Autor
Edison Lobão (PFL - Partido da Frente Liberal/MA)
Data
20/04/2007
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

O SR. EDISON LOBÃO (PFL - MA. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Muito obrigado, Sr. Presidente.

Srªs e Srs. Senadores, não desejo assustar ninguém, nem desejo ser considerado um Senador capaz de fazer afirmações descuidadas, mas quero dizer que nós, brasileiros, podemos estar no limiar de um apagão elétrico e, por conseqüência, de um agravamento do desemprego e da violência. Digo isso em razão dos últimos acontecimentos e da situação que estamos vivendo no Brasil em relação ao setor energético.

Houve um apagão elétrico há alguns anos, durante o governo anterior ao atual, e o Brasil, então, criou uma matriz que se encaminhava fortemente para a utilização do gás. Hoje, a indústria de São Paulo é fortemente dependente do fornecimento de gás. E esse gás vem, basicamente, da Bolívia, que acaba de tomar atitudes perigosas para o Brasil.

Nós não temos estoques estratégicos de gás no Brasil para muito tempo. O Presidente da República tem sido tolerante com o Governo da Bolívia nessa matéria. É o gênero do Presidente, um homem afável, agradável no contato pessoal, civilizado. Mas, como Chefe de Estado e Chefe de Governo, lida com parceiros que não procedem do mesmo modo.

Quando presidia o Brasil o General Ernesto Geisel, a ele foi levado um projeto estratégico de utilização do gás da Bolívia, nos mesmos procedimentos que estamos usando agora. Resposta dele: “E no dia em que os bolivianos fecharem a torneira, o que vou eu fazer? Mandar o Exército brasileiro religar a torneira do gás?”. Ele era um homem de Estado-Maior, gostava de planejamento estratégico e receava que o Brasil acabasse sendo submetido à situação a que está submetido hoje.

Internamente, Sr. Presidente, há o problema das hidrelétricas, conectado diretamente com o Ibama. Eu hoje leio declarações do próprio Presidente da República a respeito do Ibama. O que diz o artigo “Lula acusa Ibama de atrasar PAC e diz que fará cobrança dura a Marina”?

Olha aí, Senador Sibá Machado!

E continua:

Em reunião ontem com o Conselho Político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escondeu a sua irritação com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por causa da demora na concessão de licença ambiental para construção de usinas hidrelétricas no Rio Madeira. O presidente ressaltou a importância dos empreendimentos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e para a garantia de produção de energia elétrica a médio prazo, deixando a impressão de que gostaria de ver mudanças no comando do instituto, subordinado ao Ministério do Meio Ambiente.

Lula comentou que teria uma reunião “muito dura” com a ministra Marina Silva e com a direção do Ibama.

E, mais adiante:

As usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Roraima, prevêem a produção de 6.450MW de energia elétrica. Nos planos do PAC, a meta é ter esses empreendimentos praticamente concluídos daqui a três anos.

O Sr. Mozarildo Cavalcanti (Bloco/PTB - RR) - Senador Lobão, só para fazer uma retificação, não é um aparte ainda: o jornal fala Roraima, mas, na verdade, é Rondônia.

O SR. EDISON LOBÃO (PFL - MA) - É Rondônia. Muito bem, o jornal fala Roraima. Feita a retificação em boa época por V. Exª.

E, mais adiante:

Responsável pela implementação do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, a estatal Furnas Centrais Elétricas entregou o estudo de impacto ambiental do projeto ao Ibama em julho de 2005...

Dois anos depois, e o Ibama não devolveu, não tomou nenhuma atitude, enquanto que a construção das hidrelétricas, que é um procedimento demorado, se fará em três anos. E, em dois anos, o Ibama não examina um processo ou outro. Isso será torcer a favor do Brasil ou contra os mais legítimos interesses nacionais? Estou no convencimento de que não é a primeira hipótese. Ou tomamos uma atitude, e o Governo é responsável por isso, ou amanhã enfrentaremos uma carência brutal de energia elétrica, com desemprego em massa no País e a infelicidade tomando conta das residências.

