Pronunciamento de Valter Pereira em 09/02/2009
Discurso durante a 3ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Associa-se aos votos de pesar apresentados pelo falecimento do ex-Senador Chagas Rodrigues. Defende a inclusão do Pantanal e da Amazônia como sedes de eventos da Copa de 2014, pelo Comitê Organizador.
- Autor
- Valter Pereira (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/MS)
- Nome completo: Valter Pereira de Oliveira
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
HOMENAGEM.
ESPORTE.:
- Associa-se aos votos de pesar apresentados pelo falecimento do ex-Senador Chagas Rodrigues. Defende a inclusão do Pantanal e da Amazônia como sedes de eventos da Copa de 2014, pelo Comitê Organizador.
- Aparteantes
- Mozarildo Cavalcanti.
- Publicação
- Publicação no DSF de 10/02/2009 - Página 1026
- Assunto
- Outros > HOMENAGEM. ESPORTE.
- Indexação
-
- HOMENAGEM POSTUMA, CHAGAS RODRIGUES, EX SENADOR, EX-DEPUTADO, EX GOVERNADOR, ESTADO DO PIAUI (PI), IMPORTANCIA, VIDA PUBLICA, PERIODO, REGIME MILITAR.
- IMPORTANCIA, INICIATIVA, COMITE, ORGANIZAÇÃO, COMPETIÇÃO ESPORTIVA, FUTEBOL, AMBITO INTERNACIONAL, INCLUSÃO, REGIÃO AMAZONICA, PANTANAL MATO-GROSSENSE, ALTERNATIVA, SEDE, CAMPEONATO MUNDIAL, MELHORIA, TURISMO, REGIÃO.
- DEFESA, ESCOLHA, COMITE, FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE FUTEBOL ASSOCIATION (FIFA), CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL (CBF), REALIZAÇÃO, CAMPEONATO MUNDIAL, FUTEBOL, CAPITAL DE ESTADO, ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL (MS), COMPARAÇÃO, MUNICIPIO, CUIABA (MT), ESTADO DE MATO GROSSO (MT), SUPERIORIDADE, PERCENTAGEM, PANTANAL MATO-GROSSENSE, INFRAESTRUTURA, REDE RODOVIARIA, APRESENTAÇÃO, DADOS, EMPRESA BRASILEIRA DE INFRAESTRUTURA AEROPORTUARIA (INFRAERO), DEMONSTRAÇÃO, QUALIDADE, INFRAESTRUTURA AEROPORTUARIA, REGIÃO, ATRAÇÃO, TURISMO.
- LEITURA, ARTIGO DE IMPRENSA, JORNAL, O ESTADO DE S.PAULO, ESTADO DE SÃO PAULO (SP), CONFIRMAÇÃO, APOIO, AMBITO INTERNACIONAL, DECISÃO, COMITE, PREFERENCIA, REALIZAÇÃO, CAMPEONATO MUNDIAL, FUTEBOL, ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL (MS).
| SENADO FEDERAL SF -
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O SR. VALTER PEREIRA (PMDB - MS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, inicialmente, quero associar-me ao requerimento proposto por V. Exª pranteando a memória do Senador Chagas Rodrigues. Não tive oportunidade de conviver com ele, mas, na minha militância política, que começou nos anos 60, em plena ditadura, eu acompanhava pari passu os acontecimentos políticos deste País e pude conhecer a trajetória desse grande homem público que o Piauí acaba de perder e que desfalca também o grupo de grandes patriotas que se opuseram ao regime militar em momento tão difícil de nossa história. Portanto, ao deixar esta tribuna, daqui a pouco, quero tomar a liberdade de assinar o requerimento proposto por V. Exª e de dizer que o PMDB, meu Partido, o Partido de V. Exª, o Partido que teve como um de seus militantes, um de seus próceres, esse eminente brasileiro, está de luto com seu passamento.
