Pronunciamento de Gilvam Borges em 22/04/2010
Discurso durante a 56ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Homenagem ao Senador José Sarney, pelo transcurso do seu aniversário, dia 24 de abril corrente.
- Autor
- Gilvam Borges (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/AP)
- Nome completo: Gilvam Pinheiro Borges
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
SENADO.
HOMENAGEM.:
- Homenagem ao Senador José Sarney, pelo transcurso do seu aniversário, dia 24 de abril corrente.
- Aparteantes
- Mozarildo Cavalcanti.
- Publicação
- Publicação no DSF de 23/04/2010 - Página 15959
- Assunto
- Outros > SENADO. HOMENAGEM.
- Indexação
-
- OPORTUNIDADE, RETORNO, MANDATO PARLAMENTAR, AGRADECIMENTO, CONTRIBUIÇÃO, GEOVANI BORGES, SUPLENTE.
- HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE NASCIMENTO, JOSE SARNEY, SENADOR, ELOGIO, VIDA PUBLICA, LEITURA, TRECHO, OBRA LITERARIA, VALORIZAÇÃO, ESTADO DO AMAPA (AP), REGISTRO, LIVRO, PESQUISA, HISTORIA, INICIO, INCLUSÃO, TERRITORIO NACIONAL, REITERAÇÃO, APOIO, ORADOR, ESPECIFICAÇÃO, SUPLANTAÇÃO, CRISE, PRESIDENCIA, SENADO.
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O SR. GILVAM BORGES (PMDB - AP. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, telespectadores e ouvintes da TV Senado e da Rádio Senado, primeiro, quero agradecer a eficiente atuação do Senador Geovani Borges, que, por quatro meses, esteve aqui honrado o mandato de Senador. Isso, sem dúvida, só acrescenta a essa atuação em defesa dos mais altos interesses do Estado do Amapá.
Hoje, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, desta tribuna, rendo homenagens a um poeta que traz na alma os encantos da sua terra natal, o Maranhão, ao mesmo em tempo em que abraçou e foi abraçado pelo Amapá, com o carinho e a segurança dos que escolhem uma segunda terra pela qual lutar, orgulhar-se e trabalhar.
Falo do Senador José Sarney, que, nas linhas dos seus escritos, exalta o Amapá na profundidade de seus sentimentos por nossa terra.
Diz o Presidente:
Macapá é simples como uma bela moça morena dos tucujus. Espraia-se, plana, vigiando dia e noite o desaguar desse lado do Amazonas. Ela tem os ventos que vêm do grande mar oceano, brisa que lhe acaricia o corpo e os cabelos compridos.
Macapá, moça morena de lábios de sol e olhos de chuva. É a capital de vastos territórios que daqui só terminam nas barrancas do Oiapoque, passando por lagos, rios, campos, florestas, chapadas, riachos e montanhas.
A paisagem humana de sua gente,no seu falar cantado,descendo e subindo sempre nos barcos, rio vai e rio vem,em demanda das ilhas ou dos pequenos portos, ovo ribeirinho que passa o tempo navegando.
Amapá, Macapá, misto de ternura e bondade, gente boa, raça forte.
Duas obras marcam as percepções acadêmicas do Presidente José Sarney sobre o Amapá: Saraminda, romance que trata da saga dos garimpeiros à época do Contestado, onde brasileiros e franceses travavam lutas pela terra e ouro abundante na região. A outra obra é Amapá, A Terra onde o Brasil Começa, um traçado histórico sobre os primórdios do Amapá, resultante de quatro anos de pesquisa por museus franceses, portugueses e espanhóis.
Há de se ressaltar, ainda, a marcante presença do político José Sarney no Amapá, lastreado pela competência e magistral habilidade política condutoras do processo de consolidação da democracia no Brasil. E parabenizá-lo pelo seu relevante trabalho, que tem levado o Amapá a trilhar o caminho do desenvolvimento, o que resultou, reiteradas vezes, no reconhecimento eleitoral dos amapaenses ao elegê-lo para representar o Estado no Senado Federal.
O Senador Sarney é um homem do mundo, que aportou em terras tucujus para sempre.
Por mais que qualquer adversário político tente macular sua imagem, a serenidade com a qual triunfa sobre os problemas é o exemplo e a dimensão de sua honra e personalidade.
