Pronunciamento de Renato Casagrande em 13/02/2008
Discurso durante a 5ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Apelo por uma pauta positiva do Senado em 2008. Saudação à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), pelas novas normas de relacionamento entre usuários de telefonia celular e as concessionárias do serviço, que entraram em vigor nesta quarta-feira.
- Autor
- Renato Casagrande (PSB - Partido Socialista Brasileiro/ES)
- Nome completo: José Renato Casagrande
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
SENADO.
LEGISLAÇÃO PENAL.
TELECOMUNICAÇÃO.:
- Apelo por uma pauta positiva do Senado em 2008. Saudação à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), pelas novas normas de relacionamento entre usuários de telefonia celular e as concessionárias do serviço, que entraram em vigor nesta quarta-feira.
- Aparteantes
- Tião Viana.
- Publicação
- Publicação no DSF de 14/02/2008 - Página 1658
- Assunto
- Outros > SENADO. LEGISLAÇÃO PENAL. TELECOMUNICAÇÃO.
- Indexação
-
- APOIO, INVESTIGAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), CARTÃO DE CREDITO, SIMULTANEIDADE, CONTINUAÇÃO, DEBATE, SENADO, BUSCA, SOLUÇÃO, PROBLEMAS BRASILEIROS, DIRETRIZ, DISCURSO, PRESIDENTE, CONGRESSO NACIONAL, SESSÃO CONJUNTA, ABERTURA, SESSÃO LEGISLATIVA, RETOMADA, FUNÇÃO LEGISLATIVA.
- DEFESA, RESTRIÇÃO, VOTO SECRETO, LEGISLATIVO, EXTINÇÃO, APOSENTADORIA, JUIZ, MAGISTRADO, REU, IRREGULARIDADE, DEBATE, REFORMA TRIBUTARIA, REFORMA POLITICA, CRIAÇÃO, CONSELHO NACIONAL, CONTROLE EXTERNO, TRIBUNAL DE CONTAS.
- NECESSIDADE, REFORMULAÇÃO, CODIGO DE PROCESSO CIVIL, CODIGO PENAL, CODIGO DE PROCESSO PENAL, SUGESTÃO, PRESIDENTE, SENADO, DEFINIÇÃO, COMISSÃO, JURISTA, APRESENTAÇÃO, PROPOSTA, TRAMITAÇÃO, ATENDIMENTO, DIRETRIZ, APERFEIÇOAMENTO, SEGURANÇA PUBLICA.
- ANUNCIO, DECISÃO, AGENCIA NACIONAL DE SAUDE SUPLEMENTAR (ANS), OBRIGATORIEDADE, APROVEITAMENTO, TEMPO, CARENCIA, PLANO, SAUDE, TRANSFERENCIA, EMPRESA.
- SAUDAÇÃO, DECISÃO, AGENCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES (ANATEL), DETALHAMENTO, NORMAS, MELHORIA, RELACIONAMENTO, CONSUMIDOR, EMPRESA, TELEFONE CELULAR, TENTATIVA, REDUÇÃO, EXCESSO, RECLAMAÇÃO, CONFLITO, ANUNCIO, MINISTERIO DA JUSTIÇA (MJ), PROMOÇÃO, AUDIENCIA PUBLICA, REPRESENTANTE, SETOR, IMPORTANCIA, SENADO, ACOMPANHAMENTO, PROCESSO, EMPRESA NACIONAL, AQUISIÇÃO, CONCENTRAÇÃO, MERCADO, TELECOMUNICAÇÃO, APRESENTAÇÃO, REQUERIMENTO, CONVOCAÇÃO, MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DA CIENCIA E TECNOLOGIA (MCT), PRESIDENTE, AGENCIA NACIONAL.
O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB - ES. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Muito obrigado, Sr. Presidente.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, primeiramente, quero dar continuidade aos pronunciamentos que tenho feito desde a semana passada, no sentido de que é fundamental fazermos as investigações decorrentes dos cartões corporativos. Mas, ao mesmo tempo em que realizamos essas investigações, precisamos aproveitar o ano de 2008 para fazer com que a pauta do Senado seja positiva. Falei isso aqui ontem e anteontem. Isso é importante. O discurso do Presidente Garibaldi caminhou nessa direção na quarta-feira passada.
Nós temos matérias importantes no Senado e a Casa não deve se posicionar e se colocar apenas na parte quantitativa, na contagem das matérias votadas.
Eu disse aqui ontem que nós temos algumas matérias que a CPMI não pode obstruir e, por isso, eu defendo o entendimento. Ele pode levar ao debate dessas matérias: temos de limitar o voto secreto, temos de acabar com a aposentadoria de juízes, de magistrados que cometem irregularidades. A pena para esse magistrado é a aposentadoria compulsória: ele vai se aposentar, vai ficar sem trabalhar. Essa é a pena que se aplica aos magistrados que são pegos em atos ilícitos. Temos de fazer o debate da reforma tributária, o debate da reforma política.
