Pronunciamento de Garibaldi Alves Filho em 30/01/2006
Discurso durante a 10ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Considerações sobre os principais desafios encontrados na área da educação no Brasil.
- Autor
- Garibaldi Alves Filho (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/RN)
- Nome completo: Garibaldi Alves Filho
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
EDUCAÇÃO.:
- Considerações sobre os principais desafios encontrados na área da educação no Brasil.
- Aparteantes
- Mão Santa.
- Publicação
- Publicação no DSF de 31/01/2006 - Página 2502
- Assunto
- Outros > EDUCAÇÃO.
- Indexação
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- COMENTARIO, ARTIGO DE IMPRENSA, PERIODICO, VEJA, ESTADO DE SÃO PAULO (SP), ENTREVISTA, JORNALISTA, PAIS ESTRANGEIRO, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), ESPECIALISTA, ASSUNTO, AMERICA LATINA, INFERIORIDADE, NIVEL, ESCOLARIDADE, POPULAÇÃO, BRASIL, REDUÇÃO, GASTOS PUBLICOS, GOVERNO BRASILEIRO, EDUCAÇÃO, SUPERIORIDADE, INDICE, ANALFABETISMO, COMPARAÇÃO, SITUAÇÃO, PAIS, MUNDO.
- ELOGIO, DEMOCRACIA, EDUCAÇÃO, PAIS ESTRANGEIRO, INDIA.
- ANALISE, INFLUENCIA, LIMITAÇÃO, EDUCAÇÃO, INDICE, PRODUTIVIDADE, ECONOMIA, PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB), QUALIDADE DE VIDA, POPULAÇÃO, NECESSIDADE, GOVERNO BRASILEIRO, AUMENTO, INVESTIMENTO, OBJETIVO, DESENVOLVIMENTO SOCIAL, INTEGRAÇÃO, BRASIL, GLOBALIZAÇÃO.
O SR. GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB - RN. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, fiz um pronunciamento, na semana passada, abordando a questão da globalização. Não se tratou de uma análise ideológica, pois ela não cabe em uma realidade sem volta. Não adianta ficarmos “atirando contra o vento”, ou, em uma visão quixotesca, digladiarmo-nos com “moinhos de vento”. A globalização está aí. Extrair os seus aspectos positivos ou negativos constitui-se muito mais em como um Estado nacional definirá as suas prioridades e preparar-se-á para usufruir dos inegáveis benefícios de uma maior interação entre os países.
Preocupam-me muito, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, dentro desse contexto inevitável, as oportunidades perdidas pelo Brasil e o que se verifica em outros Estados em desenvolvimento.
Vou-me deter, hoje, à questão da educação. A mídia impressa dedicou um espaço, neste final de semana, para abordar os principais desafios e dificuldades que encontramos nessa área. A revista Veja, Senador Mão Santa, publicou uma lúcida entrevista com o americano Norman Gall, que tem como título “Educação ou Morte”. Jornalista especialista em assuntos latino-americanos, Gall radicou-se no Brasil em 1977 e aqui criou o Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial. Entre várias constatações do entrevistado, uma nos chamou especial atenção: “...que os brasileiros mais pobres tenham uma média de apenas 3,4 anos de escolaridade é chocante. Mas mais chocante ainda é que os 20% mais ricos tenham apenas 10,3 anos de escolaridade.”.
Outra constatação estarrecedora é a de que o Brasil “gasta com um aluno do curso primário um quinto do que gasta a Grã-Bretanha.”. Não precisamos ir longe para verificarmos que temos um distante caminho a percorrer para que a educação constitua-se em uma prioridade nacional.
Enquanto o Chile apresenta uma média média de estudo da população de nove anos e uma taxa de analfabetismo de 3,5%, o Brasil possui uma média de estudo de 6,4 anos e uma taxa de analfabetismo de 11%. Ressalte-se que, se formos considerar o contingente populacional que apresenta o analfabetismo funcional, ou seja, a incapacidade de ler, interpretar e escrever textos de média e de baixa complexidade, vislumbraremos um enorme abismo, sobre o qual deveremos concentrar todas as forças e investimentos. Não é de se estranhar, comparando os índices relativos à educação do seu povo, que o Chile possua indicativos socioeconômicos bem mais favoráveis que os nossos.
