Autor
Jefferson Praia (PDT - Partido Democrático Trabalhista/AM)
Data
21/08/2008
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

O SR. JEFFERSON PRAIA (PDT - AM. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, ensinam os cientistas sociais que a maneira mais eficaz de se aquilatar a relevância histórica de qualquer fato consiste em imaginar como estaríamos no presente se ele não houvesse acontecido no passado.

Pois bem; hoje é possível afirmar que a Zona Franca de Manaus, já no seu 41º ano de existência, passa com louvor nesse teste. Afinal, Sr. Presidente, se o Amazonas é o menos desmatado dos Estados da Região Norte, isso se deve às múltiplas alternativas de investimento, empreendedorismo, emprego, trabalho e renda gerados pelo Pólo Industrial de Manaus, sob a jurisdição da Superintendência da Zona Franca de Manaus.

Trata-se de uma realidade positiva, dinâmica e plenamente consolidada. Os mais recentes indicadores de desempenho da Suframa estão aí para comprová-lo. No primeiro quadrimestre de 2008, o faturamento do PIM atingiu US$9,4 bilhões, 27% a mais que no mesmo período do ano passado.

A tecnologia é componente essencial desse sucesso, como comprova o perfil dos principais itens produzidos dentro da escala de valor agregado. Destacam-se, assim, os setores de duas rodas (faturamento de US$2,7 bilhões e crescimento de 54,06%), metalúrgico (US$647,5 milhões de faturamento e crescimento de 43,64%), relojoeiro (faturamento de US$90,2 milhões e crescimento de 35,91%). Também tivemos bons desempenhos nos setores mecânico e ótico.

Em números absolutos, o segmento produtivo líder continua sendo o de eletroeletrônicos, com faturamento de U$3,817 bilhões, em contraste com US$3,258 bilhões no período passado. Na área de televisores com telas de LCD e de plasma, de janeiro a abril deste ano foram fabricadas 535,4 mil unidades, num surpreendente crescimento de 289,57% em relação ao mesmo período de 2007.

A produção de receptores - decodificadores de sinal digital (via cabo, satélite e transmissão terrestre local) saltou de 1,3 milhão para 1,9 milhão de unidades.

Destaco, também, Sr. Presidente, que a fabricação de câmeras fotográficas digitais, de discos compactos, auto-rádios, aparelhos de som e, é claro, microcomputadores registrou, igualmente, forte expansão, com índices de crescimento de 169,3%, 48,25%, 42,97% e 34,01%, respectivamente.

Tudo isso, Sr. Presidente, reflete não apenas a robusta ampliação da demanda doméstica, decorrente da melhoria da situação do consumidor brasileiro nos últimos anos, mas também o bom desempenho das exportações do PIM. Na comparação entre os primeiros quadrimestres de 2007 e 2008, as vendas ao mercado externo exibem alta de 23%, num total de 336 milhões de dólares.

Os resultados decorrem da retomada das exportações de telefones celulares, do incremento das relações com os países da nossa vizinhança sul-americana e também com outros blocos econômicos.

Para intensificar e ampliar esse processo, a Suframa tem enviado missões comerciais a países do mundo desenvolvido e organizado eventos na Europa, na Ásia e na América. O objetivo é sempre o mesmo: mostrar o potencial amazonense e amazônico aos investidores. Bons exemplos são as suas participações no Consumer Eletronics Show, nos Estados Unidos, na Feria de Hanôver, na Alemanha, na Expocomer, no Panamá, no Cosmoprof, na Itália e na Exponor, em Portugal. No Japão, onde se realiza a maior exposição da indústria alimentícia de toda a Ásia, marcaram presença, no estande da Suframa, produtos como refrigerante de guaraná, guaraná em pó e chá de guaraná.

Esse trabalho promocional se reproduz dentro do nosso País: a Suframa participou, neste ano em São Paulo, da Feira Natural Tech e Bio Brazil, a mais importante vitrine nacional para produtos orgânicos e naturais. Os negócios ali realizados superaram em mais de 50% os da edição de 2007 da Bio Brazil.

No próximo mês, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, nós teremos, em setembro, nos dias 10 a 13, no Centro de Convenções de Manaus, a quarta edição da Feira Internacional da Amazônia, destinada a divulgar as oportunidades de investimento e as vantagens da biodiversidade da nossa região, especialmente para os setores de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Seu Processo Produtivo Básico - destaco nessa área - foi aprovado em dezembro último, o que possibilitará a criação, no mínimo, de dez mil empregos diretos nos próximos dois anos.

