Discurso durante a 6ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Apelo em favor de investimentos do PAC para a Ilha de Marajó, no Pará.

Autor
Mário Couto (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/PA)
Nome completo: Mário Couto Filho
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
DESENVOLVIMENTO REGIONAL.:
  • Apelo em favor de investimentos do PAC para a Ilha de Marajó, no Pará.
Aparteantes
Antonio Carlos Magalhães, Gerson Camata, Gilvam Borges, Marco Maciel.
Publicação
Publicação no DSF de 13/02/2007 - Página 1810
Assunto
Outros > DESENVOLVIMENTO REGIONAL.
Indexação
  • COMENTARIO, PROGRAMA, GOVERNO FEDERAL, ACELERAÇÃO, CRESCIMENTO ECONOMICO, REIVINDICAÇÃO, CONSTRUÇÃO, ECLUSA, USINA HIDROELETRICA, REGIÃO NORTE, ABERTURA, PORTO FLUVIAL, ESCOAMENTO, PRODUÇÃO, MINERIO, CONCLUSÃO, RODOVIA TRANSAMAZONICA, LIGAÇÃO, MUNICIPIO, SANTAREM (PA), ESTADO DO PARA (PA), CAPITAL DE ESTADO, ESTADO DE MATO GROSSO (MT).
  • RECLAMAÇÃO, NEGLIGENCIA, GOVERNO FEDERAL, AUSENCIA, INCLUSÃO, MUNICIPIO, ILHA DE MARAJO, ESTADO DO PARA (PA), PROGRAMA, ACELERAÇÃO, CRESCIMENTO ECONOMICO, COMENTARIO, SITUAÇÃO, POBREZA, FALTA, INFRAESTRUTURA, REGIÃO, SOLICITAÇÃO, APOIO, CONGRESSISTA, PROJETO DE LEI, EXTENSÃO, FORNECIMENTO, ENERGIA ELETRICA.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, ao encaminhar-me para a tribuna, o Senador Gerson Camata perguntou-me: “Sobre o que V. Exª vai falar?” Eu lhe respondi então: “Sobre o assunto do dia, da moda: o PAC”. Não é isso, Senador Gerson Camata?

Falei, na primeira vez que assomei a tribuna, a respeito da minha alegria e satisfação por saber que obras de fundamental importância para o Estado do Pará estavam locadas no PAC. Eu disse que cobraria muito e o farei. Em cada momento em que eu estiver nesta tribuna, quero lembrar dessas obras.

Falarei do meu Marajó hoje, como prometi, mas, antes, farei referência às eclusas de Tucuruí, obra de fundamental importância, repito, para a estabilidade do crescimento do meu querido Estado do Pará.

As eclusas não somente gerarão empregos, meu nobre Presidente Papaléo Paes, mas resolverão um problema que há muito tempo precisa de solução no Estado do Pará: a abertura do porto da Vila do Conde, que facilitará o escoamento da produção de minério oriunda do Sudeste do Pará.

Não podemos tratar do desenvolvimento do Oeste do Pará sem falar na conclusão da Transamazônica. Há quanto tempo essa é uma promessa? Há quanto tempo o povo do Pará clama por isso? Agora, finalmente, ela é pontilhada em um plano, e tenho esperança, meu Presidente, de que possa ser concluída.

Cobrarei isso, porque se trata de uma região especialmente privilegiada em sua formação, com agricultores em terras férteis, nobre Senador Marco Maciel, que precisa da conclusão da Transamazônica. São R$700 milhões. Apenas isso! Esse valor consta do Orçamento e, agora, do PAC, meu nobre Senador. É preciso que, realmente, seja concluída a Transamazônica, com o que o Oeste do Pará, com certeza, vai deslanchar ainda mais no seu crescimento.

A rodovia Santarém-Cuiabá é outra grande obra. As eclusas de Tucuruí e a Transamazônica são importantes, mas a Santarém-Cuiabá agora, por exemplo, já está interrompida, já não tem mais tráfego e tudo está parado.

Contudo, o que me trouxe a esta tribuna na tarde de hoje, além dos temas relativos ao meu Estado - e os tratarei nesta Casa todas as vezes que assomar à tribuna, porque esta será a minha bandeira de luta -, foi exatamente, inclusive por haver me causado profunda tristeza, a abordagem feita aqui pelo Senador Alvaro Dias que me antecedeu: o PAC foi um plano elaborado em gabinete. A meu ver, faltaram estudos mais aprofundados para o Programa. Esqueceram-se, por exemplo, mais uma vez, Senador Gerson Camata, da Ilha do Marajó.

