Pronunciamento de Jayme Campos em 16/02/2011
Discurso durante a 10ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Importância da agropecuária para a economia brasileira.
- Autor
- Jayme Campos (DEM - Democratas/MT)
- Nome completo: Jayme Veríssimo de Campos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
PECUARIA.:
- Importância da agropecuária para a economia brasileira.
- Aparteantes
- Pedro Taques.
- Publicação
- Publicação no DSF de 17/02/2011 - Página 3345
- Assunto
- Outros > PECUARIA.
- Indexação
-
- IMPORTANCIA, VALORIZAÇÃO, ATIVIDADE PECUARIA, CONTRIBUIÇÃO, DESENVOLVIMENTO ECONOMICO, CRITICA, GOVERNO FEDERAL, AUSENCIA, INCENTIVO, SETOR.
| SENADO FEDERAL SF -
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O SR. JAYME CAMPOS (DEM - MT. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Senador Santiago, Srªs e Srs. Senadores, primeiro quero cumprimentar a Senadora Vanessa pela fala oportuna, quando ela se referiu à reforma política e à participação da mulher no cenário político brasileiro.
Eu não tenho dúvida alguma de que já houve grandes avanços. Espero que esses avanços continuem, tendo em vista que, hoje, a maioria dos eleitores deste País é do sexo feminino. Então, nada mais justo que a mulher tenha seu espaço também reservado não só no campo político, mas em outras áreas importantes do cenário nacional.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, historicamente, a produção de gêneros se impõe como principal indutor das economias prósperas. Sem o cultivo de alimentos, a sociedade é dependente e a população, miserável. O que distingue uma nação protagonista de outra subdesenvolvida é, justamente, a sua capacidade de converter as reservas naturais em proteínas para o fortalecimento genético e intelectual de seus indivíduos. Portanto, além de economicamente estratégico, o incentivo à produção agrícola se apresenta como uma alternativa política de liderança no mercado internacional.
Nesse sentido, os agricultores e pecuaristas brasileiros tornaram-se, ao longo dos anos, alicerces do desenvolvimento nacional. Atualmente, esse setor responde por 37% do Produto Interno Bruto e escora os avanços de uma economia que se consolida entre as dez maiores potências mundiais.
O agropecuarista brasileiro merece respeito e deve ser tratado com a importância que adquiriu no cenário nacional. Ele labuta de sol a sol, doma a terra e produz alimento, gerando riquezas e abastecendo nossas mesas. Sendo assim, não pode ser confundido com bandido e muito menos com inimigo da sociedade e do meio ambiente.
Nesse contexto, meu caro Deputado, que muito bem representa nossa querida Paraíba, a pecuária transformou-se em grande alavanca das exportações brasileiras, consagrando-se, há quase uma década, como maior produtora de carne bovina do planeta. Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, Cuiabá sediou no último dia 15, na Federação da Agricultura de Mato Grosso, o segundo encontro preparatório para a realização do Congresso Internacional da Carne, que ocorrerá entre os dias 8 e 9 de junho, na cidade de Campo Grande. A primeira reunião desse porte aconteceu em São Paulo, no último dia 7, e em 16 deste mês os pecuaristas mineiros se concentram em Belo Horizonte para também assistir ao pré-lançamento desse evento de magnitude planetária.
Pela importância da atividade pecuária na economia nacional, esse conclave se reveste de relevância e significado num momento em que se projeta uma recuperação do PIB do agronegócio na ordem de 3,5% a 4% para 2011, conforme estimativa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP - Cepea.
O Brasil possui atualmente um rebanho bovino superior a 200 milhões de cabeças, com uma exportação anual calculada em US$4,8 bilhões no ano passado.
Somos, desde 2004, o maior produtor de carne do mundo comercializando cerca de 10 milhões de toneladas anuais desta proteína. Entre os Estados, Mato Grosso destaca-se como o principal criador de bovinos, com um rebanho de 27 milhões de animais.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, atendo-me especificamente ao Congresso Internacional, registro a importância desse evento pela profundidade dos debates que serão travados ali. O tema central do encontro versará sobre a “Carne de qualidade para todos os povos”. Mas, os vários aspectos desse mercado serão abordados, entre eles, a relevância para a saúde humana, a saúde animal, a produção sustentável, o comércio justo e a evolução do mercado interno e do externo desse produto.
Outra questão será o debate da aplicação de mecanismos institucionais para reverter a propaganda negativa da nossa carne feita em certos mercados consumidores internacionais. O Brasil precisa qualificar a imagem do pecuarista, mostrando ao mundo seu arrojo e seu constante aprimoramento tecnológico. Afinal a proteína animal aparece como um dos principais itens de nossa pauta de exportação. Então precisamos melhorar nossas relações com os polos consumidores para expandir nossas vendas e conquistar novos horizontes comerciais.
A bovinocultura representa, Senador Pedro Taques, um faturamento superior a 50 bilhões de reais e emprega 7,5 milhões de trabalhadores em toda a cadeia.
São números robustos que atestam o vigor desse segmento.
Independentemente da posição econômica do setor, é necessário que mercado e governo olhem com mais atenção para o pecuarista brasileiro. Sim, aquele homem que se entusiasma com a vitalidade do pasto, que vigia o céu à procura das chuvas e engorda o gado com a sua esperança.