Em meu Estado, há duas hidrelétricas estudadas e com projetos prontos há 20 anos. São as hidrelétricas de Serra Quebrada e de Estreito. Só agora a de Estreito foi iniciada, Senador Leomar Quintanilha. E ambas atingem o Estado de V. Exª, o Tocantins, pois estão localizadas no rio Tocantins. Pois bem, a hidrelétrica de Estreito começa a entrar em um processo de paralisação porque meia dúzia de desocupados vai impedir a realização das obras que ali se processam; e a de Serra Quebrada, pior ainda: não tem início, tendo em vista que existem seis índios na região, e a Funai não permite que os seis índios - meia dúzia - sejam retirados dali para uma reserva indígena mais próxima.

O que fez a China em situação semelhante, Senador Mão Santa? A China teve que construir a maior hidrelétrica do mundo, que é a de Três Gargantas, de cerca de 20 milhões de quilowatts. Havia um milhão de chineses em volta da hidrelétrica, e o Governo retirou esse um milhão de nacionais em cinco minutos - para usar uma expressão. O interesse nacional era superior à presença daquele um milhão de chineses. E nós não conseguimos retirar seis índios da periferia de uma usina hidrelétrica.

Ouço, com muito prazer, o Senador Leomar Quintanilha.

O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - Senador Edison Lobão, esbocei até um sorriso quando V. Exª fez a comparação entre a retirada pelos chineses de um milhão de pessoas da região onde vai ser construída Três Gargantas e a nossa dificuldade para retirar seis. Talvez para nós a dificuldade de retirar seis seja igual à dos chineses de retirar um milhão. Somos 180 milhões de brasileiros, enquanto os chineses são 1,3 bilhão. Realmente, a população da China é algo assim...

O SR. EDISON LOBÃO (PFL - MA) - A China, vamos dizer, tem seis vezes mais habitantes do que o Brasil. Então, 6 vezes 6, seriam 36 chineses. Mas estamos falando de um milhão de chineses!

O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - E eles conseguiram retirar com certa eficiência. As preocupações de V. Exª são efetivamente procedentes. V. Exª cita os exemplos de duas usinas hidrelétricas de que o País necessita urgentemente, que estão no rio Tocantins e que ligam nossos Estados, Tocantins e Maranhão. Em relação a outros projetos no Tocantins, muitos deles são procrastinados exatamente pela ausência e pela dificuldade do licenciamento ambiental. Não é possível que o Governo possa ter dois entendimentos. O Presidente Lula tem um projeto de crescimento, um projeto de desenvolvimento, e está efetivamente empenhado nesse desenvolvimento. Não é possível que um órgão do seu Governo seja o principal obstáculo para esse crescimento. Comungo das preocupações de V. Exª em relação à iminência de outro apagão. Se não criarmos mecanismos para desenvolver a nossa capacidade, a demanda por energia é brutal e teremos dificuldade em seu suprimento. E complemento: V. Exª está enfocando a principal matriz energética do País, que é a hidrelétrica. Mas há uma diversidade enorme de outras fontes de energia. Desconheço as razões por que o Brasil não investe em energia eólica. A China, que está construindo a maior usina do mundo, revelou sua preocupação, e está empenhando um grande volume de investimentos na produção de energia eólica. Existem estudos de que há ventos extremamente favoráveis no Brasil para que possamos aproveitar essa fonte limpa de energia. Não entendo por que não o fazemos. Se precisamos contar com a iniciativa privada para os investimentos de que o País precisa, como está fazendo com energia e fez nas comunicações, por que não pensar em energia eólica? Quando a dona-de-casa liga sua geladeira ou sua televisão na tomada, não quer saber quem é o dono da usina que produz a energia; quer saber se a energia é eficiente e tem custo razoável. Senador Edison Lobão, gostaria de incluir nas preocupações de V. Exª a questão do aproveitamento da energia eólica no Brasil. Recentemente, realizamos uma audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, que temos a honra de presidir, em conjunto com as Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional e de Infra-Estrutura, e ouvimos um depoimento muito claro: uma executiva muito competente disse do potencial e dos benefícios do aproveitamento da energia eólica no Brasil. É importante que insiramos na discussão da nossa matriz energética o aproveitamento também da energia eólica.

