Pronunciamento de Pedro Cunha Lima em 18/03/2013
Discurso durante a 31ª Sessão Especial, no Senado Federal
Homenagem à memória intelectual e à carreira política de Ronaldo Cunha Lima, falecido em 7 de julho de 2012.
- Autor
- Pedro Cunha Lima
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
HOMENAGEM.:
- Homenagem à memória intelectual e à carreira política de Ronaldo Cunha Lima, falecido em 7 de julho de 2012.
- Publicação
- Publicação no DSF de 19/03/2013 - Página 10845
- Assunto
- Outros > HOMENAGEM.
- Indexação
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- HOMENAGEM POSTUMA, RONALDO CUNHA LIMA, EX SENADOR, ESTADO DA PARAIBA (PB), ELOGIO, VIDA PUBLICA, ATUAÇÃO, ESCRITOR.
O SR. PEDRO CUNHA LIMA - Sr. Presidente Cícero Lucena, Exmos Parlamentares, querida e amada Glória Cunha Lima, através de quem aproveito o enorme coração para saudar os demais presentes, em algum lugar, próprio de sua essência, brilha mais forte hoje nossa estrela maior. E como sem perder a capacidade de uma vida inteira a nos guiar, o vazio deixado pela saudade é preenchido com luz, sua tão especial e presente luz; mais do que nunca em seu aniversário, com aquilo que Deus permitiu ficar entre nós: a simplicidade do seu sorriso, o carinho do seu olhar. É celebrando que o sentimos por perto. E nada mais vibrante do que tê-lo por perto. Do alto - e não poderia ser diferente -, nossa estrela-guia conserva, embora com novos contornos, a mesma forma que por muito o acompanhou: um repertório imenso de gestos, um cenário repleto de amor.
Homem da mais destacada presença de espírito, agora em plano distinto, usa tal intimidade para se fazer de espírito presente. Em alguns casos, quase que sempre, sobrevive em versos, permanece em rimas. E, hoje, pode ser facilmente encontrado, assim como o é neste instante, entre os nossos melhores e mais escolhidos olhares. Como diria o meu amado pai, Cássio, chama viva de Ronaldo na política: “Nossa eterna inspiração, agora de endereço incerto, de certo no infinito, ressurge com a certeza das multidões que guardaram parcela do seu amor. Afinal, para Ronaldo, com toda a sua espontaneidade emocional e humanista, qualquer ser humano, ao mesmo tempo, era um só e multidão”.
O poeta viveu nas individualidades das multidões. E viveu com tamanha intensidade, em processo tão dedicado à doação, que, em determinado momento, o limitado corpo se entregou às passadas da irrequieta mente. Após o longo período percorrido, cheio de glória e conquista, chegara a hora do descanso, do repouso das incansáveis lutas. Sereno, o poeta subiu e se foi como se ainda querendo dar algo mais, e se foi como se ainda tendo, e não se foi.
Na falta que impõe a vida, no partir para a eternidade, Ronaldo, em sua lida, é presença na saudade.
Na despedida, houve quem tenha conseguido dizer adeus; houve quem tenha acompanhado o seu partir; houve a recusa de quem não quis nem ir e quem sozinho, em casa, rogou a Deus.
Para todos, sem restrições, como de praxe, termino na abrangência do poetinha, em suas sempre lindas palavras do que vai ficar:
“Não importa que da despedida não fique nada. Bastam as outras coisas que já vão ficar. Do muito que nos vimos, pelo menos um olhar há de ficar. De tudo o que dissemos, pelo menos uma palavra vai ficar. Do quanto nós fizemos, pelo menos um gesto vai ficar. E, do tanto que nos amamos, pelo menos um pouco de amor há de ficar. E, pelo que vimos, pelo que dissemos, pelo que fizemos e pelo que amamos, pelo menos em lembrança um ou outro vai ficar”.
Muito obrigado. (Palmas.)
(Interrupção do som.)