Autor
Mão Santa (PSC - Partido Social Cristão/PI)
Data
26/05/2010
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Senador João Vicente, que preside esta sessão de 26 de maio, Parlamentares na Casa, brasileiras e brasileiros presentes no plenário e os que nos assistem pelo sistema de comunicação do Senado, quis Deus estar na presidência o Senador João Vicente, que é do Piauí.

            Hoje é dia 26 de maio. Amanhã, é 27 de maio. Deoclécio Dantas, o mais brilhante jornalista do Piauí - naquele tempo, no auge da Pioneira, junto com Carlos Augusto, fazia a melhor dupla de comunicação que já houve -, terminava seus comentários dizendo: “É uma lástima!” Boris Casoy dizia: “É uma vergonha!” Dia 27 de maio. Quis Deus estar aqui Ivaldo Fontenele, Procurador, Promotor e tudo. Um ano da desgraça lá do açude de Cocal.

            Podem dizer que sou contra o Governo do Partido dos Trabalhadores; e sou contra mesmo, porque identifiquei um tripé, fiz o diagnóstico muito cedo. Saí porque quis. Na companhia energética, fui eu que tive o privilégio de indicar o chefe. Esse pessoal gosta de roubar ou teria ficado lá, porque nunca vi roubar tanto. Saí com medo, apavorado. Eu votei no Luiz Inácio e no Governador do PT, mas com aquela conversa que enganou todo mundo. A companhia energética e a Funasa mandaram que eu indicasse. E só houve um jeito de eu me livrar.

            Eu nunca vi roubalheira tão grande. E eu queria deixar para os meus filhos, para os meus netos e para o Piauí o exemplo de honra. Que honra, tem; que vergonha, tem; que dignidade, tem.

            E eu tenho visão das coisas. O Juscelino Kubitschek, que criou isto: energia e transporte. Um Estado não ia sem energia. E eu vi que ia acabar. Está sucateada.

            João Vicente, V. Exª e a família toda são empresários vitoriosos. A Bünge, que eu levei no meu Governo, outro dia eu recebi e-mails dizendo que tem dia que ela para doze vezes, porque não tem luz. É o caos. A companhia energética, eles sucatearam. E eu vi isto, a roubalheira, a mesada, a falta de visão. Tiravam todo o dinheiro do ICMS, não deixavam botar o dinheiro do PCEP lá dentro porque, pela falta de visão, era nessas ONGs que tinham que botar. E não cobravam dos próprios prédios do Governo do Estado. Ela está falida, não tem energia, não.

            E eu me lembro que eu fiz o desenvolvimento: das 78 cidades que eu criei, muitas delas não tinham nem energia. Mas era investindo lá dentro. Os shoppings, não tinha como funcionarem. Tinha que ter uma subestação. A de 230 kilowatts, conseguida do Governo Federal, fez nascer a perspectiva de produção de grãos de soja no sul.

A do litoral, que era 69 quilowatts, nós transformamos para 138 quilowatts.

            E eu vi, então, que só tinha uma maneira. Porque eu ia ser o culpado de tudo porque eu indiquei ao chefe. Embora eu não tivesse mesada, mas quem iria acreditar, se todo mundo estava tendo? Aí só teve um jeito, João Vicente. E eu não tenho nada, não. Se você se der com ele, não tem nada contra esse Zé Dirceu, não! Aí, só teve um jeito: fui eu, desta tribuna, quando ele era poderoso, chamei-o “Zé Maligno”. Olha, agora é qualquer um que chama, mas naquele tempo ele era o Primeiro Ministro mais forte deste País. Aí, o Mercadante: “Mão Santa, tu é doido! Pra te segurar...” Aí, no outro dia, o “Zé Maligno”, ele tirou. Eu digo: opa, eu estou com honra salva. Porque eu queria sair, eu que quis. Fui eu que quis sair da companhia deles. A Funasa, não; o homem era de bem, o Dr. Veloso. Aí tiraram também. Mas nós estamos aqui. Isso! Porque eu detectei ali, detectei, fiz o diagnóstico. Eu sou médico, sei fazer o diagnóstico. Eu nunca vi tanta mentira.

