Autor
Eduardo Suplicy (PT - Partido dos Trabalhadores/SP)
Data
31/05/2002
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

O SR. EDUARDO SUPLICY (Bloco/PT - SP. Para encaminhar a votação. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, depois de testemunhar quase um século de golpes militares, carnavais, eleições, de ter participado ativamente da luta por maior igualdade, pelo direito de todos os cidadãos brasileiros, de ter apresentado sua música e sua poesia e de também ter exercido a profissão de ator, Mário Lago nos deixa aos 90 anos, vítima de enfisema pulmonar.

Alguns podem tê-lo conhecido pelos seus últimos papéis na televisão, como o Dr. Molina, que interpretou em “Barriga de Aluguel”, e, recentemente, em “O Clone”, novelas de Glória Perez. Mas Mário Lago, nascido em 1911, na verdade, era um multiartista.

Ator, cantor e compositor de sucessos como “Ai, que Saudade da Amélia” (1942) e “Atire a Primeira Pedra” (1944), também foi um militante do Partido Comunista Brasileiro e chegou a ser preso por várias vezes.

Seu primeiro poema, “Revelação”, foi escrito em 1926 e publicado na revista Fon Fon, numa época em que era ainda estudante. Formou-se em Direito em 1933, mas exerceu a profissão por apenas três meses.

Escreveu revistas para o teatro e estreou como letrista com “Menina, eu sei de uma coisa”, em parceria com Custódio Mesquita. Com ele também compôs seu primeiro sucesso nacional, “Nada Além”, gravado por Orlando Silva, em 1938.

Trabalhou pela primeira vez em rádio na Pan-Americana, em São Paulo, mas também fez parte do elenco da rádio paulista Mayrink Veiga e da carioca Rádio Nacional.

No cinema, atuou em “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, em 1967, e “São Bernardo”, de Leon Hirszman, em 1973.

Seu primeiro livro, Na Rolança do Tempo, data de 1976. A seqüência veio com Bagaço de Beira-Estrada, em 1977, ambos publicados pela editora Civilização Brasileira.

Sua biografia, Mário Lago - Boêmia e política, foi escrita por Mônica Veloso e lançada como homenagem a seu aniversário de 80 anos, em 1991. A canção “O Mar e o Lago” foi composta por Gilberto Gil, em 1985, em homenagem a Mário Lago.

Nascido no Rio, na rua do Resende, o ator, compositor, poeta, escritor, radialista, filho do maestro e violonista Antônio Lago e de Maria Vicência Lago, merece toda a homenagem do povo brasileiro e também do Partido dos Trabalhadores, pois Mário Lago, em 1989, 1994, 1998 e neste ano de 2002, esteve engajado na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República.

Sr. Presidente, são tantas as contribuições de Mário Lago, que gostaríamos que fosse transcrita nos Anais da Casa a relação de todas as suas obras registradas neste requerimento.

Lembro que, em 1998, ele trabalhou na minissérie “Hilda Furacão”, de tanto sucesso, e, em 16 de janeiro de 2002, recebeu, em sua casa, das mãos do Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Aécio Neves, a medalha do Mérito.

Sr. Presidente, “Ai, que Saudades da Amélia”, que saudades de Mário Lago, que tão bem honrou o povo brasileiro!

Representando o Bloco de Oposição, estarei presente aos seus funerais, logo mais à tarde, no Rio de Janeiro.

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