Autor
Mão Santa (PSC - Partido Social Cristão/PI)
Data
20/05/2010
Casa
Senado Federal 
Tipo
Para discursar 

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente Mozarildo Cavalcanti, Senador Leomar Quintanilha, que acaba de sair - o Leomar Quintanilha, Senador Mozarildo Cavalcanti, é uma figura muito querida do Piauí, exerceu as atividades no Piauí e levou uma das mulheres mais encantadoras para esposa e construiu uma das mais belas famílias lá do Tocantins -, Parlamentares presentes, brasileiras e brasileiros que se encontram aqui no plenário do Senado e que nos assistem pelo sistema de comunicação do Senado, graças a Deus o governo do PT passou no Piauí. Eu vejo o clamor do Mário Couto, do Flexa Ribeiro e do José Nery, do Pará. Mais uma vez eu disse que três coisas a gente só faz uma vez na vida: nascer, morrer e votar no PT.

            Olha, a desgraceira que houve no Piauí, eu falo aqui, é muito pior do que um terremoto. Eu gosto de estudar Geografia: um terremoto dura oito segundos, dez segundos, doze segundos; o Governo do PT é desgraça muita. O Piauí está arrasado, e hoje nós ouvimos o Mário Couto dizer o que é o Governo do PT no Pará, bem como o Flexa Ribeiro e o José Nery.

            Olha, esse Governo que passou no Piauí é tão ruim, tão ruim... E graças a Deus o povo orou; depois da desgraça, da tempestade, vem a bonança. Mas, Mozarildo, é tão ruim, tão ruim o Governo, que aqui ninguém o defende. Há um Senador do PTB - porque é coligado, não é? -, há um do DEM, há outro. Ele conseguia às vezes o Suplicy, mas o Suplicy viu que estava se acabando com tanta mentira e desistiu. A Câmara Federal também tem, ninguém o defende não, e o homem saiu.

            Senador Mozarildo, é um tripé da mentira, da corrupção e da incompetência. Nunca vi tanta mentira, nunca vi tanta corrupção e tanta incompetência. Mas nós somos agradecidos. Foi muita reza, ele resolveu sair, entrou um rapaz do PSB, médico, neurocirurgião. Mas está abatido.

            Olha, eu tenho pena do novo Governador Wilson Martins. Pena. Pena. Ele era do PSDB, e quando eu governei o Piauí ele foi meu Líder de Governo. Neurocirurgião. Rapaz, mas foi uma fria. Eu governei depois de bons governadores. Eu tenho pena é desse aí, que está lá. Mas eu vou ler aqui um... Ele manipulava a imprensa toda. Mas isso é besteira, a maior besteira.

            V. Exª que já, já vai ser governador,... Mozarildo Cavalcanti, Zambiasi, que é comunicador, a melhor coisa é oposição. A melhor coisa é oposição. Eu fui prefeitinho de Parnaíba. Eram treze vereadores: eu tinha seis e sete eram contra - do grupo dos Silva. A melhor coisa é oposição. Porque você fica alerta. Ela diz e tal: “Estão roubando”. Eu não ia roubar, mas tem gente lá... Eles pá e pá... Foi tão bom, e eu aprendi isso. Ô Mozarildo, deixe. Eu nunca tive maioria, nem como Governador e nem coisa... Eram treze. Sete eram do grupo do Alberto Silva, dos Silva, na minha cidade. Quando eu saí da Prefeitura, dois anos depois, eu fui candidato a Governador do Estado. Leomar Quintanilha, eu tive 93,84% dos votos da minha cidade. Isso significa dizer - Zambiasi, você que é da comunicação, para entenderem o que é isso - que, de cada trinta parnaibanos que se levantaram para votar, vinte e nove votaram em mim. De cada trinta! E era contra o governo, então.

            Oposição é bom. Eles denunciam. Então, nós ficamos alertas. Os outros... Porque nós somos, mas tem um bocado de aloprado aí. Não é só em torno da gente de governo.

