Autor
Alvaro Dias (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/PR)
Data
07/04/2005
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 08/04/2005


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DISCURSO PROFERIDO PELO SR. SENADOR ALVARO DIAS NA SESSÃO DO DIA 07 DE ABRIL DE 2005, QUE, RETIRADO PARA REVISÃO PELO ORADOR, ORA SE PUBLICA.

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O SR. ALVARO DIAS (PSDB - PR. Pronuncia o seguinte discurso. Com revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, serei repetitivo, isso é inevitável. Mas, neste caso absolutamente justificável. Afinal são tantas as manifestações de pesar que se sucedem em todos os quadrantes, ressaltando a dimensão universal do papel desempenhado pelo Papa João Paulo II. Portanto, vale ser repetitivo nesta hora.

A grandeza d'alma de João Paulo II parece simbolizada na multidão aquartelada na Praça de São Pedro do Vaticano à espera do momento de reverenciá-lo pela última vez.

A eleição de Karol Wojtyla como Papa, em 1978, surpreendeu o mundo católico. E, agora, a comoção provocada pela partida é visível e justificável.

O peregrino da paz, nas tantas romarias que fez, deixou a marca indelével de sua obstinação pela concórdia entre os homens.

Como Chefe da Igreja e líder espiritual dos católicos, o Papa João Paulo II foi capaz de oferecer à humanidade novos paradigmas de tolerância e de perdão.

Um dos maiores líderes católicos de todos os tempos, Sua Santidade teve uma personalidade capaz de operar mudanças - e é claro que sua contribuição foi fundamental - no cenário ideológico do Leste Europeu.

Sr. Presidente, devo destacar, sobretudo, as características de tolerância e perdão. Foi histórico, fundamental, seu papel na mudança do perfil ideológico do Leste Europeu. Tudo se deu em conseqüência das características da tolerância e do perdão, que devem ser ressaltadas.

Com toda a serenidade e humildade, Sua Santidade pediu perdão pelos pecados cometidos pela Igreja: “Tanto pelos dramas relacionados com a inquisição quanto para as feridas deixadas na memória coletiva depois daquilo.” Igualmente, não deixou de fazer mea culpa em face do tratamento dispensado pela Igreja aos judeus e por violações dos direitos de grupos étnicos.

A capacidade de exercer autocrítica e tocar em temas consideramos tabus, até então, é uma das facetas do Vigário de Roma, que se projetou como o Sacerdote do Mundo. Um exemplo foi a iniciativa capitaneada, em 2002, oportunidade na qual o Sumo Pontífice reuniu 150 líderes religiosos entre católicos, protestantes, ortodoxos, muçulmanos, judeus, budistas, hindus, confucionistas, com o objetivo de exortar os seguidores dos diferentes credos a promover a paz e a reconciliação com os que manifestam sua espiritualidade de outra forma. 

No ano passado, Sua Santidade, em mais uma demonstração de sensibilidade e senso de justiça pôs fim a um antigo contencioso, devolveu à Igreja Ortodoxa os ossos de dois patriarcas que estavam no Vaticano há séculos.

Em 26 anos de papado, patrocinou o perdão e a tolerância numa escala verdadeiramente universal e nos deixou um rastro de esperança luminar.

            A consternação mobiliza todos nós como num ritual de reflexão coletiva. E especialmente nós, que representamos a sociedade, temos o dever de refletir sobretudo neste momento a respeito desse exemplo da tolerância e do perdão.


             V:\SLEG\SSTAQ\SF\NOTAS\2005\20050408ND.doc 9:38


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