Pronunciamento de Pedro Simon em 17/03/2003
Discurso durante a 18ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Comentários sobre a postura dos Estados Unidos em desprezar a votação de uma segunda moção no Conselho de Segurança da ONU
- Autor
- Pedro Simon (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/RS)
- Nome completo: Pedro Jorge Simon
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
POLITICA INTERNACIONAL.:
- Comentários sobre a postura dos Estados Unidos em desprezar a votação de uma segunda moção no Conselho de Segurança da ONU
- Aparteantes
- Arthur Virgílio, Garibaldi Alves Filho.
- Publicação
- Publicação no DSF de 18/03/2003 - Página 3723
- Assunto
- Outros > POLITICA INTERNACIONAL.
- Indexação
-
- CRITICA, CONDUTA, GOVERNO ESTRANGEIRO, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), DESRESPEITO, DECISÃO, CONSELHO DE SEGURANÇA, ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU), TENTATIVA, SOLUÇÃO, PROBLEMA, IMPEDIMENTO, GUERRA, PAIS ESTRANGEIRO, IRAQUE.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, há uma passagem na Bíblia em que Jesus, quando perguntado como será o fim do mundo, diz que “na hora acontecerá, quando menos se espera”. As pessoas continuarão se dando em casamento, as coisas continuarão sendo como são, mas, na verdade, o fim está próximo.
Estamos aqui em uma sessão tranqüila, serena, cobrando a posição do PT, e o PT tentando se justificar, não com muita felicidade. Estamos discutindo os nossos problemas, que são realmente muito sérios, como o problema da violência - e abordou aqui o Senador Arthur Virgílio, com muita seriedade, que o assunto deve ser encarado por nós. Mas, na verdade, na verdade, talvez estejamos a 24 horas de uma nova guerra no mundo.
O Conselho de Segurança, convocado a se reunir extraordinariamente, primeiro, às 15 horas, depois, antecipado para 12 horas, em Nova Iorque, a rigor não se reuniu, porque americanos e ingleses retiraram o pedido de autorização para intervir no Iraque. Como conseqüência, não houve reunião. Está anunciado que, hoje, às 8 horas da noite em Washington, 10 horas no Brasil, o Presidente norte-americano falará, comunicando à nação e ao mundo o início da guerra.
Retiram-se do Iraque todos os embaixadores dos países conhecidos. Os homens que lá estavam em nome da ONU, fiscalizando, também estão em retirada. O mundo se prepara para o início de uma nova guerra.
É interessante, mas eu não me lembro, na minha vida, olhando para trás, uma guerra que se inicia como esta: o mundo inteiro contra. Hoje, saiu uma pesquisa em Nova Iorque, em que é dito que 75% do povo norte-americano somente aceitam a guerra com a autorização da Organização das Nações Unidas.
A Organização das Nações Unidas aprovou uma moção determinando a ida dos seus agentes ao Iraque para fazer a fiscalização, determinando normas a serem cumpridas e dizendo que, se não fossem cumpridas, a ONU poderia tomar decisões gravíssimas!
Os relatores dessa representação, os cientistas e os técnicos que foram fazer as investigações, afirmaram que as coisas estavam se encaminhando, que agora o Governo do Iraque estava ajudando, que queimaram ogivas, que estavam proibidas, com alcance de mais de 150 quilômetros e as coisas estavam em andamento. Mas o Presidente Bush não aceitou, marcou e cobrou uma nova reunião da ONU e apresentou uma moção.
Nessa segunda moção, dizia que as explicações, as atitudes do Governo do Iraque não eram satisfatórias e, conseqüentemente, americanos, ingleses e espanhóis iniciariam o ataque, estavam autorizados a iniciar o ataque.
A ONU não votou essa moção. A ONU não votou a moção, e a França, a Rússia e a China, países com direito a veto, disseram que vetariam. São cinco os países com representação na ONU com direito a veto: Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China.
