Pronunciamento de Íris de Araújo em 23/08/2005
Discurso durante a 140ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Cumprimentos aos vereadores presentes no plenário. Destaque para a atitude do Ministro Palocci em dar satisfação imediata à sociedade através de entrevista, a fim de esclarecer as acusações formuladas contra sua pessoa.
- Autor
- Íris de Araújo (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/GO)
- Nome completo: Íris de Araújo Rezende Machado
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
ATUAÇÃO PARLAMENTAR.
GOVERNO FEDERAL, ATUAÇÃO.:
- Cumprimentos aos vereadores presentes no plenário. Destaque para a atitude do Ministro Palocci em dar satisfação imediata à sociedade através de entrevista, a fim de esclarecer as acusações formuladas contra sua pessoa.
- Aparteantes
- Demóstenes Torres, Flexa Ribeiro, Garibaldi Alves Filho, José Agripino, Leonel Pavan, Mão Santa, Ney Suassuna, Romeu Tuma, Sibá Machado.
- Publicação
- Publicação no DSF de 24/08/2005 - Página 28808
- Assunto
- Outros > ATUAÇÃO PARLAMENTAR. GOVERNO FEDERAL, ATUAÇÃO.
- Indexação
-
- SAUDAÇÃO, PRESENÇA, SENADO, MEMBROS, ENTIDADE, AMBITO NACIONAL, DEFESA, VEREADOR.
- ELOGIO, MAGUITO VILELA, SENADOR, RECONHECIMENTO, TRABALHO, MULHER, ESCOLHA, ORADOR, SUPLENTE.
- COMENTARIO, CONDUTA, ORADOR, CARGO PUBLICO, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DO MOVIMENTO DEMOCRATICO BRASILEIRO (PMDB), ELOGIO, PRONUNCIAMENTO, MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DA FAZENDA (MF), RESPOSTA, ACUSAÇÃO, CORRUPÇÃO, PERIODO, ATUAÇÃO, PREFEITURA, MUNICIPIO, RIBEIRÃO PRETO (SP), ESTADO DE SÃO PAULO (SP).
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, antes de iniciar o meu pronunciamento, gostaria de cumprimentar o esforço do Movimento Nacional em Defesa dos Vereadores, presente nas galerias. (Palmas.)
Uma observação que fiz, antes de começar o discurso, com as jornalistas e as taquígrafas: dando uma olhada no plenário, percebi a predominância masculina aqui neste ambiente. Trata-se de um ambiente político da maior qualidade, da maior representatividade, mas que precisa, ao longo do tempo, logicamente, ter maior representatividade feminina.
O Sr. Romeu Tuma (PFL - SP) - A senhora perfuma o ambiente.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Obrigada, Senador.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores...
O Sr. Leonel Pavan (PSDB - SC) - V. Exª me permite um aparte?
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Senador Leonel Pavan, com o maior prazer.
O Sr. Leonel Pavan (PSDB - SC) - Primeiramente, digo à nobre Senadora Iris de Araújo, que já substituiu tão bem aqui o Senador Maguito Vilela no início da nossa legislatura e que agora retorna a esta Casa, que V. Exª não é uma grande Senadora apenas pelo seu Estado de Goiás, mas, sim, para todo o Brasil. V. Exª fez menção aos Vereadores “suplentes” que, na verdade, deveriam ser titulares, porque cometemos um equívoco muito grande em relação às vagas de Vereadores nas Câmaras Municipais em todo o nosso Brasil. Esse equívoco deverá ser reparado nesta semana, porque, ao reduzir o número de Vereadores, não se reduziram os valores repassados pelos Municípios às Câmaras Municipais. Os atuais Presidentes das Câmaras têm usado os recursos corretamente - pensamos que seja realmente -, mas para investimento em outras áreas. No entanto, esses Vereadores, que foram também eleitos e não assumiram por uma posição nossa aqui, terão de ser reconhecidos pela Justiça, porque foram eleitos legitimamente. Até porque a lei foi mudada aqui após o prazo - tinha de ser um ano antes. Quero aqui cumprimentá-la por defendê-los, assim como nós também estamos torcendo por todos os Municípios do nosso País, mas principalmente por esses Vereadores que deverão ocupar novamente a função que lhes foi dada nas últimas eleições, por meio do voto popular. (Palmas das galerias.)
