Pronunciamento de Jayme Campos em 11/03/2010
Discurso durante a 28ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Manifestação de pesar pela morte do engenheiro matogrossense Domingos Iglesias Valério, falecido no último domingo, aos 83 anos. Questionamento sobre o lançamento, pelo governo federal, de obras para a construção da Ferrovia Centro-Oeste, em pleno período eleitoral.
- Autor
- Jayme Campos (DEM - Democratas/MT)
- Nome completo: Jayme Veríssimo de Campos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
HOMENAGEM.
GOVERNO FEDERAL, ATUAÇÃO.
POLITICA DE TRANSPORTES.
:
- Manifestação de pesar pela morte do engenheiro matogrossense Domingos Iglesias Valério, falecido no último domingo, aos 83 anos. Questionamento sobre o lançamento, pelo governo federal, de obras para a construção da Ferrovia Centro-Oeste, em pleno período eleitoral.
- Aparteantes
- Alvaro Dias.
- Publicação
- Publicação no DSF de 12/03/2010 - Página 6859
- Assunto
- Outros > HOMENAGEM. GOVERNO FEDERAL, ATUAÇÃO. POLITICA DE TRANSPORTES.
- Indexação
-
- HOMENAGEM POSTUMA, ENGENHEIRO, ESPECIALIZAÇÃO, CONHECIMENTO, RECURSOS HIDRICOS, PROFESSOR, UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO (UFMT), COORDENADOR, DEFESA CIVIL, ESTADO DE MATO GROSSO (MT), ELOGIO, DESENVOLVIMENTO CIENTIFICO, PRIORIDADE, ATUAÇÃO, AREA, VIDA PUBLICA, EMPENHO, ASSISTENCIA, MANIFESTAÇÃO, ORADOR, SOLIDARIEDADE, FAMILIA.
- QUESTIONAMENTO, PRESENÇA, MINISTRO DE ESTADO, CHEFE, CASA CIVIL, LANÇAMENTO, OBRAS, TRECHO, FERROVIA, REGIÃO CENTRO OESTE, LIGAÇÃO, MUNICIPIO, URUAÇU (GO), ESTADO DE GOIAS (GO), LUCAS DO RIO VERDE (MT), ESTADO DE MATO GROSSO (MT), ACUSAÇÃO, ORADOR, APROVEITAMENTO, CARGO PUBLICO, BENEFICIO PESSOAL, PROMOÇÃO, CANDIDATURA, PRESIDENCIA DA REPUBLICA, FRAUDE, SUPERFATURAMENTO, OBRA PUBLICA, INEXISTENCIA, PROJETO, EXIGENCIA, RESPEITO, POPULAÇÃO.
- DEFESA, NECESSIDADE, CONCLUSÃO, FERROVIA, LIGAÇÃO, ESTADO DE RONDONIA (RO), ESTADO DO PARA (PA), REGIÃO NORTE, ESTADO DE MATO GROSSO (MT), REGIÃO CENTRO OESTE, ESTADO DE SÃO PAULO (SP), REGIÃO SUDESTE.
| SENADO FEDERAL SF -
SECRETARIA-GERAL DA MESA SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA |
O SR. JAYME CAMPOS (DEM - MT. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Obrigado, é o suficiente para eu falar aqui. Em rápidas palavras, presto aqui uma homenagem a um velho companheiro nosso do Mato Grosso, o saudoso Dr. Domingos Iglesias Valério, que, indiscutivelmente, é uma pessoa que deixa um grande legado para todos nós, mato-grossenses, sobretudo para nossas futuras gerações.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, há aqueles que edificam obras e tornam-se importantes por uma ou duas gerações; há outros que deixam exemplos, e sua influência é mais perene. Mas são raros aqueles que conseguem construir obras físicas e, ao mesmo tempo, levantar alicerces morais em sua comunidade. Assim foi o engenheiro Domingos Iglesias Valério, um profissional que conseguiu, de uma só vez, criar conceitos éticos tão sólidos quanto as obras que edificou.