Engraçado, sempre debati esse direito absurdo chamado direito a veto das nações superpotentes. Mas hoje verifico que até tem um significado. Então, dos cinco países com direito a veto, três não aceitavam a guerra: França, China e Rússia; dois queriam: Estados Unidos e Inglaterra. Quanto aos outros países, são países menores e estão no Conselho de Segurança temporariamente. São quinze os países, os cinco já mencionados e mais dez. E o Governo americano fez o máximo do imaginável para levá-los a votar a favor da moção americana. Levaram o tempo todo num esforço dramático para que esses países dessem seu voto favorável no Conselho de Segurança. Mas o Secretário de Estado Americano disse, hoje pela manhã, que não conseguiu, que os países que ainda não estavam decididos, entre os quais o Chile, o México e o Paquistão, não aceitavam a guerra e estavam propensos a dar mais prazo para continuar, pacificamente, a busca do entendimento.
Então, o Presidente americano e o Primeiro-Ministro inglês, vendo que não passaria na ONU a moção favorável à guerra, que ela seria derrotada, porque o Governo americano aceitaria o veto francês, mas duvidava que a França vetasse... Ontem estudávamos, na História do Brasil, a Ilha dos Açores, que nunca esteve em tanta evidência. Mas ontem, os Governos de Portugal, da Espanha, da Inglaterra e dos Estados Unidos resolveram fazer ali a reunião. Por que em Açores? Por que não em Londres? Por que não em Washington, ou em qualquer outro país? A explicação foi que a Ilha dos Açores é tão pequena, tão insignificante, que eles poderiam fazer sem nenhum protesto, sem nenhuma marcha contra. Mesmo assim saiu uma marcha de 350 pessoas.
Fizeram a reunião e decidiram. Sabendo que não conseguiriam os votos dos países que não são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, o Presidente Bush ainda cometeu um ato deselegante para com a França. A França já mostrou sua carta, que é o veto. A guerra sairá, e quero ver quais serão os próximos lances da França. Os analistas disseram que ele comparou isso a um jogo de pôquer, em que o Presidente francês teria mostrado a primeira carta - o veto, mas que o Presidente americano iria para a guerra porque queria ver todas as cartas que a França teria para mostrar.
O Governo americano, sabendo que não teria o número de votos necessários para aprovar a moção proposta e que, se a mesma fosse aprovada, a França usaria seu direito de veto, reuniu-se ontem com representantes de outros países, nos Açores, e deu o prazo, num domingo, de 24 horas, para a ONU decidir sobre a questão porque, depois desse prazo, tomariam as decisões. Isso é fantástico! Num domingo, dar prazo a um órgão como a ONU, que tinha reunião marcada para a próxima quarta-feira. Não. A reunião deveria acontecer hoje. O que ocorreu? Não houve a reunião porque foi retirada a moção. E a argumentação do Sr. Bush e do Sr. Tony Blair é de que não mais necessitam da segunda moção, uma vez que a primeira já é uma garantia. Se a primeira moção já lhes garantia, por que eles queriam a segunda? Se a primeira dava o direito de o americano iniciar a guerra, para que ele fez toda essa luta para conseguir a segunda?
É claro que a primeira não garante e que diz que se vai dar um prazo, os homens da ONU vão lá, vão intervir, vão tentar encontrar soluções. E se o Governo do Iraque não permitir, não ajudar, poderemos ser levados a soluções drásticas ou coisa parecida. Mas poderemos ser levados “quem”, a ONU?
A ONU está dizendo em seu documento que espera que se chegue à conclusão. Se o Iraque não concluir, ela chegará a conclusões drásticas. Isso significa que se os membros, os técnicos da ONU dissessem que o Iraque não está colaborando, a ONU decidiria intervir. Mas, nessa moção, não há nenhum lugar que dê a entender que se não colaborar o americano pode decidir.
Os americanos, em uma atitude estrategicamente inteligente, diria diabolicamente inteligente, estão chegando a uma conclusão: é melhor vender essa tese de que a primeira moção já aprovada nos permite, é melhor vender a tese de que estamos entrando no Iraque, bombardeando o Iraque e que não houve moção nenhuma do que o Conselho de Segurança da ONU votar contra e o americano for contra. Isso seria uma revolta geral no mundo.
Se o Conselho de Segurança se reunir na quarta-feira, votar e dizer não, e o americano violentar essa decisão e ir lá, a reação seria tremendamente mais grave e mais séria do que essa, que é ele ir lá. Seria palavra contra palavra porque a primeira moção já lhe permitia.
O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM.) - V. Exa me concede um aparte, Senador Pedro Simon?
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS.) - Com maior prazer, concedo o aparte a V. Exa .
