Autor
Paulo Davim (PV - Partido Verde/RN)
Data
13/09/2012
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pela Liderança 

            O SR. PAULO DAVIM (Bloco/PV - RN. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente Senador Jorge Viana, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, eu gostaria de ter abordado esse tema na tarde de ontem. Infelizmente, não pudemos, em função da Ordem do Dia, que foi prolongada. E o faço, hoje, com muita alegria, com muita satisfação, comentando dois projetos que foram aprovados, em caráter terminativo, na Comissão de Assuntos Sociais, da qual faço parte.

            O primeiro projeto é o que institui a vacinação do HPV na rede SUS. O HPV é o vírus do papiloma humano. Foi discutido na comissão esse projeto, de autoria da Senadora Vanessa Grazziotin, e foi aprovado com emendas, discutidas também lá, na Comissão de Assuntos Sociais.

            Acho esse projeto de grande alcance do ponto de vista de saúde pública, de prevenção, já que o vírus do HPV está relacionado com o câncer de colo de útero. De 3% a 10% das mulheres que tiveram contato com o vírus HPV desenvolvem câncer de colo de útero.

            Portanto, na hora em que esta Casa, a comissão discute, debate e aprova um projeto que institui a vacinação, que vai contemplar as mulheres de 9 a 13 anos de idade, seguindo, evidentemente, a orientação de estudos internacionais, esta Casa e a Comissão deram uma forte contribuição à Medicina preventiva no Brasil, porque vamos imunizar essas jovens mulheres contra esse vírus, que tem um efeito deletério sobre a saúde da mulher.

            Portanto, a Comissão contribuiu de forma decisiva, e a Relatora, a Senadora Marta Suplicy, participou de audiências públicas. Eu mesmo tive reunião, inclusive com a indústria farmacêutica dessa vacina. Discutimos com profissionais da área. De forma que foi um debate bastante embasado, e todos nós, da Comissão, saímos ontem da reunião da Comissão de Assuntos Sociais extremamente satisfeitos com o rendimento e com as propostas que foram votadas, sobretudo essa do HPV.

            O segundo item que gostaria de comentar é o projeto de lei - também de grande alcance social, que foi discutido, debatido e aprovado, da mesma forma, em caráter terminativo, na Comissão de Assuntos Sociais - de autoria do Senador Moka, que reconhece a atividade do cuidador, o cuidador do idoso. Acho esse projeto extremamente importante, de grande sensibilidade, porque, estatisticamente, estamos vendo o País envelhecer. Atualmente, são 32 idosos para cada 100 jovens. No ano de 2050, serão 168 idosos para cada 100 jovens. A regulamentação dessa atividade é importante porque a presença do cuidador no dia a dia já é uma realidade.

            Sabemos muito bem que o cuidador do idoso tem um papel relevante na proteção e no zelo da saúde do idoso de que ele cuida, porque, comprovadamente, sabemos que a presença do cuidador diminui os acidentes domésticos que envolvem a pessoa idosa. E esses acidentes são muito frequentes; acidentes, inclusive, graves, como as quedas de níveis com trauma craniencefálico, os acidentes com fratura de colo de fêmur, que trazem um desdobramento muito sério para o idoso, dificultando a deambulação e, muitas vezes, trazem problemas decorrentes dessa fratura, e a presença do cuidador diminui esses acidentes. Da mesma forma que diminui a incidência de depressão, já que o idoso é um indivíduo solitário, porque o segmento jovem da família...

(Interrupção do som.)

            O SR. PAULO DAVIM (Bloco/PV - RN) - ...Ou a parte jovem da família está em plena atividade, está envolvida com o trabalho, com a profissão, com o dia a dia. O idoso é relegado à solidão, ao esquecimento, muitas vezes, e desencadeia-se uma depressão. A presença do cuidador diminui a incidência da depressão do idoso, inclusive diminui também um fato que é muito rotineiro de se encontrar, que é a desnutrição do idoso. O cuidador diminui a incidência de desnutrição do idoso, e há uma relação afetiva, uma relação de companheirismo, uma relação de zelo, uma relação de camaradagem entre o cuidador e o idoso.

            Então, esse projeto que foi aprovado ontem, na Comissão de Assuntos Sociais, tenho absoluta certeza de que será, da mesma forma, bem-avaliado, bem-debatido e aprovado na Câmara dos Deputados.

            Eu acho que a nossa Comissão deu uma contribuição generosa do ponto de vista da saúde pública ontem, na discussão desses dois projetos. Quero aqui elogiar a iniciativa dos dois companheiros Senadores da Comissão de Assuntos Sociais, a Senadora Vanessa Grazziotin e o Senador Moka, por essa iniciativa, pela sensibilidade que demonstraram, apresentando essas duas propostas - e foram duas propostas discutidas por todos os membros da Comissão.

            As propostas foram enriquecidas com o debate, as propostas foram, exaustivamente, debatidas com os segmentos que lhes dizem respeito, como o segmento da Enfermagem, o da Gerontologia, com familiares, com pessoas que são cuidadores, com cursos de formação de cuidadores, com os responsáveis por esses cursos. Enfim, foi realmente uma contribuição, e eu faço este registro, na manhã de hoje, aqui no Senado da República, satisfeito e feliz com a contribuição que nós, da Comissão de Assuntos Sociais, demos para a saúde pública no Brasil.

            Era só, Sr. Presidente.

            Muito obrigado.