O SR. EDISON LOBÃO (PFL - MA) - Senador Leomar Quintanilha, há cerca de seis anos, elaborei e apresentei um projeto de lei que criava um instituto para estudar exatamente essas energias alternativas e que contemplava basicamente a energia eólica. O projeto andou, fizemos várias audiências públicas, ouvimos cientistas nessa matéria, autoridades do próprio Governo. E, mais tarde, inspirado nesse projeto, veio o Governo e fez uma medida provisória praticamente inútil, porque malfeita e muito aquém daquilo que o próprio projeto estava propondo. Resultado: não chegamos a parte alguma. Com isso, prejudicou-se o andamento do projeto de lei aqui apresentado, com a colaboração de muitos Srs. Senadores.

Mas V. Exª tem toda a razão. Nós temos de caminhar rapidamente para as energias alternativas, se queremos chegar a algum lugar com responsabilidade e com alguma eficiência, sem o que estaremos submetidos aos dramas que estamos vivendo hoje.

Senador Mozarildo Cavalcanti, ouço o aparte de V. Exª com todo o prazer.

O Sr. Mozarildo Cavalcanti (Bloco/PTB - RR) - Senador Edison Lobão, V. Exª, com a tranqüilidade e a competência que lhe são características, está abordando um tema interessante e importantíssimo para o País. V. Exª mostra o dilema em que o Presidente Lula se encontra. Ele lança um Programa de Aceleração do Crescimento, e órgãos do próprio Governo estão errando na dosagem. Voltando à questão da Medicina, a diferença de um medicamento para o veneno é só a dosagem. Então, o que está acontecendo, no País, com relação à questão ambientalista é exatamente uma superdosagem, um exagero na dosagem: se, de um lado, há excesso de zelo; de outro, há um pensamento equivocado, que não foca o desenvolvimento do País. É possível, sim, equilibrar as duas coisas. O Presidente Lula mesmo disse que, se for o caso, vai apelar até para a energia atômica e dar prosseguimento a Angra III - e acho que deve fazê-lo mesmo. No tocante às hidrelétricas, será possível que não temos condições, depois de toda a avaliação técnica, de saber que essas hidrelétricas entre Rondônia e Roraima podem ser perfeitamente feitas sem grandes agressões ao meio ambiente? Sem nenhuma agressão ao meio ambiente, o homem não pode ir a lugar nenhum. A agressão tem de ser moderada, capaz de garantir o equilíbrio. É isso que se busca. No meu Estado, tivemos de buscar uma forma de importar energia elétrica da Venezuela. Fizemos um leão para trazer energia da hidrelétrica de Guri, na Venezuela, para abastecer o meu Estado. No entanto, tínhamos a cachoeira do Tamanduá, no rio Cotingo, capaz de produzir energia equivalente. Não fizemos a hidrelétrica por quê? Porque, naquela época, a área era pretendida pela Funai para uma reserva indígena, que terminou sendo demarcada. Apresentei aqui um projeto de decreto legislativo, autorizando a construção da hidrelétrica, agora que a área foi demarcada e é reserva indígena, estabelecendo, conforme prevê a lei, que as comunidades indígenas sejam consultadas e que o lucro dessa geração de energia reverta-se em benefício delas. Então, é tudo uma questão de se compatibilizarem pontos de vista que, embora diferentes, podem ser convergidos para o bem do Brasil. V. Exª, portanto, faz muito bem ao chamar a atenção para isso. Quanto à questão de não se poder remover uma população ou outra, no meu Estado, na Reserva Raposa Serra do Sol, estão sendo removidas milhares de pessoas de cidades centenárias - são pequenas cidades, vilas -, na fronteira com a ex-Guiana Inglesa e com a Venezuela. São pessoas cujas famílias estavam lá há mais de dois séculos e que estão sendo removidas porque se demarcou a reserva indígena; os moradores não-índios estão sendo retirados. Trata-se, portanto, de buscar que pessoas que pensam de maneira diferente possam conversar e chegar à convergência, até para ajudar o PAC do Presidente Lula.

O SR. EDISON LOBÃO (PFL - MA) - Nenhum reparo ao raciocínio de V. Exª. Acho que se trata realmente de uma questão de dosagem. A primeira pergunta a fazer, a meu ver, será esta: o Ibama é um bem ou um mal? Eu o considero um bem, mas há a questão da dosagem. É exatamente isso. Eles estão levando ao paroxismo as proibições, as vedações. Eles usam a lei: “Não é o Ibama, é a lei”. Ora, se é a lei, vamos, então, alterá-la. O Presidente da República tem o poder de encaminhar ao Congresso Nacional mensagens de projeto de lei ordinária ou complementar, com o prazo constitucional de votação em 60 dias, ou, então, medidas provisórias, que são fulminantes, das quais o Presidente e os demais sempre se valeram quase que abusivamente.

