Autor
Carlos Wilson (PTB - Partido Trabalhista Brasileiro/PE)
Data
02/10/2001
Casa
Senado Federal 
Tipo
Para discursar 

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. CARLOS WILSON (PTB - PE) - Sr Presidente, Srªs e Srs. Senadores, falar do rio São Francisco para quem, como eu, tem sua vida ligada ao Nordeste, é como se eu fosse hebreu e tivesse que falar do Sinai.

            Mais do que um curso d'água que integra cinco Estados, o velho Chico integra também a história brasileira com todas as suas idiossincrasias e contradições.

            Nasce em meio à vegetação verde e opulenta da serra da Canastra, em Minas, serpenteia pelo cerrado e pela caatinga, irriga a lavoura, gera energia, serve como meio de transporte e deságua poderoso no Oceano Atlântico.

            Ainda que o Brasil não tenha maturidade para empreender uma revisão histórica, é importante ressaltar que foi durante a verdadeira expedição do descobrimento, aquela empreendida por Américo Vespúcio, em 1501, que a foz do São Francisco foi descoberta.

            Vespúcio era um luminar de sua geração. Navegava nesta expedição com a bandeira de Portugal. Por isso mesmo, no dia 4 de outubro, dia de São Francisco, homenageou o santo de Assis, sem saber que nos seus mais de 2,7 mil quilômetros um dia estaria inserida toda a contradição do Brasil.

            Foi pelas águas do rio São Francisco, que os índios chamavam de Opara, que muitos escravos fugiram da inclemência dos fazendeiros de Alagoas e se refugiaram em quilombos pelo sertão. Foi pelas suas margens que os bandeirantes descobriram os cerrados e as minas de pedras preciosas. Foi inspirado na sua grandiosidade que Antônio Conselheiro enxergou o germen da revolta que deu origem a Canudos e onde os cabras de Lampião saciavam a sede de justiça social.

            Quinhentos anos depois, é chegado o momento de retribuir ao velho Chico a sua participação na história. É hora de reavaliar suas forças. É hora de preservar sua pujança. Sabemos hoje, em plena crise, que o São Francisco dá sinais de cansaço. Não consegue responder ao que dele se exige.

            É demais pedir-lhe que abençoe com umidade o solo árido de Pernambuco e da Bahia, depois de ser represado e gerar energia. É hora de cuidar de suas nascentes ameaçadas de assoreamento e de poluição. É hora de olhar para ele e de olhar para aqueles que habitam as suas margens. É hora de repensar o velho Chico e na essência repensar o Brasil.

 

            O SR. PRESIDENTE (Ramez Tebet) - Esta Presidência se associa a todas as homenagens prestadas ao rio da integração nacional, da unidade nacional, o rio São Francisco. Eu, particularmente, que estive à testa do Ministério da Integração Nacional, lutando para o desenvolvimento do projeto de revitalização do rio São Francisco, não posso deixar, nesta hora, de me associar a todas as homenagens que são prestadas a este rio tão importante para o desenvolvimento, para a integração e para a unidade nacional.

 

            


            Modelo18/6/201:57