Fala da Presidência durante a 49ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Agradece aos participantes da sessão de homenagem à Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil - ANFIP pelo transcurso de seu sexagésimo aniversário.

Autor
Mão Santa (PSC - Partido Social Cristão/PI)
Nome completo: Francisco de Assis de Moraes Souza
Casa
Senado Federal
Tipo
Fala da Presidência
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Agradece aos participantes da sessão de homenagem à Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil - ANFIP pelo transcurso de seu sexagésimo aniversário.
Publicação
Publicação no DSF de 13/04/2010 - Página 13403
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • CONCLUSÃO, SESSÃO ESPECIAL, HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, ASSOCIAÇÃO DE CLASSE, AUDITOR FISCAL, RECEITA FEDERAL DO BRASIL, ELOGIO, CONTRIBUIÇÃO, ATUAÇÃO PARLAMENTAR, VALORIZAÇÃO, SALARIO MINIMO, MELHORIA, APOSENTADORIA, ESCLARECIMENTOS, DADOS, AUSENCIA, DEFICIT, PREVIDENCIA SOCIAL, MOTIVO, DESVIO, RECURSOS, SEGURIDADE SOCIAL, ORÇAMENTO, COBRANÇA, ORADOR, VOTAÇÃO, CAMARA DOS DEPUTADOS, MATERIA, INTERESSE, VALOR, AGRADECIMENTO, PARTICIPANTE, SESSÃO.

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC - PI) -

Que eu não quis que o meu do Piauí falasse. Eu dava,

Paim, para o Piauí nós estamos aqui.

Mas Deus quis que eu estivesse aqui sendo, neste

instante, o Presidente do Senado da República. Quero

crer o seguinte: eu fiz umas anotações. Em 1950, eu

me lembro bem... Eu nasci na guerra, em 1942, nasci

no meio da guerra, e quero dizer que em 1950... Aqui,

no Brasil, tem esse negócio de futebol e nós perdemos

a Copa. Não vamos ficar aí não. Todo mundo fazia gol,

era o Ademir, era 8 a 1, era 9 a 1. Já estava ganho e,

na hora, um Gigia fez gol e ficou o Brasil na tristeza,

no Maracanã. O meu nome é Francisco e eu não tenho

nada de mão santa, mas, como cirurgião do Piauí...

Agora, eu sou filho de mãe santa. Então, o Fluminense

foi campeão carioca. E eu não sou São Francisco,

que é meu patrono - meu nome é Francisco - e que

disse “onde houver tristeza, que eu leve alegria”, mas

eu não ia ficar chorando porque o Brasil perdeu. Eu

peguei logo a camisa do Tricolor, e nós ganhamos o

Campeonato Carioca: Castilho, Píndaro, Pinheiro, Jair,

Edson, Bigode, Telê, Didi, Carlyle, Orlando e Quincas.

O Veludo era...

Mas, em 1950, tem uma coisa mais importante.

O Padre Antonio Vieira disse que nunca um bem vem

só, ele vem acompanhado de outro bem. No Mundo,

foi o Congresso Internacional Eucarístico que chamou

de Ano Santo o de 1950. Então, minha mãe, lá na Parnaíba,

sonhava, e os pais... O pai dela realmente era

um empresário forte, que chegou a botar indústria no

Rio. Eu sei que eu era meninozinho e pela primeira

vez eu vi a separação. Dom Hélder Câmara meteu na

cabeça de quem era católico que devia ir à Europa,

ver o Papa, o Ano Santo. Naquele tempo, era de navio,

era demorado. Então, eu sei que foi o Ano Santo:

1950. Minha mãe foi lá rezar e tal. Ela era da Terceira

Franciscana. Naquele ano, nasceu Paim. Nasceram as

mães e os pais da Anfip. Árvore boa dá bons frutos,

porque antes não era Anfip. (Palmas.)

Mas disso tudo vem o quê? Os aposentados.

Franklin Delano Roosevelt disse: “Toda pessoa que

vejo é superior a mim em alguma coisa, e eu procuro

aprender”.

Chegando aqui, a vida do Parlamentar foi muito

mais intensa do que a minha. Eu fui Deputado e fui

muito do Executivo - Prefeito, Governador, Secretário.

