Autor
Mozarildo Cavalcanti (PTB - Partido Trabalhista Brasileiro/RR)
Data
11/12/2008
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB - RR. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente Mão Santa, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, hoje é o Dia do Engenheiro. Coincidentemente, eu gostaria aqui de lembrar um grande engenheiro de uma importância magna para o Estado de Roraima que foi o ex-Governador Ottomar Pinto. Hoje, coincidentemente, está completando um ano da sua morte. Há um ano, exatamente no Dia do Engenheiro, ele faleceu.

Ele era engenheiro, médico, advogado, administrador, oficial-general da Aeronáutica.

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - V. Exª permite que eu incorpore algumas palavras ao seu discurso? Barack Obama - atentai bem! - é formado em ciências políticas sociais, como Fernando Henrique, e direito, como Rui Barbosa. É formado em Harvard e professor. Ele diz: “Desejo que o País tenha mais engenheiros e menos advogados.”

O SR. MOZARILDO CAVALCANTI (PTB - RR) - Coincidentemente, o Governador Ottomar, apesar dessa múltipla formação acadêmica que tinha, muito mais raciocinava mesmo como engenheiro sem perder de vista a formação humanística da medicina. Quero, portanto, prestar uma homenagem hoje especialmente à sua esposa, a ex-Senadora Marluce Pinto, às suas filhas, Deputada Estadual Marília Pinto, colega médica Marisa Pinto, arquiteta Otília Pinto e também a mais nova, Drª Laura Pinto, Juíza do Trabalho em Fortaleza, a todos os seus familiares.

Quero também prestar uma homenagem - lógico - ao povo de Roraima, porque tivemos a sorte de ter o Governador Ottomar Pinto primeiramente como Governador do Território Federal de Roraima antes de sermos um Estado da Federação. Com essa sua visão justamente de engenheiro, de oficial-general da Aeronáutica, Brigadeiro, portanto, ele tinha essa visão de Amazônia. Foi ele que construiu, como Presidente da Comara, aeroportos em toda a Amazônia. Ele conhecia toda a Amazônia e, talvez, até por isso, tenha sido escolhido para governar o território naquela época. Quando chegou lá, ele não se limitou, como outros fizeram, a simplesmente administrar o território como uma autarquia do Ministério do Interior, que então era.

Ele pensou justamente em transformar o território num Estado. Para isso, tinha que implantar uma infra-estrutura capaz de transformar o território em Estado. E no território, então, que, na época, tinha apenas dois municípios, Senador Jayme Campos - um Estado que é maior do que o Estado de São Paulo tinha apenas dois municípios -, ele criou mais outros treze - assim mesmo temos só quinze municípios.

E isso com a visão de quê? De criar municípios para ter prefeitos, para ter vereadores? Não. Para levar o Poder Público para aqueles cidadãos que estavam distantes, para levar justamente assistência médica, educação, transporte. Em Boa Vista, que é a capital, ele criou vários bairros, ampliando, portanto, a melhoria da expansão e da funcionalidade da capital. Criou núcleos populacionais em todo o interior, em São João do Baliza, São Luiz do Anauá, Vila Moderna, Novo Paraíso, Caroebe, Jatapu, Entre Rios, São Raimundo, Equador, Petrolina do Norte, Confiança, Jundiá, entre muitos outros. Era justamente a visão de fazer a interiorização do Estado, quer dizer, do território ainda, para se preparar para o Estado.

A implantação do distrito hortifrutigranjeiro de Montecristo, justamente para abastecer a cidade, a construção de várias escolas de primeiro e segundo graus na capital e no interior, dentre as quais se destacam a escola de formação de professores, a escola agrotécnica e muitas outras. A implantação do ensino de segundo grau no interior, que não existia àquela época, a construção do hospital materno-infantil em Boa Vista, a construção do matadouro frigorífico Mafir e da usina de leite, implantação do distrito industrial de Boa Vista, a criação da Companhia de Desenvolvimento de Roraima, a Codesaima, a construção do Parque Anauá e a construção de diversos núcleos populacionais em Boa Vista, Caracaraí e Mucajaí.