            Dois anos depois, no Governo do Estado, foi a mesma coisa. Eu tinha quatro prefeitos, o outro tinha 141. Então, eu fiz seis deputados estaduais, de trinta. Esse Wilson Martins era um, do PSDB, que hoje é Governador. Foi meu líder. Ele foi um dos seis. Mas eu estou é com pena do bichinho.

            Olha, eu nunca vi. Você vê esse negócio de terremoto. Eu estudo, eu conheço o Chile, o Haiti. Mas ali são dez segundos, doze, é rápido. Quebra, morre, enterra, resolve. Agora, um governo do PT, e dois, é desgraça muita!

            Olha - está li a Mônica Bona -, eu nunca vi, não. E o pior é o seguinte: e mentia tanto, e mentia tanto - eu dizia: eu votei nele na primeira vez, em Luiz Inácio -, que quando ele foi numa cidade, agora, com o novo Governador, que era o vice dele, gente boa, Dr. Wilson Martins, aí botaram no alto-falante da cidade: “Pega na mentira, pega na mentira!”.

            Agora eu quero é aprender esse negócio. É uma música do Erasmo Carlos. Aí, o Governador... Mandaram lá apreender o carro e não sei o quê. E o povo não é besta e disse: “Não, foi aquele menino de seis anos que mandou tocar”. E está indo. Pega na mentira! Porque mente! Eu nunca vi.

            O Senador ali tinha o compromisso de que ia indicá-lo para o PTB, o Governador. Gente boa o João Vicente! Foi meu Secretário de Indústria e Comércio. Um homem de visão, foi meu secretário. Zeloso com a coisa pública. O homem tinha cinco candidatos a governador. É como se você marcasse um casamento com cinco noivas, na mesma igreja, com o mesmo padre e no mesmo horário. O homem mente tanto que deu uma confusão... E saiu gente zangada para todo lado. Ainda hoje, ele não conseguiu um companheiro. Porque eu vou votar no Heráclito ali. Dois votos, não é? E ele ainda não conseguiu...

            Olha, marcou. Iludiu cinco pessoas que iam ser candidatas. Cinco. Tinha cinco candidatos a governador. A base aliada reúne todo mundo, não sei o quê. O Luiz Inácio nunca mais foi lá. E, no começo, eu votei. O Luiz Inácio é simpático, não vou dizer que ele não é não, o bicho é danado. Aí nós fomos numa mordomia, não sei, num canto... Era do PMDB. Está ali o Leomar Quintanilha! Aí, no comecinho, ele pegou meu cabelo e meteu a mão, assanhando: “Mão Santa, cuide do meu menino”. Foi desse jeito. Eu olhei assim... Mas é porque o Luiz Inácio não sabia que o menino dele era traquino e preguiçoso. E mentiroso. E deu rolo!

            O homem, no primeiro discurso em que eu fui a uma cidade, eu saí logo. Estava ao meu lado Marcelo Castro, que também foi um dos candidatos a governador. Gente boa, do PMDB! É o Presidente hoje. Deputado Marcelo Castro, era um dos cinco, das cinco noivas. E eu fui logo. Um mês de governo, eu acompanhei. São José do Peixe. Eu tinha inaugurado umas obras, o aeroporto, tal e tal, me deram um título lá e deram para o Marcelo também. Eu falo do Marcelo Castro, porque é dele, é o Presidente do PMDB. Estava ao meu lado. Quando deram a palavra para o menino - Leomar Quintanilha, a ignorância é audaciosa -, aí o homem começou ali: “Vou fazer cinco hidrelétricas no rio Parnaíba”. Cinco!

            O Piauí tem uma banda de uma hidrelétrica, porque falta eclusa. O rio era navegável: Santa Filomena, Floriano, Teresina. Ele é raso lá onde eu moro, no delta, mas era navegável. O homem disse que ia fazer cinco hidrelétricas. Aí eu fiquei logo assim: “Rapaz, isso...”. Mas ele não parou de mentir não. Alberto Silva foi para o céu, mas ele enganou muito o Alberto Silva. Ele mentiu.

