Discurso durante a 42ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Sugestão de plebiscito nacional para instituir prisão perpétua para pedófilos, com registro da reportagem "Cem crianças estupradas este ano na Grande Vitória", publicada no jornal A Tribuna; e outros assuntos. (como Líder)

Autor
Magno Malta (PR - Partido Liberal/ES)
Nome completo: Magno Pereira Malta
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), EXPLORAÇÃO SEXUAL. DROGA.:
  • Sugestão de plebiscito nacional para instituir prisão perpétua para pedófilos, com registro da reportagem "Cem crianças estupradas este ano na Grande Vitória", publicada no jornal A Tribuna; e outros assuntos. (como Líder)
Aparteantes
Walter Pinheiro, Wellington Dias.
Publicação
Publicação no DSF de 06/04/2011 - Página 9662
Assunto
Outros > COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), EXPLORAÇÃO SEXUAL. DROGA.
Indexação
  • REGISTRO, ARTIGO DE IMPRENSA, JORNAL, A TRIBUNA, ESTADO DO ESPIRITO SANTO (ES), DADOS, ESTUPRO, CRIANÇA, COMENTARIO, ORADOR, CONTRIBUIÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), EXPLORAÇÃO SEXUAL, PRISÃO, REU.
  • NECESSIDADE, AMPLIAÇÃO, COMBATE, VICIO, BEBIDA ALCOOLICA, DROGA, IMPORTANCIA, ATUAÇÃO, ESTABELECIMENTO, TRATAMENTO, VICIADO EM DROGAS.
  • JUSTIFICAÇÃO, PROJETO DE LEI, AUTORIA, ORADOR, PROIBIÇÃO, ATLETA PROFISSIONAL, PARTICIPAÇÃO, PROPAGANDA COMERCIAL, BEBIDA ALCOOLICA.

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, as pessoas que nos ouvem pelo sistema de comunicação do Senado - a Rádio Senado, a TV Senado -, Senador Wellington Dias, ex-Governador do Piauí, nosso irmão, Senador Walter Pinheiro, faço um registro muito triste desta tribuna hoje. Capa de ontem do jornal A Tribuna, do meu Estado: “Cem crianças estupradas este ano na Grande Vitória”. Isso é com base no que se registrou na Delegacia da Criança, até porque a Grande Vitória tem uma Delegacia de Defesa da Criança: Para Serra, Vila Velha, Cariacica, Viana e Vitória, uma delegacia.

            Não é por falta de falar e não é por falta de gritar. O clamor é muito grande. O abuso de criança é alguma coisa avassaladora. No meu Estado, é deplorável, todos os dias. Não é que os pedófilos apareceram hoje, Senador Pinheiro; é que a sociedade brasileira resolveu falar. Ela resolveu entregar. Ela não quer conviver com esses desgraçados que, por conta da sua tara, Senador Wellington, maquinam, preparam, infiltram-se numa família, ou são da própria família, ou do ambiente onde vive a criança, para cometer o seu abuso. Está aqui a capa do jornal A Tribuna: “100 Crianças estupradas este ano na Grande Vitória.”

            O Delegado Marcelo Nolasco, um grande delegado, que faz um trabalho maravilhoso... Espero que o Governado Renato Casagrande mude essa realidade, porque pelo menos numa cidade da Grande Vitória nós precisamos ter uma delegacia da criança, uma em cada lugar. Não é possível que uma mãe da Serra saia com uma criança abusada, ou um pai, seja lá quem for, para ser atendido em Vitória, em Vila Velha, em Cachoeiro de Itapemirim, em São Mateus. Há coisas que são prioritárias, e a vida humana é mais importante do que uma ponte; a vida e o bem-estar de uma criança é mais importante do que a limpeza de um valão - pode acreditar. E penso que essas ações, que aos olhos dos Governos parecem tão pequenas, mas que valem tanto porque a vida é humana, a criança de hoje tratada é o adulto equilibrado de amanhã.