Meu Presidente, creio que algumas pessoas pensam que a Ilha de Marajó não faz parte deste País! Sinceramente, penso isso, Srªs e Srs. Senadores! O Marajó nunca é lembrado. Às vezes, fico a pensar: será que as autoridades deste meu querido Brasil pensam que o Marajó não faz parte do nosso País?

Senador Antonio Carlos Magalhães, certa vez, na minha querida cidade Salvaterra, na Ilha de Marajó, li, em um jornal, que um Deputado queria construir uma penitenciária de segurança máxima na Ilha de Marajó. Até aí, nada de mais. Contudo, Sr. Presidente, os argumentos usados para levar essa penitenciária para a Ilha de Marajó são descabidos. A pessoa que projetou a tal construção sequer idealizava o tamanho da Ilha; pensava que ela era pequena e que os rios que a ladeavam impediriam a fuga de assaltantes.

Vejam! Como fazem projetos sem conhecer a realidade das coisas! A Ilha de Marajó é maior que o Rio de Janeiro! A Ilha de Marajó é maior que Sergipe! A Ilha de Marajó é maior que Alagoas! No entanto, as pessoas não sabem disso, fazem projetos sem saber disso, nobre Senador Gerson Camata! É incrível! Não sabem, por exemplo, que não temos transportes.

O Sr. Gerson Camata (PMDB - ES) - V. Exª me concede um aparte?

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Não sabem, por exemplo, que não temos energia. Se a temos, é precária. É melhor dizermos que não a temos.

V. Exª falava em segurança, dizia que precisávamos parar por 30 dias para tratar dessa matéria aqui no Senado. Concordo com V. Exª. É real o pensamento de V. Exª.

Sabe o que acontece em Marajó, Senador? Lá, chama-se rato d’água...

O Sr. Gerson Camata (PMDB - ES) - Os piratas.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Os piratas. São os ratos d’água. Todos os dias, Senador, os ratos d’água roubam os pobres pescadores artesanais, sofridos, que vão ao Banco da Amazônia ou ao Banco do Brasil para tirar um crédito para comprar uma rede, para sustentar, com dignidade, seus filhos, e que, às vezes, nem voltam mais para abençoá-los.

A Ilha de Marajó está fora do PAC! O Marajó nem é citado no PAC!

O Sr. Gerson Camata (PMDB - ES) - Permita-me um aparte V. Exª?

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Pois não, Senador. Concedo-lhe o aparte.

O Sr. Gerson Camata (PMDB - ES) - Em primeiro lugar, quero cumprimentar V. Exª, que, pela segunda vez, está na tribuna, defendendo seu Estado. Pelo que percebo na fala de V. Exª, antes mesmo de se tornar Senador, antes mesmo de tomar posse, V. Exª já havia aquinhoado muito bem o Pará no PAC, se comparado ao Espírito Santo. Ainda menino, eu já sabia que a Ilha de Marajó é maior que o Estado do Espírito Santo. Tive a honra de ter sido aluno do Professor Monsenhor Raimundo Pereira de Barros, que foi Prefeito e Deputado no Espírito Santo, nascido em Soure - portanto, conterrâneo de V. Exª da Ilha de Marajó -, que, constantemente, dizia: “A Ilha de Marajó é maior que o Espírito Santo”. Então, desde menino, aprendi que a Ilha de Marajó é bem extensa, bem grande. Eu queria que V. Exª, ao expor suas preocupações - que não são tanto as do Pará, que já está bem aquinhoado no PAC, mas as da Ilha de Marajó -, não se esquecesse de uma “beiradinha” para o Espírito Santo, coitado, que ficou quase como a Ilha de Marajó, quase inteiramente fora do PAC. Meus cumprimentos a V. Exª. Sou solidário à luta de V. Exª pelos marajoaras. Relembro a V. Exª que esses piratas, há pouco tempo, ao assaltarem uma embarcação, mataram um ecologista internacional. Parece-me que, até hoje, não foram descobertos e presos.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Obrigado, Senador.