Então, Sr. Presidente, foi o homem que preparou o Território para ser Estado. Depois, foi Constituinte. Ele, a esposa, a ex-Senadora Marluce Pinto, na época Deputada Federal (o Território só tinha quatro Deputados), eu e o ex-Deputado Chagas Duarte trabalhamos para transformar o Território em Estado; e ele, coincidentemente, foi eleito nosso primeiro Governador. Complementou a ação de infra-estrutura, institucionalizando o Estado, implantando o Tribunal de Justiça, implantando o Tribunal de Contas, a Assembléia Legislativa, o Poder Legislativo, portanto, transformando realmente o Território numa Unidade da Federação. Com isso, a população de Roraima passou a ter, de fato, cidadania. Não eram mais cidadãos de terceira categoria, como quando era Território Federal.

Sr. Presidente, eu poderia falar muito da biografia do nosso ex-Governador Ottomar, conhecido como Brigadeiro Ottomar, mas quero sintetizar e finalizar pedindo que seja transcrito todo este material que eu trouxe sobre a vida do Brigadeiro Ottomar, bem como uma literatura (vamos dizer assim) de cordel, uma poesia bonita, popular, de autoria do poeta José Norberto de Mesquita, que tem 12 estrofes, das quais lerei apenas as três últimas. Peço que seja transcrita na íntegra porque é uma homenagem do povo mesmo, popular, saída do homem que pensa de maneira simples, mas com o coração.

Fala ele nestas três últimas estrofes:

Quando assumia o Poder

Tinha trabalho de sobra

Nessa Boa Vista se via

Em cada canto uma obra

Foi muito trabalhador

Sendo ele o Governador

Nosso povo tinha paz

Se foi para a Eternidade

Além de deixar saudades

Vai fazer falta demais

Por ele não ser à toa

Fez sempre um governo honrado

Fez estradas largas e boas

Em cada canto do Estado

Para todo o interior

O pobre do Agricultor

Seus produtos transportar

Para vender na cidade

O povo sente saudade

Do governo de Ottomar

Era um homem destemido

Um governo de ação

Cuidava bem das estradas

Saúde e educação

A coisa vai ficar preta

Perdoe-me senhor Anchieta

Que assumiu o seu lugar

Faça também a sua história

Mas por Deus zele a memória

Do meu querido Ottomar.

Então, encerro com essas palavras dos versos do poeta popular José Norberto de Mesquita, pedindo a transcrição na íntegra de todo o seu poema popular e dizendo, mais uma vez, aos familiares, aos amigos e a todo o povo de Roraima que estamos aqui hoje prestando esta homenagem, rememorando o trabalho feito que, com certeza, será prosseguido porque ele realmente foi um exemplo de homem que, diria até, Senador Jayme Campos, como médico, se imolou em favor do povo de Roraima porque estava doente, tinha consciência da doença que tinha, mas não parou um minuto. Morreu trabalhando, mesmo sabendo que podia até levar o governo em um ritmo mais devagar. Mas, ele, não; ele não parava. Era dia e noite, não tinha horário.

Eu, quantas vezes, estando ao seu lado na campanha dizia “Governador, vá mais devagar. O povo precisa da sua presença, e a sua saúde não agüenta tanto embate”. Ele dizia: “Não, enquanto eu tiver condições, quero ganhar tempo”. Portanto, termino fazendo esta minha homenagem de um ano após a morte dolorosa do nosso Governador.

 

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DOCUMENTOS A QUE SE REFERE O SR. SENADOR MOZARILDO CAVALCANTI EM SEU PRONUNCIAMENTO

(Inseridos nos termos do inciso I, § 2º, art. 210 do Regimento Interno.)

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Matérias referidas:

Ottomar Pinto será homenageado no 1º Congresso Mundial de Engenheiros, Folha de Boa Vista;

Poesia de José Norberto de Mesquita


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