Discurso durante a 7ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Manifestação de disposição de fazer oposição independente, crítica e forte ao governo.

Autor
Raimundo Colombo (PFL - Partido da Frente Liberal/SC)
Nome completo: João Raimundo Colombo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ATUAÇÃO PARLAMENTAR. REFORMA TRIBUTARIA. REFORMA POLITICA.:
  • Manifestação de disposição de fazer oposição independente, crítica e forte ao governo.
Aparteantes
Marco Maciel, Romeu Tuma.
Publicação
Publicação no DSF de 14/02/2007 - Página 1908
Assunto
Outros > ATUAÇÃO PARLAMENTAR. REFORMA TRIBUTARIA. REFORMA POLITICA.
Indexação
  • AGRADECIMENTO, OPORTUNIDADE, REPRESENTAÇÃO, ESTADO DE SANTA CATARINA (SC), SENADO, REGISTRO, HISTORIA, IMPORTANCIA, POLITICO, REGIÃO, ELOGIO, ATUAÇÃO, JORGE BORNHAUSEN, SENADOR.
  • NECESSIDADE, REFORMA TRIBUTARIA, MELHORIA, QUALIDADE DE VIDA, POPULAÇÃO, IMPEDIMENTO, INJUSTIÇA, NATUREZA SOCIAL.
  • COMENTARIO, IMPORTANCIA, OPOSIÇÃO, GARANTIA, ETICA, POLITICA, ANALISE, SITUAÇÃO POLITICA, DIFICULDADE, CONTROLE, SOCIEDADE, FALTA, CONFIANÇA, POLITICO, AUSENCIA, AUTORIDADE.
  • CRITICA, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), REVOGAÇÃO, CLAUSULA, RESTRIÇÃO, ATUAÇÃO, PARTIDO POLITICO, AUSENCIA, IMPORTANCIA, REPRESENTAÇÃO, CONGRESSO NACIONAL, DEFESA, REFORMA POLITICA.

O SR. RAIMUNDO COLOMBO (PFL - SC. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, hoje faço, nesta Casa, o primeiro discurso, o primeiro pronunciamento. É a minha estréia. Faço-o com uma honra muito grande, por ter o privilégio, a oportunidade de representar Santa Catarina, o meu Estado, especialmente a minha cidade, a cidade de Lages, que tem uma história muito grande no Senado da República. Sou o quinto lageano a ser Senador.

Primeiro, foi o velho Vidal Ramos, uma pessoa de grande cultura, homem que modernizou o Estado de Santa Catarina, lá por mil novecentos e pouco, Senador Mão Santa, e deu ênfase muito grande à educação. Até hoje colhemos os frutos.

Depois, foi o filho dele, Nereu Ramos, que, inclusive, exerceu a Presidência da República num momento importante da vida brasileira e foi um dos políticos mais brilhantes de Santa Catarina, até mesmo do Brasil. Depois, Celso Ramos, que também foi Governador e um brilhante Senador; depois, o Senador Dirceu Carneiro, mais recentemente.

Para privilégio meu - e talvez não mereça -, estou aqui hoje sendo o quinto lageano, substituindo um brasileiro ilustre, meu líder político, homem que o Senado e o Brasil aprenderam a respeitar, o Senador Jorge Bornhausen.

Para mim é uma enorme responsabilidade, um trabalho muito difícil, que exigirá muito empenho e ajuda de todos os companheiros, para que eu não deixe cair a qualidade dos trabalhos do Senado e manter os ideais, o trabalho, o esforço desse grande brasileiro, Senador Jorge Bornhausen, Presidente do meu Partido. S. Exª me iniciou na vida pública há muitos anos. Aprendi muito com S. Exª. Desejo fortemente seguir seus passos, mas - é claro - com a minha personalidade e a minha luta, tentando estar à altura do desafio de substituí-lo e representar a força política de Santa Catarina. E, no segundo pronunciamento, quero falar muito sobre Santa Catarina.

Também sou fruto de uma aliança política que envolveu e trouxe a força do Governador Luiz Henrique e do Vice-Governador Leonel Pavan, que me ajudaram muito na eleição, do meu 1º Suplente e ex-Governador Casildo Maldaner, que me deu enorme força junto com a Senadora Niura. Isso fez com que eu fosse hoje o político mais votado da história de Santa Catarina, alcançando uma votação de 1.735.000 votos - 900 mil votos acima da segunda colocada. Isso me dá uma responsabilidade muito grande, mas trago as convicções de um municipalista. Fui Prefeito de Lages por três vezes e, nessa convivência, aprendi muito olhando nos olhos das pessoas, sentindo a aspiração, vendo o sofrimento, convivendo com a realidade do povo sofrido do interior.

Em Brasília - já fui Deputado Federal -, vemos muitos índices, como o da mortalidade infantil, como um desafio para todos nós, mas, no Município, vemos o lado mais cruel da mortalidade infantil. Vamos ao velório e vemos a pessoa, o pai ou a mãe, que não pôde dar à família um atendimento de qualidade; a tragédia foi a subnutrição. Vemos, enfim, todo esse desespero na vida das pessoas.

