Discurso durante a 19ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Registro da reunião de Governadores, em Brasília, com o fim de sensibilizar o Governo e o Congresso para a situação de desajuste financeiro por que passam os estados.

Autor
Luiz Henrique (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/SC)
Nome completo: Luiz Henrique da Silveira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
POLITICA ECONOMICO FINANCEIRA.:
  • Registro da reunião de Governadores, em Brasília, com o fim de sensibilizar o Governo e o Congresso para a situação de desajuste financeiro por que passam os estados.
Aparteantes
Blairo Maggi.
Publicação
Publicação no DSF de 02/03/2012 - Página 4528
Assunto
Outros > POLITICA ECONOMICO FINANCEIRA.
Indexação
  • REGISTRO, REALIZAÇÃO, MUNICIPIO, BRASILIA (DF), DISTRITO FEDERAL (DF), ENCONTRO, GOVERNO, ESTADOS, PAIS, OBJETIVO, SOLICITAÇÃO, GOVERNO FEDERAL, CONGRESSO NACIONAL, RESOLUÇÃO, SITUAÇÃO, DESAJUSTAMENTO, FINANÇAS, MEMBROS, FEDERAÇÃO, ORADOR, RELAÇÃO, GUIDO MANTEGA, MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DA FAZENDA (MF), REFERENCIA, RENEGOCIAÇÃO, DIVIDA.

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Srª Presidente, nobre Senadora Marta Suplicy, Srªs e Srs. Senadores, na semana passada, os Governadores de Estado, em sua ampla maioria, estiveram em Brasília para sensibilizar o Governo e o Congresso para a dramática situação de desajuste financeiro em que vivem os Estados.

            Há vários fatores para tornar grave essa situação: a isenção das exportações, que não estão sendo compensadas com 50% do seu valor, como ocorria com a Lei Kandir; a questão dos royalties do petróleo que ainda não estão devidamente definidos; e o mais grave de todos, que é a questão da dívida pública consolidada entre os Estados e o Governo Federal.

            O refinanciamento das dívidas estaduais ocorreu no final dos anos 90 e deu-se num cenário de forte desajuste fiscal do setor público, resultado de mais de uma década de desorganização econômica e de altas taxas de inflação. Ao mesmo tempo em que o Governo Federal estabeleceu a renegociação, impondo aos Estados o pagamento mensal na base de 13% da receita líquida, implantou também, em seguida, uma lei fundamental para este País que reorganizou as finanças públicas deste País, que foi a Lei de Responsabilidade Fiscal.

            A média da inflação dos seis anos - 1992 a 1977 - que antecederam as renegociações das dívidas dos Estados foi de 758%, o que demonstra a turbulência ocorrida, o absoluto desequilíbrio ocorrido nas contas públicas nacionais.

            Quando os Estados assinaram com o Governo Federal o contrato de refinanciamento da dívida pública consolidada, predominava no País a cultura inflacionária, e isso se refletiu nas taxas de juros estabelecidas.

            Naquela época, as taxas de juros oscilavam em torno de 40% ao ano. Os Estados consolidaram uma dívida de R$93 bilhões, pagaram, até dezembro de 2010 - não tenho os dados de até dezembro de 2011 -, R$135 bilhões e deviam, em dezembro de 2010 - hoje devem muito mais -, R$350 bilhões.

            Os Estados pagaram 84% da dívida, ou seja, quase toda a dívida original e ainda estão devendo 171% do valor recebido.

            No caso de Santa Catarina, o Governador João Raimundo Colombo, que faz uma gestão séria, um controle rígido das despesas de custeio, que, inclusive, para sacrifício da credibilidade ou do apoio popular para o seu governo, nos primeiros seis meses, fez uma contenção drástica das despesas, não porque o Estado estivesse em situação de desequilíbrio, porque nós o entregamos com um superávit de R$1 bilhão, mas porque se previa, como acabou ocorrendo, o repique da crise de 2008, e o governador foi cauteloso nesse sentido.

            Mas o Estado de Santa Catarina, nobre Senadora Marta Suplicy - e não é diferente a situação do seu Estado -, assumiu uma dívida, em 1997, de R$4,312 bilhões; pagou R$7,319 bilhões; e está devendo R$9,986 bilhões. É uma dívida impagável que está deixando sem sono os governadores de Estado. O desembolso mensal com a dívida em Santa Catarina, em 2003, era de pouco mais de R$200 milhões; em 2011, chegou a R$1,2 bilhão.

