Discurso durante a 98ª Sessão Especial, no Senado Federal

Homenagem à memória do intelectual e ex-Senador Artur da Távola.

Autor
Tasso Jereissati (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/CE)
Nome completo: Tasso Ribeiro Jereissati
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Homenagem à memória do intelectual e ex-Senador Artur da Távola.
Aparteantes
Eduardo Azeredo, Geraldo Mesquita Júnior, Sergio Guerra.
Publicação
Publicação no DSF de 11/06/2008 - Página 18999
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM POSTUMA, ARTUR DA TAVOLA, EX SENADOR, ESTADO DO RIO DE JANEIRO (RJ), FUNDADOR, EX PRESIDENTE, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA (PSDB), VALORIZAÇÃO, ETICA, CULTURA, ELOGIO, ATUAÇÃO PARLAMENTAR, OBRA INTELECTUAL, COMENTARIO, FRUSTRAÇÃO, POLITICA, ATUALIDADE.

O SR. TASSO JEREISSATI (PSDB - CE. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Senador Alvaro Dias, Srªs e Srs. Senadores, familiares, amigos, companheiros do nosso inesquecível Artur da Távola, na verdade eu havia preparado um texto em que tentava descrever a personalidade do nosso querido Artur da Távola e o tamanho do vazio deixado por ele. No entanto, ouvi com atenção nosso querido Senador Pedro Simon, que expressou, de maneira muito mais talentosa do que eu poderia fazer, toda essa personalidade, todo o caráter, enfim, a grande figura humana que era o Artur da Távola.

Também considero Artur da Távola, talvez, eu não diria o maior, porque é sempre difícil qualificarmos alguém de maneira absoluta, mas, sem dúvida alguma, um dos maiores oradores, um dos maiores mestres da palavra que passaram aqui nesta Casa, pelo menos no meu tempo de participação na vida política.

Eu queria, por causa disso, então, resumir minhas palavras - e me dirijo em especial à Mirian e ao Eduardo - apenas num abraço muito apertado, muito querido mesmo, de muito respeito e de muita admiração por um homem que fez parte de uma casta raríssima de políticos, e boa parte dela fundou nosso Partido, o PSDB.

Eu me lembro muito bem quando o PSDB foi fundado: homens, identificados por uma excepcional qualidade intelectual, humana e ética, uniram-se na tentativa de formar um partido político que pudesse trazer a este País essa visão da política, essa atitude na política e essa ação na política brasileira, de modo a transformar a qualidade da vida dos brasileiros por meio da ação política.

Talvez por causa disso, na época, este Partido fosse considerado um pouco elitista. Em certo sentido, sim, porque ele não era composto por homens comuns, não eram homens que se encontravam no dia-a-dia, todos os dias, na repartição, na empresa, no escritório, no restaurante. Não eram, realmente, homens comuns; eram homens extraordinários. E Artur era um deles e se distinguia, principalmente pela sua figura ligada à beleza - beleza no sentido mais amplo, o mais abrangente possível.

Ele, nos seus últimos anos, nos brindou, aqui no Senado, com seus programas, principalmente sobre música.

Ele era ligado à beleza da ética, à beleza do ser humano. Ele era profundamente sensível à beleza do ser humano, à beleza da vida, à beleza da natureza e expressava isso através da beleza das palavras, o que, por sua vez, refletia a beleza do seu caráter. Um ser humano extremamente doce e extremamente sensível.

Não estive com ele, infelizmente, nos últimos anos de sua vida - infelizmente. Para mim, Mirian e Eduardo, foi um privilégio haver convivido com ele, ter tido essa felicidade. Não são muitos os que tiveram esse privilégio, essa felicidade; não são muitos os que poderão dizer, no futuro, para os seus netos, quando recordarem a sua vida política, que conviveram com Fulano, com Sicrano; enfim, que conviveram com homens com as qualidade de Artur da Távola. Não são muitos os que poderão dizer isso.