Isso também é refletido na habitação. Há uma crise habitacional, tão falada em nosso País, e que, apesar de constar do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), constatamos pessoas morando embaixo de pontes, sem ter onde morar, o que traz sofrimentos.

Ouço o povo brasileiro e a imprensa falarem, toda hora, sobre a reforma tributária. O Senador Alvaro Dias foi brilhante nas suas considerações, trazendo para mim uma grande contribuição. Na convivência com munícipes, vemos o que significam 62 taxas, contribuições e impostos. Tomemos uma pessoa tentando um emprego de motorista. Quanto custa uma carteira de motorista hoje? R$1.200,00. Para um motorista de táxi que está iniciando uma atividade, R$1.200,00 é muito dinheiro.

Esta semana eu estava falando com um rapaz que comprou um caminhão e ele me dizia que, para fazer o leasing do caminhão, agora inventaram uma taxa, cujo registro em cartório custa R$1.000,00. Mas R$1.000,00 para quem está iniciando uma atividade, para o pequeno empresário, é muito dinheiro.

Por isso, é possível se dizer que o Estado brasileiro hoje é um peso para a sociedade carregar. E ele, na verdade, está de costas para as pessoas mais pobres. A reforma tributária vai se refletir diretamente na vida das pessoas.

O povo brasileiro, na sua grande maioria, não tem noção de que é ele quem paga os impostos. As pessoas acham que quem paga imposto é o dono do posto de gasolina, é o dono do supermercado, é a loja onde ele compra o produto. Na hora em que ele souber que quem paga imposto é ele, que do bolso dele sai essa arrecadação absurda, essa carga tributária criminosa que impede o crescimento, que aumenta a injustiça social, que atrapalha a vida das pessoas, não sei como vai ser. Será muito difícil conter a sociedade quando todos souberem disso.

Quanto ao meu posicionamento político, penso que a sociedade precisa ter aqueles que apóiam o Governo, que o defendem, que contribuem com ele. Mas a sociedade precisa ter também aqueles que cumprem o papel de Oposição. As duas funções são nobres e necessárias. Eu vou exercer o meu papel onde a sociedade me colocou, na Oposição, o que, para mim, é inegociável. E vou cumprir com o meu dever. Não serei um opositor duro, não atrapalharei o Governo e o impedirei de governar. Não. Pretendo fazer oposição independente, firme e corajosa, trazendo a voz da sociedade e dando oportunidade aos que discordam, apontando alternativas, tecendo críticas, algumas construtivas, outras vezes duras quando necessário, mas com o intuito de chegar a um posicionamento correto.

Não tenho nenhum tipo de medo em ser da Oposição. Considero-a necessária.

Como é meu primeiro discurso, falo dos meus sonhos também, e sonho em ver uma sociedade vivendo sob a ética. Nós os políticos perdemos muito a credibilidade. Dá para dizer que a sociedade não gosta dos políticos. Ela os rejeita, e o faz, porque, ao longo do tempo, houve um desgaste cada vez maior, causado pelo desencontro entre a vontade da sociedade e aquilo que precisa ser feito por nós. Os principais problemas são os éticos. É a falta de ética que nos desmoraliza, que não nós dá a credibilidade necessária para conviver com a sociedade.

Estamos terminando um ciclo na política brasileira. Todos os grupos políticos já governaram ou estão tendo a oportunidade de governar agora, mesmo na reeleição. Isso faz com que a luta, o embate duro entre Governo e Oposição sofra realmente um processo não apenas de apontar para reformas, mas para mudanças profundas desejadas pela sociedade. Essas mudanças nos dão a oportunidade de construir o novo, o melhor.

Quando se tem uma luta muito dura entre aqueles que nunca governaram, ou estão muito longe, há tempos fora do Governo, e os que estão há muito no Governo, tal luta se torna um tanto partidária e, às vezes, até pessoal.

Muitos não vêem naqueles que foram do Governo até recentemente a autoridade para combater o que está errado, porque participaram do que foi feito; também não vêem os da Oposição comprometidos com aquilo que aconteceu. Quando termina um ciclo - a fase que estamos vivendo -, novo processo se abre, a oportunidade surge, realmente nasce o momento da mudança. Mas, para mudar, não adianta apenas ter o poder. Com ele se comanda superficialmente, mas a mudança exige autoridade, que é bem diferente de ter o poder, porque autoridade é a capacidade de convencer, de ser seguido por outros. Política é a arte de liderar as pessoas. Realmente, nesse ponto, temos o nosso grande desafio.

Muito menos importante é o poder que temos, mas, sobretudo, importante é a autoridade que precisamos ter para sermos acompanhados pela sociedade.

Eu defendo, como primeira mudança de conceito, a mudança de modelo político. Vi o Senador Marco Maciel reapresentar o projeto da cláusula de barreira; o projeto da mudança do modelo político. Esse que vivemos nos tem desmoralizado. Prejudica o nosso trabalho. Premia os maus políticos. Faz com que nos esvaziemos no processo e tenhamos dificuldade até para andar na rua. Para conquistar um novo patamar na política brasileira, precisamos realmente fazer a mudança do modelo político.