            Diz Marcelo Nolasco que 322 pessoas estão presas. E a maioria dessas eu acompanhei, Senador Wellington. A maioria desses safados, desses vagabundos, que eu acompanhei, está presa. Mas eles são compulsivos, eles vão para rua, porque não há uma lei que os mantenha perpetuamente presos.

            E estou entrando agora na Comissão de Justiça com um pedido para que se vote um plebiscito nacional para que mudemos a cláusula pétrea da Constituição e instituamos prisão perpétua para esse tipo de indivíduo neste País - e aí podemos alargar a discussão também para o narcotráfico.

            Trezentos e vinte e duas! Isso é no País inteiro, porque me lembro que investiguei dentro do seu Estado também. Tem aquele prefeito lá de Sebastião Rocha, perto de Corrente, um pilantra, abusador. É pilantra aquele prefeito! Pilantra, vagabundo, safado, investigado. Está lá no Tribunal de Justiça. Desembargador, pelo amor de Deus, o Ministério Público, o Procurador que o senhor nomeou denunciou-o. O seu Secretário de Justiça fez um belo trabalho, atendeu a CPI, acompanhou-me o tempo inteiro, Senador Wellington. Ele abusou da filha do Presidente da Câmara de Corrente, uma menina de oito anos, com leucemia, e da filha do Presidente da Câmara de Sebastião Rocha. Mas é o Brasil. Como vamos tratar dessa questão?

            Aí diz ele aqui: “A polícia não tem com impedir esse tipo de crime porque acontece muito entre parentes”, lamenta o delegado. É verdade! De cada dez abusos, sete são feitos pelo pai, ou pelo tio, ou pelo avó, ou pelo padre, ou pelo pastor. Aliás, eu caí na besteira de prender aquele monsenhor de Alagoas e paguei um preço grande na última eleição. A conversa da missa era só eu, que era perseguidor da Igreja. A Igreja, a instituição, não pode ser perseguida. A instituição está acima do homem. Não conheço nenhum pastor que abusou de uma criança; conheço pilantra e prendi um monte na CPI da Pedofilia. No Maranhão, eu prendi cinco em um dia, que diziam que eram pastores. Pastor cuida, respeita, apascenta. Padre apascenta, cuida. Padre que é padre não abusa de criança; pastor que é pastor não abusa. Isso é vagabundo!

            Dr. Marcelo Nolasco, eu também lamento muito isso. Lamento muito! O que fazer, Senador Wellington Dias, Senador Pinheiro? O que a Frente da Família está propondo, Senador Pinheiro. A nossa Frente da Família está fazendo um trabalho, todas as semanas, com um grupo de pessoas voluntárias, que estão escrevendo um material, reescrevendo a Cartilha da CPI da Pedofilia e escrevendo uma cartilha nova, Senador Wellington. Porque, infelizmente, nesse caso, o crime de abuso é tão desgraçado que nós temos que ensinar uma criança de tenra idade a se autodefender, porque nem sempre a criança está com você. Você não acompanha a criança 24 horas por dia. E nós vamos fazer esse trabalho, a Frente da Família, Senador Pinheiro, de que V. Exª faz parte, no Brasil inteiro, tanto tratando de abuso de crianças como da questão de drogas, de aborto, de violência doméstica, mas, de maneira muito específica, da questão das crianças.

            Não sei se foi neste mesmo jornal... Aliás, isso é uma coisa que acontece todos os dias. Aqui está a figura do Marcelo Nolasco, que aqui faz o seu lamento. Pouco se pode fazer, até porque, na verdade, essa responsabilidade é de pai e mãe. A polícia tem que ter responsabilidade de criar seus próprios filhos, porque não está dentro da casa das pessoas.

            A violência contra as crianças... Eu queria parabenizar o jornal A Tribuna, que, a exemplo o jornal A Gazeta, do meu Estado, não tem se furtado a fazer a cobertura e a revelar esse tipo de crime, esse tipo de criminoso. Aliás, os meios de comunicação em todo o País.

