Discurso durante a 3ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Considerações sobre projeto apresentado por S.Exa. para reparação das estradas brasileiras.

Autor
Alberto Silva (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/PI)
Nome completo: Alberto Tavares Silva
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
POLITICA DE TRANSPORTES.:
  • Considerações sobre projeto apresentado por S.Exa. para reparação das estradas brasileiras.
Aparteantes
Heráclito Fortes, João Batista Motta, Leonel Pavan, Ney Suassuna, Sibá Machado.
Publicação
Publicação no DSF de 20/01/2006 - Página 1324
Assunto
Outros > POLITICA DE TRANSPORTES.
Indexação
  • COMENTARIO, PLANO, AUTORIA, ORADOR, RESTAURAÇÃO, SISTEMA RODOVIARIO FEDERAL, APRESENTAÇÃO, DADOS, PREJUIZO, PRECARIEDADE, RODOVIA, PERDA, COMBUSTIVEL, CAMINHÃO.
  • CONGRATULAÇÕES, MINISTRO DE ESTADO, CHEFE, CASA CIVIL, PROJETO, RECUPERAÇÃO, SISTEMA RODOVIARIO FEDERAL.

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador. - Sr. Presidente, Senador Gilvam Borges, Srªs e Srs. Senadores, é interessante observamos, neste fim de tarde, que esta sessão começou às 9 horas e, a esta hora, ainda estamos discutindo temas do maior interesse para os brasileiros.

Como o tempo é curto e este assunto é extremamente sensível, havendo muitos pontos que poderiam ser expostos, não quero entrar na discussão dos programas Bolsa-Família ou no do Fome Zero. Mas ressalto que o Brasil é uma Nação que tem terra e sol, que Deus manda. O sol bate na terra e, junto com a água, uma semente de feijão produz - uma semente - 200, 300 ou 500 grãos, dependendo da produtividade.

Então, se temos tudo isso num País deste tamanho, uma política correta seria gerar os recursos que o Brasil precisa e nunca mais pedir dinheiro emprestado ao FMI para termos de pagar depois, como ocorreu agora. Evidentemente, não estou fazendo qualquer crítica. Entendo que o Governo Lula agiu de modo correto no momento oportuno, mas entendo também que o Brasil tem condições de produzir riqueza por meio do solo e empregar milhões de pessoas que estão por aí, aguardando uma oportunidade. Trataremos desse assunto na hora certa.

Neste instante, quero apenas fazer um comentário: desde o Governo Fernando Henrique, apresentei um plano bem estudado - sou engenheiro, construí muitas estradas no meu Estado quando Governador - para a reparação das estradas brasileiras de maneira adequada, correta, inteligente e criativa. Num dia só, no País inteiro, as firmas que estavam cadastradas no Ministério dos Transportes receberiam a missão de, num determinado espaço de tempo, tirar o asfalto velho e colocar o asfalto novo. E se a base da estrada não estiver correta, corrigir a base e o asfalto.

São dois milhões de carretas circulando no País, carregando a riqueza brasileira, porque não temos ferrovias nem hidrovias funcionando no transporte de carga. Então, isso demandaria recurso cuja origem vou agora dizer - às vezes o Governo não leva em consideração alguns pontos como os que vou citar. Sabem qual é o prejuízo que o Brasil tem, senhores, e os engenheiros rodoviários que estão me assistindo e os carregadores e transportadores de carga também? Por causa dos buracos, dois milhões de carretas, ao frearem e ao acelerarem, gastam 30% mais do combustível que a Petrobras importa e vende para as bombas e que as bombas vendem para os usuários. Sabem quanto isso significa, senhores? Significa R$6 bilhões por ano. E sabem quanto custa reparar os 20 mil quilômetros? Custa R$6 bilhões. Então, num ano, com a economia, poderíamos fazer o projeto completo.