A firmeza de seu caráter como homem público, espelhada na segurança com que toma decisões, que sempre resultaram - e resultam - em estabilidade gerencial na condução do País, só o dignifica e nos conduz à admiração e respeito.
Esse é o Sarney, meu amigo, Senador pelo Amapá e Presidente desta Casa. Batizado José na Matriz de São Bento, no Maranhão, que, continuando uma autoapresentação de sua vida, assim a define:
Minha vida tem duas vertentes: a da política e a da literatura. A política foi o destino, a literatura é a vocação. Escrever é uma compulsão. Tem uma certa relação com a arte de Deus por causa da arte da criação. Deus, quando criou o mundo, o criou com leis físicas. E o escritor viola todas essas leis para criar um mundo imaginário, que é eterno e não se modifica. É muito difícil ser político e ser escritor. O político lida com realidades, o escritor lida com abstrações. Como intelectual e político, vivi a angústia entre o ideal e os meios. O intelectual é o homem da justiça absoluta; já o político é aquele que busca a arte do possível, com os instrumentos da contingência. Quem governa vive suas circunstâncias. Não decide sobre abstrações, mas sobre fatos. Minha opção foi esta: governo de liberdade.
Neste sábado, dia 24 de abril, é o aniversário do Senador José Sarney. Ele me disse que não haverá comemoração devido ao falecimento de seu cunhado, Roberto Macieira. Pelo semblante triste, entendi que a relação entre os dois era de amizade e companheirismo.
Invoco trecho de um poema de Sarney: “O sonho da morte é uma nuvem que não cobre as eternas noites da vida”.
E aproveito a oportunidade para apresentar, compungido, o meu respeito e condolências a toda a família.
Por fim, prezado amigo José Sarney, é importante dizer que muito me engrandece conhecê-lo e compartilhar de suas experiências, que são exemplos de paciência, tolerância, estratégia política, mas, acima de tudo, de sobejas lições de respeito aos adversários e à liberdade.
Neste pulsante universo político, representando a população amapaense, trago os mais sinceros votos de muita saúde, muita alegria, realizações e felicidades.
Espero que possamos ter a honra e a satisfação de cumprimentá-lo, em 2014, quando, pelas mãos do nosso povo, V. Exª for guiado a um novo mandato de Senador pelo Estado do Amapá. Que assim seja e que os anjos digam amém!
E que todos os seus amigos possam compartilhar da sabedoria e da vasta experiência desse compêndio de exemplos que V. Exª tem colocado à disposição dos amigos, da Nação e de todos aqueles que veem em suas atitudes, Presidente Sarney, um homem do bem, capaz de estender um copo d’água ao inimigo, que pede aos amigos paciência com os adversários, um homem que sabe que o que é hoje amanhã pode não ser e que a política é dinâmica.
Acompanhei V. Exª em todas as suas atuações nos últimos vinte anos como uma presença marcante no Estado do Amapá, o que nos enriqueceu e nos colocou no cenário internacional com obras como as que acabei de citar, com obras que levaram quatro anos com pesquisa. O Amapá entrou na rota nacional com um político de expressão e de prestígio como V. Exª.
Quero dizer, Presidente, que mais um ano temos sua convivência. Participamos ativamente nos processos eleitorais. Aprendi com V. Exª na labuta, na captura e na busca do que é mais essencial da democracia: o voto. Vivemos momentos difíceis e bons momentos. O ano passado foi um momento de muitas atribulações e de uma provação excepcional para um político com ampla carreira como V. Exª, que sobreviveu aos achaques, aos golpes baixos, à intolerância e às artimanhas vindas sabemos todos de onde.
V. Exª enfrentou todas as injúrias e as difamações com a grandeza de um homem e de um estadista que, sem dúvida, nos orgulhou.
Estávamos lá, torcendo, apoiando e trabalhando juntos. Tive oportunidade de beber, de compartilhar de toda a sua experiência. Quando poderia um jovem como eu ainda compartilhar da experiência de um ex-Presidente da República, membro da Academia Brasileira de Letras, um homem do mundo?
Então, considero que o Amapá é um Estado abençoado por ter V. Exª em nosso meio, contribuindo para nosso desenvolvimento.
O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB - RR) - Senador Gilvam, permite-me um aparte?