Mato Grosso acordou mais triste no último domingo com a notícia do falecimento do Dr. Iglesias, aos 83 anos de idade, um homem que dedicou sua vida ao conhecimento científico e à causa dos portadores de necessidades especiais em nossa região. Ele fundou a Apae de Cuiabá em 1970.
Dr. Iglesias foi, por 32 anos, coordenador da Defesa Civil de Mato Grosso. Tive a honra de tê-lo gerenciando este setor em meu Governo. Foi um conselheiro prestimoso, de alta capacidade técnica, humana e de robusta consciência cívica. Ele foi também titular da cadeira de hidráulica do curso de engenharia da Universidade Federal de Mato Grosso, entidade que ajudou a fundar.
Nascido no Município de Pitangui, no oeste mineiro, Dr. Iglesias chegou a Mato Grosso em 1958, após ter participado ativamente da construção da cidade de Boa Vista, hoje capital de Roraima, quando ainda se chamava Território Federal de Rio Branco.
Iglesias começou na atividade pública pelas mãos do Presidente Getúlio Vargas, de quem foi amigo pessoal. Ele também era especialista em ferrovias, e seu primeiro cargo em nosso Estado foi de Diretor do Departamento de Terras de Mato Grosso.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, falar do Dr. Iglesias significa contar a história recente de Mato Grosso, pois ele participou ativamente na elaboração e na implantação dos principais projetos de desenvolvimento da região. Foi um dos precursores da construção da Hidrelétrica de Manso, por exemplo.
Intelectual de formação consistente, era doutor em portos do mar, rios e canais, além de arquitetura, urbanismo e traçado de cidades. Mas seu principal destaque era o desempenho na área de recursos hídricos. Ele foi reconhecido nacionalmente como uma das principais autoridades brasileiras neste setor.
Gostaria, portanto, Sr. Presidente, de externar meus sinceros votos de condolência à sua esposa Dona Norma, aos seus filhos Domingos, Alda, Elizabete, Norma e Ricardo, este último, portador de deficiência mental.
Ao mesmo tempo em que me relembro da importância cívica deste personagem de minha terra, assim como de toda a Nação, requeiro à Mesa desta Casa que sejam enviados votos de pesar do Senado Federal à sua família, aos seus amigos e a todo o povo de Mato Grosso.
Mas, Sr. Presidente, aproveitando a oportunidade, depois de prestarmos a nossa homenagem ao Dr. Iglesias, vimos aqui a nossa Senadora Serys Slhessarenko fazer uso desta tribuna e dizer que a Ministra Dilma Rousseff estará, no próximo dia 15, em Lucas do Rio Verde, lançando o projeto das obras da ferrovia, que vai de Uruaçu a Lucas do Rio Verde, cortando o nosso Estado do Mato Grosso, chamando-se Ferrovia Centro-Oeste, e, depois, prosseguindo até o Estado de Rondônia. A mesma Ministra, imagino, estará sábado também no Estado de Rondônia e, na segunda-feira, em Lucas do Rio Verde. Ora, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, acho que é uma total incoerência, que me desculpem aqui o Presidente Lula, a Ministra Dilma, o Sr. Ministro dos Transportes.
Eu quero crer que isso é um estelionato, uma fraude, que o Governo Federal está praticando contra nós, mato-grossenses, sobretudo contra aquela população do longo da BR-163, área de grande produção agrícola.
É óbvio e evidente que nós gostaríamos imensamente de que essa obra representasse a redenção do nosso Estado, principalmente nessa região produtora. Todavia, ela mesma aqui, fazendo uso desta tribuna, disse que a ALL, empresa concessionária da Ferronorte, talvez vá perder a concessão.
Lamentavelmente, Srªs e Srs. Senadores, o Governo Federal, na década de 1990, chegou com a ferrovia até a cidade de Alto Araguaia, e todos nós, Senador Inácio, sonhamos um dia que essa ferrovia chegue até Cuiabá, e até hoje, lamentavelmente, após o Presidente Fernando Henrique deixar a Presidência, essa obra não prosseguiu nenhum metro. Essa luta nossa tem sido incessante para que essa obra prossiga de Alto Araguaia, demandando a Rondonópolis, indo até a cidade de Cuiabá, que é a capital do Estado.