            E eu pensei... Não, porque a gente pensa. Ele disse que, com sessenta dias, ele e o Luiz Inácio iam botar os trens Parnaíba/Luís Correia, não é? Quinze quilômetros. Eu disse: “Rapaz... Mas também é planície”. Em quatro meses, Teresina. Não trocou nem um dormente. A Mônica, que está ali se abrindo... O trem passa por lá. Dormente é aquele pau que segura o ferro. E eu acreditei, porque é uma planície, não tem acidente geográfico. Até um mestre de obras... E o Alberto Silva sabia tudo de engenharia e de engenharia ferroviária.

            Mas o homem mentiu muito. O porto, ele ia inaugurar em dezembro. Está com dois, três... Não tem três metros de fundura. Houve assoreamento, está lá, não tem nada. O único dinheirinho foi o que eu botei nessas emendas.

            Mas, rapaz, mente! Pega na mentira! Então, estão tocando: Pega na mentira! Eu vou ouvir essa música do Erasmo. Ô Drª Mônica, me arrume aí! Ouvi dizer que é do Erasmo.

            Sim, mas aqui nós vamos ler: 180graus... Esses portais... O Governo paga a grande imprensa. Aí é que é o erro. É a ignorância.

            Leomar Quintanilha, Alvin Toffler fez um livro em 1980: A Terceira Onda. A primeira, o campo. O homem se fixou, aprendeu a criar e a plantar. Segunda onda, industrialização, na Inglaterra. Meio século. A outra, dez mil anos. E a terceira onda, desmassificação de comunicação. Porque, antigamente, o Hitler, ô Zambiasi... Zambiasi, agora é comunicação. Veja aqui o negócio: Hitler... Goebbels: “Uma mentira repetida se torna verdade”. Mas era naquele tempo, Zambiasi. Só tinha a rádio dele. Só tinha a dele. Goebbles dizia: “Lá vai Hitler com trinta mil soldados”. Ia com três mil. E todo mundo na Europa corria com medo e deixava logo. Mas não tinha. Agora, desmassificação da comunicação. Atentai bem! Tem que ler Alvin Toffler.

            Então, eles mentem na TV oficial e nos grandes jornais. Mas tem estes bichinhos - desmassificação -, portais, blogs, Twitter. É o diabo!

            Então, o homem mentia e tal.

            Está aqui um portal: 180graus. É do Helder Eugênio, Allisson Paixão e Fábio Carvalho.

            Então, eles foram buscar um blog de Zózimo Tavares, que é professor, jornalista; foi Secretário do Professor Wall Ferraz, de Comunicação; é da Academia de Letras, autor de vários livros. Olhem o que ele diz aqui!

            Então, aí sai; não sai nos jornais, que o Governo paga, mas sai nesses portais:

Letra morta. Além dos professores, outras categorias estão insatisfeitas” [em greve].

            E ele saiu agora. Rapaz, estou com uma pena do bichinho, do que assumiu, hein? Ele era chamado Wilsão, já estão chamando de Wilsinho, porque o homem não pode fazer nada. Só é cobrador, só é dívida, só é choradeira. É homem bom o Wilson, hein?

Não são apenas os professores que paralisaram ontem suas atividades, que estão insatisfeitos com o Governo do Estado. Várias categorias profissionais aguardam o cumprimento de leis e acordos feitos na administração passada e que vêm sendo protelados. Entre os servidores públicos que se encontram nessa situação se destacam os policiais militares [...].

Através da Lei 5.755, de 8 de maio de 2008, o Governo do Estado alterou o Código de Vencimento da Polícia Militar. Por essa lei, o governo extinguiu a Gratificação de Condição Especial de Trabalho para militares, criada em 2006, incorporando-a, em duas parcelas e integralmente, na formação do soldo.