Não estou criticando o Presidente Lula. Todos fizeram uma utilização quase que abusiva - se não abusiva - das medidas provisórias.

Então, se a lei está obstruindo o desenvolvimento nacional, vamos alterá-la, para torná-la compatível com o interesse do povo brasileiro. O que não podemos ficar é nesse imobilismo, enquanto acontece o desemprego e grassa a violência de ponta a ponta, neste País.

Senador Sibá Machado, ouço V. Exª com todo prazer.

O Sr. Sibá Machado (Bloco/PT - AC) - Senador Edison Lobão, estamos num paradoxo sobre essa questão da energia. Tivemos a oportunidade, no seminário realizado esta semana, do qual participaram o Ministro Reinhold Stephanes, o ex-Ministro Roberto Rodrigues e pessoas que representam a CNA, a Contag e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, de tirar algumas dúvidas sobre o futuro da energia no Brasil e no mundo: se estamos vivendo uma crise muito grande de energia, se o mundo a está vivendo ou não; se, nos próximos 50 anos, haverá uma reacomodação, esperando-se o momento em que o petróleo se exaurirá. Por mais que o etanol e outras fontes renováveis avancem, não terão a capacidade de atender ao mundo. Isso seria impossível, porque, do petróleo, ao ser fracionado por uma refinaria, retiram-se muitos subprodutos: entre os combustíveis líquidos, a gasolina, o óleo diesel, o querosene; além disso, os lubrificantes, os plásticos e tantas outras coisas. Então, não se deve esquecer que é impossível que o álcool ou o biodiesel substituam o petróleo; o que estamos fazendo aqui é um complemento a dois itens apenas do petróleo, que são a gasolina e o diesel. Mas, no Brasil, para evitar uma energia de fonte eminentemente fóssil, como é o caso do petróleo, partimos para as hidrelétricas. Tradicionalmente, tivemos muitas dificuldades no relacionamento sobre isso, porque todos os empreendimentos de grande porte sempre foram feitos à revelia da comunidade local e tudo mais. Isso criou uma relação muito difícil, complexa, complicada. Veja o caso de Belo Monte, por exemplo: o estudo diz que há o potencial de 11 mil megawatts, mas isso quando o rio está na sua cota máxima, no ponto mais alto de suas cheias, porque, em situações normais, é a metade, 5 mil, 5,5 mil megawatts. A Ministra Dilma até diz: “Por que não ficamos nos 5,5 mil, se temos uma barragem a ser colocada; assim, não se cria tanta inundação”. Então, o debate está sendo feito, mas o problema é complexo mesmo; temos de ouvir mais as partes, quando se democratiza. Se este é um defeito da democracia, considero-o bom, necessário: o de que, no diálogo, tem-se de ouvir o contraditório. Por exemplo, quando se fizerem as hidrelétricas do rio Madeira - são duas, Santo Antônio e Jirau -, a tecnologia que deverá ser aproveitada é a que coloca a turbina próxima da configuração de uma turbina de avião, ou seja, de profundidade, aproveitando-se a correnteza de profundidade do rio, para se evitar fazer a barragem. Mesmo assim, é preciso uma barragem, por menor que seja. Essa barragem vai trabalhar com o rio, perenizando a cota mais alta, que é a das cheias. Com isso, somem todas as praias do rio - todas as praias serão cobertas, e haverá alguns efeitos grandes. A parte da floresta inevitavelmente morre quando se pereniza o rio, e morre também uma série de seres vivos que precisam desse ciclo natural. Quando ouvimos a reclamação que a Bolívia faz... O rio vai atingir o território boliviano, não tem como, porque o rio nasce lá. Os bolivianos estão preocupados com o que vai acontecer com uma das principais fontes de alimento deles, que é um peixe, o bagre. São muitas coisas envolvidas. Não estou tirando a razão de V. Exª, ou seja, de que deve haver morosidade com relação a alguns temas, porque é natural...