Mas aí eu me encostei ali ao Paim com esse negócio

de aposentados. Ele, ligado ao Governo - no

começo, eu até votei, na primeira vez, no Luiz Inácio,

no PT, acreditei. Aí eu fui ali e perguntei: “Paim, esse

negócio é mesmo assim? Tem ou não tem dinheiro?”

Uma confusão doida, estudamos os números. A gente

gosta de estudar. Aí bem ali, o Paim não se lembra, no

comecinho, todo mundo que eu vejo... Ele era superior

a mim, e fui lá: “Como é, Paim?” É lógico que ele não

queria. A posição dele era do PT, do Governo. E eu, do

Piauí, rebelde - colocamos os portugueses para fora.

Aí o Paim: “Mão Santa, olhe aqui o Orçamento”.

O SR. PAULO PAIM (Bloco/PT - RS. Fora do

microfone.) - Material da Anfip.

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC - PI) -

“Olhe o Orçamento.” Aí eu li. Rapaz, o que tinha de dinheiro

da Previdência! Eu digo, como no Juca Pirama:

“Meninos, eu vi”. Como Gonçalves: “Meninos, eu vi”. Aí

o Paim... Mas é um assalto! Eu fiquei com aquilo... Mas

o Paim, realmente, ligado ao Partido dos Trabalhadores,

tinha que ter uma posição. Aí eu já saí dali... Porque

ele provou, ali, no Orçamento. Não tinha computador,

na época, era no livrão. E ele: “aqui, aqui”. Rapaz, tinha

dinheiro para tudo. Era um assalto. Os velhinhos

foram roubados. Foram assaltados. Isso é a verdade.

Meninos, eu vi! Aí, de vez em quando, é isso.

Agora, a vida ensina. Eu nasci em 1942. Aposentado.

O nosso Presidente é um homem generoso.

Tem acertos, tem erros, mas ninguém sabe tudo. Este

é um país bom. Teve o antes, o muito antes. Então, vou

contar do antes.

Eu tenho as minhas crenças: em Deus, sou católico

romano; tenho no amor, que alicerça a família - a

família eu acho que é a coisa mais importante, eu vi

os meus avós, e essas coisas -; acredito no estudo,

porque o estudo é que dá a sabedoria, e a sabedoria,

está na Bíblia - eu sou até do partido de Jesus, Partido

Social Cristão -, vale mais do que o ouro e a prata; e

no trabalho. Como Rui Barbosa disse, a primazia tem

que ser dada ao trabalho e ao trabalhador. Ele veio antes,

ele que fez a riqueza. E Deus já tinha dito: comerás

o pão com o suor do teu rosto. É uma mensagem

ao governador. E o Paim simbolizava isso, defendeu o

trabalho. Nós fizemos muitas conquistas.

Eu lhe confesso, e confesso mesmo, que era

São Tomé. Quando aí nós olhamos, começamos a nos

aproximar, e o Paim bradou lá: vamos botar o salário

mínimo em US$100. Eu fui meio São Tomé. Mas ele

disse, o gaúcho aí. Vamos embora” Aí começamos a

movimentar. Era uns US$70. Não chegava a US$70.

De repente, nós conseguimos.

Isto - quero dizer, porque procuro entender bem

as coisas - foi a maior obra do nosso Presidente da

República: a valorização do trabalho e do trabalhador;

ele passou para US$200,00. Essa foi a maior. E daí, a

divisão de renda; veio daí a valorização do trabalho.

Vemos essa violência no noticiário. Está uma

loucura! Não existe... Isso não é sociedade, é uma

barbárie! A gente vê nos jornais. E não era assim. Fui

menino. Quando nós fomos não era assim, as famílias

tinham muita moral. Os métodos de hoje... não há nem

os pedagógicos. Apanhei muito de cinturão do meu pai.

Não gostei, não, mas acho que ele estava certo. Não

interessa. Mas havia moral ali. A gente chegava para

o almoço, estava o pai, o avô.

