Autor
Jayme Campos (DEM - Democratas/MT)
Data
31/03/2010
Casa
Senado Federal 
Tipo
Para discursar 

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. JAYME CAMPOS (DEM - MT. Pela Liderança. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente Mão Santa, Srªs e Srs. Senadores, antes de iniciar de fato o meu pronunciamento, realmente tem toda razão o Senador Paulo Paim quando fala aqui do projeto de lei que se encontra já na Câmara, o dos nossos aposentados.

            Já demanda algum tempo, agora chegou o momento de os nossos Deputados votarem esse projeto, tendo em vista a importância que tem para os nossos aposentados. Não pode passar em hipótese alguma deste mês, no máximo do mês que vem, até porque daqui para lá imagino que muitos velhinhos vão morrer de fome por falta de um salário, de uma aposentadoria mais digna.

            Sr. Presidente, o que me traz hoje a esta tribuna é falar das mudanças no campo político-administrativo do Mato Grosso. Nesta oportunidade deixou o Governo estadual Blairo Maggi, assumindo o Vice-Governador, Silval Barbosa. Também deixa a prefeitura da capital, Cuiabá, o companheiro professor Wilson Santos, assumindo, o nosso companheiro professor Francisco Galindo, o cargo de Prefeito daquela cidade.

            Mas, Sr. Presidente, entre as raízes mais profundas do Estado de Direito, a alternância de poder impõe-se como o instituto político mais puro e saudável da democracia. A sucessão pacífica e tranquila de governantes consagra-se como a travessia do tédio para a renovação da esperança. Abre-se como um alvorecer, banhando de luz a autoconfiança de toda a comunidade.

            Se a intolerância é capaz de cegar a coerência e, muitas vezes, mutilar os próprios interesses coletivos, a sucessão republicana lança um farol intenso sobre os males que se escondem à sombra do continuísmo.

            A substituição dos agentes públicos cria pontes invisíveis, permitindo a travessia da rotina para o idealismo, ao mesmo tempo em que projeta a construção de novos cenários políticos em favor da sociedade.

            Quando um governante deixa seu posto, ele estabelece uma aliança com a história. Seu legado não pertence mais somente a ele ou a uma facção; sua herança institucional é invariavelmente incorporada à memória de uma geração; suas obras modificam a paisagem, mas suas atitudes políticas transformam vidas.

            Há uma tênue diferença entre governantes e estadistas: o governante olha para o presente, enquanto que o estadista antevê o futuro; o governante edifica construções, já o estadista remove as estruturas para sedimentar o terreno; o governante renuncia ao cargo, o estadista jamais se afasta de suas obrigações.

            Mas, Sr. Presidente, Mato Grosso vive hoje um dia especial. Tomam posse, respectivamente, o Sr. Silval Barbosa, como Governador do Estado, como disse, em substituição ao empresário Blairo Maggi, e o Sr. Francisco Galindo como Prefeito de Cuiabá, na vaga do professor Wilson Santos. É, portanto, um momento de jubilo democrático, uma data para ser guardada em nossa história.

            Encerra-se um ciclo político e inicia-se uma nova era nas relações institucionais de nossa região. Tanto o Ex-Governador Blairo Maggi, quanto o Prefeito Wilson Santos deixaram seus legados à posteridade. Uma trajetória feita de acertos e equívocos, mas que agora cabe à história julgar.

            Os dois exoneraram-se dos seus cargos para concorrer ao pleito que se avizinha. É a forma mais honesta para colocar à prova suas atuações frente à gestão dos negócios públicos.

            Saúdo ambos pela coragem e pelo compromisso cívico de ofertarem à comunidade a experiência que carregam como políticos e administradores nestas eleições.

            Devo, contudo, manifestar o meu sentimento de profundo apreço e reconhecimento ao Prefeito tucano Wilson Santos, pois ele teve o destemor de mexer com velhas estruturas da gestão municipal cuiabana, recuperando as finanças públicas, valorizando o funcionalismo e investindo em setores como educação e saúde. Dentro das possibilidades de que dispunha, investiu em obras estruturantes e promoveu ações na área social.

            Wilson foi um bravo à frente da prefeitura de Cuiabá. Não descansou um dia sequer. Seu otimismo e entusiasmo diante das inúmeras crises que se impuseram à sua gestão foram comoventes. Ele nunca se abateu, jamais deixou de acreditar no potencial do cidadão que representava.

            Exatamente por esse espírito altivo e aguerrido é que o nosso partido, o Democratas, resolveu apoiá-lo na disputa pelo Governo estadual, reeditando em Mato Grosso a aliança que elegerá José Serra para o Palácio do Planalto.