            Olha, o ex-Governador não pode nem ir porque estão botando aquela música do Erasmo Carlos: Pega na Mentira. Onde ele chega, “Pega na Mentira”. Aí quiserem prender, o Governador que está, porque estava na companhia um amplificador no carro, mas disseram que foi um menino de 6 anos. “Pega na Mentira”, onde ele chega.

            Eu nunca vi tanta mentira. Dias de mentira, meses, anos de mentira. Eu nunca vi tanta corrupção nem no Piauí, nem na história do mundo. Olha, João Vicente não tem culpa não, mas a gente entra na história sem querer.

            O governadorzinho que saiu está lascado. Sabe o que é que eles estão dizendo na cidade? Ulysses me ensinou “ouça a voz rouca das ruas”. Ulysses Guimarães está encantado, e eu ouço. Olha, o governadorzinho que saiu, que era Auxiliar de Escriturário da Caixa, nunca teve competência para fazer um concurso. Ele tem uma casa bem melhor do que a do João Vicente, que é Senador e a família sabe que tem um poder econômico conseguido pelo decente trabalho de meio século de que o nordeste é testemunha.

            Então, talvez você não saiba, mas o povo na sua sabedoria compara. Eu não sei por quê. Eu pergunto: por que foram metê-lo nessa história? Eu conheço a sua casa, que é uma casa normal, mas a do homem é de luxo. Avaliada em dois milhões, fica na entrada da cidade, considerando quem vem de Paraíba, rodeada de casas de aloprados por todos os lados. É aquele conjunto bonito. Dois milhões; só de móveis, a turma diz que tem novecentos mil reais. É interessante, mas estão comparando.

            O povo na sua sabedoria, diz: “Como é que pode? A casa dele é melhor que a do Senador “.

            Eu queria um artigo que foi publicado, de um dos homens mais honrados que conheço: Deoclécio Dantas.

            Tive o privilégio de ser Deputado Estadual junto com ele. E aprendi. Hoje eu sou, sem dúvida nenhuma, um dos homens que liderou essa Oposição. Mas tem que haver Oposição. Rui Barbosa foi Oposição, e está ali no altar. Não é feio, não.

            Fui Oposição, para defender os aposentados, as professorinhas, os soldados. Hoje só vi clamor de violência. E os soldados? Fui ao Piauí e vi as professoras ganhando, em alguns lugares, abaixo do salário. Então, aprovamos aqui o piso - o Cristovam... - de R$960,00. E isto não aconteceu! O Governo somos nós três. Houve um mandado e tal. Elas, as professoras, não têm,garantido, Flexa Ribeiro, aquele piso de R$960,00. Então, somos isso.

            Para diminuir os impostos. Olha, brasileiros e brasileiras, fui eu o primeiro - não foi Globo, não, fui eu - a dizer que este País tinha 76 impostos, li um por um. E disse que eram cinco meses. E a Globo, com seu poderio, com a sua intuição, colocou em dias, 150 dias. Fui eu, Senador do Piauí, o primeiro a ler, desta tribuna, a relação dos impostos: 76.

            Brasileiros e brasileiras, trabalharam muito?

            Hoje é dia 26 de maio. O brasileiro trabalha janeiro, fevereiro, março, abril e maio. Ó Flexa Ribeiro - Flexa Ribeiro entende muito de dinheiro, ele foi Presidente da Federação das Indústrias -, cinco meses é para o Governo. Tudo que vocês ganharam trabalhando dia e noite, homens e mulheres, trabalhadores do meu Brasil, janeiro, fevereiro, março, abril - muitos a noite inteira -, tudo, em cinco meses, foi para o Governo. Todo o trabalho de cada um. Agora, que vocês vão começar a trabalhar para si.