Desde 1964, o querido e saudoso Senador Vicente Vuolo tinha como bandeira aqui lutar todos os dias, neste Congresso Nacional, pedindo a implantação dessa ferrovia, e hoje ela se encontra parada, sem nenhum recurso, e principalmente detentora do contrato, da concessão, que é uma concessão draconiana. Recebeu a concessão por 90 anos e, lamentavelmente, essa ferrovia não prosseguiu sequer um centímetro, um milímetro de onde parou; e foram recursos do BNDES, recursos da Sudam, do FCO e de outros bancos, como o Banco do Brasil.
Portanto, espero que o Governo Federal, de fato, faça essa obra. Mas não nesse espírito eleitoral, em que o Governo, lamentavelmente, está lançando centenas de obras em todo o País. Assim não se chega a lugar nenhum! Tanto é verdade que, lá em Mato Grosso, o PAC foi lançado com 500 festas e 50 mil dúzias de foguetes. Nenhuma delas está sendo concluída; muito pelo contrário. A BR-158 - que também é um sonho nosso - foi lançada já por quatro vezes, com a presença do Diretor-Geral do Dnit, com a presença do Ministério dos Transportes e assim por diante. E, no ano de 2009, pelo que me consta, dos 300 km de rodovia, até agora foram feitos apenas 22 km. De tal maneira que eu espero - claro e naturalmente eu gostaria, como todo mato-grossense - que essa rodovia fosse uma realidade.
Ouvi aqui vários oradores, não só nas comissões, como no plenário - e o próprio Presidente Lula -, criticando o Governador José Serra, dizendo que ele foi a Santos lançar a maquete de uma ponte. Mas o pior é que Serra tem, ao menos, a maquete de uma ponte entre Santos e Guarujá. Isto aqui, Senador Alvaro Dias, é uma farsa: a Ministra Dilma irá, segunda-feira, lançar uma obra de R$4,6 bilhões que não tem nem projeto, nem traçado ainda. Será o maior estelionato, a maior fraude que está sendo praticada contra a sociedade mato-grossense.
E aqui eu quero mostrar a minha indignação na medida em que não é só essa, mas outras tantas e tantas fraudes que estão praticando neste imenso País, apenas com cunho eleitoreiro e político pessoal.
Ora, nós não podemos concordar. O povo de Mato Grosso não é idiota, o povo de Mato de Grosso não é imbecil; o povo de Mato Grosso quer obra concreta, sobretudo aquelas que são resolutivas, principalmente nós que somos hoje uma área de grande produção agrícola. Ou seja, nós somos os maiores produtores de soja do Brasil; hoje nós somos o Estado que têm o maior rebanho bovino, que é o maior produtor de algodão, e queremos, com certeza, um transporte intermodal. Todavia essa farsa não pode continuar neste exato momento, no período eleitoral. Nós temos que denunciar à Nação brasileira todo esse estelionato e fraude que estão sendo praticados, do Paraná a São Paulo, de São Paulo a Mato Grosso, a Rondônia e assim por diante.
Portanto, venho aqui dizer que espero que o Governo Federal minta menos e faça com que nós, brasileiros, possamos acreditar de tal maneira que essas obras que estão sendo anunciadas, que serão lançadas, possam ser concretizadas, pelo menos parte delas, em termos de fatos concretos.
Concedo um aparte ao Senador Alvaro Dias.
O Sr. Alvaro Dias (PSDB - PR) - Obrigado, Senador Jayme Campos. Gostaria de cumprimentá-lo pela oportunidade do pronunciamento e contribuir dizendo o seguinte: que essa história da maquete é uma mentira.
(Interrupção do som.)
