Pronunciamento de Geraldo Mesquita Júnior em 12/03/2010
Discurso durante a 29ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Homenagem às mulheres de todo o país pelo transcurso do Dia Internacional da Mulher, saudando as mulheres na figura da acreana Dercy Teles, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri. Defesa da realização de festividades na comemoração dos 50 anos de Brasília, porque esta homenageará os brasileiros que a construíram.
- Autor
- Geraldo Mesquita Júnior (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/AC)
- Nome completo: Geraldo Gurgel de Mesquita Júnior
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
HOMENAGEM.
GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF).
CALAMIDADE PUBLICA.:
- Homenagem às mulheres de todo o país pelo transcurso do Dia Internacional da Mulher, saudando as mulheres na figura da acreana Dercy Teles, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri. Defesa da realização de festividades na comemoração dos 50 anos de Brasília, porque esta homenageará os brasileiros que a construíram.
- Aparteantes
- Cristovam Buarque.
- Publicação
- Publicação no DSF de 13/03/2010 - Página 7021
- Assunto
- Outros > HOMENAGEM. GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF). CALAMIDADE PUBLICA.
- Indexação
-
- HOMENAGEM, DIA INTERNACIONAL, MULHER, LEITURA, TRECHO, TEXTO, AUTORIA, ASSESSOR, ORADOR, CUMPRIMENTO, CIDADÃO, ESTADO DO ACRE (AC), PRESIDENTE, SINDICATO, TRABALHADOR, COMUNIDADE RURAL.
- DEFESA, REALIZAÇÃO, HOMENAGEM, CINQUENTENARIO, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, BRASILIA (DF), DISTRITO FEDERAL (DF), INDEPENDENCIA, CRISE, NATUREZA POLITICA, DEPOIMENTO, INFANCIA, ORADOR, CAPITAL FEDERAL, INGRESSO, UNIVERSIDADE DE BRASILIA (UNB), IMPORTANCIA, PARTICIPAÇÃO, SENADO, COMEMORAÇÃO, OPORTUNIDADE, ANALISE, SITUAÇÃO, OBJETIVO, EXTINÇÃO, CORRUPÇÃO.
- ELOGIO, PATROCINIO, JARDIM BOTANICO, APRESENTAÇÃO, MUSICA, OBJETIVO, ARRECADAÇÃO, FUNDOS, DESTINAÇÃO, ATENDIMENTO, VITIMA, ABALO SISMICO, PAIS ESTRANGEIRO, REGISTRO, INICIATIVA, SEMINARIO, AMBITO INTERNACIONAL, PARTICIPAÇÃO, MEMBROS, MERCADO COMUM DO SUL (MERCOSUL), REALIZAÇÃO, BRASILIA (DF), DISTRITO FEDERAL (DF), DEBATE, BIODIVERSIDADE, AMERICA.
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O SR. GERALDO MESQUITA JÚNIOR (PMDB - AC. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Ilustre amigo, Senador Paulo Paim, Srs. Parlamentares presentes, assumo hoje a tribuna para escancarar o meu apreço, a minha admiração e o meu compromisso com Brasília; e darei as razões do porquê falo isso.
Antes, ressalto que, nesta semana, exatamente no dia 8, comemorou-se o Dia Internacional da Mulher e, aqui no Senado, houve uma sessão especial de homenagem às mulheres. Infelizmente, não pude me fazer presente porque cumpria uma agenda oficial. Estava participando da reunião do Parlamento do Mercosul em Montevidéu e não me fiz presente por essa razão. Mas acho que nunca é tarde para homenagearmos as mulheres. E queria fazê-lo em nome de uma acreana, uma acreana brava e valente, uma mulher simples do povo: Dercy Teles, atual Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri. Eu queria homenagear todas as mulheres do meu País na pessoa de Dercy Teles e o faço lendo uma crônica escrita em torno da figura dela por um assessor de imprensa meu, Stelio. Essa crônica abre uma grande entrevista feita com Dercy, que será publicada brevemente no segundo volume de uma obra nossa do gabinete, “Brava gente acreana”. É um compêndio, Senador Paulo Paim, que traz o depoimento e a entrevista de pessoas de todos os cantos do meu Estado, que têm uma referência e uma história no Estado. O conjunto dessas entrevistas forma um mosaico da história acreana.