O SR. EDISON LOBÃO (PFL - MA) - E, certamente, V. Exª também não está retirando as razões do Presidente Lula, porque é ele que está reclamando.

O Sr. Sibá Machado (Bloco/PT - AC) - Ele está reclamando. O jornal está dizendo que as providências sobre o assunto estão sendo trabalhadas. Tenho acompanhado de perto a questão no que posso. Tenho chamado a atenção até dos Governadores da região, para que possamos fazer um PAC do PAC. O PAC, na Amazônia, é para atender ao Brasil, ao fornecer energia para o restante do País. Para nós, o consumo é muito pequeno em relação ao conjunto do País. Vamos falar de 6 mil megawatts em duas hidrelétricas, sem contar com a de Belo Monte, mais a térmica de Manaus, mais a térmica de Rondônia. Quero insistir que devemos ter geração de energia no Estado do Acre em alguma quantidade e de alguma fonte. Portanto, acho que, neste momento, seria muito importante que os Governadores da região, os Parlamentares, a comunidade em geral pudesse dizer para o Presidente: Presidente, a Amazônia, mais uma vez, está contribuindo para o desenvolvimento nacional. Seria muito importante que houvesse uma contrapartida minimamente razoável para atender a essa comunidade. Eu vejo lá situações... Eu morei no Pará, conheço bem o Estado do Amazonas, de Rondônia, um pouquinho de Roraima e um pouquinho do Amapá, mas sei que é muito importante que façamos também um acordo nacional, para que a nossa população não fique apenas assistindo ao desenvolvimento nacional acontecer e recebendo apenas a contrapartida em relação à compensação social. É isso que às vezes me magoa também. Mas acredito no bom senso e tenho absoluta certeza de que não há o propósito de atrasar absolutamente nada. Tenho aqui a relação de uma série de desobstruções legais que foram feitas a partir do Ibama, para que outros investimentos em outros pontos do País aconteçam, mas reconheço a necessidade do tempo que o Brasil precisa para se ajustar ao seu futuro breve, e também que as relações na comunidade aconteçam. Fico feliz porque V. Exª reproduz uma preocupação que não é de hoje. É inquietante. Tenho assistido várias vezes a debates dessa natureza e gostaria de que, tão logo tenhamos também uma resposta mais clara - e vou procurar essa resposta - possamos trazê-la rapidamente a V. Exª e a toda esta Casa.

O SR. EDISON LOBÃO (PFL - MA) - Agradeço, Senador Sibá Machado, a sua participação, V. Exª que é um dos líderes do Governo e Líder do PT também - hoje o Governo não se circunscreve, não está adstrito ao apoio do PT, que nem sempre é suficientemente sólido para que Sua Excelência encaminhe o seu Governo na direção do progresso e do bem-estar social -, mas, de todo modo, V. Exª é Líder, com autenticidade e com legitimidade, do seu Partido e até do próprio Governo.

Agradecendo a V. Exª as informações, quero dizer, como acréscimo, que não há um dia em que nós aqui e no Brasil inteiro não reclamemos do crescimento mínimo por que passa o Brasil nesta fase de fastígio da economia mundial. O mundo cresce muito; o Brasil cresce pouco. Mas nós não poderemos crescer sem termos energia elétrica farta. Se estivéssemos hoje num processo de crescimento de 6% a 8%, já não teríamos energia elétrica no País inteiro.

Portanto, contraditoriamente, o não-crescimento da economia tem sido uma atenuante para a crise energética brasileira, que ainda não existe, mas existiria se houvesse o crescimento.

Lembro-me de que, no Governo do Presidente Ernesto Geisel, o Brasil crescera no período anterior cerca de 10%, 12% ao ano. Com aquele crescimento constante, chegaríamos ao ano de 2005, ou seja, há dois anos passados, Senador Sibá, tendo consumido toda a potência brasileira de energia oriunda das hidrelétricas. O Brasil não teria mais nenhuma fonte hidrelétrica para suprir a economia nacional se continuássemos crescendo a 10%, 12% ao ano. Foi aí que o Presidente partiu para a energia nuclear. Decidiu que para o Brasil, sendo ele, o nosso País, o terceiro maior possuidor de reservas de urânio do mundo, seria conveniente ingressar na fase nuclear. Comprou as usinas de Angra. Foi duramente criticado por isso, como se o mundo inteiro não estivesse salpicado de energias de usinas nucleares servindo a essa gente pelo mundo afora. Foi uma iniciativa do Presidente da República que agora o Governo do Presidente Lula até pensa em ampliar, no que faz muito bem. O que não podemos é ser surpreendidos com a falta de energia elétrica neste País, porque ela importará em infelicidade para o povo brasileiro. E nós, governantes, nós, parlamentares, nós, do Poder Legislativo, a sociedade como um todo, temos, cada qual de nós, a sua responsabilidade nesse processo que diz respeito ao bem-estar de todo o povo brasileiro.