            É esta a compreensão, e fomos nós os primeiros... Depois vieram as reportagens, mas fui eu aqui. Li 76, de um por um, parecia jogo de futebol, analisando quem criou e quem aumentou.

            Mas eu aprendi a ser Oposição, sabe com quem? Ô João Vicente, com Deoclécio Dantas. E era na ditadura, tinha 24 Deputados estaduais. Ele era da Oposição, e eu era do Governo, Governo bom, austero, honrado de Lucídio Portela. Era Juarez Tapety o Líder - ouviu, João Vicente? - e eu o vice. Um Governador austero. A gente se chocava. Mas eu aprendi. Ele é que era Oposição, homem fluente. E tenho mesmo desempenho excepcional. Tenho tido porque aonde chego, Flexa Ribeiro, estou dando mais autógrafo do que Roberto Carlos; é retrato, é não sei o quê...

            Então, é o povo que vê uma Oposição com sacrifício, com estoicismo, com estudo, com preparo; não é leviana, não. Ela está ajudando o Presidente a se despertar do aloprado.

            Então, vou ler aqui, como homenagem àquele com o qual Deus me permitiu ser Deputado, eu como vice-Líder do Governo - o Líder era Juarez Tapety, de Lucídio, das oposições - naquele tempo de governo militar, em 1978, 1979: Deoclécio Dantas. Ele foi vice-Prefeito, o maior jornalista. Foi um Carlos Lacerda, de uma inteligência, de um português, todos os dias naquela assembleia, na Rádio Pioneira.

            “Comissão de Fachada, Deoclécio Dantas”.

            Há muito tempo eu não o vejo pessoalmente, mas é uma figura à qual me curvo: é um dos maiores políticos que eu conheci. Vou ler o artigo dele, que simboliza o melhor da política do Piauí, o melhor do jornalismo do Piauí, do funcionário público, pois depois ele serviu no Tribunal de Contas. Eu me lembro, quando eu fui conseguir, com Jesualdo Cavalcanti e Luciano Nunes, o Projeto Sanear, para possibilitar o desenvolvimento vertical de Teresina. Em Teresina, nós botamos 400 quilômetros de esgoto; São Luís tem 40. A verticalização não seria fazer shopping, colocando o esgoto de 800 banheiros no rio Poti. Foi o Sanear que verticalizou.

            Então, o Deoclécio trabalhava lá e me ajudou a entrar, a conversar e a dialogar, porque tinha um rolo da Agespisa, dos esgotos.

            E o Tribunal de Contas precisava dar um aval. E o Jesualdo Cavalcanti me deu esse aval.

Conveniências políticas não permitiram que o Sr. Wellington Dias tomasse providências sérias contra os responsáveis pelo rompimento da Barragem Algodões I.[É Deoclécio Dantas. Não pode dizer que ele é oposição, está se candidatando, não é nada.] Mas ele, na condição de Governador do Piauí, em maio de 2009, fingiu que as responsabilidades seriam apuradas e os culpados, punidos. Quanta diferença do WD, que, quando Deputado e Vereador, pedia até CPI contra supostos delinquentes da administração pública.

O rompimento da Barragem aconteceu na tarde de 27 de maio - amanhã vai ter uma missa; o líder Corcino, a Betânia Rios até nos convidou - de 2009, e já no dia 29, falando aos canais de televisão e a quem mais quisesse ouvi-lo, o então Governador anunciou edição do Decreto nº 13.681, divulgado com a seguinte manchete, pela Secretaria de Comunicação do Governo: “WD determina criação de comissão para apurar tragédia em Algodões I”.

A notícia da Secom, em cinco parágrafos, começa dizendo que “O governador, através do Decreto nº 13.681, determinou, nesta sexta-feira (29), a criação de uma comissão para apurar as causas e responsabilidades do rompimento da Barragem Algodões I.

