Discurso durante a 3ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Preocupação com os altos índices de violência no Estado do Pará.

Autor
Mário Couto (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/PA)
Nome completo: Mário Couto Filho
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
SEGURANÇA PUBLICA. ESTADO DO PARA (PA), GOVERNO ESTADUAL.:
  • Preocupação com os altos índices de violência no Estado do Pará.
Aparteantes
Papaléo Paes.
Publicação
Publicação no DSF de 10/02/2009 - Página 1012
Assunto
Outros > SEGURANÇA PUBLICA. ESTADO DO PARA (PA), GOVERNO ESTADUAL.
Indexação
  • COMENTARIO, ARTIGO DE IMPRENSA, JORNAL, O LIBERAL, ESTADO DO AMAPA (AP), DENUNCIA, EXCESSO, HOMICIDIO, PERIODO, JANEIRO, CAPITAL DE ESTADO, REGISTRO, AMPLIAÇÃO, VIOLENCIA, COMPARAÇÃO, AREA, CONFLITO, ORIENTE MEDIO, ESPECIFICAÇÃO, ASSALTO, CEMITERIO, MORTE, PESCADOR, MEDICO, PARENTE, GOVERNADOR.
  • CRITICA, OMISSÃO, GOVERNADOR, ESTADO DO PARA (PA), COMBATE, VIOLENCIA, COMENTARIO, ARTIGO DE IMPRENSA, JORNAL, DIARIO DO PARA, DECLARAÇÃO, GOVERNO ESTADUAL, AUSENCIA, RESPONSABILIDADE, AMPLIAÇÃO, CRIME, IMPUTAÇÃO, CULPA, ANTERIORIDADE, GOVERNO, REGISTRO, OFERECIMENTO, BANCADA, AUXILIO, REDUÇÃO, PROBLEMA.
  • DENUNCIA, GOVERNADOR, ESTADO DO PARA (PA), DEVOLUÇÃO, EMPREGO, DELEGADO, RESPONSAVEL, PRISÃO, ADOLESCENTE, MULHER, DELEGACIA, DESTINAÇÃO, HOMEM, QUESTIONAMENTO, AUSENCIA, AUXILIO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, GOVERNO ESTADUAL, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT), COMBATE, VIOLENCIA, REGIÃO.
  • SOLICITAÇÃO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, AUXILIO, COMBATE, VIOLENCIA, ESTADO DO PARA (PA).

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Sr. Presidente. Saiba do carinho e da consideração que tenho por V. Exª.

Sr. Presidente, Senador Marco Maciel, tenho eu, Senador, vontade de abordar outro tema que não o que vou abordar nesta tarde. Mas penso assim, Senador Presidente Mão Santa: o que adianta tentar passar para outro tema, chamar a atenção da Nação para outro tema, chamar a atenção do meu Estado para outro tema se este que abordo quase todos os dias - e que vou abordar hoje novamente - é um tema que dói na minha alma, é um tema que preocupa a mim e a todos aqueles que moram na minha querida terra do Estado do Pará?

Sei, tenho mesmo certeza de que preciso falar, aqui, da saúde deste País e do meu Estado; sei que as estradas não estão boas, bem como portos e aeroportos. São graves os problemas nacionais, principalmente os do meu Estado, como é o caso das rodovias no meu Estado. Mas este tema é angustiante. Este é o tema que, a cada dia, deixa uma família paraense de luto; este é o tema que, a cada momento, deixa um paraense tombado, morto; este é um tema que nós, paraenses, Senadores e Deputados, temos de abordar com insistência, cobrar do Ministério Público Federal, Estadual, cobrar do Governo do Estado do Pará, cobrar do Presidente da República, cobrar deste Senado, finalmente, Presidente, ações que venham parar com a violência no meu Estado.

         É triste, é lamentável o que se passa hoje. Não tenho aqui, absolutamente, exagerado em nada, nem tenho por que fazê-lo, nem tenho, Presidente, por que exagerar, mas, olhem aqui, olhem aqui. Olha, Brasil; olha, Pará; olha, Senador Papaléo. Vamos abrir o jornal de hoje, o principal do Estado do Pará. Vamos abrir o jornal de hoje - friso: hoje!

         Abro o jornal: Belém, segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009. Consegui este jornal há poucos momentos. Vamos abrir o jornal e ver o que tem de importante dentro deste jornal.

