Autor
Marcelo Crivella (PRB - REPUBLICANOS/RJ)
Data
12/08/2009
Casa
Senado Federal 
Tipo
Para discursar 

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB - RJ. Pronuncia o seguinte. Sem revisão do orador.) - Srs. telespectadores da TV Senado, Srs. ouvintes da Rádio Senado, Srªs e Srs. Senadores, Sr. Presidente, venho aqui hoje apenas para esclarecer um fato.

            Na segunda-feira pela manhã, dei uma entrevista ao site “Congresso em foco”, muito respeitado. E tenho pelos jornalistas extrema admiração e apreço. Porém, fui surpreendido quando a matéria foi colocada no ar, porque, tentando explicar a crise no Senado, usei uma figura de antítese, dizendo o seguinte: que V. Exª tinha sido acusado de ajudar aliados e ter enriquecido ilicitamente. Por isso, era massacrado pela imprensa. E eu, até por não ter tempo de vida pública, e por nunca ter nomeado ninguém, talvez pudesse ser acusado apenas de empobrecimento ilícito porque doei tudo que ganhei na música e ainda assim era massacrado pelos jornais. E eu, então, usei essas duas figuras, mostrando que cinquenta anos de vida pública e cinco anos de vida pública, e, supostamente, o que o senhor tenha feito e o que eu supostamente não tenha feito, ou o que eu tenha feito e o que V. Exª não tenha feito, não importava, porque o jogo era político, o jogo era um jogo de poder, um processo eleitoral deflagrado com antecipação.

            E, para minha surpresa, eu não me fiz bem entender e acabou que as manchetes saíram apenas - não o que eu disse - de que V. Exª era acusado pela imprensa de ter ajudado aliados e ter enriquecido, como se fosse essa a minha acusação.

            Sr. Presidente, tenho colocado sempre aqui a minha posição. Não avocaria para mim a responsabilidade que cabe ao Conselho de Ética, nem faria qualquer prejulgamento de V. Exª. Aliás, na própria reportagem já há uma assertiva minha de que considero seus anos de vida extremamente positivos e com grandes realizações a favor do Brasil.

            Eu gostaria de dar esses esclarecimento, para que não deixasse transparecer qualquer posição que tenha sido feita numa entrevista e que não se coadune com aquelas que tenho manifestado reiteradamente em nome do meu Partido. E não faço só em meu nome, não. Eu sempre consulto o Vice-Presidente José Alencar e o Senador Roberto Cavalcanti.

           Então, eu gostaria de esclarecer esses fatos. Lamento. Como V. Exª sabe, nesses momentos tumultuosos, muitas vezes, as notícias não condizem com as palavras.

           Agora, não há, por parte do site, qualquer interesse malévolo. Talvez eu mesmo não tenha me expressado bem. Aliás, V. Exª foi vítima disso esses dias, porque um dos nomes que V. Exª disse que não conhecia, eles usaram um homônimo - um homônimo - para dizer que V. Exª mentiu em seu depoimento. Essas coisas são confusas e acabam saindo e prejudicam a nós todos.

            Sr. Presidente, eu gostaria de dizer que estive no Rio de Janeiro na comemoração dos 150 anos da Igreja Presbiteriana, acompanhando o Presidente Lula. Uma solenidade extraordinária! Os presbiterianos chegaram aqui em 1559, com a presença de Ashbel. Naquela ocasião, não se podia ter preleção evangélica no País, nem se podia construir igrejas, tampouco era possível a escola pública ou a escola privada, só havia escolas católicas. Mas, ainda assim, esses missionários, com idealismo, com renúncia, com sacrifício, estabeleceram neste País uma igreja que tem um vulto extraordinário. São mais de vinte mil presbíteros, cinco mil pastores. Eles estão em oitocentos Municípios, eles fundaram a Universidade Mackenzie, eles fundaram grandes escolas, sobretudo no Nordeste, e são um exemplo da fé do povo brasileiro.

            Sr. Presidente, eu gostaria, por último, de lamentar profundamente as notícias injuriosas, as calúnias, infâmias, insultos que têm sido publicados nos jornais brasileiros com relação a um processo que já correu no Supremo Tribunal Federal, que já teve sentença, e a sentença foi de inocentar. Essa tese de que a Igreja Universal arrecada recursos...

            (O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

           O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB - RJ) - Sr. Presidente, eu pediria a V. Exª a generosidade de estender o meu tempo por um pouco mais. O assunto é relevante, mas eu não vou me delongar.

            Essa tese de que pastores tenham pegado dinheiro de ofertas, mandado para o exterior e assim financiado recursos para enriquecer, isso não é novo. Isso já foi denunciado em 1993, com denúncia apócrifa. De lá para cá, a Polícia Federal, a Interpol, o FBI, a Receita Federal e, finalmente, o Supremo Tribunal Federal concluíram que as denúncias não tinham fundamento.

            Eu assisti, novamente, a todo esse calvário, todo esse rosário de acusações voltarem novamente à mídia; mas não fazem jus à verdade. Aliás, a reportagem começa com um equívoco técnico, porque a denúncia não foi aceita pela Justiça. O juiz recebeu a denúncia do Ministério Público e abriu prazo para que a defesa apresente seus argumentos. É bem possível, e eu acredito que isso ocorrerá, que, quando a defesa for apresentada, essa denúncia não seja aceita.

            Agora, se essa denúncia não for aceita, páginas de noticiários, horas de programação de televisão e noticiários de rádio terão sido em vão ou terão apenas proclamado um processo quando, no mínimo, deveria ter sido dado tempo para que a Justiça se manifestasse adequadamente, aceitando ou não.

            Agora, Sr. Presidente, não aguardem que, dessa vez, a interpretação seja a de dar a outra face, ficando calado. Presidente José Sarney, essa é uma lição interessante para nós observarmos. Tenho a impressão de que dar a outra face, muito mais do que a interpretação literal, significa responder mentira com verdades, calúnia com assertivas da realidade, e é isso que faremos. Hoje, o noticiário da TV Record será amplo e colocará na mídia aquilo que vai contraditar todo esse dilúvio de injúrias, infâmias, calúnias e insultos de que fomos vítimas.

            Sr. Presidente, continue contando com a minha solidariedade e a solidariedade do meu partido.


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