Discurso durante a 4ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Lamento pelo falecimento do ex-Ministro da Previdência Raphael de Almeida Magalhães, ocorrido no último dia 31 de janeiro.

Autor
Luiz Henrique (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/SC)
Nome completo: Luiz Henrique da Silveira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
HOMENAGEM.:
  • Lamento pelo falecimento do ex-Ministro da Previdência Raphael de Almeida Magalhães, ocorrido no último dia 31 de janeiro.
Aparteantes
Cristovam Buarque, Delcídio do Amaral.
Publicação
Publicação no DSF de 09/02/2011 - Página 1709
Assunto
Outros > HOMENAGEM.
Indexação
  • HOMENAGEM POSTUMA, EX GOVERNADOR, ESTADO DA GUANABARA (GB), EX-DEPUTADO, EX MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DA PREVIDENCIA SOCIAL (MPS), COMENTARIO, BIOGRAFIA, ELOGIO, VIDA PUBLICA, APOIO, REDEMOCRATIZAÇÃO, BRASIL.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. LUIZ HENRIQUE (PMDB - SC. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, o Brasil acaba de perder um de seus melhores filhos.

            O Brasil acaba de perder o mineiro que se fez carioca, mas, sobretudo, se transformou num grande brasileiro. No último dia 31, perdemos Raphael de Almeida Magalhães.

            Ocupo esta tribuna, Sr. Presidente, para evocar a grandeza da sua vida, do seu talento, da sua obra, eminentemente pública.

            Raphael era um homem devotado a este País. Estava sempre formulando ideias, elaborando projetos, buscando fórmulas e formas de levar o Brasil ao rumo do desenvolvimento.

            Tive o privilégio, Sr. Presidente, de conviver com ele durante as últimas décadas. Quando assumi o Governo do Estado, convidei-o para integrar o Conselho de Assessoramento Superior, que criei para receber contribuições valiosas de grandes personalidades nacionais e internacionais, como ele próprio, Eliezer Batista, Jorge Gerdau, Albert Fishlow e Domenico de Masi.

            No meio de uma dezena de conselheiros, Raphael pontificava, trazendo sempre ideias lúcidas e exequíveis. Devo-lhe muito e por valiosas contribuições, como o Master Plan de Santa Catarina, que ele elaborou junto com Eliezer Batista, comandando uma equipe das Universidades Federais do Rio de Janeiro e de Santa Catarina.

            Deputado no primeiro mandato, tive o privilégio de conhecê-lo, quando apresentou o Projeto Brasil, junto com o inesquecível Senador Teotônio Vilela, que se notabilizou, à época, denunciando as quatro dívidas brasileiras: a externa, a interna, a política e a social.

            A enorme repercussão daquele documentos projetou o “Menestrel da Alagoas”, transformando-o, a partir dali, num dos principais artífices da derrubada do regime autoritário.

            Sobre o co-autor do projeto, assim se expressou o Senador Vilela, em um memorável discurso pronunciado, nesta tribuna, na sessão de 7 de abril de 1978:

O documento que ora apresento à consideração do Congresso, das autoridades constituídas e do povo é resultado de um longo trabalho de equipe. Cito [dizia Teotônio], apenas, pelo silêncio que outros me impuseram, meu principal parceiro, Raphael de Almeida Magalhães, nome que a vida partidária não pode se dar ao luxo de abandonar à margem da política, não só pelo seu prodigioso domínio intelectual e prático dos problemas brasileiros, mas também pela respeitável envergadura de estadista, que legitimamente ostenta. Foi, sem favor, Raphael de Almeida Magalhães, o motor do Projeto Brasil.

            Bem ao seu estilo, discreto e reservado, Raphael ficou longe dos holofotes, fazendo questão de que Teotônio, o mentor político daquele documento, fizesse reverberá-lo, da tribuna desta Casa, por todo o País.

            Desencantado com o Regime de 1964, que ele ajudara a constituir, durante todos aqueles anos tenebrosos, Raphael foi um incansável combatente na luta contra o arbítrio.

