Autor
Pedro Simon (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/RS)
Data
03/08/2009
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srs. Senadores, falo com muita responsabilidade, falo com muita preocupação. Perguntavam-me jornalistas, agora há pouco, por que a serenidade dessa reunião, por que o ambiente de concórdia, pacífico, o Presidente presidindo até há pouco, e as pessoas falando sobre flores, como se as coisas fossem normais. Eu disse: É que, na verdade, nós estamos vivendo um momento de muita tensão. O que se tem é uma expectativa. Até a reunião do Conselho de Ética, parece que é amanhã, às dez horas da manhã, é uma posição. Depois da reunião do Conselho de Ética, é outra posição.

            Realizada a reunião do Conselho de Ética, o Sr. Presidente do Conselho de Ética, uma pessoa absolutamente imprevisível, suas primeiras palavras como Presidente de Ética são realmente que não deixa imaginar a fórmula com que ele fará: arquivamento, unificação dos processos, devolução, sei lá. O Líder do PMDB, entrando com uma representação contra o Líder do PSDB, abrindo essa discussão e esse debate. O Senado está conflagrado definitivamente.

            Partiremos para uma situação que sabemos quando começa, mas não sabemos como termina.

            No alto dos meus cinquenta e tantos anos de vida pública - com esse mandato fecharei trinta e dois anos, se estiver vivo e se não me expulsarem daqui desta Casa. Vivi momentos trágicos, nesta Casa. Vivi momentos em que o Senado foi fechado e durante anos permaneceu fechado. Vivi momentos em que o Congresso foi cercado por tropas do Exército e a Emenda Dante de Oliveira não foi aprovada, não teve os dois terços necessários, embora ampla maioria, porque a Arena e o seu Presidente e os militares não queriam que ela fosse aprovada. Vivi os momentos de grandes cassações de grandes líderes nesta Casa.

            Nós já tivemos, aqui, o afastamento, a renúncia do Sr. Antonio Carlos Magalhães, pesando sobre ele uma acusação, cá entre nós, relativa à quebra do sigilo do painel. Tivemos a renúncia de um outro Senador com mais acusações, bem mais graves, que é o Sr. Jader. E tivemos a renúncia do Presidente, hoje, Líder, Sr. Renan. Aliás, acho interessante que o Senador Renan, quando Presidente, com dois pedidos de seu afastamento, renunciou à Presidência e garantiu o mandato. Agora está recomendando o contrário para o Presidente Sarney. Por que serviu para ele e não serve aqui?

            Durante todas essas crises, nós, Senadores, não tivemos a competência, a capacidade, as condições para fazermos as transformações necessárias à vida do Congresso e à vida do Senado. É lixo jogado para baixo do tapete; deixa como está. Empurra para frente. E as coisas continuaram. E hoje nós chegamos a este momento.

            É impressionante o número de jornalistas que, nas crônicas, escrevem sobre o fechamento do Congresso! Congresso, mentira. Sobre o fechamento do Senado. Para que Senado? Chega a Câmara! Esse negócio de Senado como Câmara Revisora é uma confusão! Não há razão de ser! Dez mil funcionários! Para quê?

            O próprio Ministro da Justiça, numa tese interna lá no PT, defende que o PT defenda o encerramento do Senado, que não há razão de existir Senado.

            Olhe, Sr. Presidente, no Rio Grande do Sul, a Zero Hora não diz mais, na Coluna do Senado, Senado Federal. Fala Casa dos Escândalos. E se amanhã no Conselho de Ética abrir a panela explosiva, com toda a sinceridade, eu não sei como vai terminar. Eu não sei como vai terminar. Eu não sei para onde nós caminhamos. Eu não sei.

            O Presidente Sarney na sua longa vida pública, Congressista com mais tempo no Congresso Nacional começou lá no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, tem uma longa trajetória, uma longa e importante trajetória. Lá está a Presidência da República e na Presidência da República, justiça seja feita, a convocação da Assembléia Nacional Constituinte à consolidação da democracia. O velho MDB, o Dr. Ulysses, Teotônio, Tancredo, as “Diretas Já”. Mas se eu achava que quem tinha que assumir era o Dr. Ulysses e não o Dr. Sarney, eu reconheço que o Dr. Sarney cumpriu o seu papel nessa questão. Convocou a Constituinte, fez as eleições e fez o papel que ele devia fazer. E fez, depois, e continuou e voltou para o Congresso. Presidente uma vez, Presidente duas vezes, Presidente três vezes. Uma brilhante trajetória; não tem outra igual. Mas o que eu acho é que o Presidente Sarney hoje deveria entender que a renúncia à Presidência é um grande ato. Não é um ato, e eu não estou, neste pronunciamento - poderei fazê-lo daqui adiante, lá adiante, se a guerra se iniciar... Mas não é meu objetivo hoje. Meu objetivo hoje é uma palavra de entendimento e de profundo respeito. Se o Presidente Sarney houver por bem renunciar à Presidência, tendo em vista a situação em que se encontra o Senado Federal, é um grande gesto dele; é um gesto que somará na sua biografia, porque o ambiente é tão imprevisível nas suas consequências negativas que essa ação de S. Exª será um ato que terá uma interpretação altamente positiva na sociedade brasileira. Se S. Exª não fizer isso, será o que Deus quiser.

            O Presidente Lula - que manchete triste a de ontem nos jornais! - já entende. Depois que ele tentou enquadrar a Bancada do PT, e a Bancada do PT respondeu que não; depois que ele tentou enquadrar o Líder do PT, o Senador Mercadante, e a Bancada do PT, com oito votos, deu solidariedade ao Sr. Mercadante; ontem, o Presidente Lula disse que a questão do Presidente Sarney é uma questão do Senado. Ele só faz um apelo dramático para que o PT não dê o tiro de misericórdia. Que expressão mais infeliz! Que expressão mais triste! Eu não penso assim. Eu não estou imaginando que o afastamento do Sarney seja um tiro de misericórdia. Estou imaginando que o afastamento do Sarney, a renúncia - ele a prevendo - é um gesto de grandeza que pode realmente trazer a paz a esta Casa.

            Nas vezes anteriores, em que Renan renunciou, em que Jader renunciou, em que Antonio Carlos renunciou, nós não fizemos nada. Nós não modificamos, nós não mudamos uma linha no Senado, não fizemos uma alteração no sentido das estruturas. Parece até que eles eram os responsáveis. Não dá para dizer que os Senadores Presidentes que se afastaram eram os responsáveis. Responsáveis somos todos nós; é o conjunto do Senado. Mas não se fez nada. Saiu um, entrou outro, e ficou tudo igual. Saiu o segundo, entrou o terceiro, e ficou tudo igual; saiu o terceiro e entrou o quarto e está tudo igual. Agora até se fala que o Presidente quer mudar. Mas ele tem que entender que ele perdeu as condições para fazer isso. E isso não é ofensivo. Isso que está aí há 16 anos foi ele quem começou, indicando as pessoas que estavam no comando e que ficaram durante esse longo tempo. Dezesseis anos! Ele; o Antonio Carlos, homem dele; o Jader, homem dele; ele, de novo; e o Renan, homem dele.

            Quer dizer que, nesta altura, nesta altura... Já lhe darei o aparte, com o maior prazer; pode ficar tranquilo.

            Nesta altura, eu não estou naquela perspectiva, eu não vim aqui no sentido da cobrança: “Não, ele não pode ser, porque ele sendo...” Eu não quero cobrar. Eu não sou dos que querem cobrar. Eu não atiro pedra. Eu não sou daqueles que querem buscar a, b ou c. Eu começo dizendo: “Eu sou responsável. Eu sou o mais velho aqui”. Aquilo que o Lula disse para o meu querido amigo... Ele disse que se ele está aqui há quase 16 anos, já devia... “O povo vai acreditar que você não sabia essas coisas há 16 anos, meu querido Suplicy?”, diz o Presidente da República. E o povo tem dito para mim a mesma coisa: “E você lá, há 30 anos, não sabia?!”

            Não, eu não estou aqui dizendo: olha, eu sou puritano, eu sou honesto e eu quero aqui tirar os que...” Não! Eu sou culpado. Eu sou culpado. Mea-culpa. Quando o Suplicy leu a ata em que se dizia que nós, ao votarmos: “Estão em votação as decisões da Mesa do dia tal...” E nós votamos. Depois, as decisões da Mesa do dia tal ninguém sabe. Nós somos responsáveis pela nossa omissão, pelo nosso equívoco, por deixarmos as coisas acontecerem, acontecerem e acontecerem... “Isso é com a Mesa; isso é com o Presidente; isso é com o Diretor-Geral; isso é com o 1º Secretário...” É com todos nós!

            O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - V. Exª me permite um aparte?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - A culpa é generalizada. Eu sou daqueles muitos que, modestamente, modéstia à parte, várias vezes, têm buscado proposta para mudar. Sou daqueles que acham que chegou o momento de nós podermos fazer a mudança. Nós podemos fazer a mudança. Mudança para valer!

            E eu não sou mais candidato. Não precisará o Partido... Aliás, meu amigo Renan, eu vou responder à nota do Partido, não hoje, porque a nota do Partido é mais incendiária; eu vou respondê-la no devido momento, depois da decisão do Presidente Sarney: se ele ficar, se houver reunião do Conselho de Ética, se houver uma briga... Eu vou responder à nota do Partido, mas não hoje, porque a mensagem é de paz.