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Agradeço ao nobre Senador e, muito mais, agradecem os Vereadores, que já se manifestaram por meio dos aplausos, pelo reconhecimento de suas palavras.
O Sr. Romeu Tuma (PFL - SP) - Senadora, se fosse possível, gostaria de lhe fazer um aparte.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Concedo o aparte, com o maior prazer, a V. Exª, Senador Romeu Tuma.
O Sr. Romeu Tuma (PFL - SP) - Senadora Iris de Araújo, é uma alegria vê-la novamente entre nós. Creio que o Senador Maguito Vilela deveria ficar um pouco mais em campanha por lá e deixá-la entre nós, pela vibração que V. Exª tem nas suas argumentações, nos seus discursos. Tive oportunidade de acompanhá-la quando candidato a Vice-Presidente e ficava emocionado com a sua vibração espiritual, ao se dirigir à população mais carente. Aprendi alguma coisa e guardei no coração para, de vez em quando, transmitir àqueles que me ouvem, principalmente nas viagens pelo interior. Boas-vindas, Senadora! Peço permissão para dizer, também, que nós sofremos muito durante a discussão do projeto de reconhecimento do número de Vereadores. O Senador Antonio Carlos Valadares veio à tribuna e provou que não iam diminuir as despesas, e a Oposição, que queria derrubá-la, procurava um outro tipo de vantagem para não perder nos seus Estados o número de Vereadores. Portanto, depois de amanhã, haverá a votação no Supremo Tribunal Federal. Tenho certeza de que o Tribunal reconhecerá a importância desses jovens, que lutaram, trabalharam e conseguiram, pelo voto popular, merecer a cadeira em suas Câmaras de Vereadores. Portanto, queremos vê-los de volta. Obrigado, Senadora. (Palmas nas galerias.)
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Agradeço ao nobre Senador Romeu Tuma pelas palavras. Devo dizer que, se V. Exª aprendeu algo com a minha presença ao seu lado nos palanques, eu aprendi muito mais. Tenha certeza de que a minha presença neste plenário se deve principalmente às lições que aprendi pela minha estrada afora, como militante - hoje estou Senadora, mas sou militante do PMDB e sempre o serei -, com pessoas, com personalidades como V. Exª.
Concedo um aparte, com o maior prazer, ao nobre Senador Sibá Machado.
O Sr. Sibá Machado (Bloco/PT - AC) - Senadora Iris de Araújo, já nos primeiros dias de sua presença no Senado, V. Exª irradiou sobre todos nós uma amizade muito profunda. Foi muito bom conhecer V. Exª. Com certeza, o povo reconhece a grandeza da representação do Estado de Goiás, que está intacta nesta Casa. V. Exª demonstra preocupação a respeito da situação dos vereadores que não puderam concorrer ao processo eleitoral de 2004, por entendimento do TSE. Realmente, acredito que aquela situação deixou uma lacuna, uma brecha. No momento em que estávamos analisando essa questão, muitas pessoas que estudam a causa apresentaram outros cálculos matemáticos sobre a distribuição da representatividade nas Câmaras, e chegou-se a determinadas tabelas intermediárias. Poder-se-ia deixar a situação como estava ou fazer a intermediária, mas não havia tempo para se obter uma razão aprofundada sobre o que deveríamos fazer. Por decurso de prazo, o Senado deixou de apreciar a proposta da Câmara e mesmo a proposta do Senador Antonio Carlos Valadares, que é um ardoroso defensor dessa causa. Por último, o problema não foi resolvido, porque se diminuiu o número de cadeiras nas Câmaras, mas não se reduziram os repasses do Poder Municipal para o Legislativo daquela competência. Nesse caso, não se resolveu o problema. Assim, o Senado Federal e o Congresso Nacional estão em dívida com a questão, e acredito que poderíamos aproveitar a ocasião e o movimento que está sendo criado em nível nacional para reestudar o caso e corrigir uma distorção da qual - acredito - também participei, tendo contribuído para a sua continuidade. Parabéns a V. Exª. Seja bem-vinda para continuarmos com o prazer de tê-la conosco durante mais um período nesta Casa. (Palmas nas galerias.)