Contudo, com certeza, pelas notícias que tinha dele por amigos comuns, ele revelava um certo desencanto pela política. Parece-me que ele estava, sim, um pouco desencantado, um pouco desiludido. E acho que com muita razão. Eu não vejo muito lugar na política eleitoral, hoje, infelizmente, para um homem como Artur. Não vejo muito lugar hoje, não. Hoje, são os mais espertos que chegam mais perto do poder; são os que têm maior habilidade para - sem nenhuma crítica - serem uma “metamorfose ambulante”, para se transformarem de oposição em situação, para mudarem de opinião e, assim, conseguirem vantagens e darem seus votos por qualquer negociação, por mais honesta que seja.

Então, essa sua desilusão é perfeitamente justificada. Eu acho difícil, na política de hoje, haver lugar para homens como o Artur. Mas não digo que não deva haver, na política, lugar para homens como Artur. Deve, sim. Para mim, o mais importante a ser deixado para as gerações futuras são os exemplos. E o exemplo deixado por ele serve como semente para que esses lugares voltem a ser abertos lentamente dentro da consciência dos brasileiros. Refiro-me ao espaço político, ao espaço ético, ao espaço humanístico da sociedade brasileira. Só assim serão abertos espaços para que outros homens como Artur voltem a aparecer na política brasileira, trazendo o belo junto com eles: o belo da palavra, o belo do caráter, o belo do sentimento, o belo do amor às artes, a sensibilidade.

Que a política brasileira volte a ser mais bonita, aquilo que era um pouco o mestre, que orientava e que norteava a vida do Artur.

Por isso, quero aqui deixar esse nosso abraço.

Fui presidido por ele no PSDB; fui Presidente dele no PSDB, e isso...

O Sr. Sérgio Guerra (PSDB - PE) - Senador Tasso, V. Exª me permite?

O SR. TASSO JEREISSATI (PSDB - CE) - Pois não, Senador Sérgio Guerra.

O Sr. Sérgio Guerra (PSDB - PE) - Eu estava esperando a palavra de V. Exª, porque, desde que nos conhecemos, ouvi muitas vezes depoimentos e palavras suas sobre Artur da Távola. Conheço muito a sua capacidade de avaliação das pessoas e o seu profundo conhecimento da vida política do Brasil recente e, de uma maneira especial, do nosso Partido. Não houve oportunidade em que a sua palavra não fosse na direção de uma profunda admiração e de um enorme respeito por ele. Por isso, penso que, entre tantos depoimentos, o seu é importante hoje, porque é coerente, não é depois que ele morreu, quando a Nação inteira acusa esse falecimento, essa perda, que a sua palavra é a mesma. O fato concreto é que o Brasil e o nosso Partido têm perdido valores importantes; uns com determinadas qualidades, outros, com outras. Mas, a avaliação do grande Artur da Távola é uma avaliação especial, simbólica, consistente: conteúdo humano, conteúdo geral, conteúdo cultural, firmeza, coisas que faltam, de uma maneira geral, no Brasil de hoje. Uma relativa capacidade de conviver sempre de maneira consistente, de maneira firme, nos momentos em que atuava na política - mais antes; um pouco menos depois. O fato é que estamos carentes, no Brasil, de gente que honra a palavra e que tem espírito público, como V. Exª, que tenha a sua capacidade, que confunde a sua vida com os seus propósitos. Não tem esse negócio de ter uma vida assim e uma palavra para o outro lado; de dizer uma coisa para um lado e pensar de outro jeito. Parece que virou regra no Brasil: em nada do que se diz se acredita. A descrença tomou conta do País. A incapacidade de reação, de indignação é crescente nessa imensa permissividade que compromete muita gente, que compromete a nós todos, mesmo que para muitos de nós não faça sentido. Vai fazer falta ao Brasil, muita falta ao Senado - já vem fazendo - e muito ao PSDB a presença de alguém como ele, que é recuperada, hoje, pela sua palavra e de outros que têm aqui essa idéia de que a política não vale do jeito que está, vale do jeito que era feita por Arthur da Távola. Portanto, quero parabenizar V. Exª e dizer que o PSDB todo tem na sua palavra o exemplo e a demonstração da nossa convicção geral, de todos os que são do PSDB no Brasil inteiro.