            Presidente Sarney, V. Exª não tem condições de levar adiante as reformas que precisam ser feitas. Eu também não tenho. Claro que não tenho. Primeiro, porque não tenho a capacidade e a competência do Presidente Sarney; segundo, porque não reúno o entendimento da Casa. São vários, a começar pelo PMDB, a começar pelo Senador Renan, que não gostam de mim. Como vou pensar em ser Presidente do Senado? Mas, nesta hora, alguém... Haverá de se encontrar quem possa fazer isso. E o Presidente Sarney tem que ter a grandeza de entender. Ele fica. “Sim, eu fico”. Mas não é um ato de grandeza. Não é um ato de grandeza. Não vai fazer reforma nenhuma. Nem que ele queira, não vai fazer. O ambiente não é para isso. Já há Senadores falando em não votar, em não comparecer. Por amor de Deus! Quando vieram me perguntar - a imprensa: “Mas vem cá, Simon, você vai aderir à essa tese de não comparecer, de não votar?” Não vou cumprir, não vou entrar nessa tese. Eu vou entrar na tese de fazer um apelo ao Senador Sarney que saia da Presidência, que saia da Presidência, porque, ele saindo da Presidência, na reunião do Conselho de Ética, amanhã, ele sai da Presidência, se reúne o Conselho... Quais são as petições do PSDB com relação ao Sarney? As do PSOL? É pedindo ou a licença ou a renúncia. Se ele se afastar, não haverá licença nem haverá mais renúncia, porque ele já terá feito... Essa parte tumultuada da questão está posta de lado. Não se diga, repito, que o Sarney, praticando esse gesto, estará reconhecendo a culpa. Não!

            Em 1954, a imprensa e o Partido do Dr. Sarney, a UDN, massacraram o coitado do Dr. Getúlio: os escândalos do Palácio do Catete. E, com o passar da história, verificou-se que o Dr. Getúlio Vargas, Presidente da República, realmente o Banco do Brasil tinha dado um empréstimo ao jornalista Samuel Wainer para criar o jornal Última Hora. Na verdade, o segurança do Dr. Getúlio, Coronel Gregório, conseguia, no Banco do Brasil, empréstimo de 20, 30, 40 mil réis para esse ou para aquele. Isso é que se encontrou contra o Dr. Getúlio. E o Dr. Getúlio se suicidou. Foi um ato de covardia? Não. Foi através desse suicídio que o Dr. Getúlio entrou na História. Nunca ninguém reconheceu que ele baixou a cabeça porque era culpado.

            A renúncia do Presidente Sarney é um gesto de grandeza. Não como Lula colocou no jornal de ontem: “Meu amigo do PT, por favor, pelo menos não dê o tiro de misericórdia”. Isso é humilhante!

            O Lula é um Presidente muito engraçado, muito engraçado. Agora, ele diz no jornal que o problema do Sarney é do Senado. “Não votei no Sarney para Senador; não votei no Sarney para Presidente do Senado. É problema do Senado”. É. Mas por que ele se meteu antes? Se não tivesse se metido, o companheiro dele de Partido, do PT, seria o Presidente. O Sarney não queria ser. Tinha havido uma reunião da nossa Bancada, e ele disse que não ia ser.

(Interrupção do som.)

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Seria o companheiro do Partido dele, do PT lá do Acre.

            Olhem, rezei a Deus e meditei muito antes de vir a esta tribuna. E venho a esta tribuna em numa missão de paz, em uma missão de amor, antes que a explosão das paixões desenfreadas fluam por aí e cada um de nós perca o próprio controle.

            Pois não, nobre Líder.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Senador Pedro Simon, em primeiro lugar, quero reparar um equívoco: gosto muito de V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Essa imprensa e horrível! O que essa imprensa tem feito em sentido contrário.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - As pessoas fazem intrigas, mas gosto muito de V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Peço que a imprensa escute e noticie isso.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Muito, muito, muito.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Estão vendo? Eu agradeço muito.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Olhe, é muito importante, Senador Pedro Simon, que tenhamos alguém como V. Exª, que use a tribuna da forma como V. Exª está usando, em uma missão de paz. Como não gostar de V. Exª? Como não gostar?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Essa imprensa é muito...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Só lamento que o esporte preferido de V. Exª, nos últimos 35 anos, tenha sido falar mal do Sarney.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Falar mal?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Falar mal. Fazer o que V. Exª repete agora nessa missão de paz. Quando o PMDB indicou o Presidente Sarney para ser vice-Presidente de Tancredo Neves, desde aquele momento o senhor fala mal do Sarney, porque queria ser exatamente o candidato a vice-Presidente do PMDB.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Quem?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª. E não conseguiu naquele momento. E não conseguiu naquele momento. Os jornais...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não é verdade. Duvido que V. Exª... V. Exª está inventando agora. É mentira!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu não estou inventando ...

            (Interrupção do som)

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu não estou inventando, eu não estou inventando nada.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É mentira, Senador!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu estou manifestando que eu gosto de V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - .... está inventando uma mentira.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu estou manifestando que eu gosto de V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª não estava aqui, estava coordenando a candidatura do Collor, lá do outro lado.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Se V. Exª me conceder um aparte, eu falo; se não me conceder ...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª estava coordenando a candidatura do Collor lá do outro lado.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Se não me conceder, não vou bater boca com V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - ...com uma calúnia que o coitado do Collor fez contra o coitado do Sarney.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Não vou bater boca com V. Exª. Eu o respeito muito, eu gosto muito.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - .. o Collor das denúncias dramáticas, cruéis e injustas que na época ele fez contra o Sarney, foi V. Exª. Todo mundo sabe disso. 

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu o respeito muito, eu estou só lembrando um fato histórico, um fato histórico.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu estou vendo, eu estou vendo. .

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª perdeu a indicação, queria que a chapa fosse uma chapa puríssimo sangue, como chamava V. Exª, e desde aquele momento V. Exª fala mal.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não é verdade, não é verdade, não é verdade, não é verdade.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Por que é que V. Exª ...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não é verdade, o ...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Por que é que V. Exª quer que o Presidente Sarney saia? Por quê? Em poucas palavras. É por causa do problema do seu neto?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Por causa do quê?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Por causa do problema do neto do Presidente? Por que é que V. Exª quer que ele saia? Ele tomou todas ...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Pelo mesmo motivo que V. Exª saiu. Por que V. Exª renunciou?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - O que V. Exª está falando com relação a mim...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Por que V. Exª renunciou? Por que V. Exª renunciou à Presidência?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Isso é uma maldade. Deixe-me falar. Posso falar? Isso é uma maldade.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Por que V. Exª renunciou à Presidência?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu enfrentei aqui, eu enfrentei dois processos de cassação por uma questão privada, íntima, pessoal! Eu abri minhas contas, mostrei o fluxo bancário, respondi uma a uma todas as acusações que me faziam.

             O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - E por que renunciou à Presidência?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu renunciei à Presidência porque a crise foi tanta e V. Exª alimentou a crise em alguns momentos... Outro dia eu ouvi aqui V. Exª dizer que votou contra mim, quando 52 votos me absolveram na segunda representação, porque não podia levar o Senado ao impasse. São questões distintas.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Porque não podia levar o Senado ao impasse.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - São questões distintas.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Porque não queria levar o Senado ao impasse. É o que eu estou propondo: não levar o Senado ao impasse.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Senador Simon, nós não vamos debater. E acho até que isso é uma tática. As pessoas não querem debater aqui no Senado. As pessoas querem falar sozinhas. Infelizmente. Isso nunca foi a prática de V. Exª...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É. Aliás, V. Exª vem falando sozinho há muito tempo, Senador.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Não, não, não.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Na Liderança do PMDB...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu nunca falei sozinho. Eu falo pela Bancada.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não, não ...até se reunir a bancada.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Outro dia, eu ouvi V. Exª, e não entendi, cobrando um posicionamento da Bancada do PMDB com relação ao Presidente Sarney. O PMDB já decidiu. Já decidiu. O PMDB não é um Partido que vai ter que se reunir sempre para mudar a posição. Nós temos que debater, discutir. Quando V. Exª tem razão, eu fico com V. Exª. Eu não entendo V. Exª algumas vezes. Como é que V. Exª fala mal das pessoas, pede para as pessoas saírem e, em circunstâncias iguais, V. Exª cala, silencia, não pede para as pessoas se afastarem. É isso que eu lastimo em V. Exª, mas eu tenho muito respeito. V. Exª é um democrata. Nós já tivemos debates.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu agradeço.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Estivemos em campos diferentes. Estivemos em campos opostos. Isso é da democracia. Agora, falar mal de uma pessoa porque gosta de falar... V. Exª saiu do hospital - eu fiquei sem entender - para vir aqui fazer um discurso contra o Presidente Sarney. Mas por que eu não entendi o Líder do PMDB? Porque eu sou testemunha das vezes, nas reuniões da bancada, em que V. Exª insistia para que o Presidente Sarney saísse candidato à Presidência do Senado agora. Invoco o testemunho da minha bancada. São vinte Senadores. Insistia para que o Presidente Sarney saísse candidato. No começo da crise, antes de ir para o hospital, V. Exª foi ao gabinete do Presidente Sarney dizer que estava solidário com ele. Porque V. Exª, lamentavelmente, faz isso sempre no particular e vem para a tribuna do Senado Federal defender aquela posição que imagina que a sociedade está a defender. Eu lamento, eu lamento por tudo isso, mas isso é da democracia. Nosso Partido é um partido democrático. Quando houver necessidade, eu vou opor o meu posicionamento ao posicionamento de V. Exª...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - São duas personalidades... Eu agradeço o aparte de V. Exª.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Muito obrigado, viu. Muito obrigado mesmo.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - São duas personalidades. A minha e a de V. Exª. Eu recebo as afirmações de V. Exª com muita tranquilidade. E as faço a V. Exª. Eu acho que V. Exª, como líder e como Presidente, é uma figura controvertida. Acho. E V. Exª diz que sou eu que mudo. V. Exª foi lá na China e fez o acordo com o Collor. Foi dos homens que estiveram com o Collor...

            Não, agora eu estou falando! Agora estou falando!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - E V. Exª vai continuar falando. Eu não me envergonho de nada que fiz, diferentemente de V. Exª...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Depois, na véspera do Collor ser cassado, V. Exª largou o Collor. Tchau, tchau!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Mas assumi.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Assumiu não, largou!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Não foi no bastidor, assumi.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - E lá pelas tantas apareceu como Ministro do Fernando Henrique. Ministro da Justiça do Fernando Henrique.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Fui Ministro bem avaliado.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - E lá pelas tantas largou o Fernando Henrique. E agora é homem da confiança absoluta do Lula. É “assim com o Lula”. E vem perguntar para mim? E vem perguntar para mim?

