Autor
Paulo Paim (PT - Partido dos Trabalhadores/RS)
Data
21/05/2009
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

  SENADO FEDERAL SF -

SECRETARIA-GERAL DA MESA

SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


O SR. PAULO PAIM (Bloco/PT - RS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Srª Presidente, Senadora Serys, Senadores e Senadoras, venho à tribuna para falar mais uma vez da expectativa que se criou quanto à votação dos vetos na próxima terça-feira, dia 26.

Srª Presidente, cobrei ontem aqui e preciso efetivamente que o Presidente do Senado informe se teremos ou não a votação dos vetos e, entre eles, aquele que trata do interesse dos aposentados que teriam direito a receber sobre 2006 16,67 e não 5, se o veto for derrubado.

Eu recebo, como sempre disse, milhares de correspondências. O próprio 0800 aqui do Senado é testemunha disso. Entre tantas correspondências, Srª Presidente, eu quero destacar duas. Uma delas recebi do médico-cirurgião e escritor Dr. Edson Olímpio Silva de Oliveira, que me autorizou que eu comentasse aqui o artigo que ele escreveu e que foi publicado no Jornal de Viamão, lá no Rio Grande do Sul.

O título da crônica é O Vôo Solitário do Cisne Negro. Nessa crônica, o escritor relata suas caminhadas, lembranças de caçadas realizadas no Banhado do Taim, uma região belíssima do Rio Grande. Frisa ele que, naquela época, ele caçava com seu pai, mas havia um enorme respeito ao limite e às regras que respeitam a natureza.

Os marrecos são aves migratórias, oriundas da Patagônia Argentina e que nunca cessam de bater as asas. Suas penas são de um negro azulado e a sua cabeça é vermelha.

         Conta ele que, num certo dia, estava caçando marrecão, autorizado, com seu pai nesta região de Santa Vitória do Palmar, quando avistou uma ave solitária e gritou para o seu pai: “Olha que grande aquela bem negra. Vou atirar nela”.

Seu pai observou, viu o silêncio da ave que estava ali imóvel e disse: “Não, não, não! Nessa você não pode atirar.

Como não? disse Edson. Não entendia por que era proibido caçar aquele, já que estava autorizada a caça.

Seu pai respondeu dizendo: Chega! Tá bom demais. Guarda a arma e os cartuchos. Vem pra cá e vamos conversar.

Edson ajuntou suas tralhas, recolheu a caça e foi encontrar seu pai, remoendo ainda o fato, indignado, de não poder concluir a caminhada naquele dia de caça. Então, seu pai lhe explicou, dizendo:

Edson, aquela ave era um cisne negro. É uma ave cada vez mais rara. Sua beleza e porte tornam-no como um rei, um imperador entre as aves da natureza. Estava solitário, pois é um sobrevivente. Ele veio para nos dar a mensagem de que a caçada tinha que terminar. Jamais pode-se matar uma criatura tão nobre. Talvez meus netos nunca irão conhecer algum.

O escritor conta que sentiu vergonha de si mesmo pelo desejo de matar aquela ave, mas uma profunda admiração por aquele homem que teve a felicidade de ter como pai.

         Srª Presidente, no final do texto, ele faz a sua conclusão e nela faz uma alusão ao nosso trabalho como negro aqui no Senado da República.

         Diz ele, na crônica, no final: “Alguns amigos sentem as pessoas como de esquerda ou de direita. Outros como capitalistas ou socialistas.

E assim por diante.

Diz ele:

Prefiro somente pessoas, pois, pensando novamente em Paulo Paim, o Senador do Rio Grande, e seu vôo solitário pelos aposentados do Brasil, seu incansável trabalho para dignificar a vida do aposentado, pelos projetos que apresentou e o Senado acompanhou dá a ele o que é de direito.

Diz ele:

No Governo passado, foi criado o maldito fator previdenciário. Infelizmente, o Governo presente o mantém ... Tanto no Governo neoliberal como no Governo social, ainda temos o fator previdenciário.Todos falam em redistribuição de renda por algum tipo, bolsa ou assemelhado, e não por dar aos aposentados a dignidade perdida pela aposentadoria. Infelizmente também Paulo Paim está condenado a desaparecer, como os magníficos cisnes negros no ambiente hostil, e as propostas dos aposentados e dos trabalhadores. Talvez ele seja cassado. Mas não importa. O importante para mim neste texto é dizer: “Vamos orar, votar, desejar e estimular que homens assim persistam nesta missão - nossa missão!

Eu, Senadora, não quero que este texto seja para mim somente. Quero que ele seja a todos os Senadores, porque os Senadores votaram por unanimidade, acompanhando este Senador negro no momento em que apresentou o fim do fator, exigindo o reajuste dos aposentados.

A crônica do Dr. Edson foi publicada nos jornais do Sul e eu queria também que ela fosse publicada na íntegra aqui nos Anais do Congresso Nacional.