Mas, com todo o respeito ao Estado de V. Exª, o Espírito Santo é bem mais rico do que o Estado do Pará. Não podemos sequer compará-los. O próprio nome do Estado diz que o Espírito é Santo. Então, V. Exª está muito bem aquinhoado. Nós é que sofremos. O Pará precisa se desenvolver ainda mais. Estamos muito aquém do Espírito Santo.

O Sr. Gerson Camata (PMDB - ES) - V. Exª sabe que a colônia do Espírito Santo no Pará é bem extensa. Demos uma grande contribuição para o desenvolvimento do Estado de V. Exª enviando capixabas para lá.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - É verdade. Isso nos orgulha muito.

Meus prezados Pares, é bom falar um pouco da economia de Marajó, para que nosso País possa conhecer um pouquinho a realidade do povo marajoara, possa saber o que é realmente a Ilha de Marajó. Como ainda vive o marajoara? Em situações precárias, sem condições de transporte e basicamente sem energia.

Contamos com o apoio dos Senadores Paulo Paim e Antonio Carlos Magalhães para o projeto que visa a dotar a Ilha de Marajó de energia elétrica, oriunda da hidrelétrica de Tucuruí.

Srªs e Srs. Senadores, V. Exªs sabem que, sem transporte e sem energia, não é possível nenhum desenvolvimento, absolutamente nenhum desenvolvimento! Precisamos dotar o Marajó, pelo menos, de transporte e de energia. Há um projeto que pode ser a solução energética da Ilha de Marajó. São 400 mil habitantes na Ilha de Marajó, meu Presidente! São 400 mil habitantes na Ilha de Marajó, que precisam ser respeitados!

Convido V. Exªs a darem uma volta, por exemplo, pelo Município de Santa Cruz do Arari, na Vila do Jenipapo, uma das favelas mais pobres do mundo. Gostaria que V. Exªs verificassem a condição de vida de cada morador da Vila do Jenipapo, na Ilha de Marajó, para verem a necessidade da inclusão da Ilha de Marajó nesse novo Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal.

Sr. Presidente, quero, aqui, apresentar algumas emendas, além de poder contar com o apoio de V. Exªs, para tirarmos o povo da Ilha de Marajó da mais real miséria que já vi na minha vida!

Tenho a honra de ouvir o Senador Antonio Carlos Magalhães.

O Sr. Antonio Carlos Magalhães (PFL - BA) - Desejo felicitá-lo. V. Exª honra a tribuna do Senado e, ao mesmo tempo, seu Estado, ao tratar de assunto importante e grave relativo a uma população que está totalmente abandonada. V. Exª traz à tribuna a necessidade de, imediatamente, pelo menos levar energia à maior ilha do País, maior, como V. Exª salientou, do que vários Estados.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - É a maior ilha fluvial do mundo, Senador.

O Sr. Antonio Carlos Magalhães (PFL - BA) - É a maior ilha fluvial do mundo - diz V. Exª, com muita propriedade, coisa que eu deveria ter dito. Quero felicitá-lo e dizer a V. Exª que participei da construção da hidrelétrica de Tucuruí, pois lá estive por várias vezes como Presidente da Eletrobrás, e que acho isso indispensável, porque o povo do seu Estado não pode aceitar que uma usina que está localizada na sua região - e, mais ainda, no seu Estado - não sirva a uma unidade das mais importantes do Pará. Quero felicitá-lo e dizer que V. Exª vai contar aqui comigo sempre nessas suas reivindicações, porque essas, sim, são as reivindicações de que o povo brasileiro necessita e que estão, há longo tempo, esquecidas.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Muito obrigado, Senador. Tenha a certeza de que as palavras de V. Exª me orgulham e me trazem absoluta tranqüilidade no sentido de que posso contar com o apoio de V. Exª nas questões sensíveis do nosso País.

Ouço V. Exª, Senador Gilvam Borges.