Pura embromação [diz Deoclécio Dantas - a verdade, o melhor da História, do jornalismo e da política do Piauí]. Publicado na edição nº 98 do Diário Oficial do Estado, edição de 29 de maio de 2009, o decreto define, no seu art. 3º, que “A Comissão terá prazo de 30 (trinta) dias para concluir os trabalhos, apresentando relativo e conclusivo”.

Amanhã, dia 27, transcorre o primeiro ano do grande acidente de Cocal, sem nenhuma notícia dada pelo ex-governador - que renunciou há um mês - sobre os efeitos do decreto editado apenas para dar uma satisfação aos sobreviventes da tragédia na qual 10 pessoas perderam a vida, uma outra desapareceu, além de prejuízos materiais a mais de 2.000 habitantes que viviam e trabalhavam na região devastada pelo rompimento da Barragem.

Há poucos dias, procurei um dos integrantes da comissão criada para “apurar as causas e as responsabilidades” do acidente, e dele, sem mais detalhes, ouvi a informação de que fora convocada para a única reunião no gabinete do diretor do Instituto do Desenvolvimento do Piauí - IDEPI.

Construída que foi com recursos da União, não se entende como o rompimento de Algodões I não tenha merecido providências do Ministério Público Federal, mesmo diante da evidência de que, não interessado em encontrar os culpados e muito menos puni-los, o ex-Governador deixou que o tempo passasse sem cobrar resultado da comissão de fachada por ele nomeada. Deoclécio Dantas. Comissão de fachada.

            E aqui, no jornal Diário do Povo, há uma ampla reportagem de Luciano Coelho, bravo repórter. Eu só vou ler um tópico:

“Relatório afirma que tragédia de Algodões poderia ser evitada.

(...) O Presidente do Idepi, Norbelino Lira de Carvalho, disse que houve excesso de confiança e que a tragédia poderia ter sido evitada (...). A barragem foi embora por pura falta de manutenção”.

            É um relatório longo, é uma reportagem longa e o seguinte, e o pior: têm três barragens ameaçadas; eles detectaram aí, um estudo do Crea. E mais: o Albertão. Também não se toma nenhuma providência. O Crea fez três estudos. Ainda têm três barragens: a de Salinas, em Itaueiras; Corredores, em Campo Maior; e Bezerro, em José de Freitas. A obra de recuperação do Albertão que, segundo o Crea, está também em condições precárias de falta de segurança. O presidente do Crea informou que as barragens do Estado estão monitorizadas.

            Eu não vou mais. Foi no jornal Diário do Povo uma reportagem.

            Mas Flexa Ribeiro, olha, lá tem o Governo do PT, não é, Flexa? Olha, olha, eu não te disse que o do Piauí era pior, nós ficávamos disputando o ano inteiro, mas uma coisa eu reafirmo: Governo do PT é muito pior do que um terremoto. Eu estudo, eu sei geografia, eu sei geologia. Terremoto são oito segundos, dez segundos. O maior durou doze segundos. Quebra, morre gente, mas a desgraceira que este PT fez no Piauí, olha...É um tripé: mentira, corrupção e incompetência. A bagaceira que fez na Companhia Energética, a bagaceira que fez na Educação.

            A maior glória foi a UESPI. A UESPI foi a maior glória do Piauí, o filho do pobre tornar-se doutor.

            E foi um tsunami de incompetência, de ignorância.

            Para terminar, viu Flexa Ribeiro, você já pediu, mas eu vou logo meter um gol. Nós no pódio. O medalha de ouro de governo porcaria foi o que tivemos do PT.

            V. Exª, do Pará, fica com a medalha de prata. Olha, o Mário Couto conta as desgraceiras de lá, mas as do Piauí são muitas.

            Está aqui, para terminar.

            A ignorância é audaciosa.

            Atentai bem.