Há um projeto de minha autoria que estabelece um controle externo sobre os tribunais de contas, o Conselho Nacional dos Tribunais de Contas. Os tribunais de contas ganharam muito poder nos últimos anos, e é fundamental que a sociedade possa ter um Conselho Nacional dos Tribunais de Contas, assim como fez e faz com o Conselho Nacional de Justiça e com o Conselho Nacional do Ministério Público.
Temos de votar matérias relacionadas à área de segurança pública, como é o caso da audiência on-line para evitar o perigo de se transportarem pessoas que cometeram crimes pelas ruas, para diminuir o custo desse transporte, para agilizar as audiências.
Fiz uma proposta ao Presidente Garibaldi Alves Filho e reafirmei-a hoje na reunião de líderes. O Congresso fez, há alguns anos, há três anos, a reforma do Código Civil, mas há o Código Penal, o Código de Processo Penal, o Código de Processo Civil, que são legislações muito antigas.
O Regimento Interno, em seu art. 374, estabelece que o Presidente da Casa poderá definir uma comissão de juristas, que apresentará ao Senado Federal uma proposta que, em tramitação especial, será analisada, modificada, anexada a outras propostas que estão tramitando aqui, para que possamos votar e modernizar o Código Penal, o Código de Processo Penal, o que há muito a sociedade exige de nós. Temos de acompanhar o avanço da delinqüência, que aumentou muito, os crimes avançaram muito, a legislação vai sendo emendada. O Congresso não está parado, mas é uma ação articulada que precisa ser feita.
Estou citando alguns exemplos da importância de estarmos em uma agenda propositiva, além da agenda de inquérito porque o que muito tem acontecido na Casa é que o Poder Judiciário está legislando, o Poder Legislativo está investigando e o Poder Executivo legisla muito mais do que todos nós juntos. Se não retomarmos esta que é uma das nossas funções - não é a única - de legislarmos com qualidade, continuaremos em um processo de perda de espaço para o Poder Judiciário, que passará a “interpretar” a Constituição, e que continuará fazendo isso, e perderemos espaço, naturalmente, para o Poder Executivo. Ao Poder Executivo deve ser imposto um limite também em relação às medidas provisórias.
Essas são algumas das questões importantes para o nosso debate.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, além deste tema que se repete, se reposiciona, se reafirma, é importante que saudemos hoje uma decisão de Governo: a decisão da Agência de Telecomunicações com relação às últimas medidas tomadas frente ao sistema de telecomunicações. Entraram em vigor, nesta quarta-feira, as novas regras para a telefonia celular. São medidas importantes para melhorar a relação dos usuários, dos consumidores com as empresas. Em que pese o conforto e a praticidade que o serviço de telefonia celular trouxe aos usuários, é enorme a zona de atrito entre empresas e clientes. Daí a necessidade de providenciar uma interferência dos órgãos de regulamentação como Anatel e Defesa do Consumidor do Departamento de Proteção à Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça.
Esses órgãos têm um papel importante, porque o processo de privatização do sistema trouxe benefícios à sociedade. Está se universalizando o atendimento, mas é um sistema que, no mundo todo, se concentra muito. Por isso a Anatel tem um papel cada vez mais importante.
São medidas relevantes, porém insuficientes, dadas à crescente quantidade de reclamações contra empresas do setor. Outras medidas ainda terão de ser adotadas para que os 121 milhões de usuários do serviço em todo o País se sintam plenamente satisfeitos, e as companhias de telefonia deixem de figurar entre as campeãs de reclamações nos Procons de todo o País.
Outras informações que nos chegam dão conta de que o Ministério da Justiça implementará novas medidas que melhorem as relações entre consumidores e operadoras; para isso, promoverá uma série de audiências públicas para ouvir a sociedade e os representantes do setor.
Entre as novas regras, destaco algumas adotadas:
1) As empresas não poderão levar mais de 24 horas para rescindir o contrato, quando a iniciativa partir do cliente. Isso não acontecia até hoje. Era difícil rescindir um contrato de telefone com uma operadora;
2) Ligações para serviços de emergência, como polícia e bombeiro, serão gratuitas em qualquer situação;
3) Clientes terão o direito de manter o número do celular quando mudarem do sistema pós-pago para o pré-pago, ou vice-versa;
4) As operadoras poderão ser multadas em até R$30 milhões se descumprirem regras;
5) Valores cobrados indevidamente serão devolvidos em dobro, com juros e correção monetária;
6) No caso de inadimplência, o nome do cliente não poderá ser enviado para órgãos de proteção ao crédito antes da rescisão do contrato. Depois, o cliente terá de ser avisado com antecedência de 15 dias sobre o envio do nome aos órgãos.