O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - Senador Pedro Simon, V. Ex.ª com a acuidade e com enorme senso de oportunidade histórica faz um discurso que fica nos Anais em momento de extrema gravidade para o mundo, quando sentimos aqui uma certa sensação de impotência. Não temos muito o que fazer a não ser o gesto. Acredito que o gesto é algo que jamais deve deixar de ser esboçado por homens que têm essa consciência e esse compromisso com o escrever a parte mais justa da história deste País. Veja V. Ex.ª como é de fato delicada a posição adotada pelo Presidente George W. Bush na ONU. O Conselho de Segurança tem quinze membros. Supomos que oito significariam maioria, se não houvesse veto, para aprovar a resolução. Sabiamente a ONU estipula que não bastam oito e são necessários nove e estipula que os cinco membros permanentes teriam direito, cada um, a vetar, e os Estados Unidos vetaram mais de cem vezes tentativas de...
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª lembra com muita inteligência que o americano usou mais de cem vezes o direito de veto. Queria desmoralizar a França porque ia usar uma vez. É a rotina do americano vetar.
O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - Veja só, Senador Pedro Simon, o grave está em que, tomada a decisão emperdenida e a meu ver justa de Rússia e França vetarem a resolução proposta que legitimaria o ataque ao Iraque, o governo norte-americano passou a fazer outra coisa: passou a buscar nove votos quaisquer, sondou nove votos quaisquer. Ou seja, neste momento, setorialmente, desmoralizaria o instituto do veto. O Conselho de Segurança ficaria capenga. Quando percebeu que não conseguiria os nove votos e que havia, ainda, o veto de dois países dos cinco que podiam vetar, retirou a resolução, e partiu para uma legalidade completamente duvidosa e que joga por terra todos os instrumentos de política internacional, de legalidade internacional de que pudéssemos dispor, numa ONU capenga, numa ONU que necessita de reformas, num Conselho de Segurança defasado. Mas, francamente, melhor isso do que nada. E estamos observando agora ocorrer o que aconteceu antes com a Liga das Nações, que teve um enterro de quinta classe em 1946. Mas foi desmoralizada antes. Foi desmoralizada um pouco porque os Estados Unidos nela não entraram, e sobretudo porque algumas resoluções foram desrespeitados por países membros, que não se curvaram ao apelo de paz que a direção da então Liga das Nações formulava. Estamos, portanto, neste momento - digo isto não sem um certo arrepio -, nós, senadores, brasileiros, parlamentares, não-parlamentares, presenciando o enterro da legalidade internacional. Daqui para frente, ou teremos a capacidade de construir com rapidez algo que substitua a ONU e que nos devolva a esperança de não ficarmos à mercê da barbárie, ou poderemos estar também presenciando, até sem o sentirmos objetivamente - subjetivamente sim, talvez objetivamente não - uma fase muito obscura de um mundo que, em nosso coração, sempre foi acalentado como tendo direito a um destino brilhante de liberdade, de justiça, de respeito à multilateralidade. Em outras palavras, comungo com a preocupação de V. Exª. Fico extremamente preocupado com o que estou vendo. E digo, Senador Pedro Simon, que este momento histórico é daqueles que preferiria não estar vendo os meus filhos viverem, porque, a partir dele, fica cedida à insanidade de um Bin Laden toda a mão-de-obra generosa, valente e brava de jovens que entenderão que é por ali o caminho de expressão da sua revolta. Fica delicada a situação dos ícones norte-americanos e ingleses. O terrorismo poderá ter um grande essor, um grande crescimento, numa hora em que supúnhamos o entendimento das nações. O Presidente Clinton chegou a colocar nos jardins da Casa Branca, para uma coletiva, Arafat e o Primeiro-Ministro israelense da época. De lá para cá, o mundo entrou numa fase de efetivo obscurantismo. Eu me preocupo muito com isso e vejo com tristeza, mas, ainda assim, esperançoso com o fato de que, na hora em que falece a alguns o bom senso para fugir do risco brutal que acomete alguns estadistas, que é o risco da insensatez, alguns estão sabendo ser os baluartes da sensatez, a começar pelo Presidente Chirac, que tem sido admirável na sua forma de procurar prevenir o futuro das próximas gerações. Parabéns a V. Exª pelo discurso brilhante. É tautologia dizer que V. Exª faz um discurso brilhante, porque já se subentende que seus discursos são brilhantes. Parabéns, portanto, por esse seu discurso, e mais ainda, pela voz muito respeitada neste País, que nos lembra a todos de que cada beija-flor tem que apagar a sua parte do incêndio, e a nossa é falar em paz, em paz, em paz, em nome das futuras gerações. Muito obrigado, Senador Pedro Simon.