Mas o que me traz a esta tribuna hoje, Sr. Presidente, é outro assunto. O Comitê Organizador da Copa de 2014 incluiu o Pantanal e a Amazônia na rede de subsedes desse monumental certame. A paixão pelo futebol está entranhada nessa vasta região, como em todo o Brasil, embora ali o profissionalismo não tenha conquistado lugar de destaque nos campeonatos nacionais dessa categoria. No entanto, as extraordinárias belezas naturais que essas áreas exóticas guardam, por si só, justificam a presença delas no maior evento futebolístico do planeta. Afinal, mais do que a simples prática esportiva, a Copa é confraternização, é conhecimento, é turismo.
Honra-me seu aparte, Senador Mozarildo Cavalcanti.
O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB - RR) - Senador Valter Pereira, quero associar-me a V. Exª - V. Exª é homem do Pantanal, e eu, um Senador da Amazônia - diante dessa hipótese, dessa possibilidade concreta de serem sedes de eventos da Copa cidades da região do Pantanal, do Centro-Oeste e da Amazônia. Precisamos realmente de várias ações, principalmente no que tange ao turismo, para que grandes eventos nacionais e internacionais possam ser feitos nessa região, até para que o turismo e a hotelaria se desenvolvam, já que toda a legislação deste País proíbe ações no Pantanal e na Amazônia. Vamos tentar, por essa vertente da divulgação e do turismo, que a Amazônia e o Pantanal tenham vez.
O SR. VALTER PEREIRA (PMDB - MS) - Agradeço a V. Exª o oportuno aparte, Senador Mozarildo Cavalcanti, que também é conhecedor e, sobretudo, grande defensor de todas as riquezas e da economia dessa importante região. A participação dessa região é, sobretudo, uma centelha para aquilo que V. Exª acaba de dizer, para o turismo. É uma das melhores oportunidades que teremos para mostrar a todos os continentes o que há de melhor em nosso País. A exuberante natureza, nossa diversidade cultural e belezas infinitas, certamente, vão invadir os lares mais distantes e multiplicar o desembarque de turistas por muito tempo nessas plagas e em outras onde o campeonato for realizado.
A realização de jogos em áreas tão exóticas como o Pantanal e a Amazônia vai dar aos torcedores internacionais a oportunidade de conhecer dois paraísos tropicais, vai propiciar a eles a chance de compensar os intervalos dos jogos com inesquecíveis passeios em meio à mais rica biodiversidade do planeta. Em ambas as regiões, os turistas terão a oportunidade de respirar o ar puro de uma vegetação exuberante, de ouvir o chiado das águas que correm nos ribeirões e de encontrar, ao vivo, fauna e flora que só conhecem nos filmes.
Quanto às virtudes da decisão dos organizadores da Copa, acredito que não há dúvida alguma, questionamento algum. O que pretendo discutir hoje é a escolha da cidade que deverá sediar os jogos na região do Pantanal. Duas capitais estão postulando essas subsedes: Campo Grande, minha cidade, e Cuiabá, Capital do vetusto Mato Grosso. Ambas são cidades acolhedoras e pujantes.
Todavia, Sr. Presidente, é a diferença em favor de Mato Grosso do Sul que pretendo realçar. A primeira delas é a representatividade. Não estou falando da representatividade política. Nesse sentido, o velho Estado de Mato Grosso é privilegiado: tem um Governo habilidoso, uma Bancada de Senadores atenta e zelosos Deputados. Refiro-me à representatividade territorial, física. É sobre ela que há um largo equívoco que precisa ser esclarecido. Os livros de Geografia e de História e as análises da imprensa, de maneira geral, mantiveram uma denominação antiga para definir a região como Pantanal Mato-Grossense. Acontece que, na divisão de Mato Grosso, cerca de dois terços da superfície pantaneira foram transferidos para a área que foi desmembrada, de sorte que Mato Grosso do Sul recebeu 90 mil quilômetros quadrados de área pantaneira contra 48 mil quilômetros quadrados que remanescem no domínio do antigo Estado, do velho Mato Grosso.