            Eu conclamo a sociedade brasileira, mais uma vez, a que nos juntemos, Senador Suplicy, que não nos apartemos dessa corrente e que não enrolemos a nossa bandeira e não saiamos das ruas, gritando pela proteção às crianças do Brasil.

            A Frente da Família esteve com o nosso Ministro José Eduardo Cardozo, na semana próxima passada, tratando do tema das drogas, de maneira muito específica, pois não podemos criar frente de combate ao crack, porque senão, amanhã, vai haver frente de combate à maconha, de combate ao ecstasy, de combate à cocaína. Precisamos fazer uma frente de combate ao vício, com enfrentamento a essas mazelas no País, às drogas consentidas e que estão na legalidade, como o álcool. As pessoas as consomem e, bêbadas, matam no trânsito, mas, infelizmente, não são obrigadas a fazer teste de bafômetro. O outro é obrigado a conviver com tubo na garganta, tetraplégico, numa cadeira de rodas, usando fraldas, com a família tomando conta. Esse, que foi atropelado por um bêbado, não tem direito a nada. Mas o bêbado tem direito e nem faz o teste do bafômetro.

            Agora, propus uma emenda, Senador Pinheiro, modificando essa história. Ou respeitamos as pessoas ou debitamos nosso respeito na conta tão somente dos marginais. O Código de Processo Penal brasileiro é tão ruim que está a serviço do crime, não a serviço da sociedade brasileira!

            Então, quer dizer que quem tem de pagar essa conta é alguém que chora por que o filho que vinha da escola foi atropelado por um bêbado que dirigia, que entrou num ponto de ônibus, matando as pessoas. Ou um bêbado, dirigindo, pode entrar numa creche, pode atingir uma família que assistia à televisão, matando o pai, o provedor da família. E ele não precisa fazer o teste, para não criar provas contra si.

            Senador Pinheiro, como o videomonitoramento está virando cultura no Brasil, há um projeto de lei meu aqui para que ele seja utilizado como flagrante. “Ah, fugiu do flagrante!”, o advogado diz com a boca cheia. E diz: “Meu cliente fugiu do flagrante”. Ele já tem benefício. Ele pode receber um troféu, porque teve a capacidade de fugir do flagrante. Mas, no videomonitoramento, o crime cometido já é o flagrante, porque as pessoas podem filmar isso em um celular. Estamos em uma era de tecnologia e temos de avançar, Senador Pinheiro, em favor da sociedade brasileira.

            É isto que a Frente da Família está propondo, é isto que estamos propondo: fazer enfrentamento não somente ao crack. Há trinta anos, recupero drogados. O crack é terrível, mas sabe o que está fazendo agora? O nome, agora, é “brita”. Estão fazendo farinha da pedra de crack e colocando nos tabletes de maconha. O nome, agora, é “brita”. É mais forte! Vamos fazer agora uma frente parlamentar para a brita? Vamos fazer uma frente parlamentar para o quê? Temos de fazer uma frente parlamentar para enfrentar o drama do vício no Brasil.

            Olha o Sr. Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, garoto propaganda de bebida alcoólica. E viva o Pelé, que nunca aceitou fazer propaganda de bebida alcoólica! Viva o Pelé, que nunca aceitou fazer propaganda de cigarro! Todo menino que chuta uma bola é Pelé; todo menino que chuta uma bola é Ronaldinho; todo mundo que chuta uma bola é Romário. Aqueles que são ídolos não se podem colocar à disposição para pôr, de maneira subliminar, na mente de uma criança que consumir bebida alcoólica faz bem, que, assim, ela se torna vitoriosa. O técnico da Seleção Brasileira usa essa frase, diz que ele é um vitorioso por isso, por causa da bebida alcoólica.

            Estou entrando com um projeto de lei, Senador Pinheiro, e preciso do seu apoio.

            Já lhe dou um aparte, Senador Wellington.