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Senador Arthur Virgílio, fico muito feliz com o seu aparte. V. Exª tem conhecimento de causa, passou pelo Itamaraty, conhece profundamente essa matéria e imagino que esteja tendo uma tremenda sensação de angústia maior do que a nossa até esse momento. Confesso não sei descrever o que sinto. É uma sensação de mágoa, de tristeza, de fracasso, de irresponsabilidade, de impotência, vendo as coisas aí, e a gente a olhar. Confesso que passei o sábado e o domingo em casa assistindo televisão. Deus me perdoe, mas senti na GloboNews, nos comentaristas e nos professores das universidades, nos técnicos de política internacional que eles levaram, um sentimento que não me agradou. Primeiro, tentaram desmoralizar o Presidente da França, tentando ridicularizá-lo, dizendo que ele era um homem de direita e que agora queria aparecer, que em âmbito interno não significava nada, que o problema dele era o petróleo, sei lá o quê. Segundo, levar uma posição natural a isso que está acontecendo: “É isso mesmo, é o americano; também o Presidente do Iraque é um monstro”, é não sei o quê. Mas quem assistiu, sábado e domingo, à GloboNews deve ter ficado com uma sensação de que a guerra é isso mesmo. Estranho muito! Juro que estranho muito essa posição e não consigo entender. O Brasil inteiro é contrário! Aqui nesta Casa é unanimidade! Se há algo que une a classe política, se há algo que une nosso Itamaraty, se há algo que une o Poder Executivo, se há algo que une a sociedade brasileira, é um clamor no sentido de que essa guerra não deveria se concretizar.
Mas o que me angustia nisso - e ontem a GloboNews mostrou, e confesso ter me chamado a atenção o discurso que o Presidente Sarney fez daqui da tribuna - é ver que o Presidente americano, eu não tinha me dado conta, agora se apresenta permanentemente à sociedade americana como um místico. Eu o ouvi dizer ontem e fiquei boquiaberto: “Eu era dado à bebida, deixei, me converti”. E agora ele fala em nome de Deus. Dizem que quando reúne o seu ministério, primeiro ele faz uma oração para depois iniciar o trabalho. Quando acorda, a primeira coisa a fazer é a leitura diária da sua Bíblia. Fico a me perguntar: que sentimento é esse de uma pessoa que busca a verdade em um país em que as idéias da liberdade e da justiça se propagam e se desenvolvem? Que situação é essa que está vivendo um homem desses que se considera o paladino do bem e que vai derrotar o mal? Temos o bem, representado pelo Presidente Bush; temos o mal, Chirac. Para o Presidente americano, Chirac é o mal. Menos até do que os norte-coreanos.
Deus me perdoe, mas passei essa noite a meditar e a ler muito. Caiu nas minhas mãos um livro de análise do final do Dr. Getúlio Vargas e, sinceramente, passei a imaginar o que teria ocorrido no cérebro do Dr. Getúlio naquela hora em que ele tinha duas decisões: a guerra civil ou a morte dele. Ninguém imaginava, não é da História do Brasil, não é da nossa biografia, ninguém supunha que aquilo pudesse acontecer. Mas a morte do Dr. Getúlio evitou a guerra civil em 1954.
O que pode acontecer entre hoje e amanhã? O Presidente iraquiano aceitaria o ultimato americano e se retiraria? E qual a garantia que teriam os iraquianos de que a guerra não continuaria, mesmo desaparecendo o Presidente iraquiano? São 300 mil pessoas todos os dias, exatamente, e a guerra tem que sair agora porque elas estão no espaço total. É agora. Elas foram se preparando, se armando, se colocando, fizeram um oleoduto para levar combustível, à medida que as tropas forem entrando em direção ao centro do Iraque para que não haja o perigo da falta do combustível. Amanhã é o dia D. A partir de amanhã, começam a contar o tempo porque já estariam perdendo tempo.