            O Collor esteve no Rio Grande do Sul falando comigo, me convidando para ser vice dele, eu Governador do Rio Grande do Sul. Eu disse: “Olha, Collor, você vai fazer...” Aliás, errei feio.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Mas o Tancredo não o convidou.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Aliás, errei feio porque disse: “Mas, Collor, você vai sair do MDB, que tem vinte e tantos Governadores? Fica o Presidente da República saindo e criando um partido?” Ele estava certo. Ele me falou até que tinha conversado isso com o Renan lá na China, que tinham feito um entendimento para fundar um novo partido. E deu certo.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL. Fora de microfone) - Senador Simon, concordo com essa conversa. Quem não convidou foi o Tancredo.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - E deu certo. Eu fiquei! Eu fiquei! Quando Fernando Henrique se elegeu Presidente da República, era para eu continuar aqui Líder dele, como fui do Itamar, quando o elegeram Presidente da República e eu estava aqui. Quando houve a questão de ele não deixar criar a CPI da Corrupção, que era a continuação da CPI dos Anões do Orçamento, eu caí fora. Deixei de ser o Líder. Ele escolheu para ser Líder o meu vice-Líder da época do Itamar: o meu vice-Líder do Governo eu indiquei e foi Líder dele. Eu poderia ter ficado com o Itamar. O Lula, quando se elegeu Presidente da República, esteve na minha casa e me convidou para ser Ministro, ele e o José Dirceu. E eu disse: “Não, Lula, eu não tenho condições de ser o seu Ministro. O Rio Grande do Sul tem gente mais... Você vai precisar de gente lá no Senado e estou à disposição.” E fiquei à disposição dele até o momento em que fomos pedir a CPI; a CPI que o Presidente Sarney, a pedido do Lula, não deixou criar e nós no Supremo a criamos. Aí eu me afastei. Realmente eu poderia ter ficado.

             Se eu sou um Renan da vida, estou no governo do Collor, estou no governo do Fernando Henrique, estou no governo do Lula, estou no governo de quem quiser, seja a Chefe da Casa Civil ou seja o Presidente Serra. Uma coisa nós sabemos, S. Exª vai estar do lado! Não tenho dúvida nenhum. O Dr. Renan, como esteve com o Collor, como esteve com o Fernando Henrique, como esteve com o Lula, estará também com o novo Presidente. Então, essa é a divergência do Renan comigo. Agora eu entendo. A imprensa tem razão. Eu falo mal de todo mundo, e o Renan fala mal de todo mundo que está no governo. E eu falo do mundo que está contra o governo.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Senador Pedro Simon, um instante.

            Presidente Collor, grande Líder Renan, ambos têm direito pelo art. 14, já que foram citados. Então, já estão com a palavra garantida.

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Eu gostaria, Sr. Presidente, Srªs e Srs Senadores...

             (Interrupção do Som)

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - ...as palavras que o senhor acabou de pronunciar são palavras em relação a mim e às minhas relações políticas, são palavras que eu não aceito.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Quais palavras?

            Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Palavras que eu não aceito.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Quais são, Presidente?

            Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Eu vou lhe dizer. E são palavras que eu quero que o senhor as engula e as digira como julgar conveniente. As minhas relações com o Senador Renan Calheiros são relações conhecidas e são relações das quais, em nenhum momento, eu me arrependi. Estivemos distantes em alguns momentos. Estamos juntos em outros momentos. Quando o senhor se refere a uma reunião na China, fruto da imaginação de alguns hebdomadários brasileiros, o senhor fala sem saber o que aconteceu. O senhor não é testemunha do que lá aconteceu. Tudo aquilo é pura invencionice.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não aconteceu ali não?

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Não aconteceu. A minha candidatura à Presidência da República nasceu fruto de uma conversa que eu tive com o Sr. Marcos Coimbra, Diretor do Instituto Vox Populi, que demonstrou, depois dos estudos que ele realizou a meu pedido, que havia a possibilidade de uma candidatura à Presidência da República que ocupasse um espaço que, naquele momento, entendia ele, encontrava-se vazio. Em relação ao Senador Renan Calheiros, eu, de minha parte, como ex-Presidente da República, estou do lado dele e do lado do Presidente José Sarney. Acho que esta Casa não pode se agachar, não pode e não haverá de se agachar diante daquilo que a mídia, ou certa parte da mídia, deseja. Ela não conseguirá retirar o Presidente José Sarney dessa cadeira. Não conseguirá; nem ela nem o senhor, nem quem mais esteja deblaterando, como o senhor deblatera, parlapatão que é, desta tribuna. Peço a V. Exª, com todo o respeito que V. Exª me merecia e como sempre o tratei que, por gentileza, evite pronunciar o meu nome nesta Casa, porque a próxima vez que eu tiver que pronunciar o nome de V. Exª nesta Casa, provocado por alguma palavra mal posta dessa tribuna, ou da sua poltrona, eu gostaria de relembrar alguns fatos, alguns momentos, talvez extremamente incômodos para V. Exª, mas que eu acho que seria de muito interesse da Nação brasileira conhecer.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Então fale, Senador.

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Não falarei. Falarei quando eu quiser e achar oportuno. Peço apenas que V. Exª,...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Devia falar, Senador. Devia falar, Senador.

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - ...Senador Pedro Simon, respeite os seus colegas, dentre os quais eu me incluo. Eu aqui estou conduzido pela mesma vontade popular pela qual o senhor foi conduzido pelo povo do Rio Grande do Sul. Os mesmos votos que o trouxeram foram os votos que eu recebi do Estado de Alagoas para aqui representá-lo. Estamos em trincheiras absolutamente opostas. Eu não aceito, com a responsabilidade de ex-Presidente da República, que se trate dessa forma um homem que governou o Brasil, que cumpriu a transição democrática com grandeza e com maestria e que hoje está sendo vitimado por acusações de toda natureza. Eu sei o que é isso porque eu por isso passei em muito maior escala e eu sei como essas coisas funcionam. Eu sei como tudo isso é feito, como tudo isso é forjado. Eu sei como tudo isso nasce, como tudo isso desabrocha. E eu sei a quem interessa que o Senado da República retire daquela cadeira o Presidente que todos nós elegemos e que vai cumprir, até o último dia, o seu mandato para o qual foi eleito.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Muito obrigado.

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Em relação ao Senador Renan Calheiros, eu gostaria de dizer a V. Exª, Senador Renan Calheiros, que eu não tenho o que dizer da nossa relação política e pessoal a não ser de grandeza por parte de V. Exª. Em todos os momentos da vida, quando estivemos juntos ou afastados, sempre tive de V. Exª e V. Exª teve de mim tratamento respeitoso, como, aliás, é da boa regra da convivência, da civilização, desde que, na Idade Média, se deixaram de lado as lanças e as catapultas para se tratar com honradez, com clareza, com civilidade, as relações interpessoais. Por isso, por favor, do mesmo voto...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Muito obrigado!

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Não tem V. Exª que me agradecer. Eu é que tenho que me penalizar por estar tendo que oferecer um aparte, concedido por V. Exª, nos termos em que eu estou oferecendo. Jamais imaginaria poder da tribuna desta Casa dar um aparte como este a V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Muito obrigado!

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Mas lhe peço encarecidamente que, por favor, antes de citar o meu nome dessa tribuna, V. Exª engula, digira e faça dela o uso que julgar conveniente.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Muito obrigado.

            Sr. Presidente, eu volto a repetir: se vê pelo tom e pelas afirmativas o que acontecerá depois. O que acontecerá depois? Eu não sei! Há alguns que acham que há um complô da imprensa contra o Senado Federal.

            Eu tive a imprensa do meu lado, tive a imprensa contra mim muitas e muitas vezes. Foi uma luta, e na hora mais difícil da nossa luta, a imprensa... Não é porque quisesse ficar contra nós, mas estava contra nós porque tinha uma censura total, censura absoluta.

            O cidadão, durante muito tempo, citou, publicou nas suas páginas todo o Cervantes e publicou todas as receitas da Dona Benta, as páginas censuradas pela imprensa.

            Então, eu respeito muito a liberdade de imprensa. Acho que ela é fundamental. Acho que ela é necessária. Isso não quer dizer que eu não reconheça que há os excessos e não reconheça, inclusive, que deve haver uma fórmula pela qual o cidadão, diante do excesso, possa responder e possa se defender com mais clareza. Com isso eu concordo. Mas eu não posso dizer que há um complô da imprensa brasileira, ou seja lá o que for, com relação ao Senado Federal. Eu não acredito.

            Eu vejo uma série de equívocos da nossa parte ao longo do tempo, que, na minha opinião, devem ser corrigidos. Não é por nada que é o quarto Presidente seguido sobre o qual há discussão, há debate, há interrogação; três espontaneamente se afastaram. O que eu quero dizer é que não adianta se resolver desta vez, mais uma vez, se a gente não fizer as mudanças que são necessárias. Elas são necessárias. As pessoas cobram da gente o que acontece aqui. A sociedade não entende por que o Senado tem dez mil funcionários. E eu não sei responder porque quando eu cheguei aqui havia quatro mil e agora tem dez mil - eu devo ter participado, mas não sei responder.

            A sociedade não consegue entender como, de repente, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, com o seu cartão de crédito, compra uma passagem que é de um Parlamentar numa agência de viagens de Brasília. Como é que isso aconteceu? Como isso chegou a acontecer?! E aconteceu.

            O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - Permite-me um aparte, Senador?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Essas coisas que estão acontecendo é que exigem uma reforma profunda do Senado.

            O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - Permite-me um aparte, Senador Pedro Simon?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Primeiro o Suplicy, a quem estou devendo há um tempo enorme, e depois V. Exª.

            Senador Suplicy, eu já lhe darei.

            O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - Primeiro, Senador Pedro Simon, quero dizer que...

            (Interrupção do som.)