         Olha, Senador Papaléo: duas páginas deste jornal. Eu peço à TV Senado que mostre ao Brasil, meu Presidente, para que o Brasil saiba que este Senador não está exagerando absolutamente nada quando roga, quando pede, aqui, providências para conter a violência no meu Estado.

Eu vou ler o que diz: “Janeiro registra 106 mortes violentas”. Aí, são os cadáveres jogados nas ruas, Senadores. Os cadáveres jogados nos rios. Os cadáveres jogados nas ruas de Belém. Olhem aqui!

E tem a tituleira embaixo de cada um. Aqui, dois jovens choram a morte de um irmão tombado numa calçada de uma avenida em Belém. Aqui, um casal coberto com jornais, morto a tiros dentro de um cemitério. Assalto dentro de um cemitério. Um casal morto dentro do cemitério. Assalto dentro do cemitério! Lá embaixo, um pescador morto, estraçalhado: tiraram-lhe as pernas; amputaram-lhe as pernas. Aqui, outro mostrando o derramamento de sangue.

Enfim, vários e vários e vários tombaram, ontem, nas ruas de Belém. São duas páginas. Duas! Talvez fossem necessárias ao jornal O Liberal mais duas páginas para mostrar o que acontece no meu querido Estado do Pará.

Eu posso abordar outro tema? Não devo! Eu não devo sair deste tema, meus queridos paraenses, enquanto a Governadora do meu Estado... E aqui, Presidente Mão Santa, por várias vezes, eu já disse e vou repetir: eu não rogo, eu não quero, eu não desejo o mal do meu Estado. Eu quero o bem do Estado, Presidente Marco Maciel. Eu quero o bem do meu Estado! Eu quero que o meu Estado cresça. Eu não quero violência no meu estado, Presidente!

Presidente, a Governadora tomou posse dizendo que acabaria com a insegurança. A Governadora do meu Estado foi a cada Município dizer que acabaria com a violência no meu Estado. Acabo de ler uma entrevista da Governadora no Diário do Pará, um dos jornais paraenses. E o que leio lá? Como sempre, a nobre Governadora, por quem eu tenho o maior respeito, a dizer que a culpa não é dela; que a culpa é de governos anteriores.

Basta disso, Governadora! Governadora, não fale mais isso! A cada dia, a cada vez que V. Exª fala assim eu me envergonho! Isso é uma vergonha! Não culpe mais governos anteriores! V. Exª quis ser Governadora do Pará! V. Exª disse que acabaria com a insegurança no Pará! V. Exª disse que acabaria com a violência no meu Estado! Não jogue a culpa agora em governadores anteriores! Nem pode, Governadora! Não deve nem pode! Não faça mais isso! Pense, Governadora! Pense que V. Exª já está há três anos no comando do Estado do Pará! Pense que a violência, no meu Estado, aumentou 40%! Não é 4%, não, Presidente! É 40%! E aumentou quando, Governadora? Aumentou no seu governo. Não aumentou nos governos passados, Governadora! Aumentou agora! Aumentou no seu Governo! No Governo que não tomou, até agora, providência nenhuma! Um membro da sua própria família foi assassinado, Governadora! Não culpe, pois. Diga que a senhora é culpada de tudo que está acontecendo, assuma a sua responsabilidade, Governadora.

Os Senadores paraenses já ligaram, telefonaram, falaram desta tribuna, pediram que ela, pelo menos, pudesse vir aqui. É lógico que ela não precisa, mas fizemos isso; fizemos isso sem ter a obrigação de fazer. Fizemos por piedade, por sensibilidade; fizemos porque, assim como está esse jornal de ontem, estará o de amanhã! Amanhã, quando um paraense abrir um jornal, estará vendo a morte, vendo a família paraense em luto.

Senhores e senhoras, paraenses que me assistem, Prefeito de Magalhães Barata, que me assiste nesta tarde. prefeito daquela cidade maravilhosa, fiquem certos, vereadores, fiquem certos de que, em lugar nenhum do mundo, posso afirmar a V. Exªs, em lugar nenhum do mundo a violência é tão grande!