Já tivemos a primeira publicação Brava gente acreana , e estamos, em pouco tempo, oferecendo ao povo acreano o Brava gente acreana II. Essa obra trará uma entrevista - longa inclusive - com Dercy Teles. Como eu disse, capeando essa entrevista, Stelio fez uma crônica muito bonita em torno da pessoa e da figura de Dercy Teles, que vou me permitir rapidamente ler. Ele chama Dercy de “a dama da roça”:
“Ela não é a primeira mulher na trincheira sindical acreana, não é a primeira negra a lutar pelos direitos dos trabalhadores e muito menos não é a primeira sindicalista a colocar a cabeça a prêmio, quando os que estão no poder apostam na venialidade humana. Mas Dercy, sem dúvida, é a primeira mulher, a primeira negra e a primeira sindicalista a dizer não a antigos companheiros que venderam a alma ao diabo.
E também é a primeira a resistir, na pacata Xapuri, aos broncos que fizeram da luta alheia sua bandeira de hipocrisia. E o mais bonito, ela diz não sem perder a ternura jamais. Também pudera, Dercy aprendeu a lutar rezando o catecismo de uma certa teologia, que até para os papas, ainda hoje, é pura subversão, coisa de quem não enxerga a bondade dos governantes, parceiros dos poderosos e tão zelosos para com os donatários de Deus, os donos da igreja aqui na terra, que influenciam até mesmo os sem-terra nenhuma.
Durante toda a sua vida, esse misto de mel e fel morou em apenas duas colocações, ambas no mesmo seringal, o Boa Vista, e por ter vista boa foi de onde percebeu a exploração do homem pelo homem e se indignou com a miséria feita moeda de troca entre governos e fazendeiros, e mais ainda com a hedionda pequenez dos grandes, mais hediondos ainda.
Por isso, movida por sede de justiça e pelo sonho de cidadania para os seringueiros, ela se juntou a Chicos e Raimundos, a Marias e Bernadetes, a Josés e Joãos, a Pedrinas e Conceições e Wilsons e Damiãos e a tantos e tantos outros companheiros e companheiras para empates e desempates da luta dos trabalhadores.
Muitos desses irmãos e irmãs padeceram na luta; outros e outras soterraram seus sonhos nos porões do poder. Mas Dercy, a Dercy não; ela continua dizendo “não”, docemente dizendo “não”.
É que a dama da roça não se ilude: nem só de feijão e arroz se faz um cidadão. E quem disposto a também dizer ela lhe estende a mão.
Portanto, a nossa homenagem, Senador Paim, às mulheres brasileiras, às bravas mulheres brasileiras, na figura de Dercy Teles, que V. Exª, tenho a certeza absoluta, gostaria muito de conhecer. Espero um dia apresentá-la a V. Exª, porque se trata de uma mulher de fibra.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT - RS) - Faço questão, Senador Geraldo Mesquita Júnior, de ter essa oportunidade.
O SR. GERALDO MESQUITA JÚNIOR (PMDB - AC) - Como V. Exª foi, ela é uma dirigente sindical, e continuará sendo por muito tempo, uma pessoa equilibrada, uma pessoa que conhece a realidade do povo acreano, principalmente daqueles que vivem na mata, na roça, no campo, o sofrido trabalhador rural acreano.
Portanto, a minha homenagem aqui à mulher brasileira na pessoa da líder sindical Dercy Teles.
Como disse no início da minha fala, quero, hoje, aqui, também escancarar, Senador Pedro Simon, o meu apreço, a minha admiração e o meu compromisso com Brasília.
O meu amor e o meu compromisso com o Acre não estão em questão aqui. Nenhum acreano, nenhuma acreana deverá sentir uma pitada de ciúmes pelo que estou dizendo. Meu amor pelo Acre e pelos acreanos chega a ser físico, está aqui no coração. É uma coisa que só desaparecerá quando eu morrer. Mas, olhe, Brasília está vivendo um drama, e eu não vou me esconder detrás desse drama para me omitir, em relação aos seus 50 anos, Senador Pedro Simon.