            O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - Presidente Mão Santa... Achei importante quando o Senador Renan Calheiros, em sua primeira palavra, disse que o estima e que o tem como amigo, ainda que, por vezes, tenham tido diferenças ao longo da história e ainda as tenham. Gostaria também de dizer que, quem sabe, eu não tenha percebido tão bem, mas, na verdade, V. Exª, quando relatou a respeito do Presidente Fernando Collor, recordou o diálogo que teve, quando o então Governador Fernando Collor o procurou no Rio Grande do Sul sobre a possibilidade de ambos formarem uma chapa, e V. Exª achou que não seria o caminho mais adequado. Mas não vi, na descrição do episódio, algo que pudesse ser ofensivo ao ex-Presidente Senador Fernando Collor de Mello. Desde que ele aqui chegou, e eu tendo, como V. Exª, participado da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os atos de Paulo César Farias que levou à conclusão da votação que todos conhecemos, mas desde quando ele aqui chegou eleito pelo povo de Alagoas e com o voto popular, depois de ter cumprido os oito anos de suspensão de seus direitos políticos, tenho procurado tratá-lo, e observo que V. Exª também o tem feito, tanto no plenário quanto nas comissões, com todo o respeito. E eu espero que...

(Interrupção do som.)

            O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - Peço ao Presidente Mão Santa que possa ser tão generoso comigo como foi com nossos colegas, ainda mais porque fui citado mais de uma vez pelo Senador Pedro Simon. E gostaria de esclarecer, Senador Pedro Simon, que a recomendação que eu e meus colegas temos não é para que haja a renúncia do Presidente José Sarney do cargo de Presidente. Nós temos, e aqui a ênfase é um pouco diferente, recomendado a ele que se licencie para realizar a sua defesa, até porque a Constituição Brasileira e a Resolução nº 25, de 2008, do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, asseguram a qualquer Senador, quando é apresentada uma representação, que lhe seja conferido o direito de defesa. E é por essa razão que eu inclusive gostaria de, e quero reiterar, recomendar ao Presidente José Sarney, em qualquer circunstância, que ele se antecipe à decisão do Senador Paulo Duque, Presidente do Conselho, e diga: - Eu gostaria e quero comparecer, dar as minhas explicações, esclarecê-las, responder as perguntas. Eu poderia inclusive aproveitar a oportunidade para expor sobre as medidas, muitas das quais eu aqui tenho apoiado, para corrigir os problemas e pelos quais os 81 Senadores... E nesse sentido, sendo ambos nós Senadores de quatro mandatos, eu me sinto também responsável. Houve muitos fatos que aqui aconteceram que nós não demos a devida atenção, mas, a partir de agora, é preciso que tenhamos no Senado uma Casa onde a transparência em tempo real seja a melhor maneira de prevenir irregularidades. Muito obrigado.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu apenas digo, Senador...

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Só para conduzir aqui...

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Art. 14, Sr. Presidente Mão Santa.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Com licença. Tem dois pedidos de aparte que serão... O Senador Alvaro Dias já tem garantido o art. 14. Após ele descer da tribuna, Fernando Collor e Renan Calheiros têm o art. 14 e vão usar da palavra.

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Mas me interessa o art. 14 com o orador na tribuna, Senador Presidente.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Não, não é... Regimentalmente, infelizmente, não é...

            O Sr. Fernando Collor (PTB - AL) - Aceito a colocação de V. Exª.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - E além de V. Exª e o Senador Renan, há dois pedidos de aparte.

            O Sr. Jarbas Vasconcelos (PMDB - PE) - (Levanta a mão.)

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Terceiro pedido de aparte, Senador Jarbas.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu digo a V. Exª, Senador Suplicy, que eu também fui defensor da tese da licença. Mas o que vi da tese da licença foi o imbróglio criado, a começar pelo Presidente Lula, porque não se admitia que o Vice-Presidente assumisse. Na hipótese de o Vice-Presidente assumir, o PSDB ia subir e criaria uma série de problemas, a começar pela CPI da Petrobras. Foi essa a questão. Achei que seria muito mais simples a renúncia dele do que esse tumulto. Se ele renunciasse, poderia buscar-se o entendimento em torno de um nome, onde inclusive ele, antes de renunciar, faria essa escolha. Seria feito o entendimento, antes de o Sarney renunciar, de quem seria a pessoa que ocuparia o seu lugar. Foi esse o sentido de que evoluí da tese da licença para a tese da renúncia.

            Segundo, porque os fatos que foram se repetindo, que foram aparecendo são um exagero. Sinceramente, acho que é uma crueldade o que está acontecendo: é isso aqui, são as terras lá, a presidência perpétua ali adiante, é a neta, é o namorado, é não sei o quê. Essas coisas estão num crescendo... Eu achei... Quando foi dito aqui pelo Líder Renan que eu fui falar com o Presidente Sarney no gabinete dele, fui. É verdade. Só que sabe o que fui fazer lá, Senador? Pedir para ele se afastar. Fui pedir para ele se afastar.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Senador Simon, gosto tanto de V. Exª que não permito ver V. Exª falando essas coisas. Tenho a versão do Presidente Sarney. O retrato, corpo inteiro da conversa.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu não pedi.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Desculpe, porque gosto de V. Exª, não quero ver V. Exª falando essas coisas para agradar.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu não pedi, porque olhei para o Presidente Sarney e via a maneira com que ele falava, a solidez com que ele conversava. E disse: - Não adianta, eu vou falar bobagem.

            Mas, na verdade, eu achava que a licença era importante. Acho, hoje, que o clima desta sessão, a fórmula que está se sentindo, dá para imaginar na quarta-feira, da para imaginar, na quarta-feira, o que haverá de acontecer. Eu não sei. Digo a vocês que não estou no embalo para entrar nessa questão. Com 80 anos, passando por todas essas coisas...! Não vai ser numa questão dessas que vou entrar.

            Tenho carinho pelo Senado. Fico machucado quando vejo que, depois de eu passar 30 anos nesta Casa, saio daqui com ela muito mais complicada e muito mais difícil do que quando entrei. Isso me choca, achando que o mundo evoluiu, a sociedade evoluiu, e nós não conseguimos.

            Agora, para aonde nós vamos não sei, com toda sinceridade.

            Senador Arthur Virgílio.

            O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - Senador Pedro Simon, eu me preparava para ir ao Conselho de Justiça, que estavam me mandando protocolizar lá a denúncia, a reclamação contra o juiz que censurou o Jornal O Estado de S. Paulo, e vi do meu gabinete a discussão, bastante áspera, entre V. Exª e o Senador Fernando Collor. E nesse mérito não entrarei. Apenas registro algumas coisas. A primeira é que, a despeito de quaisquer injunções, vou cumprir com meu papel, com meu dever, até o final. A segunda é que nesse processo, que é dolorido e que registra, para mim pelo menos, uma perda pessoal - de certo ponto, enfim, política é assim - vejo que V. Exª tem razão no essencial do que diz. A maior prova de que não é um mero complô da imprensa, de que há fatos graves que a cada momento acuam o Presidente Sarney e que terminarão - esse é o meu pensamento, imagino isso - por levá-lo à renúncia, jamais ao afastamento, a maior prova é que estamos aqui a discutir essa questão quando o início de um semestre legislativo deveria ser de propostas, de agenda positiva, de legislação, de ver o que cabe de espaço para os Senadores ou não. Sabia que V. Exª iria falar e disse a V. Exª que gostaria de ter feito minha intervenção na presença do Presidente Sarney. V. Exª me pediu para não fazer, que V. Exª falaria primeiro, que falaria logo após o Senador Mão Santa. E o Presidente Sarney se ausenta.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Agradeço a gentileza de V. Exª. Realmente, quando V. Exª perguntou-me se ia falar, disse-lhe que sim. Pedi para falar antes de V. Exª porque achei que talvez o pronunciamento de V. Exª, como tradicionalmente, fosse mais debatido, mais agitado. E eu disse a V. Exª que queria fazer uma mensagem de paz, uma mensagem de entendimento. V. Exª achou que talvez fosse interessante eu deixar para amanhã. Disse-lhe que não, que achava que tinha de fazer antes da reunião do Conselho de Ética.

            O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - Compreendi a posição de V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª compreendeu e concordou. Depois do Conselho de Ética, pode ser uma outra situação. Pode-se criar uma tal situação que não sei para onde vai.

            O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - Compreendi bem e, por enquanto, quero tranquilizá-lo. A depender de mim, discutirei todos esses assuntos com muita tranquilidade, com muita calma. Mas vou dizer e fazer as coisas que achar que devo dizer e fazer. Se eu achar que cabe, em algum momento, denúncia contra quem quer que seja no Conselho de Ética, farei isso. Se eu achar que devo representar contra o juiz no Conselho de Justiça, vou fazer isso, e já mandei fazer. Ou seja, é inabalável. Eu vou ficar com o meu papel. Entendo que V. Exª faz uma proposta. O que mais dói, e eu me referia a uma perda pessoal, mas o que mais dói é que, no geral, nós sabemos qual será o fim. Nós sabemos que, ao fim de algum tempo, o fim será mesmo o Presidente Sarney se afastar da Presidência, eu imagino que em tom definitivo, até porque não o faria em tom provisório, em função da própria sucessão. De repente, seria um Senador do meu Partido a ocupar a Presidência da Casa. Mas, se alguma dúvida restasse quanto ao acerto do que V. Exª propõe, eu diria que está no fato de estarmos aqui mobilizados em tom que eu percebo de crescente beligerância por parte de alguns, em tom que, a depender de mim, será urbano, civilizado, o que não me impedirá de ser firme o tempo inteiro, do começo ao fim da minha linha, do começo ao fim dos meus objetivos, do começo ao fim das minhas convicções. Eu, portanto, solidarizo-me com o pronunciamento de V. Exª e imagino que V. Exª não será atendido, não será desta vez. Vamos ver o que os próximos momentos nos reservam, e que cada um cumpra com o que a sua consciência mandar. Eu espero que cada um cumpra exatamente com aquilo que vier da sua consciência, que sejam atitudes conscientes da cada um, de todos em conjunto, porque o Senado está sangrando demais. E não contribui o clima que se está estabelecendo nesta Casa. Agora, por outro lado, o preço a pagar é demasiado. Se o preço a pagar é fingir que não se está lendo, fingir que não se está vendo, fingir que não se está tomando conhecimento do que acontece, esse preço pague quem quiser pagá-lo. Eu não pagarei um milímetro dele. Nesse processo, eu não farei concessões; nesse processo, eu não pedirei concessões; nesse processo, eu não farei nada a não ser aquilo que a minha consciência, como minha mestra, me determinar, Sr. Senador. Muito obrigado. Era o que tinha dizer.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu agradeço a V. Exª e, mais uma vez, agradeço a gentileza de V. Exª.