            Veja que meu projeto de lei, Senador Wellington, proíbe o atleta que chega à Seleção Brasileira de se tornar garoto propaganda de bebida alcoólica.

            Cada qual tem sua vida, cada qual a toca do jeito que quer. O homem é a sua decisão, mas alguém que se torna referência nacional não tem o direito de destruir a vida de uma criança, de ajudar na má formação.

            E os meios de comunicação? Fico me perguntando: meu Deus, o que esses caras têm? Eles só são donos dos equipamentos, porque a concessão é pública. E por que eles têm de entrar dentro da nossa casa para desfazer aquilo que a família ensinou, para implantar aquilo que eles entendem que tem renda de volta para eles? Nós, que votamos, criamos e renovamos essas tais concessões, não temos força para tomar qualquer tipo de atitude.

            V. Exª tem a palavra.

            O Sr. Wellington Dias (Bloco/PT - PI) - Agradeço-lhe o aparte. Primeiro, permita-me também me congratular com a implantação, hoje, da Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Terapêuticas ou de outras entidades sociais. Estive lá no começo, mas, infelizmente, como em outros dias aqui, havia um conjunto grande de Comissões em funcionamento, e não pude ficar até o final. Mas quero parabenizar aqui o Deputado Carimbão, V. Exª e todos nós que participamos dessa Frente, da qual também faço parte. Quero parabenizá-lo também por esse trabalho, por essa frente em defesa da família. Também concordo com isso e quero estar junto com V. Exª nesse trabalho em defesa da família. O grande drama brasileiro é exatamente esse. Está no ensinamento cristão a família como a grande base, a família como o grande alicerce, para haver não apenas o bem da família, mas também o bem de toda a sociedade. E vamos estar juntos nesse trabalho, com o maior prazer. Quero aqui também dizer que é importante termos essa visão que V. Exª expressa hoje em relação à droga. Quando se trabalha centrado no crack, por exemplo, penso que o que se deseja é desviar do foco principal. Isso é interessante. Quando alguns meios de comunicação falam sobre o crack, todo mundo vem. Mas, se é para tratar do fumo ou da bebida, pula fora todo mundo. V. Exª, com sua brilhante experiência, reconhece que é exatamente aí que nasce o problema. É a partir do cigarro que se vai para algo mais forte, que se chega à maconha, por exemplo. É a partir da bebida, quente ou gelada, que se chega, logo em seguida, a outras drogas. Sei do importante trabalho de V. Exª, com sua experiência. Hoje, inclusive, na Comissão, tratamos da política relativa a drogas, álcool e outras drogas. Colocamos o álcool na frente, inclusive, pela importância que tem esse trabalho. Com certeza - já conversamos -, V. Exª nos vai dar o prazer da sua presença na Comissão, para relatar sobre a brilhante experiência no Espírito Santo e em todos os lugares do Brasil. Seguramente, vamos fazer com que o Governo traga para a sua responsabilidade parcerias com comunidades terapêuticas e parcerias com organizações sérias, crie seu próprio sistema, adequado, público, e complemente esse trabalho feito pelas várias comunidades. Quero aqui louvar sua iniciativa e dizer que estaremos juntos nesse brilhante trabalho. Muito obrigado.

            O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Incorporo seu aparte ao meu pronunciamento, Senador Wellington, fazendo referência ainda às comunidades terapêuticas. V. Exª faz parte do trabalho, esteve lá. E lá estava a Secretária Nacional Antidrogas. Essa Secretaria foi criada por Fernando Henrique. Ele fez um discurso na ONU, dizendo que ia erradicar as drogas no Brasil em dez anos. Ele falou duas besteiras. Primeiro, ele não iria ser Presidente por dez anos; segundo, ninguém vai erradicar nada. Agora, ele está fazendo uma besteira maior: está andando pelo Brasil inteiro, pregando a legalização das drogas. O Doutor não entendeu nada! Ele governou um País que tem 1,1 mil quilômetros abertos com o Paraguai, 700 quilômetros abertos com a Bolívia e 2,5 mil pistas clandestinas para aeronaves de pequeno porte, com drogas para matar os nossos filhos. Ele não entendeu nada! Agora, é fácil fazer o discurso fácil, de quem teve oportunidade e não teve coragem de enfrentar o problema. E essa Senad, que ele criou? Ele foi embora e a deixou com um orçamento de R$65,00. A Secretária Nacional Antidrogas era auxiliar do General, aquele que, Deus me perdoe, não entendia nada daquilo de que estava lá tratando. Mas Lula é pirracento, não o tirou de jeito nenhum! Deixou-o lá por oito anos, sem saber o que estava fazendo.