            Raphael de Almeida Magalhães, assim como Severo Gomes, Celso Furtado e Renato Archer, mesmo estando circunstancialmente perto ou longe de Brasília, era um dos permanentes contatos, consultores de Ulysses Guimarães, na sua gloriosa caminhada rumo à anistia, às diretas e à Constituinte.

            Raphael era um homem público e um defensor do Estado por excelência. Incomodava-se com a “desqualificação da política”, que, segundo dizia, era a “atividade fundamental para a construção de uma sociedade socialmente justa”. E reclamava:

A política tem sido sistematicamente relegada a um plano secundário, com uma hegemonia clara da economia como centro da discussão das questões da sociedade. (...) A questão do desenvolvimento econômico - dizia Rafael - é essencialmente de natureza política. É a política que traça a maneira pela qual se pode constituir uma sociedade inclusiva, que atenda à população e corresponda aos objetivos imanentes ao conjunto dos brasileiros que querem uma sociedade próspera, rica, com a renda bem distribuída.

            Por outro lado, Raphael repetia sempre que o Estado é “o elemento formador, organizador dos fundamentos macroeconômicos e catalisador do projeto de desenvolvimento”. O Estado não pode ser “reduzido a um mero expectador, não indutor, desse processo”.

            Foi vice-Governador e Governador do então Estado da Guanabara, Deputado Federal e Ministro da Previdência.

            O Brasil perde, repito, um dos seus melhores e mais ilustres filhos, e eu perco um companheiro que se fez amigo e um amigo que se fez irmão.

            Muito obrigado.

            O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Permite-me um aparte, Senador? Apenas para manifestar...

            O SR. LUIZ HENRIQUE (PMDB - SC) - Concedo, com grande alegria, um aparte a V. Exª, Senador Cristovam Buarque.

            O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Apenas para manifestar, junto com o senhor, a minha solidariedade, o meu respeito, o meu carinho e a minha admiração que sempre tive também por esse grande brasileiro.

            O SR. LUIZ HENRIQUE (PMDB - SC) - Muito obrigado a V. Exª.

            O Sr. Delcídio Amaral (PT - MS) - Senador Luiz Henrique.

            O SR. LUIZ HENRIQUE (PMDB - SC) - Concedo a V. Exª um aparte, Senador Delcídio.

            O Sr. Delcídio Amaral (PT - MS) - Eu gostaria, primeiro, de manifestar a importância do pronunciamento de V. Exª, principalmente lembrando um homem como Raphael de Almeida Magalhães. Uma grande figura, um grande político, um homem de bem, com quem eu tive a oportunidade de conviver longamente, junto com o Dr. Eliezer Batista. Os dois juntos, depois de terem feito toda uma carreira empresarial política, não paravam de pensar o Brasil, de pensar o futuro. Eram os dois verdadeiras usinas de boas ideias e pessoas absolutamente integradas com a realidade do nosso País e com o que estava acontecendo pelo mundo. O Brasil perdeu um grande homem, Raphael de Almeida Magalhães, com quem eu tive a oportunidade de conviver e de quem recebi muitas orientações que foram muito importantes na minha vida, não só como executivo de empresas, mas também como político. Portanto, quero fazer coro com V. Exª, relembrando o grande brasileiro Raphael de Almeida Magalhães. Muito obrigado.

            O SR. LUIZ HENRIQUE (PMDB - SC) - Agradeço a contribuição de V. Exª.

            Eu poderia abordar vários aspectos da vida pública de Raphael de Almeida Magalhães, que atuou nos bastidores como atuou no Projeto Brasil. Um dos grandes feitos desse grande brasileiro é a implantação do SUS, criado com o nome de SUDS - Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde. Mais disciplinadamente...

(Interrupção do som.)

(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)

            O SR. LUIZ HENRIQUE (PMDB - SC. Fora do microfone) - ...voltarei a este assunto. Vou respeitar o tempo que me é devido, e o farei em outra oportunidade, exaltando esse grande brasileiro.


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Este texto não substitui o publicado no DSF de 09/02/2011 - Página 1709