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Agradeço as palavras do Senador Sibá Machado.
Fiquei feliz de ter provocado.... Nem comecei ainda o meu discurso, mas é importante que qualquer palavra que possamos dizer aqui neste cenário espelhe o sentimento de qualquer segmento que representamos. Se hoje esse segmento aqui se encontra e aplaude, logicamente, ele o faz por sentir o apoio desta Casa à sua proposição.
Gostaria de ouvir, com o maior prazer, o nosso Líder Ney Suassuna, cujas palavras vão acrescentar um conteúdo muito importante à minha fala.
O Sr. Ney Suassuna (PMDB - PB) - Senadora Iris de Araújo, como Líder do PMDB no Senado Federal, já lhe dei as boas-vindas. Mas eu já tinha uma certeza que hoje pude constatar: mal disse que precisávamos ter quorum na CPMI dos Correios, estava lá V. Exª à disposição, como uma soldada, uma guerreira do PMDB. E é isto que V. Exª tem sido no PMDB: uma guerreira. Ouvi na semana passada que, em Goiás, a senhora percorreu 140 cidades em 15 dias, batendo o recorde de visitas e de aclamação pelo povo. Estou certo de que a senhora vai ser vitoriosa na sua próxima campanha lá, como também estou pedindo a Deus para que esses que estão aqui clamando para entrar nas vagas que deixaram de ser usadas - quando o custo é o mesmo -, os vereadores e os suplentes de vereadores, também tenham agora, no dia 25, uma decisão positiva do Supremo. Então, tenho estas duas certezas hoje: a certeza de V. Exª e a certeza de que o Supremo não vai falhar com esse povo, que tem vindo a Brasília permanentemente, perseguindo esse objetivo. Desejo a V. Exª o maior sucesso e sei que V. Exª será a guerreira de sempre, a guerreira candidata a Vice-Presidente, a guerreira Primeira-Dama por várias vezes, a guerreira que todos os goianos amam tanto. Quero saudá-la e dizer da minha alegria de tê-la na Bancada do PMDB, que agora está apresentável. (Palmas nas galerias.)
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Agradeço a palavra do nosso querido Líder...
O SR. PRESIDENTE (Renan Calheiros. PMDB - AL) - Eu queria, sem interromper a Senadora Iris, pedir o silêncio dos nossos visitantes, porque não é praxe, não é regimental a manifestação aqui na Casa, se bem que haja um clima de concórdia, suscitado, em boa hora, pela Senadora Iris.
O Senado Federal - e todos já disseram isso aqui - fez um esforço muito grande para que votássemos em tempo uma legislação que não possibilitasse prejuízo àqueles que sobreviveram pelo voto. Mas houve uma interpretação do Tribunal Superior Eleitoral - muitos entendem que foi muito mais do que uma interpretação -, o que acabou impossibilitando que deliberássemos na reta final dos nossos trabalhos do semestre passado.
No entanto, o Supremo terá afinal uma oportunidade, quem sabe, para reparar esse equívoco. E todos estamos irmanados nesse propósito. A Senador Iris interpreta, sem dúvida alguma, o sentimento majoritário do Senado Federal.
Com a palavra V. Exª.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Obrigada, Sr. Presidente, pela intervenção.
O Sr. Ney Suassuna (PMDB - PB. Pela ordem.) - Sr. Presidente, por uma questão de ordem, sugiro que se desconte o tempo, porque, até agora, não deixaram a nossa Senadora falar. Proponho que comece a contar agora o tempo dela.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Isso não tem a menor importância, Senador. A causa é nobre.