A metade dessa gratificação, correspondente à primeira parcela, seria paga em maio do ano passado [do ano passado!]. Com a crise econômica e financeira, o governo pagou apenas 20% [maio do ano passado: há um ano, pagou só 20%] da parcela inicial, em maio, e o restante em novembro. A segunda parcela de 50% seria paga este mês, mas os militares não têm até agora a garantia desse pagamento.

O presidente da Associação dos Oficiais Inativos e Pensionistas do Estado do Piauí, coronel Francisco das Chagas Bittencourt, disse que os policiais estão apreensivos, pois a folha de pessoal de maio será fechada amanhã e, até ontem, o governo não havia repassado qualquer instrução nesse sentido à Secretaria de Administração.

Os trabalhadores em educação [os professores] paralisaram as suas atividades ontem reivindicando um novo valor para o piso salarial nacional da educação, reajuste salarial e regularização da situação dos vigias [das escolas]. Eles cobram também do governo a revogação do decreto nº 14.196, publicado no Diário Oficial do Estado no dia 6.

O decreto suspendeu para todos os servidores o desenvolvimento funcional, promoção, progressão, acesso, enquadramento e classificação de pessoal, até 31 de dezembro.

Há informações de que os fazendários também estão estressados com o novo governo, também por conta do não cumprimento de acordo firmado [...].

            Já marcam greve. Olha, eu governei o Estado do Piauí por seis anos, dez meses... Não houve um dia de greve. Então, isso não é comum.

            O PT... E, de tal maneira...

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - Senador Mão Santa...

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Leomar Quintanilha.

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - Senador Mão Santa, gostaria de participar do raciocínio de V. Exª.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - V. Exª participou… E V. Exª é devedor do Piauí. V. Exª levou uma das mais encantadoras mulheres do Piauí, lá de São Raimundo Nonato.

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - E que está ajudando-nos a construir o Tocantins.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Ah, bom...

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - V. Exª está comentando aí a respeito de greves e de segmentos profissionais. Em ano eleitoral é bem recorrente essa situação. V. Exª sabe que passei os últimos seis meses à frente da Pasta da Educação de meu Estado, atendendo a um convite que me fez o Governador Carlos Henrique Amorim, para ajudá-lo na modernização de nossas escolas. E, lá, nós experimentamos uma greve na área da educação. Nós tivemos um diálogo muito bom com os servidores, com os profissionais da educação. Entendíamos que eram justas as reivindicações. E acabamos acertando, tendo um entendimento, concedendo aos professores um reajuste dentro dos limites do Estado, mas que elevou os salários - o piso salarial de nossos professores - aos melhores do Brasil. E, hoje, nós tivemos uma notícia boa quanto a uma proposta muito interessante, que defendemos à frente da Secretaria - e os professores lutaram para isto -, no sentido da modernização das nossas escolas, que é a aquisição de um computador, de um notebook para cada professor. O Governador Carlos Gaguim finalmente autorizou. Era uma proposta que estávamos defendendo, e, finalmente, ele autorizou a entrega de um computador para cada um dos professores das escolas de Tocantins. Veja como nossas escolas estão atrasadas, Senador Mão Santa! Uma criança, hoje, com cinco ou seis anos, já viu 10 mil horas de televisão e sabe manusear esse instrumento como ninguém; entra na Internet com facilidade. E chega a uma sala de aula quadrada, com quadro negro e giz, com professor se esforçando para prender a atenção do aluno... É uma dificuldade muito grande! Nós precisamos, realmente, modernizar as nossas escolas. Espero que aquilo que está acontecendo no Tocantins possa acontecer também no seu Estado - no seu e no nosso querido Piauí. V. Exª sabe que tive um dos ricos momentos da minha vida: enquanto trabalhava no Banco do Brasil, fui gerente da agência de Corrente e lá estive por três anos, quando conheci a realidade, sobretudo a do sul desse Estado tão querido e tão importante do Brasil. Parabéns a V. Exª.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Então, queremos cumprimentá-lo pela exitosa administração na educação, ao tempo em que lamentamos esse tempo. Sou orgulhoso - pode fixar, estão olhando e gravando. No Piauí, fizemos o maior desenvolvimento universitário, e não foi do Brasil, não, foi do mundo.