            O Sr. Flexa Ribeiro (PSDB - PA) - V. Exª me permite um aparte, nobre Senador?

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Mas deixa eu dizer logo a minha lamentação, porque eu preciso pedir forças.

            O Sr. Flexa Ribeiro (PSDB - PA) - Eu estou atento.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - E o Piauí hoje agradece. Deus nos escutou, porque saiu a desgraceira e pelo menos entrou um Governador novo. É do PSB e estão despontando aí vários nomes valorosos para governar o Estado do Piauí: João Vicente é um deles, do PTB; o que está lá é do PSB; o PSDB também, Prefeito de Teresina; tem o do PCdoB; tem a mulher do PV, mas pior do que o PT não tem.

            Mas só um. A desgraceira está aqui. Rapaz, a Uespi foi um tsunami. Onde eu ando, João Vicente - e eu fui agora a São Raimundo Nonato -, fecharam tantos cursos. Em Barras, fecharam tantos cursos. A Uespi foi que possibilitou filho de pobre ser doutor. Eu não estou contra as faculdades privadas. Mas, Dr. João Vicente, nem todo mundo tem um pai João Claudino. Uma faculdade de Medicina privada é R$4 mil ao mês. Onde o pobre vai ser doutor? A Uespi possibilitou 400 faculdades, 36 campi. O maior desenvolvimento universitário.

            João Vicente, a V. Exª eu devo muito. Foi nosso Secretário de Indústria e Comércio. Também colocou no Piauí umas duzentas fábricas, a Bünge, a fábrica de cimento. Só tinha cerveja Antarctica. Botamos Brahma, Skol, guaraná; 27 fábricas de castanha, de guaraná. É um monte lá e tal, pelas leis inspiradas por V. Exª.

            Mas eu quero dizer o seguinte. Olhe, a Uespi, o meu orgulho, você pode pegar Leomar Quintanilha, que foi Secretário de Educação agora. Eu acreditei, eu fiz com emoção, com vibração, convênios em San Marcos, no Peru; convênio em Cuba, convênio com a Universidade de Coimbra, com a Fundação Getúlio Vargas para supervisionar.

            Eu sou formado porque o primeiro curso que eu mandei para lá, da Fundação Getúlio Vargas, foi de gestão pública. E eu fiz. Era quinta à noite, sexta à noite, sábado.

            Então, a Uespi era este sonho: o estudante podia sair do Piauí e, com R$500, fazer um mestrado ou um pós-graduado em Coimbra. Eu fui ver quanto esses míopes, esses desgraçados, esses aloprados mandaram. Nenhum!

            O Piauí eu coloquei na era dos transplantes. Coração, ouviu? Mas, para isso, precisou ter visão, mandar os médicos fazerem estágios nos Estados Unidos, em São Paulo. Tudo. É. Essas coisas que nós fizemos. Por isso que entrou na era do transplantes o Piauí.

         Sim, eu fui ver quantos tinham ido para Coimbra. Nenhum! Quinhentos reais. Era uma bolsa, um estímulo. Pedi até ao Armazém Paraíba, e ele mandava de prêmio de bolsa, aí. Você não é o mecenas da cultura?

         Mas eu vou lhe dizer. Sim, então, em 1990 - dados do MEC -, havia dez melhores universidades. Sete... Daí a minha preocupação; não há quem ajude mais o Luiz Inácio do que eu. Não há, porque eu tenho que o despertar. Se ele ficar só ouvindo esses aloprados, aqui chega, chega, estou dizendo. Das dez melhores universidades, Flexa Ribeiro, em 1990, sete eram públicas. Daí as minhas preocupações. Três eram privadas. Em 2000, houve uma inversão: das dez melhores, sete eram privadas. Tem bem aí faculdade que cobra o curso de Medicina R$4 mil por mês. Qual é o pobre que pode? E três eram públicas: uma era a Uespi, do Piauí. Então, isso nos dá essa tranqüilidade.