Agradeço a intervenção do Sr. Presidente e quero dizer aos nobres vereadores e suplentes que, mesmo sendo anti-regimental, gostamos muito dos aplausos, não é, Sr. Presidente? Todos aqui gostamos. Entretanto, vamos obedecer ao Regimento e manter os aplausos no nosso coração.
Gostaria de ouvir o aparte do nosso companheiro Senador Mão Santa.
O Sr. Mão Santa (PMDB - PI) - Senadora Iris, o PMDB, como todo o Brasil sabe, é o partido maior do Brasil, mas a presença de V. Exª faz com que ele seja o mais belo também. Estou solidário com o pronunciamento de V. Exª quanto à problemática dos vereadores, que foi um caso mal-resolvido aqui no Congresso. Mas foi mal-resolvido porque a opinião pública foi desvirtuada. E esse talvez tenha sido o grande erro do Governo. Ofereceu-se à opinião pública que isso representaria gastos, e não o é. Fui prefeitinho e sei que é uma verba fixa e percentual, que apenas se diluiu e se dividiu para menos pessoas. Quanto ao significado de vereador na democracia, eu seria breve. Um quadro vale por dez mil palavras. Sr. Presidente Renan - daqui, e que chegue até o Alvorada -, é preciso lembrarmos a França, onde começou o grito de liberdade, igualdade e fraternidade, em que nasceu a República. É preciso saber que um Presidente da República, Giscard d´Estaing, ganhou a eleição no primeiro turno, depois de sete anos como Presidente, de François Mitterrand, perdeu no segundo e, ao entregar o governo a Mitterrand, perguntado em entrevista sobre o que ia fazer, ele disse: “Deixarei a Presidência para disputar um cargo de vereador na minha cidade”. E foi. Daí a importância do vereador na democracia. Então, esse é meu apoio. Esta é a hora de resgatarmos esses que são, sem dúvida alguma, o instrumento mais forte e mais próprio ao povo.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Senador Demóstenes Torres, gostaria de oferecer-lhe a oportunidade do aparte, que tenho certeza vai abrilhantar este nosso pronunciamento.
O Sr. Demóstenes Torres (PFL - GO) - Muito obrigado, Senadora. Quero parabenizar V. Exª e dizer que o Senado se sente engrandecido com a sua volta. Todos tivemos muita saudade do tempo que V. Exª passou pelo Senado, quando fez um trabalho brilhante, em que discursava praticamente todos os dias. Apresentou projetos de lei e engrandeceu o Estado de Goiás. Eu até dizia ao meu colega Senador Maguito Vilela - não o desprestigiando - que V. Exª tinha deixado saudade. Não que S. Exª também, de forma alguma, não merecesse o cargo. S. Exª é um Senador dos mais brilhantes. Mas V. Exª, sem sombra de dúvida, é uma pessoa singular, e quero saudá-la por essa volta brilhante. Ao saudá-la, quero estender a saudação ao nosso Líder Iris Rezende, que tem feito um belo trabalho em Goiânia e que, sem sombra de dúvidas, tem uma história importante que V. Exª ajudou a construir. Hoje, com vôo absolutamente próprio, chega ao Senado para brilhar por mais um período. Parabéns! O Senado se sente engrandecido com a volta de V. Exª.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Agradeço muito, Senador, as suas palavras.
O nobre Senador Maguito Vilela - aproveito o momento em que V. Exª cita o seu nome - tem realmente engrandecido o nosso Estado. Ao convidar-me para sua suplente, o Senador Maguito Vilela não o fez apenas para que eu constasse na chapa como um nome feminino. Aliás, tenho observado, ao longo da minha vida política, da minha vida pública, que muitas vezes nós mulheres somos muito cantadas em prosa e verso, principalmente em época de eleição, mas efetivamente nosso reconhecimento, aquilo que nos é devido, não se faz de maneira prática. O Senador Maguito Vilela, ao incluir-me como sua suplente, o fez não para homenagear-me ou para homenagear as mulheres, mas para reconhecer o trabalho da mulher.
Obrigada pela oportunidade e pelas suas palavras.
O Senador Flexa Ribeiro havia pedido um aparte.