            Em 1990, o Ministério da Educação disse que, das 10 melhores universidades, sete eram públicas, e três eram privadas. Em 2000, houve uma inversão - daí a minha preocupação -: das dez melhores, sete eram privadas, e três eram públicas, e uma das três públicas era a Uespi, do Piauí. Criamos 400 faculdades, 36 campi universitários, e foi um terremoto que passou lá.

            Eu não sou contra o desenvolvimento da universidade privada, mas acontece que uma faculdade de medicina privada custa algo em torno de R$ 4 mil por mês - por mês! Para ser prático - um quadro vale por dez mil palavras -, um mês de mensalidade de uma faculdade de medicina no Nordeste - nós a temos - custa R$4 mil. Então, jamais um pobre poderá ser doutor numa dessas universidades privadas. Quatro mil reais por mês, e o estudante tem que comprar livros, tem que morar... Isso é uma faculdade. E nós criamos para os pobres do Piauí e do Brasil. Foi o maior desenvolvimento universitário.

            Mas os prefeitos - Deus, sendo bom, colocou bons prefeitos. É por isso que não é o desânimo total, há ainda esperança. E, ontem, nós tivemos a oportunidade de receber, aqui, muitos prefeitos, buscando aquilo que V. Exª disse - não obedece à Constituição... Eu fui Prefeitinho e nunca marchei, não. Esse negócio de marcha é de soldado - marcha soldado. Não tinha esse negócio de marcha de prefeito. Os governantes tinham vergonha. A Constituição que está ali, que está escrita, a Constituição cidadã de 5 de outubro...

            V. Exª foi Constituinte?

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - Não, não fui.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Mozarildo, V. Exª foi Constituinte?

            O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB - RR) - Sim.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Pois está aí. Receba os cumprimentos entre todos eles, homens como Fernando Henrique Cardoso, Ulysses Guimarães, Mário Covas... E V. Exª representa... O Paim...

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - Eu sou muito grato à Constituição, porque o Estado de Tocantins foi criado por ela na Constituinte.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Sim, mas a Constituinte... São 513 Deputados, 81 Senadores que a fizeram, homens ilustrados, capazes e compromissados com o País. Eles pegaram o bolão do dinheiro do País, a riqueza do País, e dividiram. Então, é assim: 53% para a União, para o Presidente, hoje, Luiz Inácio; 21,5% para os governos do Estado; 22,5% para os prefeitos e 3% para os Fundos Constitucionais, como o FDN, o FDE; somando, totalizam os 100%. Acontece que a fome foi tão grande que se criaram, não o imposto para dividir, mais taxas, que o Governo Federal hoje, o Luiz Inácio, recebe muito mais de 60%. E aqueles prefeitos que, no cômputo geral, recebiam 21,5%, recebiam 14% e aumentamos em 1% - essa é a verdade. E tivemos a coragem, Mozarildo, de tirar a Cide/combustível, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, deixar só a metade, porque o Federal ficava com tudo, o Luiz Inácio; e nós pegamos a outra metade e distribuímos entre governadores e prefeitos.

            Mas, a diferença é grande e maior ainda. Isso eu estou ensinando ao nosso Luiz Inácio, as dificuldades dos prefeitos que vieram aqui, humilhados, com o pires na mão. Fui prefeito e nunca vim aqui, porque eles mandavam o percentual, de 22,5%, o que significava muito mais, Zambiasi. V. Exª, que vai ser prefeito da capital, todo mundo sabe, de Porto Alegre. Na pesquisa de grande Senador não quer, não. É o Zambiasi lá. Andei por lá, tenho uma filha que está fazendo Dermatologia lá e o povo já está lhe aguardando. Ele já está nominado, o povo querendo, objetivamente. Ele vai ser como Carlos Lacerda.