Brasília acolhe e acolheu tanta gente nesses 50 anos, e principalmente os Poderes da República. O Congresso Nacional tem, no mínimo, um pleito de gratidão com Brasília, porque aqui nos acomodamos, aqui trabalhamos anos e anos e precisamos separar o joio do trigo. Não é o drama que Brasília está vivendo que vai nos fazer com que, pelo menos individualmente, a gente festeje, Senador Paim. Eu quero festejar. Eu estou incomodado. Eu estou incomodado!
Eu vou lhe dizer uma coisa, Senador Paim: a primeira vez que cheguei aqui foi em 1961. Eu vim estudar. A minha mãe, de forma iluminada, percebeu que, moleque, lá em Rio Branco, a cidade era nossa, e que a gente queria mais era brincar e se divertir, ela achou por bem dar um prumo em minha vida, porque a tentação da brincadeira, do corre-corre com os colegas e com as colegas era muito grande. E vim para Brasília morar com o meu padrinho de batismo e minha madrinha de batismo, José Meira e Assunção. Ele, bancário, do Banco do Brasil, uma pessoa boníssima, mas séria, rigorosa, digamos assim, e me colocou no prumo. Fui estudar no Caseb, uma escola pública daqui. Fiz o ginásio. Em seguida, fui estudar no Centro Integrado de Ensino Médio da Universidade de Brasília, Senador Paim. Foi uma experiência pioneira aqui em Brasília de uma escola de Ensino Médio, e que funcionava no campus da Universidade de Brasília. Fiz o científico ali. Participei de tudo aquilo, inclusive do movimento estudantil.
Meu pai, em 1962, elegeu-se Deputado Federal e, no início de 1963, estava aqui. Eu vim antes dele inclusive. Foi um momento, ao mesmo tempo, muito bonito, grandioso, mas muito complicado aqui em Brasília. Em seguida, entrei na UnB. Todo aquele drama que os estudantes brasileiros viveram, nós vivemos aqui também: invasões da universidade pela polícia, morte de estudantes, prisão de estudantes. Todos devem lembrar do famigerado Decreto nº 477. Era o AI-5 dos estudantes. Fui na primeira leva. Logo da sua edição, a primeira leva de 30, 40 estudantes, eu lá estava como expulso da Universidade de Brasília, pelo Decreto nº 477.
Brasília acolhedora, Brasília amiga, Brasília solidária, Senador Paim, Brasília gostosa, Brasília gostosa.
Brasília, como disse, com tanta generosidade nos recebe aqui, com tanta generosidade.
Falava há pouco com o Presidente Sarney e senti da parte dele também a necessidade de, independentemente do que acontece na esfera de Poder de Brasília, de o Senado render a sua homenagem a Brasília. Senti isso no Senador Sarney. Vou conversar mais ainda com ele, com os senhores, com o cerimonial desta Casa, porque não podemos passar em branco, Senador Paim. Todos nós temos o dever de prestar uma homenagem a Brasília nos seus 50 anos, por mais singela, por mais simples que ela seja. Uma exposição aqui no Salão Negro, por exemplo. Tem gente, Senador Paim, que fez arte, que fez cultura em Brasília, iniciou-se aqui, ganhou o mundo, e que nos cobra, nos cobra: o que vamos fazer? Eles querem participar, querem extravasar o amor que têm por Brasília também. Acho que o Senado pode cumprir um papel importantíssimo nisso.
Ontem, colhi uma expressão usada pelo Senador Cristovam, que achei fantástica: “Até um enfermo comemora o seu aniversário”. Brasília está enferma? Está. Agora, vamos nos omitir, vamos nos esconder em algum biombo, com vergonha do que está acontecendo em Brasília, e nos omitir de festejar os 50 anos de uma cidade que acolhe os Poderes da República? Uma cidade que acolheu gente de todo este Brasil? Uma cidade que, aos trancos e barrancos, se constituiu no lugar de todos os brasileiros? É a nossa Capital, Senador Buarque!