O SR. PRESIDENTE (Valdir Raupp. PMDB - RO) - V. Exª ainda tem quatro minutos, Senadora.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Como o discurso poderia ficar longo nestes quatro minutos, gostaria que fosse considerado como lido. Porém, faço uma referência antes de deixar o púlpito.
Foi muito boa, mesmo não tendo lido o discurso, a oportunidade de ter levantado essa discussão a respeito de um segmento. Eles estão ali cumprindo regimentalmente e aplaudindo surdamente - estou percebendo pelos gestos - o que estamos dizendo - não digo eu, mas todo este Plenário.
De acordo com a discussão que se estabeleceu neste plenário durante o período da tarde em que aqui estive, eu gostaria de dizer pouca coisa. Ressalto que, no Senado, sou uma mulher que tenho convicções e que não abro mão delas. Nunca abri. A minha trajetória no PMDB é de 41 anos. Desde o início do PMDB, a minha trajetória sempre foi retilínea, não sofreu em momento algum nenhum abalo, nem nada que dissesse respeito à firmeza das minhas convicções. Ao reassumir o mandato, semana passada, gostaria de ter dito que procuro agir da maneira mais justa possível, com equilíbrio, com ponderação, mas não sou uma mulher que não tenha coragem de tomar determinadas atitudes.
Baseada nisso, gostaria de dizer que, ao assistir às palavras do Ministro Antonio Palocci, preparei um pronunciamento - que gostaria que a Mesa considerasse como lido - ressaltando a atitude do Ministro, que explicou imediatamente, sem levar em consideração o que possa advir das acusações que foram feitas, se verdadeiras ou não. No pronunciamento, sugeri a presença do Ministro, para dar uma satisfação à sociedade imediatamente.
Ao chegar ao Senado, gostaria de dizer, principalmente para esta platéia que conhece tão bem a poeira de todos os municípios, que chego aqui ainda com os pés meio empoeirados por ter percorrido 130 municípios.
(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Eu gostaria de fazer uma correção para o Senador Ney Suassuna: percorri em 15 dias 15 cidades, três dias por semana.
Está muito ainda na minha pele o sentimento popular; está muito ainda no meu coração e nos meus olhos as cenas que vi durante esse período.
Srªs e Srs. Senadores, muitas vezes preparamos uma pequena reunião em câmaras municipais diminutas, de pequenos municípios, durante o dia, às 15 horas. Para percorrer cinco municípios por dia, é preciso se começar no princípio da manhã, no meio da manhã, no meio da tarde.
O SR. PRESIDENTE (Valdir Raupp. PMDB - RO) - Darei mais um minuto a V. Exª, para concluir.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Vou terminar agora mesmo. Por vezes, em qualquer local, pode-se fazer a discussão do momento político. A televisão era mantida ligada.
Estamos sendo observados não a olho nu, mas com lupa. Daí minha responsabilidade e minha consideração em relação à presença do Ministro respondendo, imediatamente, às acusações. Quem sabe se, nesse momento, não seria um exemplo importante para todos os membros do Governo. Seria importante se pudessem vir, imediatamente, dar uma satisfação à sociedade, não deixando que determinados artifícios tomassem conta de pronunciamentos e posições, para mascará-los.
Eu poderia conceder o aparte ao Senador Garibaldi Alves Filho?
O SR. PRESIDENTE (Valdir Raupp. PMDB - RO) - Darei mais um minuto a V. Exª, para, se quiser, conceder apartes.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Eu gostaria de conceder o aparte, em primeiro lugar, ao Senador Flexa Ribeiro e, logo em seguida, ao Senador Garibaldi Alves Filho.