Sei que Luiz Inácio não tem culpa. Ele só tem uma

culpa: falta-lhe humildade. Humildade une os homens;

o orgulho os divide. Pedro II, que todos sabemos que

estudou, foi um homem de muita capacidade cultural

e intelectual, deixava a coroa e o cetro e vinha ouvir

os senadores. Às vezes, somos vítimas de deboche do

Executivo. Paim é agredido pelos dele mesmo, de que

é um louco, que isso não dará certo. Pedro II, lá no Rio,

deixava a coroa e o cetro e vinha ouvir os senadores,

os pais da Pátria. O Luiz Inácio - e, se não é ele, os

seus assessores - agride. Está até certo, porque eu

não sou do Partido, mas até o Paim já sofreu agressões.

Um dia, ele passou mal ali, e eu tive medo de ele ter

um enfarte, de tanto sofrimento nessa luta.

Mas eu estou também convicto. Só faço as coisas

por convicção. Estou dizendo ao lado de um homem

do Piauí, dos mais respeitáveis. Sou assim. Comecei

a estudar esse negócio dos velhinhos aposentados. O

Paim fez essas leis todas, e quem faz a lei, o projeto

de lei, não pode defendê-la. Aí ele deu para mim, e eu

saí defendendo essas leis na Comissão de Assuntos

Econômicos, como Relator, na Comissão de Constituição

e Justiça, de Assuntos Sociais e outras. Fui defendendo

e provando os números. Teve até a de Paulo

Octávio, da qual fui Relator e tal.

Conseguimos, no comecinho, para não tirar o dinheiro

da Presidência. Consegui, ia ganhar, mas eles

trocaram o Presidente da Comissão e nós perdemos

por um voto. Aí eles viram que eu era do Piauí. Contra

o Mercadante. Eu fiquei assim quase excomungado,

porque disputar um negócio com Mercadante, que era

Líder! Quase não ganhamos, porque trocaram - por que

não vou dizer - o Ramez Tebet, que estava doente, por

outro. Mas íamos ganhar aquela. Apaixonei-me pelos

projetos de Paulo Paim, e saímos vencendo. Viemos

para cá, como Relator, já que ele não pode defender

o que fez. Foi por unanimidade, não foi? Vamos enterrar

logo esse redutor - digo logo assim para o povo

entender -, esse fator previdenciário; enterrar, como

enterramos a CPMF. E todo mundo... Quando gente

olha o placar ali...

Não é possível. Todo mundo, os Estados, depois

de anos e anos de comissões, de audiências públicas,

de debates, de demonstrações e associações.

Vai para a Câmara Federal. Daí, a nossa tristeza...

Mas, primeiro, quero dar a satisfação e dizer que

eu procuro entender as coisas. Eu tenho a satisfação

do cumprimento da missão.

Mas, Paim, avô é bicho bom, velhinho... Eu sei que

o nosso Presidente, com todo o respeito, não teve. Ele

disse que o pai dele não foi bom; o meu foi bom e me

deu foi de cinturão. Ainda hoje eu gosto, mas estou só

comparando. A mãe dele foi uma excelsa lutadora, mas

eu tive o privilégio de ter avós. Olha, é bicho bom.

Eu quero confessar: eu sou melhor avô do que

pai. Como pai, eu trabalhava muito, passava as noites

operando os pobres numa Santa Casa, era faca, e eu

não via nem os meninos. Com neto, estou mais, onde é

que está?, dou uma ajudinha aqui, uma ali, uma bolsa,

um veículo, pago o cursinho para fazer um vestibular.

Eu acho que essa sociedade - isso quero dizer

para o Luiz Inácio; ele devia estar aqui -, em vez de

estar ouvindo um bocado de aloprados aí, porque nós

fomos escolhidos pelo povo como pais da Pátria. É a

função. Então, fecha o Senado. Quero dizer o seguinte:

olha, acho que essa família está misturada pelo

avô. De repente, a figura que é a mais importante, é

o telhado da família, é o ápice. O avô na família não

é só marido e mulher, casa e amor, é toda a família,

sagrada, se multiplicai. Então, de repente, eles cumpriram

o dever.

Eles trabalharam, trabalharam e trabalharam. Planejaram.