Por conseguinte, se o objetivo é contemplar o Pantanal na Copa de 2014, a região mais representativa é a do Mato Grosso do Sul. Aliás, essa já é uma lógica do turista que desembarca no Brasil com destino ao Pantanal. Não estou falando de mera suposição. O movimento dos aeroportos mostra claramente a tendência daquilo que, neste momento, estou analisando. Em 2008, 1.136 turistas estrangeiros dirigiram-se ao Pantanal pela rota do Mato Grosso. Já pela via de Mato Grosso do Sul, foram doze mil turistas que se destinaram ao mesmo santuário ecológico. Esses dados são da Infraero e foram disponibilizados ao Governador André Puccinelli.
Portanto, Sr. Presidente, a rota de Mato Grosso do Sul já é a rota do turista, do turista estrangeiro, que usa os aeroportos para chegar até o Pantanal. O que eles mostram é que os turistas, que obedecem a essa rota com tanta naturalidade, já definiram, já entenderam claramente que o Pantanal está representado, em sua grande maioria, pelo Estado de Mato Grosso do Sul. Se a maior porção do Pantanal está nesse Estado, é coerente que eles prefiram exatamente esse trajeto.
Mais ainda, nas cercanias do Pantanal encontram-se outro paraísos como a festejada cidade de Bonito, hoje conhecida em todo o território brasileiro e fora do Brasil também. Nessas cercanias, incluem-se as famosas grutas de Bonito e de uma vizinha cidade chamada Bodoquena, que escondem lagos subterrâneos de águas cristalinas, em tom azulado, e de beleza indescritível.
Além delas, a natureza premiou a região com os rios Formoso, Sucuri e da Prata. As águas cristalinas de tais cursos rasgam a superfície dos Municípios de Bonito, de Bodoquena e de Jardim e neles exibem piraputangas, dourados, além de outros peixes que protagonizam raro espetáculo de brilho e de cor em suas correntezas.
Já pelo lado norte, o turista encontra outras belezas. Lá estão, por exemplo, as Sete Quedas de Rio Verde e o legendário rio Taquari, histórico tributário do Pantanal.
Eis algumas das razões que definem as opções de turistas estrangeiros e brasileiros por Mato Grosso do Sul. Dono de logística privilegiada, meu Estado possui três aeroportos internacionais. Um deles, o da Capital, deverá ser transformado em aeroporto de cargas até o ano de 2010. Com esse status, ganhará condições técnicas equivalentes ao de Viracopos, em Campinas. Atualmente, Campo Grande mantém voos regulares com São Paulo, com Paraná, com Goiás, com Mato Grosso, com o Distrito Federal. Outro aeroporto está plantado no coração do Pantanal, no Município de Corumbá, com linhas regulares de aeronaves de grande porte. O terceiro, o aeródromo de Ponta Porã, localiza-se também em importante ponto turístico: a fronteira com o Paraguai. Na cidade limítrofe do país vizinho, Pedro Juan Caballero, funciona um cassino e um grande comércio de importados. Além desses que acabo de mencionar, há o aeroporto de Bonito, cuja pista está homologada para as mais variadas aeronaves comerciais que operam em todo o território brasileiro.
Não é diferente nossa malha rodoviária, que suporta extraordinário fluxo de transportes e que nos interliga com todo o Brasil e com o mundo inteiro. Para se ter uma idéia, a distância que separa Campo Grande da Capital paulista é setecentos quilômetros a menos do que os 1,8 mil quilômetros do mesmo percurso até Cuiabá.