O Sr. Flexa Ribeiro (PSDB - PA) - Nobre Senadora Iris de Araújo, é com muita honra que aparteio o pronunciamento de V. Exª, como fiz na quinta-feira, quando da reentrada de V. Exª no plenário do Senado. Muito bem falou da dificuldade de geração de emprego e da manutenção da ajuda permanente para os mais necessitados, tornando isso de forma não resgatável, já que todo bom cidadão quer ter condições dignas de sustento da sua família por meio de um emprego. Hoje V. Exª traz outro assunto, e todos queremos prestar a nossa solidariedade aos nossos vereadores que tiveram seus mandatos legados pela população, o que lamentavelmente não foi reconhecido. Mas tenho absoluta certeza de que, depois de amanhã, o Supremo haverá de reconhecer o mandato que lhes foi outorgado pela população brasileira. Quero parabenizá-la, Senadora, por trazer também esse assunto e, por último, o assunto que considerou como lido, da presença do Ministro Palocci numa coletiva à imprensa. S. Exª deu exemplo do que deve ser feito, do que deveria ser feito por Sua Excelência o Presidente da República, que não deve ficar falando e palanques, mas, sim, de uma forma clara e transparente, como fez o Ministro Palocci. Deve falar à Nação, numa audiência coletiva com a imprensa.
(Interrupção do som.)
O Sr. Flexa Ribeiro (PSDB - PA) - Obrigado pela oportunidade de aparteá-la.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Agradeço a V. Exª a oportunidade das palavras, exatamente na direção que seguiria até o final.
Concedo o aparte ao nobre Senador Garibaldi.
O Sr. Garilbaldi Alves Filho (PMDB - RN) - Senadora Iris de Araújo, já tive oportunidade de testemunhar minha alegria pela volta de V. Exª a esta Casa. Hoje, faço questão de reiterar esse depoimento diante dos seus conterrâneos e dizer o quanto V. Exª é admirada nesta Casa por se mostrar combativa, por se mostrar sempre uma Senadora das mais atuantes. Daí por que acredito que a contribuição de V. Exª, neste momento de crise, será das mais positivas e que, realmente, honrará o Senado a exemplo do próprio Senador Maguito Vilela.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Agradeço o aparte de V. Exª.
Gostaria de oferecer a oportunidade - oportunidade para mim, Senador - de ouvir as palavras do nobre Senador Aloizio Mercadante.
O Sr. Aloizio Mercadante (Bloco/PT - SP) - A presença da Senadora Iris de Araújo no Senado Federal é bem recebida por todos os Partidos e por todas Srªs e Srs. Senadores. Nós, que convivemos com V. Exª em período anterior, passamos a respeitá-la, a admirá-la pela coerência, pela defesa da mulher, sobretudo pelo compromisso com seu Estado de Goiás, sempre defendendo os interesses do povo, com espírito público e com muito talento. Por tudo isso, seja bem-vinda. Tenho certeza de que a passagem de V. Exª abrilhantará esta Casa, enriquecerá o nosso debate político. Sei que expresso o sentimento do Plenário e do País, recebendo aqui, de braços abertos, a grande Senadora Iris de Araújo, que está de volta a esta Casa. Tenho certeza de que V. Exª vem agora para ter uma passagem destacada. Seguramente depois, pelas urnas, V. Exª virá para ficar definitivamente. Um grande abraço.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Agradeço muitíssimo ao Senador Aloizio Mercadante.
Eu gostaria de estender a palavra ao Senador José Agripino, com o maior prazer.
O Sr. José Agripino (PFL - RN) - Senadora Iris de Araújo, V. Exª não sabe com que prazer me refiro a V. Exª como, de novo, Senadora Iris de Araújo, V. Exª que nunca perdeu o contato conosco. Foi Senadora, honrou este plenário, era uma figura doce que sabia ser altiva na hora que precisava ser altiva e que deixou aqui, junto aos seus Pares, a melhor das impressões. Uma pessoa que tem compromisso com os interesses do seu Estado, é atenta à causa das mulheres, à questão nacional e sabe se comportar com muita dignidade em todos os episódios. É esse o conceito que o meu Partido guarda de V. Exª. É com essas palavras que o PFL lhe dá, mais uma vez, as melhores boas-vindas.
A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO) - Agradeço as palavras do nobre Senador José Agripino.
Encerro minhas palavras agradecendo ao Presidente pela paciência em me ouvir e por me permitir falar por mais tempo.