Eu não vou me esconder atrás da hipocrisia para negar o meu direito de festejar 50 anos de Brasília.
Todos nós temos o nosso compromisso com os nossos Estados que aqui representamos. Mas Brasília é a síntese do Brasil, é a síntese do povo brasileiro. E para aqueles que passaram alguns anos, muitos anos aqui nesta Capital esse compromisso é mais acentuado.
Senador Paim, tem gente se mexendo para todo lado, alguns até de forma desarticulada, porque rompeu-se, assim, a cadeia de articulação dos festejos de Brasília. Mas têm iniciativas para todo lado, Senador Buarque. Eu acho que o Senado precisa prestar uma homenagem a Brasília de alguma forma. De alguma forma precisamos trazer essa juventude, esse pessoal que se iniciou aqui em Brasília, fazendo arte, fazendo cinema, fazendo música. É gente que não acaba mais! Esse pessoal está ansioso por uma instituição, Senador Buarque, que possa canalizar toda essa admiração que eles têm por Brasília. Veja, quando eu falo de iniciativas que estão ocorrendo nesta cidade que é nossa, o Jardim Botânico de Brasília achou uma forma inteligente de festejar Brasília, Senador Paim, de forma diferente, trazendo a solidariedade ao povo do Haiti. O Jardim Botânico, no próximo dia 17, patrocinará um grande show no Teatro Nacional, na sala Villa Lobos, Senador Buarque, de tanta história nesta cidade. O nome do show: Fraternidade ao Haiti. Você compra o ingresso, e o valor desse ingresso será canalizado para alguma ação de solidariedade ao povo do Haiti. Olhe que coisa inteligente! Por ocasião desse grande encontro, será lançado o I Fórum de Biodiversidade das Américas.
Lá, no nosso Parlamento do Mercosul, nós temos um projeto aprovado que prevê a realização de um grande seminário internacional, reunindo os jardins botânicos dos países que fazem parte do Mercosul e associados, para um grande encontro aqui em Brasília, em que se vai discutir biodiversidade, o papel dos jardins botânicos, a necessidade de eles passarem de algo estático, ambiente em que as pessoas vão contemplar, para algo positivo, concreto, de educação ambiental. Jardim botânico precisa cumprir um papel mais proativo.
Esse fórum, esse grande seminário que deverá ocorrer com a participação dos jardins botânicos representantes dessas entidades nos países latino-americanos que fazem parte do Mercosul e daqueles que são associados será coordenado pelo Jardim Botânico de Brasília. Está aqui a forma que o Jardim Botânico encontrou, uma delas: fazer um grande show, festejar Brasília, mas com foco na solidariedade ao povo do Haiti e também na necessidade de discutirmos, por ocasião do Fórum da Biodiversidade das Américas, o nosso papel, o que queremos, para onde vai o mundo, onde a gente insere a questão ambiental.
Não vou me estender, Senador Paim. Fiquei muito feliz com a conversa que tive, há pouco, aqui, com o Presidente Sarney. Vou, em seguida, procurar o pessoal do cerimonial do Senado. Vamos trazer gente para conversar, gente que tem ideias, gente que tem inteligência nesta Capital, que possa nos dizer que papel o Senado deverá cumprir por ocasião desses festejos.
Senador Buarque, concedo, com muito prazer, a V. Exª um aparte.