            Mas, Sr. Presidente Senador Mão Santa, ao se fechar mais essa etapa da vida institucional mato-grossense com a despedida dos antigos governantes e a consequente posse dos novos mandatários do Governo do Estado e da prefeitura da capital, desejo sucesso na área privada aos que se retiram temporariamente da cena pública. E peço a Deus que dê temperança e serenidade ao Governador Silval Barbosa e ao Prefeito Francisco Galindo, recém-empossados.

            Como mato-grossense e como Senador, desejo de todo o meu coração que a missão abraçada por ambos seja coroada de pleno êxito, porque repousa sobre suas almas, agora, a esperança de milhares de cidadãos, homens, mulheres e crianças, que precisam da proteção do Estado e que dependem do Poder Público para construir uma existência digna e decente.

            Dirijo-me neste instante, especialmente, ao Governador Silval Barbosa, chamando sua atenção para o fato de que Mato Grosso é um todo, uma comunidade indivisível em seus aspectos sociais e políticos. E governar, Senador Mão Santa, significa aproveitar os resultados positivos da economia, gerar oportunidades para a maioria.

            O crescimento econômico não se limita à lucratividade individual. Ele deve-se espraiar para toda a sociedade, como um vento suave que dinamiza a coletividade, pois não existe Estado rico onde o povo é pobre e morre nas filas por falta de atendimento médico.

            Governador Silval Barbosa, governar é promover harmonia e diminuir desigualdades sociais.

            Para finalizar, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, desejo ao povo de Mato Grosso, ao meu querido povo de Mato Grosso, que a sucessão de governantes signifique uma reflexão sobre o papel do Poder Público na vida de cada um, lembrando sempre que os governos existem para representar o povo e que o Estado jamais pode se sobrepor aos interesses da população.

            Portanto, Sr. Presidente, no dia de hoje, Mato Grosso tem nova alternativa de poder. Assume o vice-Governador Silval Barbosa e assume o novo Prefeito de Cuiabá, a nossa querida capital eterna, capital verde, cidade verde, que é Cuiabá. Espero que, tanto o Professor Chico Galino como Silval Barbosa façam um governo, sobretudo um governo em que possamos dar mais cidadania, em que pese o mandato do governador que assume ser apenas por alguns meses, temporário, tempo apenas para aguardarmos as eleições no dia 3 de outubro.

            Todavia, imagino que seja um bom tempo, suficiente para tirarmos os 120 mil pais de famílias, mulheres, jovens que estão na fila do SUS, aguardando uma consulta médica, para tirarmos as mais de cinquenta mil pessoas que estão aguardando o exame de ultrassonografia, exame de alta complexidade, exame que V. Exª conhece como bom profissional médico da saúde, e que também façamos alguma coisa para a segurança pública.

            Num dos discursos do nosso Governador, ele disse que tinha algumas dívidas ainda com o povo mato-grossense, sobretudo na questão da segurança, que ele gostaria de ter aumentado o efetivo da Polícia Militar, da Polícia Civil e, entretanto, não foi possível. Mas, espero que o Governador Silval Barbosa recrute mais, ou seja, faça um novo concurso público para que possamos aumentar o efetivo da nossa gloriosa Polícia Militar e oferecer uma melhor segurança, porque, com muita tristeza, hoje, assistindo ao jornal do meio-dia da Globo, que mostrou o mapa da violência do Brasil, ali foi mostrada a cidade de Juruena, no Mato Grosso, uma das cidades mais violentas do Brasil. Para tanto, precisamos capacitar, dar bons salários, dar instrumentos, ferramentas às nossas Polícias para oferecer uma segurança pública de boa qualidade, sobretudo uma polícia inteligente. Não uma polícia repressiva, mas uma polícia preventiva, inteligente, para ofertar ao povo mato-grossense realmente a segurança que ele merece.

            Concluindo, Sr. Presidente, vi aqui uma matéria num site, um artigo lá do seu Estado, em que o Lavonério Francisco Lima retratou tudo da verdade. V. Exª é um exemplo de Senador da República, representa com muita galhardia o povo piauiense. Estou torcendo para que V. Exª represente o PSC, se possível na chapa composta entre PSDB, Democratas, PPS, como, se possível, se o meu partido indicar - e parece-me que neste exato momento não tem ainda um acordo firmado - V. Exª, com o PSC, venha para a composição desse arco de aliança composto com José Serra como Presidente da República e V. Exª, se possível, como nosso candidato a vice-Presidente da República. A sua presença na chapa de José Serra vai enriquecer, sem dúvida alguma, a chapa que vai ser vitoriosa nestas eleições de 2010. Portanto, V. Exª tem a minha solidariedade. Eu ficaria muito feliz se tivesse a oportunidade de ver o Senador Mão Santa compondo a chapa de José Serra como vice-presidente da república.

            Muito obrigado, Sr. Presidente.


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