Reitero o meu pedido de que seja dado como lido o meu pronunciamento.
Era o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente.
Muito obrigada. (Palmas.)
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SEGUE, NA ÍNTEGRA, DISCURSO DA SRª SENADORA IRIS DE ARAÚJO.
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A SRª IRIS DE ARAÚJO (PMDB - GO. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, os mercados reagiram de maneira positiva ontem após a manifestação do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que adotou um procedimento surpreendente e, de certa forma, até mesmo inédito no governo desde que eclodiu a crise política: submeter-se a uma entrevista coletiva para negar denúncias de corrupção, segundo as quais ele teria recebido propina de empreiteira durante a gestão na Prefeitura de Ribeirão Preto.
A exposição democrática do ministro teve o poder de reverter um cenário dramático que havia se desenhado na sexta-feira, quando o advogado Rogério Tadeu Buratti, ex-assessor de Palocci, despejou as acusações no terreno minado da crise. Naquele dia, o dólar avançou 2,9% e chegou a R$2,45.
Ontem, o vendaval deu lugar a uma suave brisa neste sensível mercado, reagindo com mansidão à inteligente estratégia adotada por Palocci, que abdicou da folga no domingo para sacudir a imprensa com um procedimento que já estava caindo no esquecimento: a prática de encarar de frente a opinião pública para explicar o que precisa ser explicado.
Assim, o dólar fechou em queda de 2,65%, a maior em dois anos e meio, sendo cotado a R$2,385. A moeda americana não caía tanto em um só dia desde janeiro de 2003. A Bovespa acompanhou a onda e obteve alta de 2,32%. O risco país recuou 2,86%, para 407 pontos. Os juros futuros também evidenciaram a boa percepção do mercado e encerraram ontem na descendente.
O fato de o ministro ter agido de maneira rápida acabou sendo bem assimilado pelo mercado, bem como a negativa veemente das acusações. Mas o que se tornaram ainda mais marcantes foram a postura e o perfil psicológico demonstrados pela autoridade. Ao contrário da conduta de outros nomes fortes do governo, desta feita não assistimos a um espetáculo de soberba ou arrogância. Palocci não se considerou imprescindível, não se apresentou como dono do governo. Se colocou abaixo das instituições, como naturalmente convém ao homem público sensato.
Agindo com responsabilidade, o ministro pontuou que a economia não sofrerá mudança de rota dentro daquilo que sua equipe traçara, independente de continuar ou não no cargo. Neste sentido, separou o lado econômico da grave crise política, estabeleceu uma autonomia no que diz respeito aos fundamentos adotados e, num gesto de dimensão, impediu que o Brasil entrasse num buraco ainda mais fundo, ainda mais escuro.
Isso não significa, Sr. Presidente, que o atual dilema brasileiro esteja solucionado. Não. O que importa considerar é que Palocci por enquanto dá estabilidde à agenda econômica, que pode seguir adiante mesmo que ocasionalmente venha a se ausentar do ministério da Fazenda.
É bem verdade que o cenário de incertezas permanece a mil. Hoje já estão em curso novos depoimentos nas CPIs que podem reverter de uma hora para outra a expectativa positiva verificada ontem. Mas não perderemos aqui a chance de ressaltar a importância de um comportamento que foi, infelizmente, menosprezado pelas autoridades do PT citadas no turbilhão de denúncias nas últimas semanas: a imperiosa necessidade do cara-a-cara com a imprensa, respondendo com objetividade às perguntas, sem jamais fugir dos questionamentos e não permitindo que prospere o mar de dúvidas e interrogações.
Na verdade, não nos cabe, Srªs e Srs. Senadores, nenhum juízo a respeito das acusações que foram feitas ao ministro. A este respeito, estão aí as instâncias judiciais para a devida apuração e julgamento. O que queremos ressaltar é este sentido de segurança e de factualidade que parecia exterminado no governo. Os fatos gravíssimos vinham à tona e quase sempre os citados escapavam para o refúgio de suas biografias ou iam buscar abrigo em contra-argumentos arcaicos, como considerar que as denúncias são obra da “direita” ou das “forças conservadoras”. Esta tentativa de dar conotação ideológica a fatos concretos que evidenciam práticas ilícitas em nenhum momento foi assimilada pela população brasileira, que exige explicações lógicas e convincentes.
