo. Eu só transformava meu mundo pequeno na sala de aula e percebi que deveria sair da minha torre de marfim no dia em que, em vez de argumentos como resposta aos meus, recebi ameaça de morte nos idos de 1974. Então percebi que as idéias que nutria e que transmitia aos meus alunos apenas numa sala de aula eram perigosas, ainda que quase silenciosas.  

A minha inserção partidária também é das mais estranhas que conheço. Nunca exerci um cargo no Partido. Nunca votei em ninguém, nem em mim mesmo dentro do Partido. Talvez porque poucos companheiros tinham mais de 35 anos de idade, vi-me diante da contingência de ser candidato a Governador, tendo mais tarde renunciado a essa candidatura, e a Senador, candidatura que levei até o fim. Quando era candidato a Governador, todo dia dizia a minha mulher e a meus filhos: "Se eu vencer a eleição, estarei perdido". Por quê? Como poderia enfrentar o meu ex-aluno Fernando Collor de Melo com a sua exultância, com a sua exuberância, com as suas oscilações psicológicas, com as suas fases de euforia de modernismo, de abertura do Brasil para a penetração orgásmica do capital estrangeiro? Como eu poderia ser Governador no Distrito Federal, que, naquela ocasião, dependia do Governo Federal, tendo em vista que cerca de 60% dos seus recursos eram federais. Se eu vencer estou perdido! Dizia eu.  

Jamais pleiteei trilhar a estrada do poder. Também a subserviência não me agrada. Com o companheiro Lula, que muito prezo e admiro, só tive quatro contatos superficiais. Nunca quis ser eminência parda de ninguém. Também não sou guru também daqueles que têm prestígio e que poderão chegar ao poder um dia. Conservo a minha estatura normal e conservo e também a minha integridade.  

Um dia, quando se reuniram quatrocentos colegas da Universidade de Brasília para prestigiar meu nome numa candidatura, o Prof. Dércio Munhoz, amicíssimo meu, homem admirável, íntegro, disse que havia uma virtude em mim que ele mais admirava: a coerência. Eu respondi depois, na minha hora de falar, depois que o Prof. Cristovam Buarque começou a sua fala, naquele dia, dizendo: "Hoje, vou dizer por que tenho inveja do Lauro Campos" - esta foi a sua primeira frase, inesquecível.  

A coerência é a virtude das virtudes. Por mais que Sócrates tivesse falado e discorrido sobre as virtudes, para mim, na prática, a coerência foi a virtude eleita por ele. Na hora de sua morte, entregaram-lhe a chave da liberdade e da vida, que o livraria da cicuta e do abraço de Thánatos, a morte. Ele disse: "Eu continuarei ateniense e não bárbaro. Serei fiel às minhas idéias e aos meus companheiros. Eu prefiro a morte à incoerência."  

Muitas alegrias tive em minhas derrotas e até mesmo esse afastamento que impediu que eu falasse um minuto sequer, durante cinco anos de mandato, sobre a minha problemática, sofrida e injustiçada cidade de Brasília, que escolhi para morar, há 40 anos, a cuja inauguração assisti, cuja efervescência presenciei, cujas chaminés de poeira vermelha – parecia que estávamos numa olaria imensa, cheia de chaminés e de poeira –, envolviam a todos. Aqui tive o sossego que me permitiu vencer um pouco as minhas insuficiências intelectuais, a minha burrice. Lutei contra ela, e aqui foi um campo de luta muito propício para que eu fizesse isso. Fui derrotado obviamente, mas lutei contra a minha burrice.  

Na última campanha, não ajudei em nada, não participei. Na primeira, Cristovam Buarque foi eleito, Chico Vigilante também foi; na segunda, não participei de nenhum comício. E por mera coincidência - só pode ser por mera coincidência – e só pode ser coincidência, porque não tenho absolutamente nenhum prestígio para mudar os destinos e o resultado de uma eleição –, vi esses dois candidatos serem derrotados. A Srª Maria Abadia, sim, - dizem todos os jornais - decidiu as eleições passadas. Quem sou eu para ter tamanho prestígio. No entanto, por mera coincidência, ao não apoiar o nome do Professor Cristovam Buarque para Governador nem sequer o nome do meu querido amigo Chico Vigilante, assisti à derrota dos dois; mas o fiz do lado de cá, do lado da platéia silenciosa, porque não participei nem me desgastei em nada durante aquela campanha.  