            Mas para provar a desgraceira, ô Flexa Ribeiro, atentai bem! Vocês não vão levar o caneco de ouro. O Piauí já levou, pelo pior Governador da história. Olha aí: “Sobe para 200 o número de escolas fechadas.” É muito pior do que um terremoto. Terremoto é ligeirinho. São oito segundos. Duzentas escolas! Não sou eu não que estou dizendo.

A denúncia é do Movimento “Dever de Classe”, liderado pelo Professor Francisco Landim. [E essa família é do Governo, família importante, influente. Francisco Landim.] Segundo ele, há um levantamento feito pelo PSOL do Piauí [cadê o José Nery? Olhe aí: esse PSOL é bom. Viva a Heloísa Helena!], através do qual ficou constatado que, ao invés de 40 [o jornal botou só 40, tudo comprado], como foi amplamente noticiado [Olha aí, olha aí. 40. Já viu? São 200. O cara está protestando. Como um governo fecha 200 escolas?! São 200 constatadas; não 40, como noticiaram.], ao todo são 200 escolas públicas fechadas ao longo dos sete anos do Governo Wellington Dias [de mentira.]

            Duzentas escolas!

            Ô Flexa Ribeiro! Flexa Ribeiro, preste atenção. Duzentas, rapaz!

            Vamos buscar a Governadora para o Piauí para se candidatar a qualquer coisa.

Landim informou que a Professora Lourdes Melo, Presidente do PSOL, está preparando um documentário em torno do assunto a ser entregue à imprensa como forma de denunciar à sociedade isso que ele chama de abuso de poder. De acordo com o professor [Como é que é o nome do homem aqui? Francisco Landim.], segundo as informações que lhe foram repassadas pela Professora Lourdes Melo, a área mais atingida com o fechamento foi o setor das creches.

            As criancinhas... Por isso que eu sou do partido de Jesus. “Vinde a mim as criancinhas”; “Ai daqueles que escandalizarem as criancinhas”. As creches...

            O Leomar Quintanilha está horrorizado. A mulher dele é do Piauí, Dª Márcia. “A área mais atingida com o fechamento foi o setor das creches, mas o fechamento alcançou todas as etapas do ensino público, até o nível universitário.”

            Então, ó Deus, ó Deus, nós agradecemos. Está escrito no livro de Deus: “depois da tempestade, vem a bonança”. Tem um bocado de candidato bom, inclusive o nosso João Vicente.

            Flexa Ribeiro, V. Exª quer um aparte? Já se conformou que o caneco de ouro é do Piauí: o pior Governador da história?

            O Sr. Flexa Ribeiro (PSDB - PA) - Senador Mão Santa, eu fico constrangido com o fato de que nós tenhamos que ficar disputando esse caneco que não é de ouro, mas eu tenho a impressão de que V. Exª vai perder. Me aguarde, eu vou subir aí, agora, à tribuna, se o nosso Presidente, o nosso Senador João Claudino, permitir. V. Exª vai ficar abismado com o que acontece no Pará. Eu não gostaria que acontecesse no Piauí nem em nenhum Estado do Brasil o que está acontecendo no Pará. É lamentável, é lamentável! Quero dizer a V. Exª que tenho um compromisso assumido com vários Municípios do meu Estado. O último que assumi foi em Paragominas, quando estivemos lá há uma semana e meia, de que V. Exª teria que ir até lá. Queriam que o Senador Mão Santa fosse a Paragominas e a vários outros Municípios, e eu disse que V. Exª iria ao Pará. Então, tenho que cumprir o compromisso. Vou convidá-lo... Já o convidei várias vezes, mas quero convidá-lo aqui ao vivo, para que os nossos amigos lá do Pará saibam que o convite foi feito e que V. Exª vai disponibilizar o seu tempo, que eu sei que é precioso - V. Exª também está disputando uma reeleição, como eu, como vários companheiros nossos -, pois vai ter que ir ao Pará para ser abraçado não só pelos seus amigos piauienses que assistem a V. Exª, mas também por todos os outros nordestinos que têm no “Atentai bem!” um lema ou um grito de guerra. Parabéns!