Foram decentes. Fizeram um planejamento

para ajudar os netos a estudar, outros doentes. Hoje

em dia, avô é assim. E, de repente, esses homens de

bem, que trabalharam, foram garfados, foram capados,

e não têm mais aquele sonho correto. Porque eles se

sacrificaram. Não é direito, não é? Ganhava dez salários,

e está ganhando dois. Eu vejo isso aqui.

Agora, quero dizer o significado disso. Meu pai

morreu, com 72 anos, e minha mãe ficou. Olha, a coisa...

Então, já foi melhor. Eu vi. Eu era Governador de

Estado, mas vi a dignidade da minha mãe. E como foi

útil, Paim. Era viúva, era Terceira Franciscana e era

convidada para dar palestra lá no Rio Grande do Sul,

Paim. Negócio de casais, encontro de casais, solteiros.

Esse negócio dos livros dela. Escrevia. Ela tem um livro,

que é traduzido: A Vida, um Hino de Amor. Eu mesmo

morava assim pertinho dela... Dignidade. Ela escreveu

antes de morrer - ele já foi lido aqui várias vezes; o

Geraldo Mesquita trouxe - antes de morrer: Meu Testamento.

Há um artista do Piauí, que faz teatro, João

Cláudio Moreno. Ele terminava o espetáculo, lendo...

Contava piada, porque ele é humorista, sobre o Mão

Santa, sobre o meu jeito de ser espontâneo, mas, no

fim, ele dizia: não, não é isso. Fazia o espetáculo dele,

dava pulo, batia no meu nome, piada, imitava, discursava.

Mas, no fim, ele lia e dizia:

“É a mãe do Mão Santa”. Aí ele era aplaudido.

Então, quero dizer que avó é muito importante. Eu vi

a dedicação dos netos. De repente, os nossos avós,

nossos velhinhos estão sacrificados.

Passarinho, eu era Governador do Piauí. Deus me

permitiu conhecer esse homem extraordinário quando

a cidade dele fazia seis anos. E ele era homenageado,

muito família, o avô, ele lá viu o filho. Esse negócio de

família tem muito a ver com os velhinhos, mas vou dizer

com tristeza, só um quadro vale por dez mil palavras, e

falava para ver se sensibilizava. Eu sou rotariano, hoje

sou honorário, porque não vou, aquele negócio, aquele

clube de serviço, mas beneficia quem melhor serve...

Mas, Paim, eu, chegando em Parnaíba, queria desejar,

eu terminei 66, fui para o Rio fazer pós-graduação

em cirurgia, aí vem meu padrinho de Rotary, aquele

que me convidou, com aquelas coisas, foi o melhor

homem que conheci. Ô homem decente, está no céu.

E eu estava aqui já, já era Senador, não estava lá. Vocês

sabem como é isso, esses homens decentes, foi

empresário, líder dessas associações de comércio...

Quando vejo, fiquei chocado: suicidou-se, o melhor homem

que conheci. Conheço muita gente, mas fomos,

todo mundo. Então, meu padrinho de Rotary.

Aí o pessoal pensava que era padrinho mesmo,

porque, no Rotary, Governador. Sabe como, por quê?

Estava lá, aqui e tal... Chegou e, de repente, faz esses

salários, o padrão. Aí a Adalgisinha dele, a mulher dele,

a esposa, apaixonado, um homem correto, 60 anos,

precisou de um tratamento, de se internar, e hoje vocês

sabem como está.

A saúde é muito avançada para quem tem dinheiro,

para quem tem um plano de saúde, para quem é

Senador. E o homem não pode pagar essas coisas de

medicina. Acho que ele está no céu. Saí daqui só para

fazer um discurso no Rotary e dizer que foi o melhor

homem que conheci. E está no céu, porque Deus não

vai julgar por um instante. Ele vai julgar por uma vida,

por uma obra. Deus é mais sábio do que nós.

Mas é o retrato dos aposentados. Estão todos

em dificuldade. E falo, e falo que está lascado, e vou

dizer o porquê. E me agrada aqui. Quando saiu aquele

empréstimo consignado, eu me levantei. Vi, aprendi,

eu li cinquenta livros de Abrahão Lincoln e ele dizia

assim: “Não baseie sua prosperidade com dinheiro

emprestado”. Quando vi aquilo, consignado não sei

o quê, disse: “Isso não vai dar certo”, e esse negócio

não me saía da cabeça.