            Carlos Lacerda foi o melhor Parlamentar. Aí foi para o Executivo: foi o maior Executivo de todos os Governadores da história do Brasil. Assim vai ser Zambiasi na Prefeitura de Porto Alegre.

            Mas, há um problema a mais, Zambiasi - estou chamando a atenção: naquele tempo havia menos municípios. Então, aquele bolão, os 22,5%... Criaram-se tantos... Só eu, quando governei o Piauí, criei 78 novas cidades. Então, hoje são 5.564. Quer dizer, daí os Prefeitos, esses heróis que estão aí, esses gigantes vêm se humilhar aqui, com o pires na mão para pedir. Mas eles são heróis enfrentando, e há um a insensibilidade nessa centralização de recursos.

            E quero dizer, prestar a nossa homenagem aos prefeitos do Piauí, que aqui vieram nesse estoicismo de dedicação, de querer salvar o município:

            Prefeita Maria Salomé, de São Miguel do Fidalgo; José Jailson Pio, de São Félix; Lúcia de Fátima Sá, de Colônia do Piauí; Miguel Borges de Oliveira Júnior, de Miguel Alves; Rinaldo Francisco, de Caldeirão Grande; Osmar Sousa, de Fronteiras; Deoclecianos Torres, de Cajazeiras; Professor Raimundo, de Júlio Borges; Luiz Menezes, de Piripiri; Verônica Avelino, de Itaueira; Mardônio Soares Lopes, de Barra Dalcântara; João Félix, de Campo Maior; Benigno Ribeiro de Souza Filho, de Corrente; Alcindo Piauilino, de Bom Jesus; Amaro Melo, de Batalha; José Lopes, de Caridade do Piauí; Flávio Campos Soares, de Alto Longa; Janaína Marques, de Luzilândia; Edilberto Marques, de Joca Marques; Aarão Cruz, de Beneditino; Francisco de Macedo, de Bocaina, é o Presidente da Associação dos Prefeitos; Clóvis Melo, de Novo Santo Antônio; Raimundo Brito, Piracuruca; Moaci, de Redenção do Gurguéia; e o Francisco Pereira de Sousa, de Gilbués.

            A eles, os nossos aplausos pela dedicação, pela tentativa de minimizar os problemas.

            Foram recepcionados aqui pelo Heráclito. Teve um jantar ao qual não pude comparecer, porque, naquele instante, eu presidia ou secretariava o Senado ou debatia aqui, quando o Senado, ontem, escreveu uma das mais lindas páginas da sua história, trazendo justiça, que é o pão de que mais a humanidade necessita.

            Disse Montaigne “justiça aos ...”. Aí, eles dizem: “Quem vai pagar?” Esses aloprados! A ignorância é audaciosa. Eu sei as coisas. Fui prefeitinho, governador e me preparei mesmo. Esse negócio de Rui Barbosa... Ele era igual a nós, ele era um de nós. Nós somos Ruis de hoje. Esta é a verdade: quem vai pagar? Quem paga é o próprio trabalhador! Que besteira esse terrorismo, esse banditismo! Não fale nada! Quem paga sua aposentadoria é você, é o trabalhador! A ignorância é audaciosa. Quem vai pagar? Que negócio! Aquilo é um cálculo atuarial. Você começa com dezesseis anos pagando, pagando, pagando. Aí, vai aposentar com quase sessenta. Então, você pagou quarenta e tantos anos. Quem paga a Previdência, ó boçais, ó ignorantes, ó aloprados, é o próprio trabalhador. Deixe de ser abobalhado aí, fazendo esse terrorismo, aproveitando dessa imprensa nojenta, mentirosa.