            Senador Alvaro.

            O Sr. Alvaro Dias (PSDB - PR) - Senador Pedro Simon, V. Exª tem um itinerário de decência e de dignidade que todos reconhecemos. Eu prefiro não discutir o seu passado, nem o passado dos demais colegas. O que vale é o presente que nós estamos vivendo. Ele é dramático para a Instituição que representamos. Basta sair às ruas, conversar...

(Interrupção do som.)

            O Sr. Alvaro Dias (PSDB - PR) - Basta, Senador Pedro Simon - e provavelmente V. Exª fez isso -, sair às ruas e conversar com as pessoas. O que nós ouvimos quase sempre é: “Saia de lá, aquilo é uma vergonha”. Nós não podemos sair daqui e nós não podemos admitir que isto seja uma vergonha. V. Exª tem a minha solidariedade neste momento, porque, da tribuna, está procurando ecoar esta indignação nacional, que não pode ser ignorada por quem quer que seja. Quando se pede a renúncia do Presidente Sarney, pede-se exatamente para preservar a Instituição, porque, certamente, a sua renúncia nos levaria a um momento de mudança no Senado do Federal, com as medidas administrativas em curso e com a reforma que se exige para que esta Casa recupere credibilidade. Eu, sinceramente, sempre considerei as lideranças governistas inteligentes e por isso não estou entendendo a estratégia que adotam nesta hora. V. Exª da tribuna faz apelo à paz. Ficaria melhor esse apelo na voz da situação, do Governo, porque a turbulência não interessa ao Governo. Quem perde mais com a propalada guerra? A Oposição ou o Governo? Quem necessita de um ambiente para que a governabilidade não seja comprometida? A Oposição ou quem eventualmente está exercitando o poder no País? Por isso, com toda a sinceridade, eu não estou entendendo essa estratégia. E fico perplexo porque não subestimo a inteligência dos que a adotam. Não é esse o meu propósito. Apenas a indagação: por que esse caminho? É o melhor caminho? À Oposição não cabe outra alternativa a não ser denunciar, como fez, representar ao Conselho de Ética, como fez, exigir julgamento, como faz, porque, sem julgamento, não há superação da crise; sem julgamento, não há perspectiva de recuperação do respeito da opinião pública. O julgamento é imprescindível. É preciso também considerar que temos um Conselho de Ética desacreditado. A opinião pública pensa dele o que muitos de nós pensamos: foi constituído para colocar panos quentes sobre as denúncias. Ou seja, o que se espera é que as representações encaminhadas sejam derrotadas no colegiado. Mas é nossa obrigação. Insistir é obrigação de V. Exª. Por isso, mais do que ninguém, V. Exª, da tribuna do Senado Federal, tem cobrado, com autoridade que adquiriu ao longo do tempo, do Presidente Sarney que adote uma posição em defesa da Instituição que representamos. Sei que custa a V. Exª isso. Não é fácil para V. Exª. Imagino o constrangimento. Tenho convicção de que preferiria outro discurso, mas esse é o discurso exigido pela sociedade brasileira. Não temos alternativa a não ser pronunciar esse discurso. Por isso, estamos com V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Minha consciência diz o que é que eu tenho que falar. Minha consciência diz isso. Meu estilo é até mais duro, mais radical, mas achei que este não era o momento. Concordo com V. Exª porque também me surpreendi com o tom do discurso que foi apresentado aqui. Não imaginava, nobre Líder Renan, que a reação fosse por aí. Achava que a reação seria parar para pensar: há ou não uma chance de entendimento até a reunião do Conselho de Ética amanhã? Essa é a pergunta que me faço.

            Para o resto, para os grandes debates, vamos ter tempo. O que me assusta é que vai acontecer mais do que aconteceu das outras vezes. Quem não se lembra da parte dramática do companheiro Antonio Carlos e do companheiro Jader, quando os dois fizeram desta Casa um tumulto de debates pessoais e que terminaram os dois perdendo, e também a Casa perdeu?

           Acho que agora temos dois caminhos. Um é entrar nessa agitação, de que alguns parece que gostam. O que sinto, meu querido Senador, é o seguinte: o que eu sinto é que parece que há pessoas que gostam disso, que querem ir para isso que V. Exª tem medo. Querem ir para isso. É um ambiente que querem criar, querem criar. V. Exª pergunta: “Se são do Governo, por que criar?” Eu não tenho resposta. Eu lhe falo com sinceridade: eu não tenho resposta.

           Quando vejo, por exemplo, o nobre Líder Renan, que, na hora da questão dele, ele teve a competência de renunciar à Presidência para manter o seu mandato, pergunto: por que ele agora aconselha diferente ao Senador...?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Senador Pedro Simon, sem lhe interromper...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu já lhe darei...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Sem lhe interromper, isso é uma maldade de V. Exª. Eu já disse isso aqui e queria repetir.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Como maldade?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu fui julgado duas vezes por esta Casa por uma questão pessoal.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Mas por que renunciou?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Não há nenhuma acusação contra mim. Há uma investigação que eu pedi, porque eu queria esclarecer.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É verdade.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu pedi.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É verdade.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu pedi.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É verdade. Mas por que renunciou, então?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Por favor, respeite aos meus valores pessoais.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Mas por que renunciou à Presidência?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu já sofri tanto com isso. O Brasil acompanhou. Não há... Eu respondi a tudo. Não há nada contra mim. Por favor, respeite isso.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - O Senador Pedro Simon está dizendo alguma coisa aqui contra o Senador Renan? Eu não estou dizendo nada! Eu não estou dizendo nada! Estou dizendo que V. Exª renunciou à Presidência. V. Exª renunciou à Presidência porque quis. Renunciou à Presidência, e a imprensa explica que foi a forma de manter o mandato. E manteve o mandato.

            O que eu não entendo... É verdade, é verdade: o que tinha contra V. Exª era uma questão pessoal, de que eu até discordo, e falei a V. Exª da escolha do mandante, que eu não tinha nada que ver. E deu tudo aquilo.

            Agora, há uma série de fatos que estão se repetindo. Há uma série de assuntos que estão se repetindo. Não mexeram com V. Exª, mas estão mexendo com o Presidente Sarney, o que eu acho uma injustiça, mas estão mexendo. E acho que isso não vai parar. Isso não vai parar. Aí é a coisa que eu faço.

            Senador Jarbas.

            O Sr. Jarbas Vasconcelos (PMDB - PE) -

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APARTE PROFERIDO PELO SR. SENADOR JARBAS VASCONCELOS AO DISCURSO DO SR. SENADOR PEDRO SIMON, NA SESSÃO DO DIA 03 DE AGOSTO DE 2009, QUE, RETIRADO PARA REVISÃO PELO APARTEANTE SERÁ PUBLICADO POSTERIORMENTE.

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            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Esse aspecto é importante.

            O Sr. Jarbas Vasconcelos (PMDB - PE) -

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APARTE PROFERIDO PELO SR. SENADOR JARBAS VASCONCELOS AO DISCURSO DO SR. SENADOR PEDRO SIMON, NA SESSÃO DO DIA 03 DE AGOSTO DE 2009, QUE, RETIRADO PARA REVISÃO PELO APARTEANTE SERÁ PUBLICADO POSTERIORMENTE.

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            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu lhe mantenho o aparte, mas quero dizer uma coisa: quando se suspendeu, quando se parou para o recesso, a expectativa de todos é que o recesso esvaziaria...

            O Sr. Jarbas Vasconcelos (PMDB - PE) -

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APARTE PROFERIDO PELO SR. SENADOR JARBAS VASCONCELOS AO DISCURSO DO SR. SENADOR PEDRO SIMON, NA SESSÃO DO DIA 03 DE AGOSTO DE 2009, QUE, RETIRADO PARA REVISÃO PELO APARTEANTE SERÁ PUBLICADO POSTERIORMENTE.

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            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Mas, nesses quinze dias...

            O Sr. Jarbas Vasconcelos (PMDB - PE) -

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APARTE PROFERIDO PELO SR. SENADOR JARBAS VASCONCELOS AO DISCURSO DO SR. SENADOR PEDRO SIMON, NA SESSÃO DO DIA 03 DE AGOSTO DE 2009, QUE, RETIRADO PARA REVISÃO PELO APARTEANTE SERÁ PUBLICADO POSTERIORMENTE.

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            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Mas, nesses quinze dias do recesso, não houve uma notícia de jornal dada por Parlamentar.

            O Sr. Jarbas Vasconcelos (PMDB - PE) -

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APARTE PROFERIDO PELO SR. SENADOR JARBAS VASCONCELOS AO DISCURSO DO SR. SENADOR PEDRO SIMON, NA SESSÃO DO DIA 03 DE AGOSTO DE 2009, QUE, RETIRADO PARA REVISÃO PELO APARTEANTE SERÁ PUBLICADO POSTERIORMENTE.

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            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Muito obrigado.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Desculpe-me interrompê-lo. Senador Jarbas, com todo o respeito. Eu sou professor de Fisiologia. As palavras engolir e digestão nunca foram pejorativas para mim. Eu sempre as entendi até como uma pré-condição de vida. Eu não vi nenhum... Sou professor de Fisiologia.

            Continua com a palavra.

            O Sr. Jarbas Vasconcelos (PMDB - PE) -

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APARTE PROFERIDO PELO SR. SENADOR JARBAS VASCONCELOS AO DISCURSO DO SR. SENADOR PEDRO SIMON, NA SESSÃO DO DIA 03 DE AGOSTO DE 2009, QUE, RETIRADO PARA REVISÃO PELO APARTEANTE SERÁ PUBLICADO POSTERIORMENTE.

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            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Pois não.