Vejo agora, com tristeza, que talvez eu devesse fazer aquilo que na realidade fiz: votei – e vou confessar – em Orlando Carielo, candidato do PSTU, para Governador de Brasília. Pois bem; se realmente não gostarem da minha independência, promovam a minha mudança de dependência partidária, expulsando-me do PT. Contudo, não me mudo, porque, como já me transformo todos os dias, não preciso fazer strip teases e mudanças rápidas.  

No dia 02 de dezembro, um companheiro nosso, jardineiro, foi assassinado ao participar de um grupo de manifestantes que pleiteava a mais do que justa reivindicação: reposição salarial. Assim, vejo que este País foi assolado pela violência. Quando me mudei para Brasília, dormia com as portas e as janelas abertas. Não havia roubos, assaltos, tampouco desemprego. O trabalhador estava empregado e fazia horas extras; outros ganhavam a "dobradinha", ou seja, dois ordenados. Naqueles tempos iniciais, não se poderia supor que esta cidade se desenvolveria com essa feiúra e com essa agressividade.  

Sempre considerei que a agressão está no capital, que exclui o próximo e afeta uma grande parte da população, aquela que o meu santo de cabeceira, Thomas Morus, denominava de "a mais estimável e numerosa parte da população". Afirma o referido escritor que "o capitalismo condena, de forma inexorável, à pobreza e à miséria". Dizia ainda ele: "enquanto o quinhão da parte mais estimável e numerosa da população for constituído de pobreza, miséria e injustiça, haverá sempre essa agressividade".  

Os bandidos que invadem, que se apropriam, que cercam, que excluem, depois se julgam assaltados. O assalto não começou de baixo; o assalto, eu o vi começar e progredir de cima para baixo. De modo que, então, essa situação agora mostra que, mais uma vez, a violência parte não daqueles que a queriam praticar, através de um movimento de centenas de grevistas desarmados, a reivindicação de seus direitos conspurcados, aviltados. Cinco anos sem reposição salarial: isso não é uma violência; isso não constitui a violência. Nós nos acostumamos com a violência institucionalizada. Arrancar de uma população R$151 bilhões para pagar os juros da dívida interna e da dívida externa e ver essa dívida crescer dia a dia: isso não é uma violência. Mas passaremos aos nossos filhos e aos nossos netos esses encargos. Só vemos a violência naqueles que, violentados, assaltam-nos nos sinais; vemos a violência da mesma forma como também só enxergamos a nossa velhice no rosto dos outros. Assim, só encaramos a nossa violência quando ela volta como um bumerangue. Não deixamos, há décadas, abrirem-se oportunidades de emprego para aqueles que queriam, com enxada na mão, fazer uma reforma agrária. Eles foram para os grandes centros; as indústrias, de início, os absorveram com salários miseráveis e, depois, com a crise, os expulsaram: 1,5 milhão de trabalhadores sem emprego em São Paulo.

 

O desemprego chamado ficcional, aquele tempo que o trabalhador passa desempregado, entre o momento em que perdeu o emprego até encontrar uma outra ocupação, é, agora, de 54 semanas. Cinqüenta e quatro semanas! Quem perde o seu emprego está condenado a viver ou a morrer. Qual é o trabalhador brasileiro que tem, na sua poupança, em seu patrimônio, recursos que possam ser vendidos a fim de que ele, durante 54 semanas, em média, sustente a sua mulher e seus filhos?  

O Sr. Pedro Simon (PMDB – RS) – Se V. Exª me permite, justiça seja feita: não fecha um ano; para tanto faltam cinco dias.  