O SR. GILVAM BORGES (PMDB - AP) - Concedo com o maior prazer, Senador Mozarildo.
O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB - RR) - Senador Gilvam, quero somar-me ao pronunciamento de V. Exª para parabenizar o Presidente Sarney por seu aniversário e dar um depoimento. V. Exª pode até ser tido como não muito isento por ser do mesmo Estado dele, mas eu, como não sou do Estado do Amapá, quero aqui dar um depoimento, por exemplo, da importância do Presidente Sarney em momentos decisivos da nossa história. Primeiro, como Constituinte, estávamos eu e o então Deputado Geovani participando daquele bloco que defendeu - veja bem - a redução do mandato do Presidente Sarney, que era de seis anos. O Presidente Tancredo fora eleito para um mandato de seis anos, o Presidente Sarney assumiu, e um grupo forte da Constituinte queria reduzir o mandato, que era de seis anos, para quatro anos. Ele aceitou fazer uma transição acolhendo um mandato de cinco anos, perdendo, portanto, um ano de mandato, sendo que ele tinha sido legitimamente eleito com Tancredo Neves. Então, isso contribuiu, aliás, como tantos outros gestos dele, para que realmente a redemocratização do País se consumasse. Mas eu quero também dar um exemplo no meu Estado do quanto foi benéfica a atuação dele como Presidente. A sanção das leis de minha autoria, que eram leis autorizativas, para criar a Universidade Federal de Roraima e a Escola Técnica Federal de Roraima, como também criou a Universidade Federal do Amapá, de autoria do então Deputado Geovani Borges, hoje suplente de Senador e até ontem Senador. Então, na verdade, o Presidente Sarney foi muito importante para o Brasil todo, mas, com certeza, para os nossos dois Estados, Roraima e Amapá, foi de fundamental importância. Portanto, quero me somar aos cumprimentos que V. Exª faz ao Presidente Sarney pelo aniversário na data de depois de amanhã.
O SR. GILVAM BORGES (PMDB - AP) - Eu agradeço o aparte de V. Exª.
Sr. Presidente, um homem que passa pela vida dando contribuição ao mundo literário e ao mundo político, sem dúvida, merece um destaque especial. Esse destaque especial está aí, como o Senador Mozarildo acabou de relatar, da capacidade do entendimento e da negociação na transição de um regime autoritário para um regime democrático. Ali estava o grande Presidente Sarney, nos bastidores, atuando e trabalhando junto com Tancredo Neves, com Ulysses Guimarães e tantos outros políticos. É um homem que tem uma rica memória e um cabedal de conhecimentos fantásticos.
É por isso que sempre venho à tribuna para, em nome do Amapá e do Brasil, dizer ao Presidente Sarney que, quando vira uma página por mais um ano, nós nos regozijamos, nós nos confraternizamos. É como eu digo no Amapá, Mozarildo: todos nós temos o dever de ser guardiões. Não precisamos ser bajuladores, com a palavra fácil do elogio, da rasgação de seda - que não é o meu caso -, mas é o dever patriótico, é o dever do Estado, quando vê um homem da envergadura do Presidente Sarney prestar serviço a um jovem Estado como o nosso, com a sua envergadura política nacional e internacional.
Por isso, não me canso e, sempre que estiver aqui no Congresso Nacional e chegar a data, nunca perderei a oportunidade de registrar a minha satisfação e do meu povo pela data de aniversário do Presidente Sarney.
Vida longa, Presidente! Muita saúde. Que Deus o abençoe sempre e que continue, diante das atribulações e da bonança, a ser o homem com esse perfil de serenidade e de sabedoria, atravessando e vencendo, como sempre o fez. Mesmo na adversidade, está ali o gigante pronto para entender e registrar as suas impressões do mundo e das convivências.
Nós que recebemos as impressões de V. Exª nas palavras, nos gestos, no trabalho, nos engrandecemos também com a contribuição desse diálogo sempre e da presença retumbante desse gigante da literatura e da política. O Amapá tem o orgulho e a satisfação de tê-lo como um dos nossos representantes.
Assim sendo, com a grandiosidade política de V. Exª, o reconhecimento desta Casa, que supera tudo e se mantém firme, com todas as providências necessárias, como Presidente aqui do Congresso Nacional.
Vida longa, Presidente! Parabéns!
Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente Mão Santa.
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