            O Sr. Renato Casagrande (Bloco/PSB - ES) - Muito obrigado, Senador Pedro Simon. Srs. Senadores, Sr. Presidente, Sr. Senador Pedro Simon, nós estamos começando o semestre, infelizmente, da maneira que eu achava que nós, de fato, iríamos começar: com debate sobre a crise, com debate sobre uma crise que não tirou recesso, um debate que permaneceu presente na sociedade brasileira. E é natural que, na primeira sessão do período legislativo, nós tenhamos aqui Parlamentares que possam fazer a defesa do afastamento do Presidente Sarney e Parlamentar que faça a defesa da permanência do Presidente Sarney. Até aí, não vejo nenhuma anomalia em termos de posicionamento político. O que tem de anormal é que nós não temos uma previsão para o fim da crise. Isso é que é anormal, porque nós tivemos um Conselho de Ética composto no meio de uma crise, o que não é o normal. Não é correto o Conselho de Ética composto no meio de uma crise. Então, todo mundo vai para o Conselho de Ética, mesmo não sendo, já com uma marca, já com uma pecha: ou é favorável, ou é contra. Se o Conselho de Ética tivesse sido formado no início do ano legislativo, isso não seria problema; mas ele foi formado agora, no meio da crise que nós estamos vivenciando. E há, de fato, neste momento, até pela forma e pelo momento como o Conselho foi composto, dúvidas com relação à postura do Conselho. Então, já foi levantado aqui, e nós sabemos que, nos próximos dias, teremos reunião do Conselho de Ética, e a gente não sabe, efetivamente, como vai ser o procedimento do Conselho de Ética. Está claro que o Presidente Sarney vai resistir às denúncias que o envolvem. Isso está claro até pelo debate que nós estamos tendo aqui neste momento. Mas eu também não estou vendo alternativa de saída da crise que não seja através do aprofundamento dessas investigações. Nós precisamos fazer isso. Aqui o Senador Renan Calheiros fez uma referência ao processo que o envolveu na época. Naquela época, nós tivemos a Polícia Federal fazendo a investigação, e o relatório que eu e a Senadora Marisa Serrano fizemos foi com base no relatório da Polícia Federal. Então, houve um processo de investigação. O Plenário do Senado resolveu absolver o Senador Renan Calheiros, mas houve um processo de investigação. Então, nós precisamos compreender que há necessidade efetiva de irmos até o fim desse procedimento. Então, se nós não formos até o fim desse procedimento, não encontraremos saída para a crise. Também não é só tirando o Presidente que se resolve a crise, não é só mudando o Presidente que se resolve a crise; nós temos de fazer as mudanças necessárias na gestão do Senado, na cultura do Senado. A outra questão que eu quero registrar, Sr. Presidente, da forma como o Senador Jarbas Vasconcelos registrou, mesmo que as palavras estejam presentes no dicionário da Língua Portuguesa, eu também considero que a forma como foram ditas não foi adequada para o processo de debate. Então, eu também gostaria de fazer o registro com relação a isso. É importante que nós aqui possamos manter o nível do debate, do diálogo, num patamar que nos permita enfrentar essas divergências sem aprofundarmos ainda mais a credibilidade da nossa Instituição. Obrigado, Senador.

            O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - V. Exª me permite um aparte?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu não quero polemizar. Quero só dizer a V. Exª que o Senador Casagrande continua sem entender que aquele processo foi um processo político e que a investigação que há contra mim na Justiça foi pedida por mim, porque dei todas as respostas que esta Casa me pediu, inclusive a V. Exª.

            O Sr. Renato Casagrande (Bloco/PSB - ES) - Mas houve um relatório da Polícia Federal.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Um relatório político, infelizmente assinado por V. Exª. É importante lembrar isso. Infelizmente assinado por V. Exª.

            O Sr. Renato Casagrande (Bloco/PSB - ES) - Por mim e pela Senadora Marisa Serrano.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL. Fora do microfone.) - Eu não queria citar a Senadora Marisa Serrano. Preferi citar V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Pois não, Senador.

            O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - Eu queria, nobre Senador Pedro Simon, concluir o que todos nós concluímos. Trata-se de uma questão política fomentada pela imprensa. A imprensa...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Começada pela imprensa?

            O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - A imprensa botou lenha na fogueira.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Sim, a imprensa vem tocando, mas não foi ela que começou.

            O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - Vem tocando. Eu tenho certeza de que o Presidente José Sarney não vai renunciar.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não vai?

            O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - Não vai renunciar. E acho que ele entendeu que a questão é política e vai partir para medir forças.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Mas a questão é política em que sentido, Senador? Eu não consigo entender.

            O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - Eu fui adversário do Presidente Sarney durante dezesseis anos.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu sei.

            O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - Voltei a falar com ele na hora em que Tancredo Neves me pediu que fizesse um discurso a favor dele. Não é pior nem melhor do que nenhum de nós. Ele é um político e não quer sair enxotado da Presidência. Eu acho que aqui nós temos colegas cujo julgamento no Conselho de Ética vai ser muito pior do que o julgamento de Sarney. Podemos dizer: “Alea jacta est”, a sorte está lançada. Vamos aguardar o resultado do Conselho de Ética para ver quem tem razão. Os grupos estão formados: quem é contra é contra; quem é a favor é a favor. E vamos ter um julgamento que é político. Não adianta querer ou não assemelhar com presidentes que deixaram a Presidência.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª acha que não há chance de, com essa situação, se tentar melhorar o Senado? Independentemente de política, mas todos buscarem melhorar as condições de vivência no Senado?

            O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - Nós estamos hoje no Senado uns preocupados com reeleição e outros que não estão preocupados. São 27 que não estão preocupados...

(Interrupção do som.)

            O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - ...que estão com mais seis anos de mandato, e outros que estão preocupadíssimos para ver o julgamento. Eu acho que a coisa é esta: “Alea jacta est”, a sorte está lançada. Vamos ver quem tem razão.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Muito obrigado a V. Exª.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Senador Pedro Simon, eu pedia... Já que o nosso Cafeteira falou no latim, de Júlio César, alea jacta est, eu relembraria Cícero. Num momento como este, ele disse: “Pares cum paribus facillime congregantur”. Violência atrai violência. Continue.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Está ouvindo, Senador Renan?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL. Fora do microfone.) - Como é que eu não ia entender V. Exª numa missão de paz?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Claro, obrigado.

            Senador Cristovam.

            O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Senador Pedro Simon, eu estava aqui assistindo ao seu discurso, imaginando que minha fala seria: eu assino embaixo. E reafirmo isso. Eu assino embaixo. Acho que seu discurso representa um passo, um pequeno passo, mas um passo fundamental para começarmos a retomar a credibilidade e mudarmos o Senado. E eu subscrevo embaixo o seu apelo de paz ao Presidente Sarney, até porque o que a gente viu nesta tarde eu acho que é o que falta para demonstrar como este Senado não voltará a funcionar, como a República espera, sob a presidência do Presidente Sarney. Ele não teria condições de presidir esta sessão diante deste debate. Não teria condições. É claro, imagino que ele não esteja aqui hoje por outras razões, como a situação de saúde de Dona Marli. Ele não está aqui provavelmente por outras razões. Mas imagine ele sendo árbitro de um debate como este que estamos fazendo hoje. Ele não teria condições. Isso reafirma a minha idéia de dizer a minha solidariedade e a unidade de pensamento com seu discurso de apelo à paz. Mas vim fazer agora outro apelo, Senador Simon. Eu agora quero apelar ao senhor para que não engula nada. A sua credibilidade neste País é porque o senhor não engole; o senhor diz, o senhor fala, o senhor acusa. O senhor tem que se manter esse Senador Pedro Simon que, quando é preciso dizer alguma coisa, ele diz, sem engolir nada. E não adianta querer o Senador Mão Santa falar como médico e fazer a interpretação do engolir do ponto de vista fisiológico, porque não foi nesse sentido fisiológico, até porque não foi feita por médico a acusação ao senhor. A idéia de engolir seria uma traição, Senador Pedro Simon. O povo não quer que o senhor engula nada. Nós estamos nessa situação porque engolimos coisas demais durante muito tempo. Alguns sabendo e não falando, e outros engoliram sob a forma da omissão. Como o senhor se colocou e eu também me coloco. Ser omisso é engolir sob a desculpa de não conhecer, e outros engolem por interesses. Então, aqui fica o meu apelo ao Presidente Sarney, subscrevendo toda a sua fala e o meu apelo ao senhor: não engula nada, Senador Simon, porque o povo brasileiro precisa é que o senhor externe tudo isso que vem acontecendo neste País. E espero que o senhor continue falando, falando, falando e falando, jamais engolindo.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Senador Cristovam Buarque, nos meus 80 anos, mais de 50, quase 55 de atividade política, venho debatendo e discutindo as teses.

            Vivi horas difíceis. Jovem ainda, fui à São Borja assistir ao sepultamento do Dr. Getúlio. Até hoje, lembro-me do discurso Osvaldo Aranha. Jovem ainda, acompanhei a resistência da luta - deputado de 30 anos -, que foi a legalidade para evitar a ditadura.

            Jovem ainda tive de assumir o comando do MDB, do PTB no Rio Grande do Sul, fruto do que aconteceu. E, na hora da ditadura, na hora da violência, na hora do arbítrio, quando a idéia era de se calarem ou não falarem, eu falei, e falei o tempo todo, eu falei o tempo todo. Eu podia ter ido para a Arena, eu podia ter-me...

            (Interrupção do som.)