            “Política de redução de danos!” Quem dizia isso era a Secretária. Inclusive, ela estava lá, e eu lhe disse: foram oito anos lutando com a senhora. Redução de danos? Como? Dar kit para drogado, ensinar como dissolver a cocaína, dar-lhe a seringa? Vamos chegar aonde com isso?

            Agora, aqueles que estão na ponta, que são as comunidades terapêuticas, a comunidade científica trata com restrições, porque não acreditam em recuperação de gente. A comunidade científica não acredita em abstinência.

            Olhe a primeira ação da Senad: encomendou outra pesquisa. Meu Deus! Para quê? Para saber onde se cheira mais, onde se cheira menos; onde se fuma mais crack, onde se vende mais? Guardando-se as devidas proporções, o Brasil é igual.

            Então, esse dinheiro está mal empregado. Há milhares de comunidades terapêuticas, fazendo aquilo que não é papel de Governo mesmo, porque ele não sabe fazer. Mas o Governo tinha de estar aplicando o dinheiro de forma diferente. Há coisas fáceis para...

            Eu disse à Presidente Dilma, quando ela ainda era candidata, no segundo turno, olhando para ela, no olho dela, e quando já era Presidente: faça um teste; faça um encontro com todas as comunidades terapêuticas do Brasil aqui e diga: “Vocês recuperam mesmo? Então, não exagerem: cada um traga só dez recuperados.” Não vai haver lugar em Brasília, para botar tanta gente. Se a senhora pedir cem, eu trago; se a senhora pedir duzentos, eu trago; se pedir mil, eu trago.

            A comunidade científica é inteligente demais. Não é preciso inteligência para recuperar gente, só é preciso amor, amor, amor.

            O Governo Fernando Henrique, quando Serra era Ministro da Saúde, fez uma resolução, mandando fechar todas as casas de recuperação, porque isso era um problema de saúde pública, e o órgão que ia tratar era o SUS. O SUS? Mamãe me acode! O SUS não cumpre o seu papel. Ele vai pegar o viciado em crack e fazer o quê? Colocar um soro nele e, depois de dois dias, mandar embora? Dar uma cartela de remédios controlados para ele tomar e fumar o crack depois, para ficar viciado em outra droga? Vai fazer o quê?

            Então, é muito fácil: é chamar as comunidades terapêuticas para dentro, porque esse trabalho é sacerdotal. É ajudá-los, dar um pouco de estrutura. Se não ajudar, Senador Pinheiro, eles vão fazer; se ajudar, eles vão fazer. Se não ajudar, eles fazem do mesmo jeito. Acha que a Ana vai parar de fazer?

            O Sr. Walter Pinheiro (Bloco/PT - BA) - Um aparte, Senador.

            O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - É a sua esposa, que é metida com obra de recuperação de drogados em Salvador. O que recebe aquela instituição que ela ajuda? Nada. Eles vão parar de fazer? Nunca. Recuperam gente lá? Sim.

            A Organização Mundial de Saúde disse que o maior índice de recuperação é 35%. Eu recupero, há trinta anos, 85% dos que passam no Projeto Vem Viver.

            Então, há que se respeitarem as comunidades terapêuticas.