            Quem vai falir o quê? Como é que vai falir? Quem vai pagar, se você está começando a trabalhar hoje, a sua aposentadoria, é você. Não é Governo, não é ninguém, não. Você é descontado. E tem um cálculo. Se eles não sabem calcular, saiam que nós sabemos. Os cálculos atuariais, a aritmética de Trajano, já ensinava matemática. Quem vai pagar é o trabalhador. Cada trabalhador que paga a sua aposentadoria. Por isso que nós nos tornamos contra, porque havia um contrato, havia um planejamento, os velhinhos foram capados ao longo desses anos, injustiçados. Então, foi um banho de justiça.

            E outro banho que nós demos foi trazer a este País a ética, a ética com que apelidaram, aí, de Ficha Limpa. Esse negócio de ética é complicado. Max Weber, um escritor alemão - Zezinho! - escreveu três livros sobre ética. E a gente sai solto. Mas eu aprendi com Heloisa Helena, mulher, Senadora, inteligente. Ela disse: “Ética é vergonha na cara e bondade no coração.” Então, foi esse o que foi aprovado, aqui, aprimorando a democracia.

            Mas, quero lhe dizer o seguinte: o Piauí não ficou atolado pelos bravos Prefeitos que temos. E quero dizer uma homenagem aqui: novos rumos da PPM. Está aqui o Francisco Macedo, Prefeito já algumas vezes, é médico como nós, o bigode dele é mais bonito do que o do Presidente Sarney. Olha aí. Ele trouxe esses... e fez uma reunião com todos os Parlamentares; os Senadores estavam num dia de dificuldades, e todos nós aparecemos rapidamente. Mas somos solidários e aplaudimos a luta dos Prefeitos.

            E atentai bem! O ensinamento que eu quero dar ao País: os Prefeitos são gente boa, os Prefeitos têm dignidade. Está no livro de Deus, que eu represento. Eu sou do Partido de Jesus - ô Zambiasi! - partido de Jesus, o Social Cristão, que diz o seguinte: muitos são chamados e poucos são os escolhidos. Esses Prefeitos foram os escolhidos, eles administram sua mãe, sua esposa, sua avó, seus filhos e todo mundo. Eles são gente boa. Ô Leomar Quintanilha, o caso é quando tem um que não presta e é a maior confusão. Mas são milhares e milhares com espírito público, com decência e com dignidade, como eu o fui. E esses Prefeitos são assim, eles é que são os entes mais importantes do organograma democrático. E eles estiveram aí. E tanto é verdade que queria fechar o nosso, a homenagem aos Prefeitos, aos bravos Prefeitos do Piauí e do Brasil: As lições do prefeito Graciliano Ramos.

            Graciliano Ramos foi um Prefeito de uma cidadezinha de Alagoas, do sertão de Alagoas, e ele foi o pai da gestão fiscal. Essa Responsabilidade Fiscal, essa lei, sem dúvida nenhuma, o Presidente Fernando Henrique Cardoso, um estadista, um homem culto, foi buscar essa inspiração no autor de Memórias do Cárcere, Vidas Secas, Caetés. Ele foi o Prefeito que primeiro fez, o pai da gestão fiscal, dos relatórios, e tudo.

            É trazido nesta revista aqui As lições do Prefeito Graciliano Ramos, pelo jornalista Zózimo Tavares, o mesmo jornalista que busca o melhor da administração pública, que nasceu sob a gestão de um prefeito do interior do Nordeste, Graciliano Ramos. Zózimo, também escritor, é o mesmo que, anos depois, faz artigo descrevendo a porcaria que passou pelo Piauí, do governo que lá estava.

            Mas nós, que somos de Deus, temos esperança. Está escrito no livro de Deus: “Depois da tempestade vem a bonança”. Ó Deus, ó Deus, ajude o Wilson Martins, que pegou essa buraqueira, essa desmoralização toda, a conseguir, com o esforço dos prefeitos e do povo honrado e bom do Piauí, reerguer aquele nosso Estado querido para que possamos de novo cantar: “Piauí, terra querida, filha do sol do Equador; pertence a ti nosso sonho, nossa vida e nosso amor”. 


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