São medidas importantes para a proteção dos clientes, do usuário, do consumidor. A Anatel tomou essas medidas. Eu faço críticas às agências reguladoras, mas também quero destacar a importâncias dessas medidas, assim como a importância da medida que a Agência Nacional de Saúde tomará sobre o aproveitamento da carência do plano de saúde. Quando se troca de plano de saúde - e hoje são muitas as pessoas no Brasil que usam plano de saúde -, não se pode aproveitar o tempo pago naquele plano.
Então esse nível de proteção ao consumidor é importante, e o Congresso tem dado uma bela contribuição para a legislação em defesa do consumidor.
Hoje, Sr. Presidente, apresentei um requerimento na Comissão de Ciência e Tecnologia relacionado à questão da telefonia. Estamos acompanhando a possibilidade de compra, de aquisição da Brasil Telecom pela Oi. É um negócio vultoso, uma aquisição importante para o mercado de telecomunicações, e o Senado da República, como instituição, deve fazer um debate sobre o tema.
O Governo, por intermédio do BNDES, por meio da alteração ou da publicação de algum decreto que mude a lei de outorgas, às vezes modificando a Lei Geral de Telecomunicações, está participando do processo indiretamente. É fundamental ouvirmos o Ministro das Comunicações, o Presidente da Anatel, para que possamos saber efetivamente qual é a estratégia do Governo nesse negócio, por que é importante ter uma empresa nacional, qual a garantia de que essa empresa vai continuar nacional. Se é importante que uma empresa nacional, se for autorizada a fazer aquisição, não se transforme depois em uma empresa internacional, com capital de fora por meio da venda dessa empresa.
Qual é a participação efetiva do Governo e qual é a proteção que o consumidor vai ter. Então, aprovamos um requerimento, hoje, na Comissão de Ciência e Tecnologia e vamos tentar, na semana que vem, fazer um debate com o Ministro e com o Presidente da Anatel sobre esse tema que considero importante também para a sociedade brasileira, porque teríamos aqui só três operadoras prestando serviço nessa área e, por isso, é preciso haver, de fato, um acompanhamento do Congresso Nacional.
Sr. Presidente, muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Papaléo Paes. PSDB - AP) - Obrigado, Senador Renato Casagrande.
O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB - ES) - Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Papaléo Paes. PSDB - AP) - Pois não, Senador.
O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB - ES) - Peço permissão a V. Exª para conceder um aparte ao Senador Tião Viana, a quem peço desculpas.
O SR. PRESIDENTE (Papaléo Paes. PSDB - AP) - Pois não. V. Exª tem o direito.
O Sr. Tião Viana (Bloco/PT - AC) - Serei muito objetivo, Senador Casagrande. Vendo V. Exª apresentar uma agenda para o Poder Legislativo de maneira muito positiva, cobrando a elevação das responsabilidades e dos debates que teremos de tratar durante este ano, sem abrir mão das prerrogativas que temos de fiscalizar qualquer delito que ocorra no dia-a-dia de parte do Governo, da sociedade ou de quem quer que seja, ocorreu-me de não ter visto muita ênfase num assunto que tenho certeza faz parte de seu compromisso de homem público, de parlamentar atuante e elevado como é, ou seja a agenda da reforma política. Entendo que o Congresso Nacional não poderá estar de bem com a sociedade brasileira e não estará devidamente credenciado a ser o que deve ser como instituição enquanto não fizer essa reforma. Neste item, não podemos culpar o Governo, nem a imprensa, nem ninguém; a responsabilidade é nossa. Por isso, proponho que seja incorporado esse item à sua sugestão de agenda, a fim de que sejamos capazes de fazê-la, nem que tenhamos de dizer que entrará em vigor a partir de 2014, mas é preciso ter a dignidade de fazer a reforma política este ano, Senador Casagrande.
O SR. RENATO CASAGRANDE (Bloco/PSB - ES) - Senador Tião Viana, realmente esse tema é importante, é relevante para todos nós, para o Brasil, para a América do Sul. Eu o mencionei, mas não entrei em detalhes. Faz parte do documento que eu e o Senador Valadares encaminhamos ao Senador Garibaldi Alves, como proposta de agenda para este ano, naturalmente, a reforma política. Concordo plenamente com V. Exª.
O que quero é reafirmar que não podemos de novo, em 2008, ficar presos apenas aos inquéritos, apenas às investigações; nós precisamos impor nesta Casa, fazendo as investigações necessárias, uma agenda positiva, sob pena de o Senado se afastar ainda mais da sociedade brasileira.
Obrigado, Sr. Presidente.
Obrigado, Senador Tião Viana.