Autor
Roberto Saturnino (PSB - Partido Socialista Brasileiro/RJ)
Data
31/10/2000
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


O SR. ROBERTO SATURNINO (PSB - RJ. Para uma comunicação inadiável. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, por mais que o Governo desminta o propósito de privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, indícios vão surgindo, aqui e ali, a todo momento, de que esse projeto subsiste ainda na esfera governamental, como uma promessa aos detentores da hegemonia no mercado financeiro internacional de que o Brasil vai cumprir ainda os últimos itens da pauta de exigências por eles apresentadas.

O mais recente indício é o novo plano de demissão voluntária lançado pela Caixa Econômica. Todos sabem, pelas experiências anteriores, que planos de demissão voluntária causam apreensão, insegurança e até mesmo um clima de terrorismo no seio da empresa, além de choques entre funcionários, na medida em que acabam derivando, dentro do relacionamento humano, para conflitos também internos. Em resumo: causam uma queda no desempenho da instituição. É fatal, é inevitável que todo esse clima psicológico gerado por um plano de demissão afete o bom desempenho, que, afinal de contas, deve ser a meta de qualquer instituição.

No caso da Caixa Econômica, está provado que a meta é cumprir os desígnios, a imposição vinda do mercado financeiro, que foi muito bem exposta no famoso estudo realizado pela empresa consultora Booz-Allen, dentro de um processo de desmonte preconizado pelas instituições internacionais.

Sr. Presidente, gostaria de chamar a atenção do Senado para o prejuízo que esse novo plano de demissão voluntária está causando ao desempenho da Caixa e à estabilidade emocional dos empregados da empresa.

Quero destacar, ainda, um ponto que considero uma indignidade. A Caixa Econômica, para facilitar, propiciar as decisões de demissão voluntária dos funcionários, elaborou uma cartilha que indica as alternativas de uso dos recursos que o funcionário poderia receber se optasse pela demissão. Dentre as alternativas apresentadas, como criar uma empresa nova ou fazer aplicações financeiras, a cartilha menciona que o empregado que por vontade própria se demite pode, com o dinheiro recebido do plano de demissão voluntária, reiniciar a vida em outro país. Isso está explicitamente dito, Sr. Presidente, e considero uma agressão aos brasileiros, uma indignidade.

Muitos de nós temos escutado com freqüência que não existe mais nação, que a globalização é uma realidade, que o conceito de pátria é algo superado, é coisa do passado. Mas, sinceramente, nunca tinha tomado conhecimento de que em um documento oficial de uma instituição governamental houvesse uma sugestão para que brasileiros abandonassem o Brasil após receberem os recursos advindos da demissão voluntária. Quer dizer, está-se induzindo brasileiros a abandonarem o Brasil.

Francamente, Sr. Presidente, isso eu ainda não tinha visto. Não posso conceber que a filosofia de alienação do Governo em relação aos interesses nacionais brasileiros, aos interesses patrióticos brasileiros, pudesse chegar ao ponto de sugerir a funcionários brasileiros que, recebendo um certo dinheiro, mudassem de país, deixando o Brasil para reiniciarem suas vidas em outro país. Isso é uma indignidade, uma agressão!

Um Deputado e companheiro meu de Partido, o Deputado Nilton Salomão, do Estado do Rio de Janeiro, que é oriundo da Caixa Econômica, fez, na Assembléia Legislativa, um pronunciamento incisivo de protesto e indignação. Em um paralelismo ao pronunciamento de S. Exª, quero também manifestar a minha indignação, esperando que a direção da Caixa Econômica Federal recolha essas cartilhas que contêm esta vergonhosa sugestão a brasileiros para que abandonem o Brasil e reiniciem suas vidas em outro país, com o dinheiro obtido com o plano de demissão voluntária. Trata-se, Sr. Presidente de uma indignidade. Eu ainda não sabia que, no Brasil, havia se chegado a tanto.

De forma que fica aqui a manifestação do nosso protesto, da nossa indignação.


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