Outro país que nos chama a atenção, constituindo um paradigma de como investimentos sólidos e prioridades em educação podem transformar uma realidade, é a Índia. O país asiático foi tema de discussões no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e as conclusões não poderiam ser melhores. Ao contrário da China, outro gigante econômico que se encontra em franco desenvolvimento, a Índia conseguiu criar um ambiente democrático em seu país e é de espantar o atual capital humano indiano. Um exemplo dessa revolução é a quantidade de doutores que a Índia possui - são mais de 31 milhões, contingente superior ao de países como o Canadá. O tema principal ou oficial do Fórum de Davos deste ano é “O Imperativo Criativo”. Tornou-se já “lugar comum” alardear que a criatividade é o principal diferencial que se procura no mercado de trabalho global. Capacidade inventiva, de pensar, formular e não apenas aplicar conceitos preestabelecidos. A era digital nos exige essa preparação. A mera repetição, que se constituiu em uma das principais características da era industrial, já não requisito para conquistar um posto no mercado de trabalho, até porque existem maquinários que realizam para nós o serviço manual.
O Sr. Mão Santa (PMDB - PI) - V. Exª me permite um aparte?
O SR. GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB - RN) - Pois não, Senador Mão Santa.
O Sr. Mão Santa (PMDB - PI) - Senador Garibaldi Alves, temos que movimentar o nosso Nordeste em busca dessa educação. É uma lástima termos um Presidente nordestino que afirmou que é melhor fazer uma hora de esteira do que ler uma pagina de um livro. Feliz do Chile que elegeu como Presidente da República uma professora e ex-ministra da Educação do Presidente Eduardo Frei. Eu estive no Chile; havia uma lei - isso é o que o Senado tem que fazer, leis boas e justas; atentai bem: oito anos de escolaridade obrigatoriedade para cada chileno. A nossa pobreza - V. Exª traz dados - passa três anos; oito, alguns; e os ricos e privilegiados não chegam a dez anos. O ex-presidente do Chile, antes de entregar o Governo a sua sucessora, Bachelet, que era sua Ministra, estabeleceu que agora são doze anos. Cada chileno tem a obrigação de estudar doze anos. E mais ainda: todo chileno tem de ter conhecimento de uma segunda língua, ou seja, duas línguas. Essa é a diferença. Enquanto isso nós aceitamos um Presidente que diz que não gosta de estudar, que ler uma página de um livro é pior que fazer uma hora de esteira! Rui Barbosa, cujo busto está ali, disse: “Só há um caminho e uma salvação: a lei e a justiça”. Eu, que sou do Piauí, digo ao Lula que só há um caminho e uma salvação: a educação deste País.
O SR. GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB - RN) - Agradeço, Senador Mão Santa.
V. Exª tem razão, porque os bons exemplos devem vir de cima. O exemplo deve vir dos Líderes que têm uma responsabilidade muito grande, não apenas com relação a promover os investimentos do País. Eles têm uma responsabilidade muito grande em dar o exemplo, em se constituir o parâmetro para aqueles jovens que desejam estudar.
É inadmissível que um País de dimensões continentais como o Brasil, Senador Mão Santa, e com uma população que se aproxima dos 200 milhões de habitantes possua somente 41 mil PhDs trabalhando em suas empresas.
(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)
O SR. GARIBALDI ALVES FILHO (PMDB - RN) - Sr. Presidente, termino logo.
Essa evidente limitação influi diretamente na produtividade do setor econômico e um dos principais ensinamentos da economia contemporânea é o de que quando o crescimento do PIB é impulsionado pelo aumento da produtividade, ele reflete diariamente na qualidade de vida do povo. Estudos demonstram que aumentar a produtividade de uma economia em 5% ao ano dobra o padrão de vida da população em 10 anos. E como conseguir esse imperioso crescimento e incremento na produtividade?
Srªs e Srs. Senadores, entre outras medidas de natureza econômica, consegue-se uma maior produtividade por meio de investimentos maciços em educação, ciência e tecnologia. É exatamente o investimento na formação do nosso povo que irá diferenciar o mero crescimento de um real e efetivo desenvolvimento, que repercuta na melhoria dos indicativos sociais, conforme já propugnava o ex-ministro Celso Furtado, grande cientista. Como demoramos, Sr. Presidente, a aprender lições essenciais e tão importantes. Devemos nos conscientizar de que, no mundo globalizado, o retardamento na tomada de decisões é fatal para as perspectivas de um país.
Sr. Presidente, continuarei ainda nessa análise oportunamente, mas, por hoje, eu me satisfaço com esse pronunciamento.
Muito obrigado.