Deixei um projeto dessa natureza nas mãos da Ministra Dilma, dizendo a S. Exª que, se fosse adotado esse projeto, S. Exª teria o dinheiro. E, para começar, teria de ter o dinheiro. E existe a Cide, que poderia fornecer o dinheiro para fazer a obra como deveria ser feita.

Concluindo, Sr. Presidente, mando daqui os meus parabéns à Ministra Dilma, não pelo projeto que deixei lá, mas pela atitude tomada. De qualquer maneira, a operação tapa-buracos vai impedir que as carretas tenham de frear por causa dos buracos, mas a vida dessas estradas é curta. Quando o buraco aparece na estrada, é porque o asfalto envelheceu, e, assim sendo, você tem de tirar esse asfalto velho e colocar outro.

O Sr. Leonel Pavan (PSDB - SC) - Senador Alberto Silva, V. Exª me concede um aparte?

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Com a permissão do Sr. Presidente, com todo prazer.

O Sr. Leonel Pavan (PSDB - SC) - Se o Flexa Ribeiro teve dez apartes, V. Exª, com toda a experiência que tem, poderá ter muito mais. Contudo, só há três Parlamentares aqui: o Sibá, o Motta e eu. Eu gostaria de dizer que o problema são essas obras paliativas. Isso é um problema seriíssimo. Tenha certeza absoluta de que o que V. Exª está falando vai acontecer. Isso é questão de pouco tempo. Não há controle do peso das cargas das carretas, e as empresas colocam aquela nata de asfalto por cima, aquele “tapetinho” preto, uma recuperação à meia boca. Não se arruma a base do asfalto, a sua parte podre. Com a trepidação, vai acontecer tudo de novo. São 440 milhões para atender o período eleitoral. O Alckmin e o Serra podem se preparar para licitar no ano que vem, pois um dos dois terá de fazer as obras de reconstrução das estradas do Brasil, porque essas que estão sendo feitas, com certeza, não vão resolver o problema.

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Senador Sibá Machado.

O Sr. Sibá Machado (Bloco/PT - AC) - Senador Alberto Silva, V. Exª sabe da admiração que lhe dedico. Cada vez que V. Exª usa a tribuna é, de fato, uma aula para mim.

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Muito obrigado.

O Sr. Sibá Machado (Bloco/PT - AC) - Eu queria lhe fazer uma pergunta.

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Pois não, Senador.

O Sr. Sibá Machado (Bloco/PT - AC) - Se nos seus cálculos, fez um quadro comparativo da agricultura brasileira e sua capacidade de exportação. Diz-se que a produção do Brasil está beirando 150 milhões de toneladas. Vamos pensar que dobraremos isso num futuro promissor; ou seja, que, nos próximos, digamos, 20 anos, o Brasil produzirá 300 milhões de toneladas. A pergunta que faço é: qual é a capacidade de carga que temos sobre rodas e por que o Brasil não pensa na idéia da ferrovia? Faço essa pergunta imaginando Carajás exportando ferro. Precisa-se de trem para isso, porque sobre caminhão estaria inviabilizado o processo pelo custo. Quando se fala em ferrovia, no meu entendimento, trata-se de alta capacidade de carga para lugares em que não é viável o transporte sobre água. Como os rios dos centros produtivos de grãos do Brasil não permitem essa modalidade de transporte, deveríamos pensar na ferrovia. Portanto, eu gostaria de ouvir uma palavra de V. Exª a respeito da escolha entre rodovia ou ferrovia, pensando numa estratégia para o futuro do Brasil. Qual das matrizes seria a melhor para o nosso desenvolvimento?

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Esse tema dá uma hora de discussão. Evidentemente, como o tempo é curto, quero apenas deixá-lo no ar. Antes de responder, Senador Sibá Machado, Senador Pavan e meu querido amigo, Senador João Batista Motta, eu diria o seguinte: em primeiro lugar, deixem-me concluir o que eu estava falando.