Outro dia, ouvi o Senador Cristovam, interessante:

o Senador Mão Santa, que é cirurgião, foi quem

advertiu. Olha, nossos velhinhos foram enganados.

Uma mídia louca, a televisão, tudo que era casa pintada,

e é bom o negócio. E banco não é essas coisas.

O senhor conheceu Dirceu Mendes Arcoverde? Eu fui

ser Deputado para ajudá-lo. Ele fez o primeiro discur

so e morreu ali, o sofá era ali. No primeiro, do Piauí.

Um dia, eu estava lá em Parnaíba, amigo dele: “Mão

Santa, o que é aquilo?” Eu digo: “Aquilo foi a firma do

meu avô, mas hoje é um banco” - estava reformando.

Aí ele olhou assim e disse: “Olha, eu não gosto nem

de passar na calçada de um banco”. Dirceu Arcoverde,

Governador do Piauí morreu bem ali...

Então, meteram os empréstimos consignados

nos velhinhos. O Luiz Inácio não tem culpa. Foram os

aloprados, enrolados, os banqueiros, mas é verdade.

E eu fui ver os contratos: é letrinha pequena, Paim, os

contratos... Os velhinhos... Eu sou médico e tenho hipermetropia,

é o que o povo chama de vista cansada; os

que não têm vista cansada têm catarata. E a televisão:

“Tira, é bom, não sei o quê, tal, tal, tal...” É bom para

os banqueiros, porque era na boca do caixa, tira, não

tem erro. O Luiz Inácio é o pai dos pobres, mas foi a

mãe dos banqueiros. É, Paim, é o debate que ele tem

de ver... Esse é que é o qualificado. Eu vi na Inglaterra

falir banco, o Ministro lá foi o primeiro; eu vi lá nos

Estados Unidos o rolo lá, e os bancos falindo; eu estava

na Espanha, o Santander falindo. Qual foi o banco

que faliu no Brasil? - eu pergunto. Agora, nunca antes

houve tanto suicídio entre idosos; eu estou acompanhando.

Eles são sérios, eles são corretos... Fizeram,

o dinheiro era deles, foi um contrato feito...

Rui Barbosa está ali, é a Justiça. Eles fizeram um

contrato. De repente, o fator redutor que o Paim... E

eu acredito nele. Ele pesquisou mais do que eu, e ele

disse que não tem em lugar nenhum do mundo. E eu

acredito, eu defendi a tese; eu acredito em tudo o que

ele dizia ali; eu vim aqui, eu que defendi. Foi aprovado.

Fomos para ali, para a Câmara. Aí é que é uma vergonha.

O Presidente Michel Temer, eu fui, acompanhado

pelo Paim, por esses Senadores que foram citados

aqui, Deputados Federais. Outubro. O Presidente da

Câmara nos disse que ia colocar para votar. Outubro,

novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março e abril.

Abril, 21 de abril, sei que Tancredo foi para o céu, foi

enforcado Tiradentes. Então, ali está sendo uma câmara

de gás. Estão asfixiando os velhinhos lentamente.

Eles estão morrendo, não estão podendo comprar o

remédio. Essa é a verdade.

Mas esta é a oportunidade de o Sr. Michel Temer,

primeiro, manter a sua palavra. Ô Paim, ele se comprometeu,

ele nos garantiu. Eu lembro aqui a França,

onde nasceu a democracia. Um líder de lá, Voltaire,

disse: “À majestade tudo, menos a honra”. Sem palavra

não tem honra. Eu apanhei muito do meu pai de

cinturão, quando dizia uma mentirinha besta. Tinha

medo de dentista.

Então, está feio. Eu digo para o Michel Temer, para

todos nós. Eu votei nele para Presidente do PMDB. Eu

trabalhei muito por ele, mas está feio. Abraham Lincoln

que me ensinou o negócio dos velhinhos aposentados:

“Não baseie sua prosperidade em dinheiro emprestado”.