            Não há como organizar as finanças públicas com esse crescimento incontrolado e vertiginoso da dívida pública. A manutenção da atual taxa de juros, somada ao IGPDI, em que pese os esforços dos Estados, não tem possibilitado a amortização do saldo devedor, evidenciando a existência de desequilíbrios contratuais que requerem revisões legais contratuais imediatas.

            O Sr. Blairo Maggi (PR - MT) - Permite-me um aparte?

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC) - Com grande prazer.

            Concedo com grande prazer um aparte ao ex-Governador do Mato Grosso, grande empreendedor deste País, Senador Blairo Maggi.

            O Sr. Blairo Maggi (PR - MT) - Obrigado, Senador Luiz Henrique. Quero associar-me ao seu discurso e a sua explanação sobre a questão das dívidas dos Estados. V. Exª faz referência ao seu Estado, que governou até 2010 e muito bem. Mas essa realidade que V. Exª coloca sobre Santa Catarina, mostrando que é de todo o Brasil, eu gostaria de testemunhar, como governador que fui durante dois mandatos, que coincidiram com o período que V. Exª governou Santa Catarina, àqueles que estão ouvindo-nos, assistindo-nos. Quando assumi o governo de Mato Grosso, em 2003, a dívida do Estado para com a União era algo em torno de R$5 bilhões. Passados oito anos, pagamos aproximadamente R$5 bilhões de dívidas que haviam sido contraídas com a União na renegociação de 1996. Só que, ao final de meu mandato, devíamos mais de R$5 bilhões novamente. Quer dizer, pagou-se, pagou-se, liquidou-se a dívida, mas continua-se devendo exatamente a mesma quantidade de recursos de quando assumi o governo. E o Mato Grosso é um dos Estados diferenciado dos demais, porque, na grande maioria, como V. Exª está afirmando, cresceu muito o saldo da dívida. Isso porque a dívida é corrigida em IGPDI mais 6% a 8% ao ano, enquanto a arrecadação dos Estados não conseguem acompanhar. Felizmente, no Estado do Mato Grosso, o crescimento não só nos últimos oito anos que governei o Estado, mas nos últimos dez, doze anos, tem atingido uma média de 10% ao ano. Portanto, acima da correção da dívida que tínhamos. Então, conseguimos baixar um pouco a nossa dívida. Mas, de fato, V. Exª tem toda a razão: isso é impagável. Isso é o antigo BNH, em que casas foram feitas no passado e as pessoas não conseguiram pagar.

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC) - Só quando morriam.

            O Sr. Blairo Maggi (PR - MT) - Então, os Estados brasileiros sofrem e sofrem muito com isso. Acho que passou da hora de o Governo Federal tomar uma decisão. Nós, aqui, reclamamos, falamos, mas não se consegue avançar nesse campo. Portanto, quero aqui me associar a sua preocupação e ao seu discurso e dizer: é absolutamente correto o que V. Exª está colocando hoje em relação aos números e à preocupação com seu Estado.

(A Srª Presidente faz soar a campainha.)

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC) - Agradeço a V. Exª o aparte que acrescenta muito ao meu discurso. Peço a compreensão da nobre Presidente, pela importância e relevância desse assunto, para que eu possa ter mais alguns minutos para concluir.

            Os números expressam isso. A inflação medida pelo IPCA, no período de 1998 a 2010, foi de 117,17%.

            Os juros aplicados ao empréstimo ou ao refinanciamento, IGP mais DI mais 6%, foram de 471,67%. Essa é uma equação financeira inaceitável!

            Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos...

(Interrupção do som.)

            O SR. LUIZ HENRIQUE (Bloco/PMDB - SC) - ...que concorda que é preciso mudar o indicador, que é preciso reduzir os encargos dessa dívida.

            E concluo aqui, Srª Presidente, Srªs e Srs. Senadores, com o apelo ao Ministro Mantega e à sua equipe para que chame os Estados imediatamente e renegocie essa dívida, que é impagável, inaceitável, impossível de suportar pelos Estados.

            Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 02/03/2012 - Página 4528