Sr. Presidente, muito obrigado a V. Exª.

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - O Senador Edison Lobão proferiu importante pronunciamento, não só para o Maranhão como para todo o Brasil. Não só dessas hidrelétricas, Senador Edison Lobão, mas nós queríamos que o Governo, que anuncia o PAC, se lembrasse de uma hidrelétrica que pertence ao Piauí e ao Maranhão, concebida por Juscelino Kubitschek e concluída por Castello Branco: Boa Esperança. Pela falta da sua eclusa, foi acabada a navegação fluvial que existia e que barateava o custo de toda a comercialização.

Mas a preocupação de V. Exª e do Maranhão é tão grande, e V. Exª é, sem dúvida... Eu posso dar este testemunho, Sibá, V. Exª que é do nosso Piauí, e torcemos tanto para Marina Silva continuar ministra, para V. Exª continuar engrandecendo o Piauí, onde nasceu.

Senador Edison Lobão, entristece-me ver hoje Brasília, que comemora aniversário amanhã. Juscelino Kubitschek sonhou acabar com as desigualdades; construiu a Sudene para isso. Quando Juscelino Kubitschek e Celso Furtado criaram a Sudene, a diferença salarial era 4 vezes, a maior do Sul para a menor do Nordeste pobre, que era o Piauí, a Paraíba e o Maranhão. Hoje, a diferença é de 8,6; a maior renda per capita é a de Brasília e a menor é a do Estado de V. Exª.

V. Exª tem sido um bravo. Foi, sem dúvida alguma, um dos mais extraordinários governadores daquele Estado. É muito oportuno que, neste momento, advirtamos a Oposição para a seriedade do assunto.

Eu queria lhe comunicar que, na minha Parnaíba, num litoral pequeno, fui buscar a carcinicultura. O maior cultivo de camarão do mundo era em Equador: Guayaquil e Manta. Fui buscar para o Delta, quando Governador, porque lá deu uma peste, uma vaca louca no camarão e eles ficaram pálidos. Então, foi fácil pinçar inúmeros técnicos. Senador Geraldo Mesquista, quando eu governava o Piauí, a comercialização igualava-se à nossa tradicional cera da carnaúba; de US$20 milhões, baixou para US$3 milhões. Os técnicos voltaram, dominaram a patologia e baixou de US$20 milhões para US$3 milhões, por causa de ações... Sempre digo: “A ignorância é audaciosa”, quem dizia isso era, ô Mozarildo, o meu professor de cirurgia, Mariano de Andrade. E pela ignorância do Ibama baixou-se, em uma região... somos irmãos, V. Exª idealizou até a Zona Franca. Ontem lutava pelo turismo. Fez V. Exª a maior obra do Maranhão, aquela “Copacabana” de que todos nós nos orgulhamos.

E esse Ibama faz esses retrocessos. E V. Exª foi muito feliz. Um quadro vale por dez mil palavras. Eu não sei quantos chineses há, Mozarildo - segundo o Leomar Quintanilha, bilhões -, mas eu sei que lá da China vem Confúcio, que diz que um quadro vale por dez mil palavras. V. Exª falou da dificuldade de transladarmos, até para colocarmos no melhor hotel da praia, aquele que V. Exª construiu naquela bela avenida, esses seis índios, a fim de beneficiar a hidroelétrica que, sem dúvida alguma, daria energia para o Maranhão e para o Nordeste, o que diminuiria a desigualdade e a pobreza. Um poeta lá do Maranhão disse que a vida é um combate que aos fracos abate, que aos fortes, aos bravos só pode exaltar. V. Exª é este forte e bravo líder do Maranhão.

O SR. EDISON LOBÃO (PFL - MA) - Muito obrigado a V. Exª.

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