Por outro lado, é muito bom saber que as memórias da nossa infância exercem influência direta em nossas ações. Os ensinamentos, os conselhos e o carinho influenciam sim na formação de nos todos. Mas infelizmente não são todos os lares que podem desfrutar de tamanha harmonia. Por isso, os exemplos do dia a dia e as nossas leis são importantes para apontar melhores caminhos na trajetória, na vida de cada cidadão.

A nossa luta pelos excluídos, discriminados, cassados, é na verdade para ajudar toda a sociedade, como a aprovação dos estatutos da igualdade, o estatuto do idoso, da pessoa com deficiência, o estatuto do índio, que está há 20 anos em debate aqui no Congresso Nacional, o estatuto da criança e do adolescente, que acompanhamos passo a passo.

         Enfim, Srª Presidente, assim como mostra o autor, que a sobrevivência não seja somente de um cisne negro; é importante para todos nós, não somente ao lembrarmos a questão do meio ambiente, a criação de políticas específicas para os excluídos, para os discriminados vão garantir a sobrevivência de todos, sejam eles brancos, negros, índios, orientais, pessoas com deficiência, respeito a livre orientação sexual, homens, mulheres, crianças, idosos, opção religiosa, enfim, que possamos um dia dizer neste País que todos os cisnes, negros e brancos, lutam para a construção de uma Pátria melhor para todos.

Srª Presidente, eu deixei o artigo na íntegra. Eu apenas o comentei e fica nos Anais da Casa.

Permita-me ainda, na conclusão desses dois minutos, que eu leia, porque eu prometi a ele (e não se trata só de elogios não; aqui há críticas), que eu registre correspondência que recebi do Sr. Roberto Laranjo Pinto. Recebi a carta dele no Município de Rio Grande. A carta fala sobre a questão também dos aposentados e do seu apoio aos projetos.

Passo a ler a carta em dois minutos, no máximo. O que diz ele?

Paulo Paim, com todo respeito e consideração que temos com V. Exª, não podemos deixar de manifestar a nossa tristeza e indignação pela tentativa de votação frustrada no dia 13 de maio - data muito significativa para os brasileiros - no Congresso Nacional. O resultado foi decepcionante perante nossos olhos, quando, naquela Casa Parlamentar [no Congresso], víamos o tumulto gerado em torno dos seus projetos. Momento que todos nós aguardávamos com expectativa favorável aos aposentados.

Vimos que, mais uma vez, os Parlamentares não chegaram a um consenso, tendo, inclusive, alguns Deputados que lhe faltaram com o devido respeito. É lamentável que alguns políticos não enxerguem além dos seus interesses pessoas e pensem que o aposentado está morto ou é um objeto descartável. Não esqueçam eles que somos eleitores e representamos cerca de 30 milhões de votos ou mais se multiplicarmos pela família. Ora, o projeto de V. Exª garantia os 16,75% a todos os aposentados, desde 2006, aprovado nas duas Casas, mas vetado (...). [Não seria polêmica alguma, diz ele; seria só] votar sim ou não. [Nós iríamos aceitar o resultado. O que nós queremos é que se vote sim ou não ao projeto de V. Exª.]

[Pensamos até que tudo isso demonstra que cada Partido ou Parlamentar não quer assumir a sua posição.]

Pensamos, ainda, que tudo isso seria resolvido [se efetivamente se chegasse a um entendimento com o Executivo nesta questão dos reajustes dos aposentados], resolvendo de pronto a questão dos aposentados esquecidos e oprimidos deste País.

Prezado Senador Paim, continuamos aguardando ainda com [uma enorme] esperança, o dia 26 de maio, vigilantes na votação do Congresso Nacional, também sempre confiantes em V. Exª.

Nosso reconhecido respeito e apreço a V. Exª, [e como se diz no Rio Grande - é a última frase dele: Paim, continue lutando!] “Não está morto quem peleia”.

Saudações em (...) nome de todos os aposentados do Brasil.

Roberto Laranjo Pinto.

Era isso, Srª Presidente.

Mais uma vez, quero fazer um apelo ao Presidente do Congresso, para que informe ao Brasil, porque as caravanas vão se deslocar para cá a partir já do fim de semana, na expectativa de que no dia 26 se dê a votação desse tema que é de interesse, eu diria, de todo o povo brasileiro.

Sei muito claramente, Senadora Serys, a sua posição. Votou aqui sempre favorável aos aposentados e já anunciou a sua posição em relação à matéria que se encontra lá na Câmara, e ao veto que será apreciado no Congresso. Vamos votar. Somente votar. É isso que eles querem.

Obrigada, Srª Presidente.

 

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SEGUEM, NA ÍNTEGRA, PRONUNCIAMENTOS DO SR. SENADOR PAULO PAIM.

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            O SR. PAULO PAIM (Bloco/PT - RS. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, venho a esta tribuna para falar um pouco sobre uma crônica que me foi enviada e que gostaria de compartilhar com vocês.

Ela foi escrita pelo médico, cirurgião e escritor, Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira em um jornal de uma cidade chamada Viamão, no Rio Grande do Sul.

