Discurso durante a 13ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Defesa da liberação de recursos para o metrô de Recife/PE.

Autor
Marco Maciel (PFL - Partido da Frente Liberal/PE)
Nome completo: Marco Antônio de Oliveira Maciel
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
POLITICA DE TRANSPORTES.:
  • Defesa da liberação de recursos para o metrô de Recife/PE.
Aparteantes
Arthur Virgílio, Edison Lobão.
Publicação
Publicação no DSF de 05/03/2005 - Página 4197
Assunto
Outros > POLITICA DE TRANSPORTES.
Indexação
  • ANALISE, PROCESSO, URBANIZAÇÃO, BRASIL, ESPECIFICAÇÃO, PROBLEMA, TRANSPORTE COLETIVO URBANO, REGISTRO, GESTÃO, ORADOR, QUALIDADE, EX GOVERNADOR, ESTADO DE PERNAMBUCO (PE), NEGOCIAÇÃO, COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS, SISTEMA, METRO.
  • REGISTRO, DADOS, OBRA PUBLICA, AMPLIAÇÃO, METRO, CAPITAL DE ESTADO, ESTADO DE PERNAMBUCO (PE), LIBERAÇÃO, RECURSOS, GOVERNO, EX PRESIDENTE DA REPUBLICA, PROTESTO, REDUÇÃO, RECURSOS ORÇAMENTARIOS, ATUALIDADE, SOLICITAÇÃO, GOVERNO FEDERAL, AUMENTO, DESTINAÇÃO, BENEFICIO, POPULAÇÃO CARENTE.

O SR. MARCO MACIEL (PFL - PE. Pronuncia o seguinte discurso. Com revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, venho à tribuna, na manhã de hoje, para tecer algumas considerações sobre o metrô do Recife, o chamado Metrorec.

Antes, gostaria de salientar que o Brasil viveu, nas últimas décadas, um acelerado processo de urbanização. Se tomarmos, por exemplo, a década de 40, verificaremos que o Brasil era, naquela ocasião, co o se dizia, um “país essencialmente agrícola”. A sua população vivia basicamente no campo - 2/3 estavam nos campos e apenas 1/3 nas cidades. Em 1980, o quadro já se invertera totalmente: 2/3 se encontravam nas cidades e 1/3 no campo.

Talvez o Brasil tenha vivido um dos mais céleres processos de urbanização que se conhece no mundo. Isso trouxe como conseqüências problemas relativos a moradia, abastecimento de água, saneamento, iluminação e, como não poderia deixar de ser, problemas relativos a transportes de massa, transportes coletivos, que servem à grande parcela da população, sobretudo a mais pobre e mais carente.

Foi dentro desse quadro que, como Governador de Pernambuco no início da década de 80, iniciei as negociações com o Governo Federal - à época era Presidente da República João Baptista Figueiredo e Ministro dos Transportes o hoje Deputado Federal, Eliseu Resende - para dotar o Grande Recife de um sistema de transporte de massa. Das negociações, surgiu a empresa Metrorec, uma empresa federal hoje vinculada à Companhia Brasileira de Transportes Urbanos - CBTU. Atualmente essa empresa administra uma série de outros sistemas de transportes de massa em nosso País.

Devo dizer que as obras para a construção do metrô de superfície no Recife foram iniciadas em 1983 e os primeiros trechos foram concluídos e colocados em operação entre 1985 e 1987. Os trechos concluídos permitiram transportar uma média de 160 mil a 170 mil passageiros/dia.

Mas, como conseqüência do processo de metropolização que vive o Recife, aliás, a exemplo do que ocorre em outras cidades, logo o metrô do Recife se revelou insuficiente. Daí a necessidade de cogitar-se de um plano de expansão e foi feito, ao tempo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, em cujo período ocupei a Vice-Presidência da República. Em 1998, portanto, iniciamos o processo de ampliação, criando condições para permitir que o metrô, que transporta atualmente, como disse, entre 160 a 170 mil passageiros/dia, passasse a transportar 400 mil passageiros/dia.

É bom lembrar que o Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso deu grande prioridade a essa obra. Fez grandes investimentos. Foram liberados, entre 1998 e 2002, R$370 milhões. Se atualizarmos esses recursos certamente isso chega a uma ordem - se usarmos, por exemplo, o IGPM - de R$590 milhões.

Mas, Sr. Presidente, a partir de 2003 os recursos alocados para o Metrorec caíram vertiginosamente. Só para dar números básicos, gostaria de dizer que, em 2003, foram liberados apenas R$31 milhões; em 2004, R$41 milhões, e - pasmem! - para 2005, estão previstos apenas pouco mais de R$26 milhões.

Venho à tribuna, Sr. Presidente, para justamente fazer um apelo ao Governo Federal para que volte a dar às obras de construção do metrô de Recife a prioridade que merecem. E, para tanto, é fundamental alocar maior volume de recursos, porque, para que o metrô possa ser concluído, estamos precisando de pelo menos R$200 milhões. E friso: o que está alocado para este ano é apenas pouco mais de R$26 milhões.