Sr. Presidente, no aspecto socioeconômico, é importante destacarmos que o Pólo Industrial de Manaus, de acordo com os números de abril último, gera - e aí falo dos números de empregos -, aproximadamente, cem mil empregos diretos, em algo como em torno de quinhentas empresas ali instaladas.

É importante também destacar, Sr. Presidente, as permanentes exigências da evolução tecnológica levam a Suframa a investir em pesquisa, em desenvolvimento e em capacitação de recursos humanos um volume crescente de dinheiro. Assim, se, em 2002, os investimentos em recursos humanos e em pesquisa e desenvolvimento foram da ordem de R$2,3 milhões e R$1,19 milhões, respectivamente, no ano passado, essas rubricas registraram 16,38 milhões e 16 milhões de reais. No acumulado dos cinco últimos anos (2002 a 2007), os investimentos da Suframa em RH somaram R$24,696 milhões e em P&D R$64,319 milhões.

Quanto às empresas do PIM, seus investimentos nessa área também têm sido relevantes.

De fato, Sr. Presidente, a responsabilidade de todos - setores público e privado, Estado e sociedade, Suframa e empresas - de gerar um desenvolvimento que seja, ao mesmo tempo, tecnologicamente avançado, socialmente justo e ecologicamente sustentável. Essa responsabilidade, repito, somente poderá ser concretizada via fortalecimento de parcerias entre os setores público e privado, como é o caso do Programa de Formação de Especialistas, Mestres e Doutores, lançado há quase dez anos pela Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), vinculada à Suframa.

A Fucapi, hoje, mobiliza cerca de 300 técnicos, engenheiros e cientistas voltados para o desenvolvimento de tecnologias industriais, testes e ensaios de laboratório. Seus projetos vitoriosos incluem aplicativos de informática para o controle de produtos e processos, jogos para celulares, monitores sem fio e a capacitação de artesãos para a produção de peças de madeira reciclada com design inovador, entre outros.

Também merece destaque o trabalho do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que presta apoio às empresas do Pólo, desenvolvendo projetos nas áreas de cosméticos, bioinseticidas, repelentes, biocombustíveis, bioprospecção de microorganismos e cultura de tecido de plantas. Criado no âmbito do Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o uso sustentável da biodiversidade amazônica, sob a coordenação dos Ministérios do Desenvolvimento, da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente, o CBA promove a sinergia de esforços entre a universidade e centros públicos e privados de pesquisa e desenvolvimento. Seus 20 pós-doutores e doutores, 18 mestres, 55 especialistas, 70 graduandos e técnicos atuam em 11 laboratórios já em funcionamento.

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, gostaria de dizer também que importantes passos estão sendo dados nessa área. Precisamos, portanto, ser mais rápidos para que possamos atingir melhores resultados nesse contexto da biotecnologia na nossa região.

Desejo concluir, Sr. Presidente, com uma homenagem ao engenheiro e inventor Manuel Cardoso, de Manaus, cuja vida é dedicada a inovações direcionadas aos deficientes físicos. Tive a honra de tê-lo como colega no Colégio Dom Bosco. Há duas décadas, Cardoso desenvolveu o Injet, sistema de monitorização de linhas de produção, aperfeiçoado desde então e, agora, prestes a ser vendido para montadoras de veículos da China e da Europa. O mais novo módulo do Injet pode ser operado por deficientes visuais, pois um computador lhes diz o que está ocorrendo com as máquinas cíclicas, como injetoras, e o operador, por rádio, informa a situação ao supervisor. O sistema está em pleno funcionamento em uma fábrica de Manaus.

Sr. Presidente, já estou encerrando mas não poderia deixar de dizer que Manuel Cardoso também desenvolveu o mouse ocular um equipamento fantástico, destinado às pessoas portadoras de deficiências.

As realizações do meu conterrâneo Cardoso, amigo e colega do Colégio Dom Bosco, além de justo motivo de orgulho, devem servir como um lembrete de que a qualificação educacional e profissional da mão-de-obra em nossa região, associada a crescentes investimentos em pesquisa e desenvolvimento, são a chave, portanto, de um futuro digno, próspero, sustentável e feliz para o povo da região.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

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