Não sei, serão 3 dias de bombas - não sei quantas mil bombas já estão preparando. Após esses 3 dias de bombas, serão milhares de desertores que, eles têm certeza, surgirão. Querem fazer uma guerra relâmpago. O general que comanda a operação será o mesmo que comandará o Iraque. Por quanto tempo ninguém sabe. Os americanos estão no Iraque já orientando que a Arábia Saudita deve ter democracia, naquele sentido feudal daqueles reis que eram ótimos o tempo todo, ao longo de todo esse tempo em que eram os amigos número 1 dos americanos. Mas agora não têm a menor confiança.
O que ocorrerá no nosso mundo com essa superpotência, dona absoluta, com o desaparecimento da ONU, com a destituição do Conselho da ONU, com as vozes que se levantarem caindo no ridículo, com a televisão - e esse é outro aspecto fantástico que já ocorreu na primeira guerra do Iraque - só mostrando aquilo que eles querem que apareça? Os donos da televisão já fizeram uma autocensura, aceitando que seja feito de uma forma que os americanos fiquem bem. Na última guerra já foi assim: não apareceu sangue; não apareceram as mortes; não apareceram os resultados das bombas na televisão. Pelo que está sendo feito vai ser igual. Nós vamos ver o que é mesmo uma guerra pelas fitas de cinegrafistas anônimos, independentes. O resto parecerá muito bonitinho na televisão!
Diz a imprensa que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agora, está falando com o Secretário-Geral da ONU. Creio que Sua Excelência faz bem. É como disse o nobre Líder do PMDB: “Uma tentativa”. Sua Excelência faz bem ao dizer uma palavra ao Secretário-Geral da ONU, ainda que o peso do Brasil seja muito pequeno.
O Sr. Garibaldi Alves Filho (PMDB - RN) - V. Exª me concede um aparte?
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Concedo um aparte ao nobre Senador Garibaldi Alves Filho.
O Sr. Garibaldi Alves Filho (PMDB - RN) - Senador Pedro Simon, diante do seu pronunciamento e das informações que todos estamos recebendo, infelizmente só um milagre evitaria essa guerra, e esse milagre dificilmente vai acontecer, porque, como V. Exª disse, muito bem, essa guera vem sendo preparada; o Presidente americano está querendo torná-la um fato consumado, isso já há algum tempo, sem levar em conta o que a ONU poderia ou não fazer. Infelizmente ele não está fazendo isso sozinho, ele encontrou aliados, de um lado está Tony Blair e do outro lado Aznar*, da Espanha. Então, em que podemos acreditar numa hora dessas? Qual o milagre que podemos esperar? Realmente, assim como V. Exª, estou angustiado, porque não vislumbro, não consigo imaginar como isso poderia acontecer e deploro e comungo das preocupações do Senador Arthur Virgílio, porque depois dessa guerra não virá a paz. O Presidente americano diz que depois dessa guerra virá a paz, virá a democracia no Iraque. Depois dessa guerra, desmoralizada a ONU, o que vai acontecer? Só Deus sabe.
O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Agradeço-lhe o aparte, Senador Garibaldi Alves Filho.
Os Estados Unidos tiveram um presidente, o Sr. Bill Clinton, que, como muito bem disse o Senador, reuniu nos jardins da Casa Branca o Presidente Arafat e o Primeiro-Ministro de Israel e conseguiu que os dois ganhassem o Prêmio Nobel da Paz, porque o entendimento estava próximo. Aliás, diga-se de passagem, o entendimento praticamente estava acertado. A paz no Oriente Médio esteve por um fio. Se o Presidente Clinton ficasse na presidência mais dois anos ou se um democrata tivesse sido eleito, a história do mundo seria diferente.
O Sr. Bush colocou tudo a perder, virou a mesa, disse que não reconhecia o significado daquele acordo. De lá para cá, todos sabem o que está acontecendo. Encerro meu pronunciamento, lamentando que o Sr. Bush esteja fazendo tudo isso em nome de Deus, lendo a Bíblia todos os dias. Antes de reunir o seu Ministério para trabalhar ele faz uma oração. Talvez aí esteja, meu querido Senador, a chance de alguém abrir os olhos dele. Acredito, com todo o respeito, que o Presidente americano não passaria em um psicotécnico. Por isso tenho as minhas desconfianças sobre o que ele vai fazer.
Muito obrigado.