Sem desespero, sem invocar “forças ocultas” atuando contra o governo, Palocci fez a sua defesa a partir dos pressupostos da razão. Não demonstrou amor desmedido pelo cargo. Antes, evidenciou que o poder não é tudo para sua vida. Em nenhum momento se apropriou das funções que atualmente assume. Antes, estabeleceu que o ministério da Fazenda pode seguir em frente com sua política mesmo que ele não esteja no comando. Por fim, não chamou o governo de “seu”, mas tratou de expressar um senso de humildade que parecia incrivelmente esquecido pelos que comandaram ou comandam os destinos da Nação.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, as autoridades deste País precisam urgentemente redescobrir o sentido da serenidade e da transparência tão fundamentais ao perfeito exercício da atividade pública. O esclarecimento de quaisquer dúvidas que pairem sobre suas funções não pode jamais ser encarado como algo a ser feito de acordo com seu estilo pessoal. Não. Este esclarecimento, é obrigatório que seja olho-no-olho, direto, objetivo, claro, preciso - e submetendo-se às imprescindíveis regras democráticas. Neste sentido, a sinceridade é o oxigênio que dá vitalidade e força ao organismo institucional.
Acredito, Srªs e Srs. Senadores, que o comportamento adotado pelo ministro Antonio Palocci poderá, sim, levar o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a repensar a sua conduta diante da crise.
A sociedade brasileira possui um aprofundado grau de consciência e uma sintonia fina com todos os acontecimentos que dizem respeito ao País. E esta sociedade, como bem demonstram as pesquisas, não considera satisfatórios a forma e o nível de respostas que o presidente dá à sucessão de fatos que envolve seu governo.
No que diz respeito à forma, claro está que não trará resultado a postura unilateral, que denota isolamento e eqüidistância da opinião pública. É preciso, sim, que o presidente se disponha a enfrentar uma entrevista coletiva, repondo um a um os temas até agora tratados através do expediente das notas oficiais ou do pronunciamento em rede de rádio e tevê..
Se a imprensa forma a opinião pública, ausentar-se de seu sistema natural de agir é antecipadamente abdicar-se da luta para angariar o respaldo da sociedade. Ademais, é essencial para esta sociedade ouvir o seu governante através de respostas diretas, corajosas, esclarecedores.
Por fim, não seria também apropriado dar seqüência ao recurso de se tratar inaugurações de obras de cunho popular enquanto espaço para uma ou outra manifestação esporádica a respeito da crise, tendo sempre o amparo de simpatizantes ou partidários para o aplauso fácil. Trata-se, na verdade, de um cenário de ilusões, que em nada colabora para elucidar ao presidente da República a real gravidade do momento brasileiro.
Para que o País reinicie o debate de uma agenda positiva é preciso, primeiro, recuperar os fatos que foram ignorados e elucidá-los. A Nação conta com importantes aliados que são a maturidade de sua economia e a ausência de fatores externos negativos. Pela primeira vez os investidores estão desconsiderando os efeitos da grave crise política para maximizar as potencialidades do Brasil, mas é preciso que o governo faça a sua parte.
O momento é mais do que apropriado. As portas foram abertas pelo ministro Antonio Palocci para que o Presidente Lula possa adentrar no terreno real da crise e, quem sabe, também suavizar a intensidade do terremoto.
Se não irromperem novos fatos, talvez aí esteja a chance de um reencontro verdadeiro com o povo brasileiro - que não quer discurso, mas apenas e tão somente a palavra singela da presidente, autêntica, verdadeira, sem trocadilhos nem retoques. A palavra pura e cristalina, como a que era proferida nos tempos do operariado.
Ao resgatar a sua origem, o Presidente poderá também resgatar o Brasil que um dia juntos sonhamos.
Era o que eu tinha a dizer.
Muito obrigada.