As vantagens para incluir Campo Grande no circuito da Copa não param em sua logística e nas belezas naturais do Estado. Há outros motivos igualmente relevantes. A Capital de Mato Grosso do Sul é dona de uma infraestrutura urbana de rara racionalidade. E V. Exª, quando esteve em Campo Grande, pôde percorrer suas belas avenidas e ruas. Sujeita a sistemático planejamento que vem sendo operado sem interrupção - são vários anos de planejamento seguido, consecutivo -, a cidade tem crescido de forma ordenada, focando sempre como prioridade a qualidade de vida das pessoas que moram lá, tanto os seus habitantes, os filhos da cidade, como os forasteiros, que são numerosos, procedentes de todos os Estados brasileiros. Daí suas largas vias públicas, a farta arborização, as incontáveis praças e espaços de entretenimento, de cultura, de lazer. Em oito anos de ousada administração do então Prefeito André Puccinelli, os gargalos de trânsito e as chagas das favelas foram condenados à extinção. Já o Prefeito Nelson Trad Filho, que o substituiu, não deixou por menos: seguindo na mesma trilha, vem dando constante beleza, racionalidade e qualidade de vida aos campo-grandenses e aos forasteiros que escolheram aquela Capital, minha cidade, como sua morada.
Neste discurso, Sr. Presidente, eu não poderia deixar de fazer uma indagação que acho que é das mais relevantes, especialmente no momento que estamos vivendo: qual a candidata à sede dos jogos que pode dizer, alto e bom som, “aqui não há favelas”? Campo Grande, talvez, seja a única Capital que pode proclamar aos quatro cantos do mundo que é uma cidade que não tem essa chaga.
Por isso e pelo entusiasmo da população, Campo Grande merece ser uma das sedes da Copa de 2014.
Sr. Presidente, na terça-feira passada - se não me engano, dia 3 de fevereiro -, Campo Grande deu a maior demonstração de que faz jus àquilo que postula, de que faz jus a ser uma das subsedes da Copa de 2014. Naquele dia, cerca de duzentas mil pessoas recepcionaram, lotando as ruas, os dirigentes da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que foram inspecionar, in loco...
(Interrupção do som.)
O SR. VALTER PEREIRA (PMDB - MS) - Sr. Presidente, peço-lhe mais dois minutinhos.
Sr. Presidente, essa comissão foi lá para fazer a inspeção, para conhecer, in loco, as condições de Campo Grande.
O Caderno de Esportes do jornal O Estado de S.Paulo assim noticiou o trabalho dos inspetores. Veja, Sr. Presidente, o que trouxe de notícia esse Caderno, referindo-se, obviamente, a essa comitiva de inspetores:
Lá viram o projeto de reconstrução do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, e os investimentos previstos de R$ 1,6 bilhão já costurados entre o poder público e a iniciativa privada para melhorias na cidade.Thierry Weil, diretor de marketing da FIFA, Dick Wiles, vice-presidente da empresa Match, envolvida na organização, e Fúlvio Danilas, gerente da FIFA, participaram, na realidade, de um encontro internacional. Pois além das autoridades locais e do futebol brasileiro, como Ricardo Teixeira, presidente da CBF, a equipe se encontrou com numerosa delegação do Paraguai. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para Campo Grande ser escolhida”, afirmou o ministro do Esporte do Paraguai, Feliciano Frutos. A Bolívia também mandou à recepção o prefeito de Puerto Quijaro, que faz fronteira com Corumbá.
Essa foi a notícia.
Veja, Sr. Presidente, que, nas duzentas mil pessoas que estavam presentes, esse era o adesivo, um adesivo que marcou e que deve ter impressionado os dirigentes da Fifa e da CBF que foram participar desse grande evento.
De fato, o que aconteceu em Campo Grande, Sr. Presidente, foi uma demonstração internacional em favor da Capital do meu Estado para sediar os jogos da Copa do Mundo. Afinal, a logística de Campo Grande é extremamente generosa com os torcedores paraguaios e bolivianos. Se tudo isso influir, não tenho dúvidas de que Campo Grande será uma das subsedes da Copa. E o mais importante é que isso vai passar para o mundo um noticiário do que há de bom neste lado do planeta, do que há de bom neste lado do País, que é sua exuberante riqueza, sua exuberante natureza.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
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