            Há aquela resolução da Anvisa, que diz que, para se ter dez drogados em casa, é preciso ter um fogão de oito bocas, uma geladeira dúplex, de quatrocentos metros quadrados... Os caras que escrevem isso, quando acaba o expediente, vão beber cerveja e uísque e fumar cigarros. Eles não têm moral para dizer...

(Interrupção do som.)

            O SR. PRESIDENTE (Eduardo Suplicy. Bloco/PT - SP) - Senador Magno, solicito que conclua seu pronunciamento.

            O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - O Senador Walter Pinheiro me deu o tempo dele.

            O SR. WALTER PINHEIRO (Bloco/PT - BA) - Não, eu lhe pedi um aparte. Estou aguardando V. Exª concluir, para usar a tribuna, se V. Exª assim permitir.

            O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Ah, então foi um momento de fraqueza. Entendi errado.

            Vou encerrar, Sr. Presidente. É que esse tema é tão palpitante, e o Brasil vive chamas de destruição da família, não é, Senador Pinheiro? Nós conhecemos bem esse tema.

            O SR. PRESIDENTE (Eduardo Suplicy. Bloco/PT - SP) - Pode conceder o aparte, para encerrar.

            O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Eu vou dar um aparte a ele.

            O sofrimento que gera violência no País angustia nossa alma.

            Nós, que temos a visão e o foco na vida humana, vemos uma comunidade científica que desconhece totalmente o trabalho daqueles que estão na ponta. E a comunidade científica é que tem a solução... Eu não conheço ninguém que eles recuperaram. Nunca me mostraram. Eu vou dar uma chance: só quero dois que a comunidade científica tenha recuperado. Não conheço. Não conheço. Conheço os termos que eles falam, porque são inteligentes demais; não têm tempo para amar ninguém, para colocar dentro de casa, dividir a roupa, a comida. Eles são sabidos demais. “Não, é política de redução de danos”. É de aumento de danos!

            Agora, o Ministro da Saúde e o Ministro da Justiça que estão aí são sensíveis. Penso, Senador Pinheiro, que vamos fazer um grande trabalho com esses dois Ministros.

            V. Exª tem o aparte.

            O Sr. Walter Pinheiro (Bloco/PT - BA) - Senador, V. Exª traz uma discussão de suma importância, que é o desafio de como enfrentar, com ações concretas, essa que é uma das maiores chagas. Na realidade, a destruição se estabelece no seio familiar, mas termina provocando rupturas muito profundas na sociedade, porque é dentro de casa que as coisas se projetam para a sociedade. Então, a sociedade tem responsabilidade. Não é um tema fácil para se tratar, pura e simplesmente, com chavões e coisa do gênero. Por exemplo, que políticas são adotados para reinserção daqueles que passaram a ser recuperados? Como, inclusive, lidar com as famílias, para receberem de volta seu filho, depois de um longo processo ou de uma viagem, como todo mundo costuma dizer, uma viagem para o inferno? Como recebê-lo de volta? Quantas famílias, às vezes, reagem negativamente à volta de seus filhos, com medo, exatamente, daquilo que eles produziram enquanto estavam sob o domínio das drogas? Porque é difícil acreditar que alguém se recuperou... V. Exª citou, há pouco, minha esposa Ana, que já faz, há mais de 15 anos, de forma voluntária... Portanto, ela não dirige nenhum centro, não é remunerada, não aceita ir para estrutura nenhuma do Estado e tem trabalhado ao longo desses anos. E um dos trabalhos principais, desenvolvidos por Ana, é a conversa com a família, o nível de reinserção dessas pessoas no convívio familiar e na sociedade. Na estrutura de nosso mandato, Senador Magno Malta, há uma pessoa que nós...

(Interrupção do som.)