Ele também ensinou que a gente pode enganar

poucos por muito tempo, muitos por pouco tempo; mas

não pode enganar todo mundo todo o tempo. E nós

estamos mentindo e estamos enganando os velhinhos

aposentados há muito tempo neste Congresso.

Essas são as nossas palavras. Mas há esperança.

O Apóstolo Paulo disse: “Quem não trabalha não

merece ganhar para comer”. E esses trabalharam. É

legítimo. Quem tinha dez salários mínimos no contrato

está recebendo cinco; quem tinha cinco, dois, dois e

meio. Eu vejo todos os anos.

Então, nós queremos que fique a esperança. O

Apóstolo Paulo disse que é um pecado perder a esperança.

Ernest Hemingway disse que a maior estupidez

é perder a esperança. E o livro lá de Dom Quixote de

la Mancha diz que só não tem jeito para a morte.

Então, nós vamos esperar, Paim, que se sensibilize

a Câmara, e seja resgatado o direito, a dignidade.

E, para terminar, numa homenagem ao Paim, se

fosse candidato, ele ia ser o Barack Obama do Brasil.

(Palmas.)

Mas, em uma homenagem, um quadro vale por

dez mil palavras. Essa aqui, eu espero, eu acredito...

Ninguém trabalhou mais para Michel Temer ser presidente

do que eu. Eu fui a São Paulo, eu fui a Minas,

eu fui ao Rio de Janeiro e ao Piauí. Mas isso não está

bem! Nós nos enganamos demais.

Mas eu daria um quadro. Um quadro vale mais

do que dez mil palavras! Foi Confúcio que disse.

Jarbas Passarinho, o Barack Obama tem dois

livros. O primeiro é “A Origem dos Meus Sonhos”, em

que ele conta a vida. O outro trata de coisas de campanha.

É muito árido, com assuntos de economia. Eu

gostei mais do primeiro”.

Que ouçam... O Luiz Inácio não está no Brasil,

mas que alguém leve e ele, a esposa, a encantadora

Srª Marisa. É preciso ouvir a mulher. Eu ouço a minha,

a Adalgisa. Eu digo isso sempre, porque Jesus deu

um grande ensinamento. Só havia homens, e deu no

que deu. Tudo falhou. Houvesse uma mulher naquela

ceia...

Mas Barack Obama diz em seu livro... Que coisa

bonita! Medite, Luiz Inácio. Eu sei que ele não teve

avós, pela história. Eu tive, e é bom. Eu gostei muito

dos meus avós, os conselhos, tudo. Mas Barack Obama

diz em seu livro: “Se não fossem os meus avós, eu

hoje era um maconheiro”.

Que isso sensibilize os Deputados Federais.

Então, essas são as nossas palavras finais nesta

sessão que eu quero crer vai sensibilizar o Deputado

Federal. Não é possível. Não é possível. Não é possível,

porque aí já é demais. E tem dinheiro. Nós sabemos. O

Paim prova. Todo mundo prova. Isso é conversa. Como

é que tem tanto dinheiro para tanta coisa, não é?

Eu daria só um exemplo. Um DAS-6 - que sai aí

aos milhares, cinquenta mil, que entra no serviço público

só com uma assinatura, pela porta larga, como

está na Bíblia, e não pela porta estreita do concurso,

do trabalho, como os fiscais entraram na Previdência

- ganha R$11.848,00. E aí não tem? Vamos fazer.

Então, convido a todos para ouvirmos o Hino da

Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita

Federal do Brasil. (Palmas.)

(Procede-se à execução do Hino da Anfip.)

O SR. PRESIDENTE (Mão Santa. PSC - PI) -

Cumprida a finalidade da sessão, agradecemos as

personalidades que nos honraram com seu comparecimento.

Está encerrada a sessão do Senado da República

do Brasil, sessão especial destinada a homenagear

a Associação Nacional dos Auditores Fiscais

da Receita Federal, Anfip, pelo transcurso do seu 60º

aniversário.

Está encerrada a sessão. (Palmas.)

(Levanta-se a sessão às 13 horas e 1

minuto.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 13/04/2010 - Página 13403