O Sr. Gilvam Borges (PMDB - AP) - Senador Mário Couto, como é importante a voz de V. Exª, bem como as idéias e as bandeiras que V. Exª desfralda nesta Casa em favor da nossa grande região amazônica! Do Estado vizinho ao meu, o grande Estado do Pará, V. Exª fala com profundo conhecimento. Estaremos associados à luta de V. Exª, porque os benefícios proporcionados pelas obras de infra-estrutura no grande Estado do Pará, principalmente na grande Ilha de Marajó, sem sombra de dúvida, terão reflexos imediatos no Estado do Amapá. E, como irmãos, como coirmãos, como amazônidas que somos, quero dizer que é gratificante ver que o Estado do Pará chega a esta augusta Casa bem revitalizado na sua representação. Na semana passada, esgotou-se o prazo para emendas e sugestões para o PAC. Como coordenador da Bancada do Estado do Amapá, apresentei uma emenda da tão sonhada, estratégica e necessária hidrovia, que trará um benefício gigantesco para os Estados próximos da Amazônia. Essa hidrovia, que estamos batizando de Marajó, será a espinha dorsal para o encurtamento da distância e para a revitalização da economia - é como se fosse uma grande BR. Deixo minhas congratulações e nosso incentivo e me associo a V. Exª nessas grandes bandeiras que desfralda no Senado Federal. Pode contar com meu total apoio, porque o que vier para o Estado do Pará será muito bem-vindo também para o Estado do Amapá - o reflexo será imediato. Essa necessidade de obras estratégicas na grande Amazônia é baseada na metrópole da Amazônia, em que continua o Estado do Pará. Associamo-nos nessa luta tão importante. Parabéns a V. Exª pelo pronunciamento!

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Obrigado, Senador Gilvam Borges.

Para V. Exª ter uma idéia, há quantos anos, V. Exª ouve falar da hidrovia do Marajó? Há muitos, muitos e muitos anos.

No Governo de Almir Gabriel, o Governador do Pará lutou, e muito, para que se fizesse a hidrovia do Marajó, obra de fundamental importância para os marajoaras. Nunca sequer se começou essa hidrovia, Senador.

E a perenização do lago Arari? É um lago que seca, o que deixa os pescadores passando fome. Ele seca totalmente, e é lógico que não há onde pescar. Os pescadores passam fome, necessidade mesmo. É real. Não há exagero nenhum, Sr. Presidente. É fome mesmo! Há anos e anos, fala-se da perenização do lago Arari, e nada se faz; nenhuma providência é tomada.

Clamo, então, a V. Exªs, Srªs e Srs Senadores!

De que vive o marajoara, Senadora? Do extrativismo, ora proibido, ora liberado. Vive da pesca, que quase não existe mais; da criação de boi; da agropecuária falida. A cada cinco anos, o rebanho despenca. Com a chegada dos búfalos, o boi branco praticamente desapareceu.

Precisamos salvar o Marajó, Sr. Presidente! S.O.S Marajó! E é agora, com o PAC, que precisamos salvar o Marajó! Não podemos deixar passar essa oportunidade!

Por isso, vim a esta tribuna, para pedir a ajuda de V. Exªs. O Marajó é Brasil, sim! O Marajó está no Brasil, é Brasil, sim!

Srªs e Srs. Senadores, por isso, desço desta tribuna, agradecendo a todos aqueles que me apartearam e que me deram a segurança de sua ajuda. Agradeço a todos os Senadores.

Ouço V. Exª, Senador Marco Maciel.

O Sr. Marco Maciel (PFL - PE) - Nobre Senador Mário Couto, também, a exemplo dos colegas que me antecederam, desejo felicitar V. Exª pelo discurso que profere, hoje à tarde, nesta Casa, que é, de alguma forma, a continuação de um pronunciamento que V. Exª proferiu na semana anterior. V. Exª apresenta muito bem questões que são extremamente oportunas, sobretudo para o Senado, que é a Casa da Federação, onde conseqüentemente a questão federativa, a questão dos Estados, tem de ser apreciada de forma destacada. Cumprimentos a V. Exª!

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Obrigado, Senador. Obrigado, Srªs e Srs. Senadores.

Sr. Presidente, Senadora, precisamos salvar o Marajó da pobreza em que vive. Vamos melhorar o transporte na Ilha de Marajó! Vamos colocar energia ali, como disse o Senador Antonio Carlos Magalhães! Ali próximo, há uma das maiores hidrelétricas do País, que é a hidrelétrica de Tucuruí, com projeto pronto, feito pelo Deputado Federal Nicias Ribeiro, do Pará. Vamos aproveitar isso. Não são turbilhões de dinheiro. Façamos pelo menos isso, para salvar da miséria o povo do Marajó!

Convido V. Exªs, para que, em viagem, saibam o que é pobreza: vão conhecer o Marajó!

Muito obrigado Sr. Presidente.

 


Este texto não substitui o publicado no DSF de 13/02/2007 - Página 1810