Eu quero, Presidente Marco Maciel, que proporcionalmente citem aqui neste Senado uma cidade brasileira que tenha tido em janeiro 106 mortes por assassinato. Quero que me citem, do Brasil, uma cidade apenas! Citem uma que me conformo; eu me conformo com uma, se me citarem onde a violência aumentou quase 40% em um ano. Citem uma guerra atual, citem a Faixa de Gaza, vejam onde está morrendo mais gente no mundo, se não é no meu Estado... Sei que tenho uma causa justa, que defendo com muito pulso - e continuarei defendendo, inclusive amanhã farei um novo pronunciamento aqui -, que é a causa da classe dos aposentados. Mas não posso, não devo, não consigo vir a esta tribuna sem a responsabilidade, a obrigação, o dever e a consciência de pensar nos meus irmãos paraenses que estão morrendo. Outro dia foi o meu médico cardiologista. Quantos já tombaram?! É uma guerra. A minha sensibilidade, sem nenhuma demagogia... Aliás, seria uma barbaridade alguém dizer que eu estaria praticando aqui uma demagogia diante dos dados.

Presidente, o pior, o que dói mais, Presidente, é saber que a própria Governadora... E tenho que falar no nome dela; não posso deixar de falar no nome dela se a causa compete a ela, se a decisão compete a ela, se a solução do problema está nas mãos dela, embora ela me pareça não ter vontade de resolver, paraenses. V. Exª que me assiste hoje aqui: a sensação que eu tenho é de que essa senhora não tem nenhuma vontade de resolver o problema.

Querem ver? Lembram aquele delegado, Presidente Mão Santa, que disse a todo o Brasil e ao Pará que uma menina de 13 anos foi presa em uma delegacia, em que foi torturada e onde os presos se serviram dela, que apagaram cigarros em seu corpo, que fizeram dela um trapo humano? Lembram-se disso? Lembra, Brasil? O Brasil lembra. Aquele delegado responsável, Delegado-Geral do Estado do Pará, disse aqui, disse ao Brasil inteiro, para que todo o mundo soubesse o pensamento dele... Sabem o que ele disse? Lembra, Brasil? Ele disse que aquela menina era maluca, que aquela menina era doida. Ao Brasil inteiro ele disse isso. A Governadora, então, demitiu o delegado. Menos mal! Devia tê-lo colocado na cadeia! Devia tê-lo colocado na cadeia! Era cadeia para ele!

Falo sem nenhum receio. Não devo, delegado. Pode ficar com raiva de mim. Não devo. Procure o que quiser na minha vida. Não devo, delegado. Por isso é que eu falo, delegado; é porque eu não devo. Se eu devesse, eu não vinha aqui, não, delegado. Mas eu não devo. Pois sabem o que a Governadora fez agora? O delegado voltou ao cargo. É, de novo, quem manda na Polícia do Estado do Pará.

Ora, Brasil, o que pensam, por exemplo, os marginais em relação a uma medida dessa? É que o Pará está sem rumo; é que o Pará não tem governante; é que o Pará hoje não tem autoridade que tenha moral para combater o crime. E aí tombam os paraenses, matam os paraenses, roubam os paraenses, destroem as famílias.

Presidente, se o índice mensal é de 106 assassinatos, divida por 30 e veja quantos morrem a cada dia. Amanhã, quantas famílias estarão chorando? Quantos paraenses estarão chorando?

A Governadora, Presidente Marco Maciel, é do Partido dos Trabalhadores, Presidente. Amiga do Lula, do Presidente Lula!

Eu não acredito, Presidente! Sinceramente, eu não acredito! Vossa Excelência sabe da capacidade da nossa Governadora. Ajude a Governadora, Presidente! Ajude! Eu quero vir aqui aplaudir a Governadora; eu quero vir aqui a fim de parabenizar a Governadora. Eu não quero vir aqui falar mais de morte no meu Estado.

Presidente Lula, toque um pouquinho no seu coração. Presidente, abra o seu coração! Dizem que o senhor assiste a TV Senado. Um Senador seu disse aqui, neste Senado, que Vossa Excelência sempre liga a TV Senado. Se Vossa Excelência está me vendo falar, faça isso, Presidente . Dizem que Vossa Excelência tem um coração muito grande. Fez a Bolsa Família, que não é uma questão política, é social. Se Vossa Excelência teve a competência de aceitar um plano feito no Governo Fernando Henrique Cardoso, que foi a Bolsa Família, eu não acredito que Vossa Excelência saiba, neste momento, que centenas de paraenses caem mortos nas ruas a cada mês e não faça nada, que Vossa Excelência não chame a Governadora do Estado do Pará para, conjuntamente, fazer alguma coisa por aqueles paraenses que estão sofrendo, morrendo, chorando a vida de cada parente, Presidente Lula! Faça isso, Presidente!