O título da crônica é “O vôo solitário do Cisne Negro” e nele o escritor relata suas gostosas lembranças de caçadas realizadas no banhado do Taim, uma região belíssima que temos por lá. Caças, frisa ele, que respeitavam limites e regras, enfim, respeitavam a natureza.

Os marrecos são aves migratórias, oriundas da Patagônia argentina e que nunca cessam de bater as asas. Suas penas são de um negro azulado e sua cabeça é vermelha.

 Conta ele que, num certo dia, estava caçando marrecão com seu pai nesta região de Santa Vitória do Palmar quando avistou uma ave solitária e gritou para o seu pai que iria atirar nela.

Seu pai, depois de observar em silêncio a ave, lhe respondeu com um sonoro “esse não”.

            Como não??? disse Edson. Não entendia porque era proibido de caçar aquele.

            Seu pai lhe respondeu dizendo: - Por hoje chega! Tá bom demais. Tira os cartuchos da arma e vem prá cá, vamos apreciar outras coisas.

Edson ajuntou suas tralhas, recolheu a caça e foi encontrar seu pai, remoendo ainda o fato de não ter podido abater aquela ave negra gigante.

            Então seu pai lhe explicou dizendo: - Edson, aquela ave era um cisne negro. É uma ave cada vez mais rara. Sua beleza e porte tornam-no como um rei, um imperador entre as aves na natureza. Estava solitário, pois é um sobrevivente. Ele veio para nos dar a mensagem de que a caçada terminava ali e jamais pode se matar uma criatura tão nobre. Talvez meus netos nunca irão conhecer algum.

            O escritor conta que sentiu muita vergonha pelo seu desejo, mas uma profunda admiração por aquele homem que teve a felicidade de ter como pai.

            Sr. Presidente, ao final do texto ele faz sua conclusão e nela uma alusão a mim, fato que eu quero de público agradecer.

            Diz o final:

            Concluindo. Alguns amigos sentem as pessoas como de esquerda ou de direita. Outros como capitalistas ou socialistas. E assim por diante. Prefiro somente Pessoas. Pois, pensando novamente em Paulo Paim, o senador do Rio Grande, e seu vôo solitário pelos aposentados do Brasil... Seu incansável trabalho para dignificar a vida do aposentado e dar- lhe o que é de direito. Fernando Henrique que construiu o maldito fator previdenciário e o Lula o mantém...

            ... Tanto o governo neoliberal de FHC quanto o governo social de Lula teimam em fazer a chamada redistribuição da riqueza por algum tipo de bolsa ou assemelhado e não por dar aos aposentados a dignidade perdida pela aposentadoria. Infelizmente também Paulo Paim está condenado a desaparecer como os magníficos cisnes negros no ambiente hostil do Congresso e da política nacional, caçado até entre seus pares partidários? Orar, votar, desejar e estimular que homens assim persistam nesta missão - nossa missão!

            Sr. Presidente, Gostaria que a crônica do Dr. Edson fosse publicada na íntegra e dizer que, essa é de fato uma missão de todos nós. Se todos se unirem em favor da luta pelos aposentados, nós teremos boas chances de vencer. Mais do que isto, teremos boa chance de fazer justiça!

Por outro lado, é muito bom saber que as memórias da nossa infância exercem influência direta em nossas ações. Os ensinamentos, os conselhos e o carinho influenciam na formação do indivíduo. Mas infelizmente, não são todos os lares que podem desfrutar de tamanha harmonia, por isso, os exemplos do dia-a-dia e as nossas legislações são importantes para apontar os melhores caminhos na trajetória da vida.

A nossa luta pelos excluídos e discriminados é para ajudar a sociedade, como a aprovação das cotas e do estatuto da igualdade racial que têm o objetivo de mostrar que é possível chegar lá!

Assim como mostra o autor, que a sobrevivência de um CISNE NEGRO é importante para o ecossistema, a criação de políticas específicas para os excluídos e discriminados garante a sobrevivência de todos, brancos, negros, indígenas, orientais, pessoas com deficiência, da livre orientação sexual, homens, mulheres, crianças e idosos.

Era o que tinha a dizer.

 

            O SR. PAULO PAIM (Bloco/PT - RS. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, gostaria de registrar correspondência que recebi do Sr. Roberto Laranja Pinto, do município de Rio Grande, no meu estado.

            A carta fala sobre a questão dos aposentados e seu apoio aos projetos que estamos lutando para ver aprovados.

            Passo a ler o teor da carta do Sr. Roberto e agradeço, de pronto, seu apoio nesta luta, bem como de todos os aposentados que estão empenhados em ver seus direitos garantidos!

            Era o que tinha a dizer.

 

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DOCUMENTOS A QUE SE REFERE O SENADOR PAULO PAIM EM SEU PRONUNCIAMENTO.

(Inseridos nos termos do art. 210, inciso I e § 2º do Regimento Interno)

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Matérias referidas:

- “O Vôo Solitário do Cisne Negro!”

- “Carta de Roberto Laranjo Pinto.”


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