Nessa marcha, Sr. Presidente, certamente o metrô vai levar cinco, seis ou sete anos para ficar concluído. E, como sabe V. Exª, Sr. Presidente, o metrô é um transporte de massa de excelente qualidade e tem como característica transportar pessoas que não dispõem de transporte individual, como o automóvel, por exemplo. Portanto, é um transporte que atende à população de baixa renda, que mais sofre nos seus deslocamentos para o trabalho e que, conseqüentemente, fica duramente penalizada com esse retardamento.

O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - Senador Marco Maciel, V. Exª me permite um aparte?

O SR. MARCO MACIEL (PFL - PE) - Concedo um aparte ao nobre Líder, Senador Arthur Virgílio.

O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - De maneira bem breve, atendendo ao novo espírito do Regimento da Casa, reconheço que o Governo Federal tem enorme sensibilidade para com essa questão do metrô, só que na Venezuela, em detrimento do interesse da cidade brasileira. V. Exª faz um discurso com a serenidade de sempre, chamando a atenção para uma necessidade que deve ser encarada com responsabilidade e com espírito público por parte de quem detém os recursos e a caneta para fazer andar as obras de metrô no País.

O SR. MARCO MACIEL (PFL - PE) - Agradeço, nobre Líder Arthur Virgílio, o aparte de V. Exª. Concordando com o que V. Exª afirma, considero algo de grave o que acontece com o metrô do Recife. Daí a razão do meu apelo.

Espero, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, que nós possamos criar condições para que as obras prossigam na velocidade que exige a comunidade pernambucana e, sobretudo, a população que vive, mora e trabalha na região metropolitana do Recife.

O Sr. Edison Lobão (PFL - MA) - Senador Marco Maciel, permita-me um aparte?

O SR. MARCO MACIEL (PFL - PE) - Ouço o aparte do nobre Senador Edison Lobão.

O Sr. Edison Lobão (PFL - MA) - Nós todos sabemos que, no mundo moderno, o sistema viário urbano das grandes cidades não funciona sem o metrô. O que se dá com o metrô de Recife é que é uma obra que se arrasta por muito tempo. Fui Vice-Presidente de uma Comissão Especial do Congresso Nacional incumbida de fazer um levantamento das obras inacabadas no Brasil inteiro. Detectamos a existência de cerca duas mil obras inacabadas. Iniciadas, algumas delas muito bem pensadas e projetadas, porém não concluídas. Recomendou a Comissão ao Governo Federal uma providência severa. E o Governo Federal concordou em que nenhuma obra nova seria iniciada sem que as antigas fossem concluídas. Entre elas, está o metrô de Recife. Portanto, Sr. Senador Marco Maciel, V. Exª tem toda a razão em reivindicar a conclusão do metrô de sua terra, até porque é uma obra de extrema necessidade e que precisa ser concluída porque a obra mais cara é aquela que se inicia e não se conclui.

O SR. MARCO MACIEL (PFL - PE) - Nobre Senador Edison Lobão, quero agradecer, de forma muito sensibilizada, o aparte de V. Exª, que enriquece o meu discurso na proporção em que traz subsídios extremamente valiosos. Houve um economista, Juvenal Osório Gomes, falecido alguns anos atrás, que disse uma frase que a subscrevo, embora eu não seja economista. Ele disse que “obra não concluída produz inflação”. O investimento é feito e dele não há retorno. E é o caso do metrô do Recife.

O SR. PRESIDENTE (Tião Viana. Bloco/PT - AC) - Eminente Senador, apenas para informar que V. Exª dispõe de dois minutos improrrogáveis para concluir seu pronunciamento.

O SR. MARCO MACIEL (PFL- PE) - Então, Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, eu gostaria de fazer um apelo ao Governo Federal para que agilize a liberação dos recursos. Estamos ficando cada vez mais preocupados com a redução dos recursos para o metrô e, conseqüentemente, a inviabilização da conclusão da obra, o que penaliza e muito, não podemos deixar de dizer, a população de baixa renda do Grande Recife que tem no metrô um transporte eficiente, barato e de boa qualidade.

Por fim, desejo destacar que a equipe que integra o Metrorec, os servidores da instituição, é uma equipe muito boa, muito dedicada e que se vê frustrada com as freqüentes dilações no prazo do término da obra.

Daí por que eu concluo as minhas palavras, Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, fazendo um apelo para que o Governo Federal e, de modo especial, o Ministro das Cidades - Olívio Dutra -, aloque mais recursos ao Metrorec, para que possamos ver essa obra concluída, como é do interesse da população, do Governador Jarbas Vasconcelos, enfim de toda a comunidade pernambucana, sobretudo a mais carente, que depende do transporte de massa.

Muito obrigado a V. Exª.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 05/03/2005 - Página 4197