Sofremos algumas derrotas. A interpretação do Supremo Tribunal Federal sobre a cláusula de barreira foi um profundo atraso. A diminuição do tempo na televisão foi uma dificuldade. Agora, essa interpretação do fundo partidário, beneficiando aqueles que nem têm representação no Congresso, fazendo com que se crie ali um cartório - tão negativo na política brasileira -, tira de nós uma oportunidade.

Por isso defendo com convicção a implantação do voto distrital, a implantação do sistema de partidos fortes, com, provavelmente, fidelidade partidária.

Mas, para honra minha, quero conceder um aparte a um dos políticos que eu mais admiro no Brasil, que é referência na minha vida política, o meu querido Vice-Presidente, Senador Marco Maciel. O senhor não sabe a honra que é, para mim, estar aqui ao seu lado e ouvi-lo agora.

O Sr. Marco Maciel (PFL - PE.) - Muito obrigado, nobre Senador Raimundo Colombo. Eu gostaria de, antes de tecer algumas considerações sobre o discurso muito oportuno que V. Exª está proferindo, que, aliás, marca sua estréia no Senado Federal. Já o conheço há bastante tempo e tive essa ventura por intermédio do Senador Jorge Bornhausen, certamente um dos políticos mais íntegros e competentes do País e presidente, há 14 anos, da nossa agremiação. Desde então, aprendi a admirar V. Exª, quer no campo do Legislativo quer também no Executivo, posto que por três mandatos, se não estou equivocado, prefeito de Lages, uma das grandes cidades de Santa Catarina, terra de Nereu Ramos e de tantos outros políticos brasileiros. Estou certo de que V. Exª, a exemplo do que já fez no Legislativo Estadual e na Câmara dos Deputados, agora no Senado Federal, vai ter excelente desempenho. Não posso deixar de destacar que a presença de V. Exª aqui representa também a renovação. Precisamos trazer novos quadros ao debate nacional, mesmo porque a democracia é também definida como rotatividade, que se realiza com o oferecimento de novos quadros à política nacional. Felicito V. Exª pelo fato de ter uma posição muito coerente no que diz respeito às chamadas reformas políticas ou, se quisermos, as reformas institucionais. Acreditamos que essas reformas são fundamentais para aprimorar a governabilidade, isto é, criar instituições capazes de responder às demandas da sociedade. Acompanho com muita atenção o discurso de V. Exª e sem nenhuma dúvida em prever que V. Exª cumprirá excelente mandato nesta Casa, sobretudo porque sucede o nobre homem público Jorge Bornhausen. Por isso, receba meus cumprimentos pelo seu discurso e os votos de continuado êxito em sua proba e fecunda vida pública.

O SR. RAIMUNDO COLOMBO (PFL - SC) - Muito obrigado.

Ouço com carinho o nosso Líder Romeu Tuma, meu companheiro.

O Sr. Romeu Tuma (PFL - SP) - Senador, eu também, a exemplo do nosso querido Presidente Senador Marco Maciel, não poderia deixar de saudá-lo. V. Exª vem de um Estado importante, por onde andei durante longo tempo, em decorrência de minha vida profissional e em razão das ligações com indústrias de lá. V. Exª traz a importância das reformas que serão discutidas nesta Casa, porque se fala na reforma política, liderada pelo Senador Marco Maciel, mas ainda há a reforma tributária, a reforma trabalhista e tantas outras que nos afligem muito, Senador Marco Maciel. Acho que o Senador Raimundo Colombo tem um papel importante nessa discussão. A vinda de V. Exª para cá, no lugar do Senador Jorge Bornhausen, nos dá a mesma tranqüilidade que tínhamos anteriormente. Nosso Líder Senador Marco Maciel, ao se manifestar, traduziu tudo aquilo que vai em nossa alma e o desejo de que V. Exª seja bem sucedido.

O SR. RAIMUNDO COLOMBO (PFL - SC) - Muito obrigado, nobre Senador. Eu fico muito honrado com o aparte de V. Exª e também com o do Senador Marco Maciel.

Encerrando,  quero dizer da minha alegria ao ter esta oportunidade. No meu próximo pronunciamento, quero falar bastante sobre o meu Estado, trazendo as esperanças do meu povo.

Sr. Presidente, Senador Alvaro Dias, eu reforço, com convicção, aquilo que V. Exª disse sobre a reforma tributária, de que falamos há quatro anos. Se olharmos os jornais da época em que tomamos posse e outros tomaram posse no Governo, veremos que o discurso era o mesmo. Aliás, ele se repete há oito anos, há doze anos. E a sociedade, os que estão em casa, devem estar se perguntando: em quem nós acreditamos? Será que vão ser mais quatro anos de enrolação, ou será que alguma coisa nova vai acontecer?

Esse é o nosso desafio!

Muito obrigado.

 


Este texto não substitui o publicado no DSF de 14/02/2007 - Página 1908