Quero dizer à Ministra Dilma: “Ministra Dilma, tudo bem”. Não foi possível fazer aquele projeto, mas já pedi aos meus companheiros engenheiros, construtores de estrada que me dêem um relato sucinto e rápido de quantos quilômetros já foram arrumados, porque, evidentemente, de acordo com isso, haverá uma economia de 30% de combustível. Com o número de quilômetros multiplicados pelos 30%, saberemos quanto ela terá de dinheiro que será economizado pela Petrobras. Aí, vem a segunda etapa, Senador Leonel Pavan, já que haverá arrecadação pela economia - porque em quatro ou cinco meses, se as estradas estiverem sem buracos, arrecada-se o dinheiro.

Digo: “Ministra, fique de olho nessa economia e diga à Petrobras que toda a economia vai para um fundo destinado a, no próximo ano ou Governo, se for do Presidente Lula, fazermos uma recuperação correta, isto é, tirando o asfalto velho, botando asfalto novo e concertando a base”. Assim, o País terá o que precisa.

Rapidamente, meu caro Senador Sibá Machado, para substituir a rodovia por ferrovia, no Brasil, deveria ter ocorrido aqui o mesmo que nos Estados Unidos. A colonização americana foi em cima dos trilhos; a nossa, não.

Na próxima semana, continuaremos a discussão e trarei um resumo do que aprendi, do que sei sobre o assunto.

Atendo, com prazer, o Senador Motta, pedindo ao Presidente que, assim, eu possa concluir.

O Sr. João Batista Motta (PSDB - ES) - Senador Alberto Silva, entendo perfeitamente o drama que o Presidente Lula deve ter vivido querendo fazer alguma obra de vulto, sem conseguir. As pessoas inteligentes deste País - como é o caso da Ministra Dilma -, quando quiseram executar obras, como a construção de hidrelétricas, já que o Brasil precisa tanto de geração de energia, não o conseguiram. O Ministério das Minas e Energia não consegue fazê-lo porque o Ministério do Meio Ambiente não deixa. O Zeca do PT quer construir usinas de álcool, mas não consegue. O pessoal do Norte quer produzir camarão, mas o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama não permitem. Trata-se de um alimento nobre, caro, criado onde há sol, em terras que nada produzem, mas isso, hoje, não é permitido. Imagino eu que o Presidente Lula, no desespero do último ano, falou: “Só tem um jeito de me deixarem trabalhar: vou tapar buracos nas estradas”. Estou fazendo um relatório para a Ministra do Meio Ambiente, mostrando alguns buracos que já têm muitos sapos e já devem ter até peixes, pelo tamanho e pelo tempo que estão abertos. Tenho certeza de que a Ministra vai interferir e proibir a operação tapa-buracos, para não matar alguns sapos que estão pelas estradas brasileiras. Muito obrigado.

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Sr. Presidente, vou encerrar.

Senador Sibá Machado, por favor. Creio que V. Exª quer dizer alguma coisa.

O Sr. Sibá Machado (Bloco/PT - AC) - Só estou preocupado com essa fala. Eu gostaria de...

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Não, não, não. V. Exª já teve a sua chance.

Senador Ney Suassuna, por favor.

O Sr. Ney Suassuna (PMDB - PB) - É muito pequeno o meu aparte. Eu quero dizer, nobre Senador Alberto Silva, que realmente me preocupa o fato de que, em um País como o nosso, que tem necessidade de energia, e que, com todas as hidroelétricas que podem ser feitas, como, por exemplo, a do rio Madeira, fiquemos ouvindo uma meia dúzia de pessoas dizendo: “Não; não pode fazer. Não; não vamos dar”. Fiquei mais preocupado ainda por saber que, para a Transamazônica voltar a funcionar, é necessária uma nova licença. Uma estrada que já existia! Tudo demais é veneno. Em entrevista, o Presidente da Eletrobras disse que teremos uma crise energética por causa do “estresse de pirilampo”. Acredito que S. Exª tem razão e que devemos ter muito cuidado para não exagerar na dose e não defender excessivamente o meio ambiente, em detrimento do conforto e do desenvolvimento dos brasileiros.