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu sou um homem velho, não tenho nada a não ser meu nome, a minha dignidade, a minha família. Mas sou um homem em paz com a minha consciência. Defendo um Brasil melhor e luto por um Brasil melhor. A qualquer hora quero debater, já fui líder de governo, do Governo Itamar Franco nesta Casa e votamos o Plano Real. E o Plano Real foi votado sem uma medida provisória, com o Fernando Henrique e ministros vindo aqui, debatendo, discutindo. E o Senado emendando tanto quanto fosse necessário, sem se discutir liberar emenda de parlamentar, sem se discutir cargo, favor, etc e tal, para quem quer que seja. Permaneço fiel às minhas ideias. Permaneço. Acho que, não, engolir não engulo. Digo o que tenho a dizer na hora em que tem de ser dito. Não estou preocupado em atingir nem melindrar a honra de quem quer que seja, muito menos do Presidente Sarney. Não nego a vocês que venho sofrendo com o Presidente Sarney, com o que está acontecendo com ele, na vida dele, com a família dele. Fui às lágrimas quando vi no Jornal Nacional, ou no jornal da noite, não me lembro, contando a história daquelas gravações da neta, do filho e não sei o quê. Foi um episódio que não tinha visto nunca na minha vida. Acho que ele não merece isso, acho que ele não merece. Ele tem o direito de renunciar. E a renúncia dele não é covardia. Ficar? Topar essa briga, esse ambiente? Não sei como é que vai ser interpretado. Não sei como é que vai ser interpretado.

            Saio tranqüilo desta tribuna. Digo-lhes com sinceridade que saio tranquilo desta tribuna. Estou despreocupado com as ações do Líder do meu partido com relação a mim. Mas eu saio tranquilo desta tribuna porque fiz a minha parte, fiz o meu dever. Fiz o que milhares de mensagens me apelaram: “Tu tens de fazer alguma coisa”. Estou fazendo. Milhares de pessoas têm-me cobrado: “Simon, pela tua idade, deves fazer alguma coisa”. Estou fazendo. É isso o que estou fazendo.

            Eu não fiz uma citação em relação ao Dr. Sarney, eu não fiz uma revelação com relação a V. Exª, uma citação. Não é isso que eu quero discutir. Teremos tempo a partir de terça-feira para discutir isso. Eu não estou aqui... para dizer o seguinte, que nós temos dois caminhos: acusação com acusação ou encontrar um caminho para o Senado. Encontrar um caminho para encaminhar o Senado, uma fórmula porque as coisas não acontecem.

            Crise do Antonio Carlos, renunciou, continua tudo igual; crise do Jader, renunciou, continua tudo igual; crise do Renan, renunciou, continua tudo igual. O que não quero é que crise do Sarney, renunciando ou não renunciando, continue tudo igual. É isso. É essa a minha tentativa, por amor de Deus. Brigar, nós temos tempo; debater, nós temos tempo. Meu amigo Jarbas Vasconcelos diz que não tem saída. Não sei. Pode ser que ele tenha razão. Mas a minha tentativa foi neste sentido de encontrar uma saída, de encontrar uma fórmula, de encontrar um entendimento. Eu acho, eu não estaria fazendo a grosseria de chegar aqui, como estou vendo meu amigo Mesquita, pela maneira como ele está me olhando, já chegar aqui e dizer o seguinte: não, renuncie e não sei o quê... em cima do Sarney. Isso seria uma maldade que eu, como franciscano, teria de renunciar à ordem. Juro pelos filhos que não. Eu estou falando aqui no sentido de que acho que soma para ele, eu acho que soma para ele no sentido de ele ver esse caos que está-se formando. Não, por aí, é demais para mim. É demais! Soma para ele. É isso que estou dizendo.

            Quarta-feira, não. Quarta-feira, começou a briga, instalou o Conselho de Ética, foi adiante, não sei como é que vai terminar.

            Agora, quarta-feira, Sarney renunciou, vamos apurar, mas vamos estudar as fórmulas de mudar. Como o Senado vai funcionar? Como vai ser? Quais as modificações que devem ser feitas? Está todo mundo cobrando isso de nós: os jornais, a imprensa, a sociedade...

            (Interrupção do som.)

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Será que nós perdemos completamente a sensibilidade de avançar, de entender, de compreender, de nos compenetrar?

            Senador Garibaldi.

            O Sr. Garibaldi Alves Filho (PMDB - RN) - Senador Pedro Simon, eu já ouvi aqui alguns Senadores, como o Senador Jarbas Vasconcelos, o Senador Renato Casagrande, se dirigirem à Presidência para solicitar que se retirassem alguns termos que, realmente, não elevaram este debate, permita-me o Senador Fernando Collor. Daqui a pouco, sou eu que estou correndo risco também. Mas eu faria um apelo ao Presidente Fernando Collor, ao Senador Fernando Collor, para que ele, num gesto de grandeza, pudesse retirar aquelas expressões que eu acho que só ele tem condições de retirar, porque, na verdade, V. Exª hoje está fazendo um discurso magnânimo, um discurso de pacificação, um discurso no qual faz um apelo ao Presidente Sarney. Eu acho que V. Exª não foi bem entendido nesse aspecto. Era o que eu tinha a dizer.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Obrigado a V. Exª, Senador.

            Nesta crise toda, justiça seja feita, V. Exª tentou ajudar.

            V. Exª também.

            V. Exª está pedindo um aparte, Senador? Eu não estou oferecendo. De repente, V. Exª está pedindo... Por mim, eu preferia que não falasse.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - V. Exª não vai falar também que eu não gosto de V. Exª?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Como é que é?

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Vai falar também que eu não gosto de V. Exª?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não falei nada. Estou apenas dizendo que não estou oferecendo um aparte, senti apenas que V. Exª está pedindo um aparte.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Estou pedindo um aparte a V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu dou com o maior prazer.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Muito obrigado. Primeiro, eu queria dizer que, mesmo num confronto direto, eu tenho o maior respeito por V. Exª...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - A recíproca é verdadeira, V. Exª sabe disso.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - ...alguém que ajudou a fazer o partido, alguém que ajudou na questão de hoje termos o início da democracia. V. Exª participou. A história, por esses acidentes que acontecem, V. Exª não foi realmente o Vice-Presidente daquela época. Foi o Presidente Sarney. Agora eu passo...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Isso é uma injustiça tão grande porque... V. Exª não tinha nascido...

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - É verdade. É verdade. Mas eu li nos livros. Eu li na Internet.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Mas nunca existiu isso.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Está bom, mas deixa eu terminar o meu aparte, que V. Exª muito carinhosamente me deu a oportunidade.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Os nossos candidatos eram Marco Maciel e Nelson Marchezan. Estes eram os candidatos que o Tancredo queria para Vice-Presidente da República: Nelson Marchezan e Marco Maciel.

            Os dois não aceitaram porque eles eram do PDS. Os dois foram eleitos Deputados pelo PDS, e ficaram com medo porque, pela legislação, se dizia: político que for eleito por um partido e mudar de partido perde o mandato.

            E eles, para serem eleitos Vice-Presidentes da República, tinham de ser filiados ao MDB, e o Sarney não. O Sarney tinha sido eleito pela Arena.

            A Arena foi extinta...

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Senador Pedro Simon, veja bem, o Tancredo que era hábil, tinha o estilo mineiro de habilidade, ele sabia que sem o Presidente Sarney ele não ganharia. Ele sabia disso. E ele, como um grande hábil da política...

            (Interrupção do som.)

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Não, foi isso que aconteceu, sim.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu estou dizendo que os nomes que falaram eram os deles, não era o meu.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - O Tancredo e Ulysses Guimarães sabiam que não ganhavam sem o Presidente Sarney. Ele sabia disso. Ele, como grande hábil da política, que deixou...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não.

           O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Foi isso que aconteceu sim.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Os nomes que falavam era o dele. Não era o meu.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Tancredo e Ulysses Guimarães sabiam que não ganhavam sem o Presidente Sarney. Sabiam disso. E assim a história foi feita. E assim chegamos ao que está hoje aqui. Assim chegamos a quê? A um homem que conduziu toda a democracia neste País, passou por momentos difíceis, muito mais difíceis do que este. Ele declarou moratória lá fora quando não tinha dinheiro. E ele conduziu esse processo firme. Agora, o Presidente vai pedir licença diante do que está acontecendo aqui? Isso é um absurdo! Ele já passou por momentos muito piores ao lado do povo brasileiro, conduzindo o povo brasileiro. Jogaram a responsabilidade na mão dele e ele conduziu, de seis para cinco anos, para quatro anos. Ele conduziu todo esse processo. O Senador Cristovam, aqui, é injusto quando diz do Presidente Sarney... V. Exª era Secretário do Fernando Lyra, Ministro da Justiça, quando Fernando Lyra fez um encontro no teatro Casa Grande com 700 intelectuais no Rio de Janeiro e nesse encontro acabou com todos os atos que vingavam ainda contra a questão da liberdade de imprensa, liberdade do cinema, liberdade de outras coisas. Era chefe de gabinete do Fernando Lyra, mas não fala, se cala. E agora vem dizer que o Presidente Sarney está fazendo campanha contra a liberdade de imprensa? Isso é vergonhoso. Isso é uma vergonha enorme aqui. V. Exª tem que pegar o microfone e falar: “É mentira. O Presidente Sarney - eu estava lá, eu era Secretário do Fernando Lyra - abriu tudo neste País. Está aqui...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª não quer a renúncia do Presidente Sarney?

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Não, não quero. Quero dizer o seguinte... O que estou passando aqui é tentar inclusive entender V. Exª. Vou passar todo o meu mandato aqui, quatro anos e meio, tentando entender V. Exª. V. Exª, em uma reunião do PMDB, pede para o Presidente Sarney ser Presidente. Aí, V. Exª vem aqui e vota contra o Presidente Sarney. V. Exª está com um problema enorme no seu Estado e não pede para a sua Governadora renunciar, mas vem aqui e pede, pela ética, que meu Presidente Sarney renuncie. Lá, fala que chorou quando viu o Presidente Sarney na televisão, falando sobre o problema da neta. E não chora quando um aqui se matou pulando da ponte. Ora, Senador Pedro Simon, eu pelo menos tenho coerência em minhas posições. Eu tenho coerência, sou odiado, sou amado, sou reconhecido.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - A imprensa, em uma linguagem afetiva, tem dito que V. Exª faz parte da tropa de choque.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Não. Eu quero entender V. Exª. Tropa de choque é porque vem alguma coisa de lá...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É brilhante.