Olha, Presidente, eu já acionei todos quantos pude, já fiz tudo quanto pude. Já me ofereci à Governadora do meu Estado; e ela nem me telefona, não quer o apoio de nenhum Senador da República. Mas pelo menos Vossa Excelência, que tem hoje 84% de aceitação da população brasileira... Se isso é real, Presidente, se isso é verdade, se Vossa Excelência tem mesmo 84% de aceitação da população brasileira, é porque a população brasileira aceita o seu Governo, gosta do Governo de Vossa Excelência. Então, Presidente - e falo do fundo do meu coração -, faça alguma coisa, ajude, dê a mão a nossa Governadora, auxilie a nossa Governadora, mande uma equipe competente para tratar do assunto no Estado do Pará, invista na segurança do Estado do Pará, mude toda aquela estrutura arcaica, Presidente; peça à Governadora que vá às ruas, com pulso, combater a criminalidade no meu Estado.

(Interrupção do som.)

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Já vou terminar, Sr. Presidente.

O Sr. Papaléo Paes (PSDB - AP) - Senador Mário Couto, por favor.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Pois não.

O Sr. Papaléo Paes (PSDB - AP) - Antes, eu queria ter a benevolência de V. Exª, porque eu não poderia deixar de, rapidamente, fazer alguma referência a respeito da sua palavra, se V. Exª permitir.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Pois não, com prazer.

O Sr. Papaléo Paes (PSDB - AP) - Nossos Estados são vizinhos, e Belém do Pará é uma capital por onde sempre passamos devido à ligação entre os dois Estados. Senador Mário Couto, primeiro quero parabenizar V. Exª, porque, quando passo em Belém, pego táxi, converso com os taxistas, converso com os camaradas que vendem nas bancas,...

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

O Sr. Papaléo Paes (PSDB - AP) - (...) e a referência do Estado do Pará no Senado é sempre feita no nome de V. Exª. E sempre provoco, perguntando pelos Senadores daquele Estado, e V. Exª tem uma excelente referência. Depois, comentarei pessoalmente quais são essas referências.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Obrigado, Senador.

O Sr. Papaléo Paes (PSDB - AP) - Quanto à violência no Estado do Pará, em todo o Estado e principalmente na capital, Belém, quero dizer que realmente é algo que apavora. As pessoas realmente comentam, no seu dia-a-dia, sobre a insegurança no Estado do Pará, sobre a questão da segurança pública. Só usando esse tempinho, quero reafirmar a importância do seu discurso e, principalmente, somar-me ao pedido de providências que V. Exª encarece à Governadora. Parabéns a V. Exª.

O SR. MÁRIO COUTO (PSDB - PA) - Muito obrigado, Senador Papaléo Paes.

Vou descer, Presidente Mão Santa, mais uma vez indignado, mais uma vez preocupado, mais uma vez chateado com o que acontece no meu Estado. Não vou calar, Presidente, não vou calar! Não há o que me faça calar!

Eu vim aqui e vou repetir: Governadora, não se preocupe não. Governadora, não fique chateada comigo. Eu estou apenas colaborando com V. Exª. Eu estou apenas pedindo a V. Exª que cumpra com sua palavra de campanha, palavra de palanque. Eu honro a minha, Governadora; eu honro. Eu disse, nos meus palanques, que ia lutar pelo meu Estado. Eu estou aqui, Governadora, lutando pelo meu Estado. Lute também, Governadora. Faça o que V. Exª disse nos palanques, não engane os paraenses, Governadora; não deixe os paraenses morrerem mais!

Desço, Mão Santa, indignado, mas certo de que esta voz não se calará enquanto a segurança do meu Estado não estiver organizada, enquanto os paraenses não tiverem a tranquilidade de dizer com orgulho: “Eu moro no Estado do Pará”.

Muito obrigado.


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 10/02/2009 - Página 1012