O SR. LAURO CAMPOS (Bloco/PT – DF) – Agradeço o cálculo de V. Exª; esse cálculo da dor, esse cálculo da injustiça.  

E pagamos a ele R$151,00. E V. Exª, Senador Pedro Simon, disse, na quinta-feira, que seriam R$150,25 – eu me lembro. E vieram, não os R$150,25, mas R$151,00 redondos.  

O Sr. Pedro Simon (PMDB – RS) – O que foi uma má idéia.  

O SR. LAURO CAMPOS (Bloco/PT – DF) – Sim, Excelência; uma má idéia, não há dúvida alguma.  

Como se pode, então, sobreviver por 54 semanas procurando emprego, sem encontrar? Isso é uma violência.  

Quando eu estava na Inglaterra estudando e fugindo, em 1976, pude ver que lá os trabalhadores ingleses desempregados recebiam uma toll, uma pensão. Eles colocavam o dinheiro no bolso, deixavam o endereço de onde estariam na Espanha e iam passar as férias do desemprego na Espanha. Essa pensão correspondia a muitos salários mínimos brasileiros.  

Numa situação dessa, numa sociedade agredida como a nossa, marginalizada, excluída, na qual os trabalhadores querem, de todo jeito, encontrar não mais um trabalho, porque não há ocupações com carteira de trabalho assinada, mas encontrar uma forma de sobrevida, já que têm de se manter durante 54 semanas sem matar ninguém, sem roubar de ninguém, sem agredir ninguém, nós, os insensíveis, os julgamos quando transgridem alguma lei, quando cometem algum assalto, como se eles fossem pessoas, seres humanos em condições de laboratório, em condições de laboratório, em condições normais. Não entramos na pele deles para falar, como um dia o General Geisel falou: "Eu também faria isso! Eu também mataria, para evitar a fome de um filho meu, se estivesse desempregado." O General Geisel, o alemão, o frio, apenas para avaliarmos o grau de frieza e de crueldade que entrou na alma de grande parte da sociedade brasileira.  

O Sr. José Roberto Arruda (PSDB - DF) – Senador Lauro Campos, V. Exª me permitiria um aparte?  

O SR. LAURO CAMPOS (Bloco/PT - DF) – Pois não, concedo um aparte ao Senador José Roberto Arruda.  

O Sr. José Roberto Arruda (PSDB - DF) – Apenas peço licença para um aparte porque vi que V. Exª partiu, agora, para uma análise de âmbito nacional, e, sobre essas questões, ainda hoje vou tecer algumas considerações. Em relação ao assunto que V. Exª abordou antes sobre a não participação de V. Exª na última eleição, como fui candidato ao Governo, gostaria apenas de registrar que somos adversários, pensamos diferente a grande maioria das coisas, mas é do meu dever, aqui, reconhecer a coerência de V. Exª. Eu, como adversário em outros pleitos, tenho que reconhecer que, realmente, V. Exª sempre exercitou essa qualidade que manifesta no discurso, como basilar do seu comportamento. Mais do que isso, ao fazer a sua avaliação do último pleito e ao dizer de público como encaminhou seu voto como cidadão e como líder político que é, V. Exª, mais uma vez, registra e confirma essa linha de coerência. Pode-se, portanto, discordar de V. Exª, mas não se pode negar essa qualidade que é intrínseca à sua vida pública.  

O SR. LAURO CAMPOS (Bloco/PT - DF) – V. Exª é testemunho de que não participei da segunda campanha.  