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Agradeço a manifestação do nobre Líder Ney Suassuna.

O assunto é importante, a Casa está atenta, os discursos de hoje foram bem claros.

O Sr. Heráclito Fortes (PFL - PI) - V. Exª me concede um aparte, Senador Alberto Silva?

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Se o Presidente concordar.

O Sr. Heráclito Fortes (PFL - PI) - Tenho certeza de que o Senador Gilvam, um homem de paz e solidário ao Nordeste, vai permitir este aparte. Senador Alberto Silva, a minha admiração por V. Exª não é de hoje,

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Muito obrigado.

O Sr. Heráclito Fortes (PFL - PI) - Essa sua determinação pela recuperação das estradas brasileiras já vem de algum tempo. Talvez, se o atual Governo o tivesse ouvido desde o primeiro ano, não vivêssemos hoje o constrangimento de ter as estradas brasileiras esburacadas e os jornais repletos de manchetes, colocando em dúvida a maneira como se está tentando suprir essa deficiência. Talvez, se o Governo - sejamos justos, não é só este Governo, mas o anterior também - ouvisse esse seu clamor de recuperação de estradas, criando-se, inclusive, uma câmara de compensação, não estaríamos nessa situação de emergência, com a famigerada operação tapa-buraco, porque ela tapa buraco e enche bolso. Nunca vi operação tão infeliz! Tapa buraco e enche bolso! Não há como fazer medição. V. Exª é engenheiro, fez as estradas mais baratas do Brasil, que ninguém conseguiu superar ainda em termos de custo e qualidade. São estradas construídas e que estão a prestar serviços no Estado do Piauí...

O SR. PRESIDENTE (Gilvam Borges. PMDB - AP) - Apelo ao nobre Senador Heráclito Fortes para que seja breve em seu aparte, porque já estamos...

O Sr. Heráclito Fortes (PFL - PI) - Já vou encerrar, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Gilvam Borges. PMDB - AP) - Sim. V. Exª dispõe de mais um minuto, e o orador também dispõe de mais um minuto para fazer suas conclusões.

O Sr. Heráclito Fortes (PFL - PI) - Senador Alberto Silva, congratulo-me com V. Exª. Tenho uma impressão excelente da Ministra Dilma Rousseff. S. Exª é uma executiva... Não são divergências políticas ou partidárias que não me deixam ter isenção para reconhecer isso. Tenho certeza de que a Ministra, ouvindo V. Exª e vendo a crise que o País vive neste momento, irá respaldar-se na experiência de um engenheiro estradeiro, de um engenheiro que tem a tradição não apenas na estrada de ferro, mas também na estrada de rodagem, com muitos anos de experiência comprovada. Dessa forma, o caminho mais fácil é exatamente esse. V. Exª está de parabéns, assim como o Piauí, porque tem V. Exª aqui a representá-lo!

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Obrigado, Senador Heráclito Fortes.

            Sr. Presidente, encerro, prometendo o seguinte: creio que o tema é importante, não só a geração de emprego como essa questão do Ibama, que não deixa construir as hidrelétricas. Tenho algumas idéias, vou montar, e vamos trabalhar na próxima semana, aprovando aquilo...

(Interrupção do som.)

O SR. ALBERTO SILVA (PMDB - PI) - Sr. Presidente, peço-lhe um minuto, por favor, para que eu possa encerrar.

Vamos aprovar aquilo que chega às nossas mãos em favor do povo brasileiro e trazer nossa experiência com alguma coisa a favor da geração de emprego, uma solução para a questão das hidrelétricas e da geração de energia. Creio que traremos uma contribuição absolutamente concreta e objetiva em favor do povo brasileiro.

Muito obrigado e até a próxima semana.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 20/01/2006 - Página 1324