            O Sr. Walter Pinheiro (Bloco/PT - BA) - Vou concluir, Senador Suplicy. Há uma pessoa que nós recuperamos, que tiramos da rua. Então, portanto, como tratamos isso? Só como ações de Governo? Há uma expressão que V. Exª usou e que é muito importante. Se constituirmos hoje um centro - e a expressão que V. Exª usou foi “o amor” - gerido pelo Governo, ele abrirá, efetivamente, às 8h da manhã; às 18h, os que nele trabalham vão bater o cartão ou registrar seu ponto e ir embora para casa. Quem toca isso depois das 18h? Das 18h até às 8h do dia seguinte? Quem convive no momento mais complicado dessas figuras, que é exatamente o período da noite? Como lidar com isso? Portanto, para trabalhar nessa área é preciso, inclusive, haver entrega e dedicação. E só com amor! Então, acho fundamental que haja políticas públicas, e é ideal que criemos uma secretaria. Mas é importante que o Estado - e aí falo em todas as esferas - enxergue essas esferas e passe a enxergar quem já trabalha nessa área. As igrejas, diversas instituições acumularam, ao longo de toda a trajetória, uma experiência de como lidar com isso, que é a de uma completa entrega para a recuperação. Agora, quero finalizar, chamando a atenção para aquilo... Até provoquei V. Exª, quando da primeira fala, em que me referi à droga consentida.

            A gente faz muito esse apelo: “Vamos lá combater o crack, as drogas mais pesadas, e tal”. Sabe o que acontece? Quando alguém visita outro em casa, antes de sentar, o sujeito já pergunta logo: “Vai tomar uma?” Essa é a droga consentida. Os alcoólatras insistem em dizer que eles bebem socialmente. Essa é a droga que está aí em qualquer lugar e que aparece frequentemente nas telas das TVs; que aparece nas grandes marcas, que aparece inclusive nos grandes eventos; que estimula inclusive ir a estádios, a prática do futebol associada a uma droga. Portanto, como é que a gente começa a fazer esse combate? Porque senão vamos ficar só naquele chavão de: “Oh, o crack é perigoso!”

            O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - O assessor dizendo assim: “Senador, deputado, faça um discurso sobre o crack que é o que o povo quer ouvir”.

            O Sr. Walter Pinheiro (Bloco/PT - BA) - Isso! Então, na realidade, o grande debate é o debate de como vamos lidar com a vida. Esse é o debate. Portanto, o que ameaça? O que efetivamente pode causar danos à vida? Isso é importante. Por isso, parabenizo V. Exª pela capacidade de juntar em uma frente todos esses temas para que possamos tratar esse problema com políticas públicas e, principalmente, entendendo a relação com segmentos da sociedade, com diversas entidades. Juntos vamos poder lutar efetivamente, juntos teremos a grande vitória de derrotar todas essas chagas que ameaçam exatamente a vida. Acho que é importante esse chamamento de V. Exª para esse combate, e não o combate pontual. Agora, é preciso dar sequência a isso. Depois do combate vem exatamente a política pública. O que a oferta de políticas públicas estabelece para que essas pessoas possam ser reinseridas tanto na sociedade quanto no seio familiar.

            O SR. MAGNO MALTA (Bloco/PR - ES) - Agradeço, Senador Pinheiro, o seu aparte; vou incorporá-lo ao meu pronunciamento, dada a importância.

            Encerro, Senador João Pedro, o meu pronunciamento, homenageando todos os esportistas e os esportes, principalmente as lutas marciais. No Brasil, hoje, tem o Jungle Fight, que começou no seu Estado; o lutador Wallid, sábado, em São Paulo, mostrou ali, apontou o nosso campeão olímpico Pampa, campeão olímpico de vôlei, esporte que tem ajudado a evitar e tirado as pessoas das drogas, do vício. O esporte é tão importante, que não dá para alguém que está na Seleção Brasileira virar garoto propaganda de bebida alcoólica.

            Vamos cuidar dos mais jovens. Está ali o Senador Randolfe, que quando o Pampa foi campeão olímpico nem tinha nascidos os dentes ainda - tão jovem que precisamos cuidar dele.

            Muito obrigado, Sr. Presidente.


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