Pronunciamento de Eduardo Lopes em 29/03/2012
Discurso durante a 48ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
– Homenagem ao ex-Vice-Presidente da República José Alencar pela passagem de um ano do seu falecimento.
- Autor
- Eduardo Lopes (PRB - Republicanos/RJ)
- Nome completo: Eduardo Benedito Lopes
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
HOMENAGEM.:
- – Homenagem ao ex-Vice-Presidente da República José Alencar pela passagem de um ano do seu falecimento.
- Aparteantes
- Lídice da Mata.
- Publicação
- Publicação no DSF de 30/03/2012 - Página 8769
- Assunto
- Outros > HOMENAGEM.
- Indexação
-
- HOMENAGEM POSTUMA, ANUENIO, MORTE, JOSE ALENCAR, EX VICE PRESIDENTE DA REPUBLICA, ELOGIO, VIDA PUBLICA, PERSONAGEM ILUSTRE.
O SR. EDUARDO LOPES (Bloco/PRB - RJ. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Sr. Presidente.
Srªs Senadoras, Srs. Senadores, visitantes que nos honram com suas presenças, senhoras e senhores ouvintes da Rádio Senado, telespectadores da TV Senado e todos que nos acompanham pelas redes sociais, sempre que perdemos uma pessoa querida, o tempo insiste em apagá-la de nossa memória. Mas o que é o tempo senão uma noção de pretérito, presente e futuro?
A ideia que representa o sentimento impressivo de nossos antepassados. O momento que vivemos e tudo que nele construímos. Esse tempo, que em algum momento, como o enredo de uma obra de ficção, transforma a existência humana em símbolo, que o próprio tempo jamais destruirá.
Hoje, 29 de março de 2012, faz um ano que o Brasil perdeu um de seus filhos mais ilustres, mas que permanece, entre nós, como um símbolo indestrutível, pelos seus feitos e por tudo que ele representou aqui na terra, o que o fez um verdadeiro herói brasileiro. Um herói chamado José.
José Alencar nasceu mineiro e morreu bom mineiro como sempre foi, sobretudo, um homem de fé inabalável, Inteligente, discreto, ético, de modos simples, econômico no gasto, devoto da liberdade, de espírito político por natureza, enfim, uma pessoa daquelas que, como se diz lá em Minas, não andava no escuro para não entrar em lugar errado.
Minas Gerais é um orgulho para Brasil, principalmente por ter dado tantos filhos ilustres e honrados, inscritos para sempre na nossa História. Não me atreveria nomeá-los nos poucos minutos de um discurso, porém não poderia deixar de citar os nomes de Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e de Itamar Franco, que também já não estão mais entre nós, mas que viveram no tempo de José Alencar e muito honraram a terra mineira, o povo mineiro e o Brasil.
A brilhante trajetória de vida, empresarial e política, de José Alencar começou quando ele ainda era muito moço, no auge dos seus 18 anos de idade. Movido pela força de seu espírito empreendedor, afastou-se do lar paterno para iniciar a realização de um sonho visionário.
Foi essa força imensurável que lhe permitiu rasgar o véu que cobria sua inocência interiorana, porém sem perder a doçura de sua alma e os valores morais. Ao lado de sua Mariza, esposa adorada por toda sua vida, dos filhos e netos, José Alencar revelou-se predestinado a superar, com bravura, todas as adversidades do seu tempo, sendo que jamais deu um passo maior que as próprias pernas. Tornou-se um grande empresário de sucesso e, sobretudo, de visão e de responsabilidade social.
José Alencar não tinha formação superior, mas era um sábio, capaz de dar lição de negócios aos mais renomados estudiosos do assunto.
Para mim, sua maior lição empresarial era quando ele próprio dizia que suas empresas não lhe pertenciam, mas sim à sociedade. Elas eram bens da sociedade e que ele apenas tinha a responsabilidade de administrá-las. A função principal de suas empresas era produzir e vender produtos, gerar trabalho, renda e pagar impostos. E isso justificava sua preocupação empresarial, que era muito maior do que aquilo que hoje se prega como responsabilidade social das empresas.
Com tudo isso, ainda faltava algo para que José Alencar entrasse para a constelação das grandes e iluminadas estrelas humanas. Mas, outra vez, seu espírito de idealista o fez entrar para a vida pública, não sem antes cobrar-lhe o preço, pago com a renúncia ao direito pleno de sua vida privada. Talvez por isso, dela somente se afastou na última batida de seu coração.
Na vida pública, José Alencar superou a si próprio em prol do bem comum. Já doente, às vezes recebia alta do hospital e seguia direto para o trabalho. Parece mesmo que, para ele, o desapego pessoal era um dever de homem público.
Nada surpreendente o fato de ter ingressado na política nas asas do Partido Liberal, cujos princípios partidários se coadunavam com seu ideário político. De empresário de sucesso, José Alencar tornou-se Senador da República pelo Estado de Minas Gerais, entre 1999 e 2002, Vice-Presidente da República durante os dois mandatos do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2011, ocasião em que também ocupou o cargo de Ministro de Estado da Defesa, entre 2004 e 2006.
Fundador do Partido Republicano Brasileiro - PRB, o qual tenho a honra de integrar também como membro fundador, mas não com a experiência desse verdadeiro mestre, o PRB deve muito da sua existência, já consolidada, à perspicácia política, ao brilho e à biografia de José Alencar, que participou de sua organização, tomando-se seu presidente de honra e um respeitável formulador de ideias.
Todos se lembram de que a participação de José Alencar na chapa do então candidato Lula, nas eleições 2002, foi fundamental para a eleição do primeiro Presidente da República pertencente ao Partido dos Trabalhadores do Brasil.