O SR. TASSO JEREISSATI (PSDB - CE) - Muito obrigado, Senador Sérgio Guerra, que, com sua sempre inteligente argumentação, enriquece esse depoimento.

Concedo um aparte ao Senador Eduardo Azeredo.

O Sr. Eduardo Azeredo (PSDB - MG) - Senador Tasso Jereissati, não gostaria de estar aqui, hoje, participando dessa solenidade, porque queria que Artur da Távola estivesse conosco ainda, evidentemente, como todos nós. Artur, uma pessoa tão querida, tão sensata e de bem com a vida. Acho que é importante dizermos isso, que é a imagem que sempre tive e que guardarei dele. Ainda nesse fim de semana, lá em Belo Horizonte, em Minas Gerais, algumas pessoas do Estado lembravam da sua participação na TV Senado, pedindo-me, inclusive, para que o programa não acabe. Alguns diziam: “Temos de dar continuidade ao que o Artur plantou”. O seu trabalho no Senado deixou marcas fortes pelo seu cuidado com o interesse público. O nosso Partido, o PSDB, teve nele sempre um grande expoente. E, como representante de Minas Gerais, queria trazer o meu abraço e o meu sentimento pela perda de Artur da Távola.

O SR. TASSO JEREISSATI (PSDB - CE) - Muito obrigado, Senador Eduardo Azeredo.

O Sr. Geraldo Mesquita Júnior (PMDB - AC) - Senador Tasso Jereissati, V. Exª me permite um aparte?

O SR. TASSO JEREISSATI (PSDB - CE) - Concedo um aparte ao Senador Geraldo Mesquita Júnior.

O Sr. Geraldo Mesquita Júnior (PMDB - AC) - Muito obrigado pela oportunidade. Não convivi com o Senador Artur da Távola enquanto Parlamentar; porém, desde quando estou aqui no Senado, mesmo assim, o Senador Artur foi um dos Parlamentares de maior presença na TV Senado, inclusive. Como amante da música e admirador de homens públicos de integridade e de caráter irreprovável, como era o Senador Artur da Távola, tornei-me um grande admirador, mesmo jamais tendo convivido com ele. A sua ausência provoca aquelas situações em que paramos para pensar e percebemos que o mundo fica um pouco diminuído com a ausência de pessoas como o Senador Artur. Essa homenagem e tantas outras prestadas a ele são provas disso: do nosso sentimento, da sensação de ausência de alguém que pontuou, de alguém que foi muito importante no sentido de fazer com que suas idéias ultrapassassem até a dimensão da vida, como é o caso aqui. Estamos prestando uma singela, uma humilde homenagem a uma pessoa, um brasileiro. E aqui eu me dirijo a Srª Mirian, esposa, e ao Eduardo, filho, dizendo a eles que são pessoas de muita sorte por terem tido a seu lado alguém como o Senador Artur da Távola, pessoa que conseguiu levar a sua alegria, a sua honestidade para além dos limites familiares. Isso é uma coisa muito difícil e rara. Ele encantou este País não só naquilo que mais gostava, que era a música, mas encantou este País praticando a política com seriedade, com dignidade e com honradez. E aqui, com toda sinceridade, eu rendo as minhas homenagens ao Senador Artur da Távola, e quero transmitir as mesmas homenagens à sua digna família. Pessoas que têm um esposo ou um pai como o Senador Artur da Távola são pessoas de certa forma iluminadas; receberam uma dádiva de Deus por terem alguém a seu lado com uma estrela de tanto brilho. A nossa saudade eterna do Senador Artur e as nossas homenagens à sua família pela perda de uma pessoa tão importante.

O SR. TASSO JEREISSATI (PSDB - CE) - Muito obrigado, Senador Geraldo.

Eu queria, então, ao encerrar, dizer desse carinho que todos nós, especificamente dentro do nosso Partido, sentiremos sempre pelo Paulo Alberto. Eu, pessoalmente, orgulho-me muito de pertencer a um Partido que foi fundado e presidido por ele. (Palmas.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 11/06/2008 - Página 18999