            O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Tropa de choque, não. Eu queria que o senhor explicasse qual é a posição do senhor quanto ao Presidente Sarney. No entanto, o Estado que o elegeu tem problemas, inclusive com o suicídio da ponte aqui, e V. Exª não se manifesta.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Esses anos de mandato... Isso aí, eu não falo nada do suicídio! O sujeito se atirou para um suicídio e eu não falo nada, pô! O que eu tenho a ver com suicídio?

            Muito obrigado a V. Exª.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Senador Simon, só em respeito à memória do Tancredo. Não era o Tancredo que queria V. Exª; era V. Exª que queria ser o vice do Tancredo... Respeite a memória do Tancredo.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Onde V. Exª estava na época, Senador?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL. Fora do microfone.) - Eu já estava na política.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Mas onde?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL. Fora do microfone.) - Eu era Deputado Estadual, depois Federal e, depois, Constituinte.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Na época, onde V. Exª estava?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu não divergi de V. Exª em todos os momentos. Eu só divirjo de V. Exª, quando V. Exª faz uma coisa no particular, pede desculpa, avança nisso...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - No particular, Senador... eu sou um pobre coitado.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) -...vai à reunião da Bancada, defende a candidatura do Presidente Sarney e quando chega publicamente...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu sou um cara que não tem nada, não tenho coisa alguma, Senador.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) -... cumpre perante o País este triste papel; este é um triste papel.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não tenho coisa alguma; não tenho cargo no Rio Grande, no Brasil, nem no governo Itamar, nem no governo Fernando Henrique...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Cumpre este triste papel; cumpre este triste papel.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) -... nem no governo Lula, nem no governo Collor, no governo de ninguém. Eu nunca pedi nada nem tive nada.

            Eu sou uma pessoa que hoje tenho menos que eu tinha há 50 anos, quando entrei na política. Eu sou isso. O que eu faço no particular?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Cumpre este triste papel.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu sou uma pessoa que estou aqui no Senado, não pago a contribuição para a aposentadoria, porque não tenho dinheiro, porque eu só vivo da verba do Senado, e não tenho. Paguei os 16 primeiros anos; esses últimos 16 anos não pago. Não vou somar na aposentadoria, porque não tenho dinheiro para pagar. Quem sou eu no particular? Mas o que é isso, Renan? Quem sou eu no particular?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL. Fora do microfone.) - Senador Simon, eu não estou falando disso. V. Exª sabe muito bem o que estou falando.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu nunca pedi um copo d'água para ninguém; nunca brinquei com ninguém. Não aceitei. Eu sou exageradamente duro comigo mesmo? Sou. Eu sou uma pessoa até ridícula que cobra exageradamente de si? Sou. Minha família sofre com isso? Sim. Tenho meus equívocos? Sim. Mas vamos nos respeitar! Vamos nos respeitar. Sou uma pessoa que todo mundo chama de idiota, porque não recebo a verba de ex-Governador, não recebo a verba de Deputado, não recebo a verba de representação da Casa, vivo com os meus R$16 mil, e vivo mal!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Senador Simon, eu não estou...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - E não cobro nada de ninguém. Cada um age como quer! Não estou cobrando nada de ninguém!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Não tergiverse. Nós não estamos discutindo isso.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Mas não vem cobrar de mim.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Não tergiverse que nós não estamos discutindo isso.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Parente...Itamar ofereceu? O Fernando Henrique ofereceu? Nunca aceitei filho meu trabalhando, nem em cargo de absoluta confiança. Nem quero. Eu sou este homem, rapaz! Quem sou eu no particular? No particular, eu sou um coitado que está aí, sem absolutamente nada, nem casa própria onde morar.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Ninguém está discutindo isso, pelo amor de Deus!

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Quem sou eu?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Ninguém está discutindo isso, Senador Simon! Nós estamos discutindo é que V. Exª foi ao gabinete de Sarney dizer que estava firme com ele, solidário.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não é verdade.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - A nossa Bancada testemunha, um a um, todos os Senadores, que V. Exª insistiu para que o Presidente Sarney fosse candidato à Presidência do Senado.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Senador Renan...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Tudo bem! Tudo bem! Digamos que até aquela hora e eu ainda achava que dava para parar.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Srs. Senadores...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Não tergiverse, não tergiverse. No fundo da questão está 2010. Não tergiverse.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Senador Pedro Simon, Senador Renan...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª quer biombo, quer manter esse debate aceso; não tergiverse, não tergiverse. Não estou discutindo a sua vida privada, nunca discuti a sua vida privada. Eu acho que o senhor é um homem correto.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Ô Líder Renan...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Dois mil e dez o quê? V. Exª está falando no particular...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu acho que o senhor é um homem correto, transparente.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª fala no particular.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu falo das suas ações políticas, que V. Exª não as sustenta, publicamente. Não as sustenta publicamente.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Agora, qual é o problema de 2010, que não estou entendendo?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - É a questão de fundo que, lamentavelmente, V. Exª serve para que esse debate se transforme num biombo.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Biombo para quê? Ô, o quê? Mas o quê? Ô o quê?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - É por isso que muitas vezes,... Senador Simon, é por isso que muitas vezes, por mais esforço que faça, não compreendo V. Exª. Ora, eu digo que V. Exª foi ao gabinete do Presidente Sarney...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - E deve ser grave...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª defendeu o Presidente Sarney na Bancada. V. Exª vem discutir que não gasta verba de gabinete, pelo amor de Deus!

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Se V. Exª não me compreende é porque eu devo ter problemas muito graves que eu vou interpretar.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - E tem. Eu estou lamentando porque eu gosto de V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - E V. Exª é compreensivo, V. Exª é enormemente compreensivo.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Eu estou lamentando porque eu gosto de V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu quero que V. Exª compreenda. É que eu estou na oposição. V. Exª não me compreende.....

(Interrupção do som.)

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Não entende por que ainda estou lá. É isso aí, e eu entendo.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Não, não é isso!

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª é um homem de governo. Eu sou um homem que normalmente estou na oposição. É difícil de se entender.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª é que é um homem de governo...

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - ...depende das circunstâncias.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Sim. V. Exª depende da circunstância.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Qual é a circunstância?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Todas.

            O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Eu fui citado e gostaria de responder.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª nega, aqui, desta tribuna, tudo que faz no particular, nos escaninhos, nos debates internos. É coerência que V. Exª precisava ter que nós estamos cobrando.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª fala em coerência!?

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Ô, Senador Simon, eu conheço V. Exª; os dois pesos e as duas medidas que V. Exª usa.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - V. Exª conhece a mim e o Brasil conhece V. Exª. O Brasil conhece V. Exª.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Srs. Senadores...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Quando o senhor era Ministro da Agricultura, nós tivemos uma importação de carne aqui defeituosa. O Presidente Sarney conhece a correção de V. Exª, que é um homem honesto, mas ele não pediu o afastamento de V. Exª. V. Exª conhece a Por do Sol? V. Exª conhece a Por do Sol?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É impressionante...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Conhece a Por do Sol?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É impressionante... É impressionante...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª conhece a Por do Sol?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Realmente quando a imprensa disse que o Senador Salgado ia buscar fatos da vida de todo mundo é verdade...

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª conhece a Por do Sol?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - S. Exª falou e agora V. Exª está repetindo. Esse fato a que V. Exª está-se referindo aconteceu no Ministério da Agricultura seis meses depois de eu ter saído. Eu era Governador do Rio Grande do Sul. Há um erro nisso tudo. É mentira! Quem informou a V. Exª informou errado. É mentira!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª conhece a Por do Sol? Conhece a Por do Sol?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - É mentira!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - Conhece a Por do Sol?

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Essa importação de carne, esse erro que houve foi no Governo depois de mim! Eu não era mais Ministro!

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL) - V. Exª está aqui falando do neto do Presidente. O País precisa conhecer V. Exª. O País precisa conhecer V. Exª.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu acho que o Brasil precisa conhecer a mim.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL. Fora do microfone.) - Precisa conhecer V. Exª. O País conhece a mim. O País conhece as minhas vísceras.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS. Fora do microfone.) - A V. Exª o Brasil conhece.

            O Sr. Renan Calheiros (PMDB - AL. Fora do microfone.) - Eu abri minha vida pública. V. Exª precisa ser conhecido pelo Brasil.

            O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PMDB - PI) - Srs. Senadores, Senador Pedro Simon, V. Exª é símbolo aqui. Senador Pedro Simon, o seu discurso vai completar duas horas, há dois pedidos para falar, pelo art. 14, e há uma dezena de inscritos. Então, para encerrar, o Senador Pedro Simon.

            Depois, a Presidência, obedecendo aqui ao Regimento, vai dar a palavra aos dois pedidos pelo art. 14. Só podem dois. Daremos um jeito para V. Exª, Senador Cristovam, mas primeiro os dois pelo Regimento.

            Concedo a palavra a V. Exª, Senador Pedro Simon, para encerrar, por favor.

            O SR. PEDRO SIMON (PMDB - RS) - Eu lamento! Eu não imaginava que o Senado fosse reagir assim, mas não era o que eu queria fazer agora. V. Exª é uma pessoa impressionantemente... Em primeiro lugar, o seu poder, a sua Liderança. Saído como saiu da Presidência do Senado, assumiu a Liderança do PMDB. É verdade que não foi uma reunião de Bancada; foram assinaturas colhidas. Foram assinaturas colhidas. Mas isso vale. É claro que o normal seria uma reunião de Bancada, mas foram assinaturas colhidas. E V. Exª agora é um homem forte desta Casa, é um homem que está dando sustentação ao Presidente Sarney.

            Ó, meu Presidente Sarney, chame mais pessoas, não fique atrás apenas da orientação do Senador Renan Calheiros. Eu digo, do fundo do coração, que não me parece seja esse o grande conselho. Chame pessoas como Marco Maciel, chame pessoas que você conhece, da sua intimidade, chame pessoas para conversar, para debater, que eu sinto que há algumas, e o Senador Renan é uma delas, que não estão interessadas nem nesta Casa nem em V. Exª, Senador Sarney. Não, não estão interessadas. Estão usando da maneira que eles acham que devem usar. É uma pena.

            Muito obrigado, Sr. Presidente.


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