A junção entre o capital e o trabalho forjou a aliança vitoriosa, superando todo o sentimento de desconfiança que pairava no País.
Desde o ano 2000, o câncer travou uma luta incessante contra José Alencar. Mas ele jamais se curvou ao mal. Pelo contrário, fortaleceu-se como uma rocha inquebrantável. Ao longo dessa guerra maldita, venceu praticamente todas as batalhas, sem jamais demonstrar desânimo. Mas, como em qualquer guerra injusta e injustificada, o inimigo está sempre à espreita e nunca se dá por vencido, e o tempo acaba favorecendo um ataque fatal.
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a arma mais poderosa de José Alencar nessa guerra não foi destruída pelo inimigo. Ficou intacta e deve permanecer como um legado, um exemplo de vida para todos os brasileiros. Essa arma tem o nome de otimismo.
Creio até, Sr. Presidente, que deveríamos escolher um dia, pelo menos uma vez por ano, para ser o "Dia Nacional do Otimismo pela Vida", com o objetivo de promover e estimular atitudes sociais e individuais de felicidade, pensamentos positivos e amor à vida, inspirado, sempre, no exemplo de José Alencar Gomes da Silva.
Vejam os senhores, o câncer e outras tantas doenças malignas são a causa de desalento e angústia de milhares de pessoas, em todas as faixas etárias. É um mal que parece provir da alma, tal é sua capacidade de enfraquecer as forças humanas para o trabalho, de acabar com a esperança e de destruir vidas.
E o exemplo de José Alencar, com sua fé, coragem e determinação, mostrou ao Brasil que a esperança tem o significado do otimismo e do amor à vida.
A Srª Lídice da Mata (Bloco/PSB - BA) - Senador Eduardo, um aparte.
O SR. EDUARDO LOPES (Bloco/PRB - RJ) - A verdade é que ninguém vive sem correr perigo, sem ter que enfrentar obstáculos. Esse é o sentido da superação, que não combina com fraqueza e nem com desvio de conduta, mesmo diante do perigo da morte.
Concedo um aparte à Senadora Lídice da Mata.
A Srª Lídice da Mata (Bloco/PSB - BA) - Muito obrigada, Senador Eduardo. Quero apenas saudar V. Exª e também o Senador Pedro Simon. Ambos estão saudando de forma absolutamente digna e necessária a figura grandiosa do ex-Vice-Presidente da República José Alencar. Quero parabenizá-lo pelo seu pronunciamento.
O SR. EDUARDO LOPES (Bloco/PRB - RJ) - Obrigado, Senadora.
Diante das aflições causadas pelas doenças e por todos os problemas que atormentam as pessoas e a sociedade, o otimismo, pelos seus componentes de fé, coragem e determinação, pode ser um remédio que tranquiliza o espírito e ajuda as pessoas a encararem as dificuldades com ânimo e esperança. O otimismo é vital para quem deseja viver plenamente. Mesmo nos momentos difíceis da vida, as pessoas otimistas conseguem, mais facilmente, alcançar a superação.
Quem é otimista nunca perde a esperança de que coisas boas aconteçam. É isso que dá força e anima o espírito para lutar pela vida, mesmo na adversidade. Todo esforço é válido, é útil, é necessário, é positivo.
Não só os doentes, mas também as pessoas sadias, os médicos, enfermeiros, todos nós devemos buscar compreender o sentido da fé, da esperança e da compaixão, para uma aproximação da nossa condição humana a um modo de viver feliz e de fazer as outras pessoas felizes também. Esse é, certamente, o melhor remédio para a cura de todos os males.
O exemplo de amor à vida deixado por José Alencar é uma das coisas mais importantes que aconteceram no nosso País nos últimos tempos. Um valor que não pode jamais ser esquecido.
Quero finalizar com uma frase memorável de José Alencar, que bem expressa a simbologia de seu tempo: "A vida que não passamos em revista não vale a pena ser vivida". E disse mais, parafraseando o filósofo grego Sócrates, que o pior de todos os perigos é a desonra, coisa que ele temia mais do que a própria morte. Para José Alencar, "o homem público que perde a condição moral, mesmo em vida, pode se considerar morto; ao passo que o homem que procede corretamente, mesmo depois de morto, continua vivo".
Ouso acrescentar que tudo na sua vida valeu a pena. A infância pobre, a saudade dos pais, o cansaço atrás do balcão de sua pequena "Queimadeira de Caratinga", as renúncias que lhe foram impostas, a esposa amada, os filhos queridos, as empresas que criou para a sociedade, o mandato de Senador, o trabalho no Ministério da Defesa, o mandato de Vice-Presidente da República, a fundação do PRB e até o maldito câncer que lhe tirou a vida para torná-lo estrela, herói, como símbolo indestrutível da nossa História.
Muito obrigado.
Gostaria de dizer, finalizando, que a data de ontem e a data de hoje têm para mim um simbolismo muito forte. Hoje é o aniversário da morte de José Alencar; ontem, recebemos a notícia da cura do câncer do Presidente Lula. Quer dizer, Sua Excelência está enfrentando a mesma luta que José Alencar enfrentou. Creio que foi a primeira vitória nessa batalha. Um dia, soubemos que o nosso Presidente Lula venceu o câncer. No dia seguinte, aqui fazemos uma homenagem ao aniversário da morte desse grande homem que conheci e com o qual tive a oportunidade de conversar várias vezes em função do nosso trabalho no PRB: o grande homem José Alencar.
Muito obrigado, Sr. Presidente.