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - Senador Mão Santa.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Leomar Quintanilha, que me conhece.

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - Se V. Exª me permitir, quero acompanhar...

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Pois não, Leomar Quintanilha.

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - ... as ilações do nosso querido amigo do meu vizinho Estado,... Aliás, o seu Estado também é meu vizinho.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Esse é o Senador mais sabido. Foi buscar uma das mulheres mais encantadoras do Piauí e casou-se com a Márcia.

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - Senador Mão Santa, eu ouvi apenas uma parte do pronunciamento de V. Exª, porque eu estava em outra missão, mas fiquei estarrecido com essa afirmação de que, no seu Estado, ainda há essa possibilidade de fechamento de 200 escolas.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Não. Já fechou! Nós queremos é que um desses homens se ajeite e ganhe para abrir. Vou até entregar a João Vicente os endereços.

            O Sr. Leomar Quintanilha (PMDB - TO) - E em pleno século XXI, Senador Mão Santa, quando, em nosso entendimento, a escola é o grande ambiente da cidade, para onde a família manda seu tesouro. O que é mais precioso na família são seus filhos. A família manda seus filhos para a escola exatamente para ter aquela complementação do trabalho, porque é dever da família educar e formar um novo cidadão. A Constituição consagra isso como direito de todos, dever do Estado e da família. A educação deve ser incrementada com apoio da sociedade. É lamentável que haja situação tão gritante em seu Estado. Tenho até de cumprimentar o Governador do meu Estado, Carlos Henrique Gaguim, e os Governadores que o antecederam, porque, no Tocantins, ainda temos muitas dificuldades e a educação precisa avançar bastante, mas está longe dessa situação. Lá, não estamos fechando escolas. Estamos abrindo escolas e ampliando as possibilidades de oferecer às nossas crianças, aos filhos do povo, às novas gerações a oportunidade da sua formação, a busca para sua autonomia, sua independência. O homem só é autônomo e independente quando tem uma formação intelectual adequada, que começa no bê-á-bá, na creche, na tenra idade. Lamento que isso aconteça em nosso querido Piauí, Estado que V. Exª e nosso ilustre Presidente representam nesta Casa, com raro brilho. Tive a feliz oportunidade de viver ricos momentos no Piauí. Morei no sul do Estado, como funcionário do Banco do Brasil, tive ali uma relação muito forte com a população do seu Estado, foi um momento muito rico na minha vida, de muito aprendizado. E eu lamento que ainda esteja enfrentando situações dessa natureza explicitadas aqui por V. Exª.

            O SR. MÃO SANTA (PSC - PI) - Eu incorporo todas as palavras desse piauiense enlaçado pelo amor de uma piauiense, a Márcia, mas eu queria dizer que, quando menino, João Vicente, eu aprendi - Guerra Junqueira dizia - que abrir escolas é fechar cadeias. Por isso, as cadeias estão... Ele está fazendo o inverso.

            E o Albert Einstein, para terminar. Ele tem um livro, Maturidade, que tem uma página onde ele diz: “A escola é o único instrumento que a civilização tem para pinçar todos os conhecimentos da história da humanidade e oferecer às nossas crianças”.

            Então, é isso. Então, essas são as nossas palavras.

            Como solidariedade, amanhã vamos rezar por aqueles que sofrem, que estão abandonados, que foram esquecidos na calamidade de Cocal. E tantas vezes eu bradei aqui. Sei que o Luiz Inácio deve ter mandado dinheiro, mas é porque lá tem muito aloprado, e eu nunca vi a turma roubar tanto como o Piauí assistiu no passado.


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