O Sr. Alvaro Dias (PSDB - PR) - Aliás, a mentira tem sido uma arma utilizada reiteradamente pelo Governo para esconder os seus equívocos e garantir popularidade ao Presidente da República. O Governador Serra mostrou uma maquete a Prefeitos e assinou convênios com os Prefeitos, anunciou um empreendimento; ele não inaugurou uma maquete. Quem inaugura obra já inaugurada por outros Governos é o Presidente Lula e a Ministra Dilma. Quem faz campanha eleitoral inaugurando obras de Governo Estadual é o Presidente Lula com a Ministra Dilma. Está aqui no jornal O Globo uma obra... Isso é apropriação indébita, inaugurar uma obra que outros construíram. E mais: fazer campanha aberta, escancarada. A Procuradora veio a Brasília denunciar ao TSE. Está aqui em O Globo também a denúncia de uma campanha aberta, inclusive com a Benedita pedindo votos para a Dilma na festa oferecida pelo Governo Federal. Dinheiro público, campanha eleitoral, crime eleitoral, afronta à legislação. E, amanhã, o Presidente Lula estará no Paraná. Fazendo o quê? Inaugurando uma obra acabada? Não. Visitando uma obra superfaturada. O Presidente Lula irá à Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, e afirmam que vai inaugurar parte da obra. Ou seja, estão inovando: inauguram uma parte da obra. A obra não foi concluída, inauguram uma parte. E uma obra superfaturada. O Presidente passou sobre o Congresso Nacional, sobre o Tribunal de Contas, vetou aquilo que o Congresso Nacional impôs como moralização para impedir o repasse de recursos a uma obra superfaturada. O Presidente vai visitar a obra superfaturada. E depois ele vai a Londrina, minha cidade. Inaugurar uma obra do Governo? Não. Inaugurar uma obra de uma empresa privada. Na verdade, o Presidente vai ao Paraná na tentativa de construir uma obra. Sabe qual é a obra? O palanque da Dilma Rousseff, a sua candidata à Presidência da República. V. Exª está de parabéns, Senador Jayme Campos, pela coragem em denunciar esses equívocos do Governo.
O SR. JAYME CAMPOS (DEM - MT) - Obrigado, Senador Alvaro. Eu não poderia jamais deixar de vir a esta tribuna e, naturalmente, fazer este alerta ao povo de Mato Grosso, sobretudo ao Poder Executivo que pensam que nós, mato-grossenses, somos totalmente desavisados em relação a fraudes. Entretanto, quero aqui deixar muito claro: não há ninguém que queira mais que esta obra aconteça que o Senador Jayme Campos. Até pela minha história como mato-grossense, como ex-Governador, como Prefeito da minha cidade por três vezes. A obra é importantíssima. Hoje nós temos ali, naquela região, várias empresas de porte, como a Sadia Oeste, que só dentro da indústria, da fábrica, tem 4 mil funcionários. É uma área altamente rica, produtiva; as perspectivas são as melhores. Agora, não podemos concordar na medida em que nem a Ferronorte chegou a Cuiabá e imaginam uma obra de 1.600km, ligando Uruaçu (GO) a Lucas. Isso é sonho, em que pese o Rui Barbosa já dizia: “Ai de nós se não houvesse sonhadores”. E nós sonhamos com o dia em que a Ferronorte chegará a Cuiabá, em que essa ferrovia chegará a Lucas do Rio Verde. Entretanto, acho que o momento é inoportuno, tendo em vista que estamos num momento político nacional.
(Interrupção do som.)
O SR. JAYME CAMPOS (DEM - MT) - Por que não se lançou essa obra há um ano, há dois anos? Exatamente agora, há menos de três meses das convenções que vão acontecer no Brasil, é que a Ministra Dilma Rousseff entendeu que essa obra é importante para melhorarmos o transporte de Mato Grosso, que é um dos piores transportes, tendo em vista o que nós pagamos. Lamentavelmente, os nossos custos de transporte são os mais altos do Brasil. Contudo, mesmo assim, nossos produtores, nossos empresários são competentes e têm demonstrado que, mesmo com esse transporte precário e, sobretudo, oneroso, nós temos ainda sido um Estado que tem produzido e ainda temos sido competitivos, não só no mercado nacional, mas no mercado internacional.
Portanto, Sr. Presidente, muito obrigado pela oportunidade. Espero que o Governo Federal reveja sua forma de fazer política, respeitando todos nós, brasileiros.
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