O pecuarista, com sua fé inabalável e sua crença no trabalho, é o verdadeiro herói dos sertões brasileiros. Isso vale dizer que, sustentado os magníficos números apresentados pela economia nacional, existe o homem simples do campo com sua vocação para a labuta e sua força para extrair do solo riqueza e prosperidade.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, antes de concluir, gostaria de cumprimentar a Senadora Kátia Abreu, Presidente da Confederação Nacional da Agricultura, e o Sr. Eduardo Riedel, Presidente da Federação da Agricultura do Mato Grosso do Sul, pela realização do Congresso Internacional da Carne em Campo Grande.
De tal modo, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, é fundamental que saibamos que o produtor rural deste País, indiscutivelmente, tem colaborado sobremaneira não só com a geração de emprego e renda, mas sobretudo com a nossa balança comercial. Meu caro Senador Pedro Taques, lamentavelmente o que se tem visto é que esses homens que produzem e geram riqueza para o nosso País... Lamentavelmente, parte da sociedade tem uma visão caolha e acha que o cidadão do campo é simplesmente aquele homem que não tem compromisso com a natureza, com a preservação do meio ambiente, e que, acima de tudo, ao longo da história do Brasil, que hoje é invejável pela tecnologia, pelos avanços da produção agrícola, essas pessoas não têm colaborado.
Concedo um aparte ao Senador Pedro Taques, com muita honra.
O Sr. Pedro Taques (Bloco/PDT - MT) - Senador Jayme, quero cumprimentá-lo pelo seu discurso. Temos realmente que valorizar esse setor. Mato Grosso, como V. Exª bem sabe, tem 27,3 milhões de cabeças de gado bovino. Temos mais gado bovino no Estado do Mato Grasso do que na Europa toda.
Então, existe aqui uma grande vantagem econômica do nosso Estado em relação a esse segmento. Mas ele precisa ser realmente melhor valorizado, para que possa aumentar a produtividade do nosso gado em áreas menores, transformando a pecuária extensiva em semiextensiva para que possamos, a partir daí, conquistar mais mercados internacionais e trazer mais dividendos à República Federativa do Brasil. Mas, para isso, se V. Exª me permite, nós precisamos, sim, que a República Federativa do Brasil, por meio de suas agências internacionais, por meio do Ministério das Relações Exteriores e do seu departamento próprio, possa também fazer a defesa do produtor brasileiro, internacionalmente. Isso porque existem muitas barreiras internacionais que dificultam a entrada da nossa carne no mercado internacional. Quero me associar a V. Exª, na defesa desse segmento, sempre lembrando que não podemos generalizar absolutamente nada. Esse setor é muito importante, e muitos generalizam, dizendo que ele é o causador dos grandes problemas ambientais que existem no Brasil e no nosso Estado. Temos que separar aqui as coisas. Quero ombrear-me com V. Exª na luta em defesa desse importante setor do nosso Estado. Parabéns pela sua fala.
O SR. JAYME CAMPOS (DEM - MT) - Eu é que agradeço a V. Exª, até porque V. Exª, que é do nosso querido Estado do Mato Grosso, sabe perfeitamente o que representa o setor do agronegócio, sobretudo a pecuária, na medida em que temos hoje 27 milhões de cabeças - o Brasil tem 200 milhões e o Mato Grosso, 27 milhões.
Indiscutivelmente, como V. Exª bem disse, entendo que o Governo Federal, por meio de seus organismos, sobretudo das agências, tem que defender esse segmento, que contribui, gerando 7,5 milhões de empregos no Brasil.
Desse modo, penso que o Brasil está passando por um novo momento, no qual - assim entendo - o devido valor será dado àqueles que produzem, haja vista que os números hoje citados pela grande imprensa nacional e internacional mostram que todos os dias, em grande parte do mundo, aumenta a inclusão social e, consequentemente o consumo. Assim, é preciso haver mais produção.
Na verdade, como V. Exª bem disse, particularmente em Mato Grosso, que eu conheço bem, há 26 milhões de hectares de terra que está sendo mal usada. É preciso melhorar a sua produtividade. É óbvio e evidente que precisa também ter incentivo por parte do Governo Federal.
Lamentavelmente no Brasil os créditos dos financiamentos feitos pelas instituições financeiras, sobretudo as federais, não têm proporcionado nada. Enquanto na Europa e nos Estados Unidos subsidiam o produto rural, aqui há uma inversão: aqui há dificuldade para contrair um financiamento e não tem um juro que permita ao homem, com certeza, recuperar a sua terra. Ele poderia criar duas ou três cabeças por hectare, mas hoje, lamentavelmente, cria no máximo 0,8 porque não tem capacidade financeira de recuperar esse solo através não só do calcareamento, da fosfatação, como de comprar cimento para replantar, pois o Governo Federal não tem proporcionado incentivo.
De tal maneira eu espero que após esse grande encontro, esse grande conclave, que acontecerá no Mato Grosso do Sul no próximo mês de junho, a pecuária brasileira possa dar só orgulho a este País e esse segmento seja respeitado não só no Brasil, mas sobretudo no mercado internacional.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
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