O Sr. José Roberto Arruda (PSDB - DF) – É verdade. Sou testemunha disso e faço esse registro com muita alegria. Fui candidato, no primeiro turno das eleições em Brasília, mereci a confiança de 21% do total de eleitores do Distrito Federal, que considerei, de certa forma, uma homenagem à minha coragem de disputar uma eleição contra dois outros candidatos muito mais conhecidos do que eu, porque eles dois já haviam exercido a função de Governador de Brasília. Marquei a minha posição por um projeto diferente do que eles dois apresentavam. No segundo turno, é comum ainda hoje, quando passo pelas ruas, as pessoas me cobrarem dizendo que, se eu tivesse apoiado sicrano, ele teria ganho a eleição. Da próxima vez, direi que eles devem cobrar, primeiramente, do Senador Lauro Campos, porque, no exercício da sua coerência, teve publicamente - tenho que reconhecer - uma posição que marcou. Da mesma forma, no primeiro turno, afirmei que, se não fosse para o segundo turno, iria respeitar a consciência de cada um dos eleitores que tivessem votado em mim. Eles que escolham, no segundo turno, a maneira que considerarem mais adequada para o seu voto, até porque, quando somos merecedores da confiança de um eleitor, isso não nos dá o direito de decidir, em nome dele, um voto em outro momento. Acredito que seja o que mais ou menos se passou com V. Exª. Quando V. Exª não saiu candidato para marcar uma posição que considerava correta, também se afastou do processo, com as características que já sublinhei. O aparte basicamente, Senador Lauro Campos, é para registrar que, como adversário, reconheço essa qualidade, além de outras, da coerência em V. Exª.  

O SR. LAURO CAMPOS (Bloco/PT – DF) – Agradeço muito o testemunho de V. Exª, para mim muito importante para confirmar minhas palavras.  

Sr. Presidente, gostaria de concluir, dizendo que a agressão que no dia 2 de dezembro recaiu sobre um funcionário da Novacap até hoje não foi apurada. O Sr. Joaquim Roriz assumiu uma posição contra a qual nada falei de início. Todavia, após três meses sem qualquer providência, hoje, parece que foi como uma medida protelatória para não apurar, nomeou uma comissão de três cidadãos preclaros. Após emitirem seu parecer a respeito dos acontecimentos, apontando culpados na cercanias do próprio Palácio do Buriti, o Sr. Joaquim Roriz, que esperava com paciência inesgotável o resultado do inquérito, rasgou-o, não quis saber daquele resultado e passou a desconfiar das pessoas que havia nomeado, dizendo que uma delas era comunista, pertencia ao PCdoB. Este senhor era um advogado que a Ordem dos Advogados de Brasília indicou para fazer parte da comissão de três pessoas que iriam investigar imparcialmente os nefastos acontecimentos.  

Agora, com dois Secretários de Estado envolvidos, com agressividade, o Sr. Joaquim Roriz está mais uma vez contra aqueles que lhe cobram resultados, investigações. Cada vez mais, Joaquim Roriz se compromete com o seu silêncio quem, de qualquer forma, participa do evento criminoso, ainda que ele não tenha dado ordens para que fossem armados com tiro real os fuzis que dispararam, matando um funcionário, fazendo arrancar o globo ocular de mais dois outros e ferindo mais 32 funcionários. Ainda que essa barbaridade não tenha sido ordenada diretamente por ele e nem por seus dois Secretários, que presenciaram os fatos, agora, o seu silêncio, a sua desídia e a sua inação os tornam parcialmente responsáveis pelos acontecimentos que abalaram, com violência, a vida de Brasília a partir do dia 2 de dezembro.  

Sr. Presidente, muito agradecido pela sua paciência. Vim aqui hoje para falar a respeito do debate que tive com o ex-Ministro Delfim Netto sobre Marx, na TV Senado , na semana passada, onde o conheci. É uma pessoa com quem tenho grandes afinidades intelectuais. Para mim, foi uma surpresa, um strip-tease intelectual feito na minha frente pelo ex-Ministro Delfim Netto. Ele realmente tem um conhecimento amadurecido da obra de Marx, respeita profundamente não só os ensinamentos de Marx no século XIX como também a sua aplicação atual. Eu teria muito a dizer a respeito desse interessante debate que a TV Senado propiciou. Se eu tiver oportunidade, eu o farei em outro dia, em outra hora.  

Muito obrigado.  

 

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Este texto não substitui o publicado no DSF de 28/03/2000 - Página 5387