O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Senador Geraldo Mesquita, fico feliz de escutar suas palavras porque neste momento em que, de fato, Brasília, por culpa de nossos governantes e de todos nós, de uma maneira direta ou indireta, vive essa situação, criou-se um sentimento geral de tratar Brasília como se fosse algo desprezível do ponto de vista político, misturando, como uma coisa só, governo e povo, atividade administrativa e gente. O seu discurso resgata a ideia de que existe uma Brasília que vai além da Capital, uma Brasília de seus moradores, de dois milhões de habitantes, uma parte apenas deles voltada para a atividade federal, e ao mesmo tempo resgata a epopeia de um povo brasileiro que fez o que ninguém imaginava que era possível: uma Capital onde não havia nada e a mais de mil quilômetros de distância dos grandes centros. Então, o senhor resgata isso e me deixa muito feliz. Eu aproveito para lembrar que a doença de um Estado não é só a doença de ter o Governador preso. Existe essa doença que vem da corrupção no comportamento de políticos, mas tem uma doença na corrupção das prioridades sociais. Ninguém vê como corrupção, ninguém vê como doença um Estado onde as crianças estão fora da escola. É doença! Doença não é só o que vive hoje Brasília do ponto de vista da política. Doença é o que vivem muitos Estados do ponto de vista da sociedade. Estado em guerra civil não é uma doença? Então, o Estado onde político rouba, ele deve ser punido, como todos estamos de acordo. Agora, um Estado onde o político usa o dinheiro, sem roubar, a serviço de obras suntuosas, desnecessárias, abandonando o povo lá na ponta, na educação, na saúde, na segurança, isso não é corrupção nem é doença? É doença também! Cada vez que a gente vê na televisão, Senador Paim, fila de pessoas para serem atendidas, isso não é doença do Estado por conta do sistema de saúde abandonado que a gente vê? Nós, os Estados, estamos doentes. Alguns doentes socialmente, alguns doentes eticamente. Brasília está doente sobretudo eticamente, e a gente reconhece, e a gente assume, e a gente quer encontrar um rumo diferente e servir de exemplo ao Brasil inteiro, mostrando que é possível ter uma estrutura governamental, estadual, onde não haja possibilidade de roubar, porque não adianta dizer que vai escolher governador honesto, porque ele pode ficar ladrão no meio do mandato dele. A gente tem que ter um sistema administrativo em que até um ladrão eleito não consiga roubar, que ele prefira continuar assaltante na rua do que ser governador porque, como governador, o Estado vai estar mais protegido do que as casas são protegidas. Então, eu fico feliz quando o senhor traz este lado de que doente também comemora aniversário. Todas as outras cidades do Brasil, mesmo aquelas que estão doentes pelo abandono da educação, doentes pelo abandono da saúde, doentes pelo abandono da segurança, doentes pelo abandono do crescimento econômico, todas elas têm direito de comemorar seus aniversários. E vamos aproveitar o momento para refletir sobre os erros cometidos e tentar encontrar um novo rumo. Finalmente, eu fico satisfeito também quando o senhor fala, lembrando que esta cidade, hoje, é um polo importante de atividade cultural. Daqui saíram quase todos os grandes grupos de rock do Brasil. Esse é um polo importante em todas as artes, é um polo na produção de bens de alta tecnologia, é um polo no atendimento de saúde de alta sofisticação tecnológica em alguns hospitais. Esse é um centro já - começa a ser - de indústria, de comércio e até de agricultura, neste minúsculo território que nós temos. Então, nós somos muito mais do que aquilo que está aparecendo. Quase metade da população já nasceu no Distrito Federal. Vamos caçar os direitos eleitorais dessas pessoas porque um ou dois mesmo, ou mais governos, foram coniventes com o desvio de dinheiro? Não podemos. Vamos condenar à morte a Brasília doente, enquanto fechamos os olhos para a doença dos outros? O Estado do Acre, há algum tempo, tinha Deputado que esquartejava gente. O Acre se juntou e deu a volta por cima nisso. O Espírito Santo, até há pouco tempo, era comandado pela máfia. Todos sabiam. Um Governador chegou e acabou com isso, conseguiu resolver esses problemas. Nós podemos também aqui, o povo de Brasília, sem necessidade de intervenção, resolver esse assunto. Nós precisamos de tempo, precisamos de compreensão. Agora, vamos comemorar esses 50 anos sim, como o senhor defende, até porque é uma homenagem aos brasileiros, e não aos brasilienses. Esses 50 anos foram viáveis, foram possíveis por causa dos brasileiros que vieram de todo o País para construir esta cidade. Essa cidade não foi construída, num primeiro momento, por nós, brasilienses, foi construída pelos que vieram de fora. Eu próprio não nasci aqui. É uma homenagem ao Brasil comemorar os 50 anos de Brasília. E aí, sim, aproveitar esse momento para refletir e para ouvir cobranças do resto do Brasil. Olha, vocês precisam ser mais cuidadosos, tanto na escolha como na fiscalização dos políticos. Venham cobrar de nós, para que sejamos mais cuidadosos na hora de escolher os governantes e mais fiscalizadores no momento de observar como eles estão agindo. Então, felizmente um Senador vem aqui e se manifesta entendendo a crise, não fechando os olhos pra crise, não querendo esconder o que está de errado do Governador e de nós todos, habitantes daqui, que de alguma maneira temos responsabilidade com tudo isso, embora todos me digam que não temos. Temos, indiretamente. Até os que são contra esse Governo têm, porque não conseguiram ganhar contra ele. Quando a gente perde uma eleição nós somos culpados também. E eu já perdi uma. E não jogo a culpa em quem venceu pra mim. Fui incapaz de ganhar aquela reeleição de 1998. A culpa é minha de perder. Não só minha, dele também, pelos instrumentos que usou. E minha, porque não fui capaz de enfrentar competentemente aquilo e ter os votos necessários. Então, o senhor traz isso sem nenhum alisamento, sem passar a mão na cabeça de Brasília, mas também sem esquecer que essa cidade é uma conquista, é uma vitória, é uma obra do povo brasileiro e por isso deve ser comemorada no seu cinquentenário.
O SR. GERALDO MESQUITA JÚNIOR (PMDB - AC) - Muito obrigado, Senador Buarque. Eu substituiria toda a minha fala pelo seu aparte, porque é mais denso, mais enriquecedor e explicita melhor aquilo a que eu me propunha fazer aqui.
Que há uma crise, há! Ninguém pode fechar os olhos para ela. Como dizia já um grande filósofo, a crise é a parteira da história, Senador Buarque. Melhor que ela não exista, mas se existir ela pode produzir algo bom lá na frente. E é isso que nós devemos perseguir, é isso que nós devemos procurar: tirar proveito dessa crise para melhorar ainda mais Brasília, as suas instituições. Agora, não podemos fingir que estamos envergonhados - estamos envergonhados, não precisa fingir, nós estamos envergonhados. Agora, não é essa vergonha, não é essa decepção que vai nos afastar do compromisso de festejar Brasília. Fico muito feliz e, claro, nem poderia ser diferente.
A sua postura de Senador por Brasília, de homem comprometido com Brasília, com a UnB, com a cultura, com a educação, não poderia ser diferente a sua postura e jamais esperei que algo diferente viesse de sua parte. Eu quero ser é seu aliado, para que a gente possa vislumbrar a forma de... Eu acho de fundamental importância, Senador Buarque, que o Senado tenha uma participação efetiva nesses festejos. Eu acho até que o Senado não pode nem deixar de ter. Seja o que for, uma grande exposição aqui no Salão Negro, exposição que possa ser o carro-chefe de uma grande manifestação desse pessoal que fez e faz cultura em Brasília, Senador Buarque. O Senhor lembrou bem, Brasília é um polo cultural da maior importância deste País. Daqui saíram expressões da arte brasileira para o Brasil inteiro, para o mundo afora, inclusive. Esse povo está ansioso porque se fala, por exemplo: “Vamos trazer Madonna.” Que trazer Madonna, por quê? Tem que trazer essa garotada toda, alguns já de meia idade que ralaram aqui em Brasília, ralaram para fazer arte, para fazer cultura, vamos trazer essa rapaziada toda, essa moçada toda e vamos com eles festejar os 50 anos de Brasília.
Digo a V. Exª e digo a todos: não abro mão desse compromisso, não abro mão. Como V. Exª diz, todos temos culpa com Brasília, com os nossos Estados no processo de extirparmos esse cancro que é a corrupção; todos somos responsáveis por isso; vamos, agora, festejar os 50 anos de Brasília. Tenho certeza absoluta, Senador Paim, que, com o apoio do Presidente José Sarney, manifestada há pouco ali - há pouco sentávamos ao lado dele e conversávamos -, tenho certeza absoluta que o Senado terá uma participação importante, significativa nos festejos dos 50 anos de Brasília.
Muito obrigado pela consideração.
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