Discurso durante a 11ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Críticas à oposição destacando a superação da crise internacional pelo Brasil; e outro assunto.

Autor
Vanessa Grazziotin (PCdoB - Partido Comunista do Brasil/AM)
Nome completo: Vanessa Grazziotin
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
GOVERNO FEDERAL, POLITICA EXTERNA. PRESIDENTE DA REPUBLICA, ATUAÇÃO.:
  • Críticas à oposição destacando a superação da crise internacional pelo Brasil; e outro assunto.
Aparteantes
Wellington Dias.
Publicação
Publicação no DSF de 18/02/2014 - Página 49
Assunto
Outros > GOVERNO FEDERAL, POLITICA EXTERNA. PRESIDENTE DA REPUBLICA, ATUAÇÃO.
Indexação
  • CRITICA, ATUAÇÃO, IMPRENSA, OPOSIÇÃO, GOVERNO FEDERAL, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT), ENFASE, AUSENCIA, ELOGIO, COMBATE, CRISE, ECONOMIA, AMBITO INTERNACIONAL.
  • COMENTARIO, VISITA, DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTE DA REPUBLICA, ESTADOS, PAIS, PARTICIPAÇÃO, EVENTO, ENTREGA, PROGRAMA DE GOVERNO, OBRAS, INFRAESTRUTURA, IMPORTANCIA, DESENVOLVIMENTO.

            A SRª. VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Apoio Governo/PCdoB - AM. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.) - Muito obrigada Senador Paim.

            Quero dizer o quanto foi e tem sido gratificante estar aqui, desde o início, ouvindo com muita atenção o pronunciamento de todos os Senadores e Senadoras que aqui passaram. Inclusive, o pronunciamento do Senador Agripino, que levanta uma preocupação que eu considero justa em relação ao setor elétrico brasileiro. Contudo, nada o que o governo não encontre uma saída nem possa superar todos os problemas e todas as dificuldades postas.

            O que eu não posso deixar de comentar, Sr. Presidente, são aquelas análises, sobretudo de economistas, tentando vender a situação econômica, política e social do Brasil como uma verdadeira catástrofe. Eu tenho me dedicado muito a esse assunto e, assim, ocupado muito a tribuna para discutir essa questão, mesmo porque nós estamos praticamente às vésperas das eleições e há uma tentativa, sem dúvida nenhuma, uma grande articulação de parte do grande capital financeiro e das forças políticas oposicionistas no sentido de tentar vender o governo brasileiro como um governo sem controle, um governo problemático.

            E é óbvio, isso sem falar na situação econômica de outros países, porque, se fizermos uma comparação do desempenho econômico do Brasil em relação a outras nações, principalmente no ambiente de crise econômica sistêmica do capitalismo, veremos que o Brasil tem tido condições melhores, tem tido muito mais eficiência de superar e ultrapassar a crise.

            Não é à toa que o Brasil foi alvo, não diria de denúncia, porque essa não é a palavra certa, mas de uma provocação por parte da União Europeia junto à Organização Mundial do Comércio. Ali, a União Europeia questiona não só os incentivos da Zona Franca, mas questiona os incentivos dados à indústria automobilística, ao setor de TV digital, de eletroeletrônicos e a vários segmentos. E isso foi feito, efetivamente, para ampliar o mercado interno e enfrentar, da melhor forma, a crise econômica, que, aliás, por nós não foi provocada, mas, sim, pelo centro do capitalismo; crise esta que, no mundo inteiro, tem atingido, principalmente, as camadas mais sensíveis e desprotegidas da sociedade, os trabalhadores e as trabalhadoras.

            No Brasil é diferente. Fala-se, fala-se, fala-se, escreve-se, escreve-se, escreve-se que o Brasil está em crise, que o Brasil está sem norte, sem rumo, mas, quando são divulgados os dados, vê-se que o nível de empregos cresce, que o número de carteiras de trabalho assinadas cresce e que a inflação cai. Então, que crise é essa?

            Eu prefiro ficar não com esse Brasil do papel, mas com o Brasil real. E o Brasil real, Senador Wellington, eu tive a grata felicidade de ver, de assistir, de sentir, na última sexta-feira, quando a Presidenta Dilma esteve em Manaus, cumprindo uma extensa agenda. E, lá, ao longo dessa agenda, deu para perceber e ouvir não apenas o que ela dizia, o que outros diziam, mas ouvir o que o povo tinha a dizer a ela. Esse é o nosso Brasil; é o Brasil que, apesar de tudo, apesar de toda a crise, segue avançando, com um crescimento que não é de 2,5%, mas é de quase 2%. Qual o país que cresce isso? E qual o país que consegue crescer, garantindo direitos sociais sem subtrair nada, absolutamente nada?

            Aliás, para esses economistas, para a oposição, não interessa a condição de vida do povo - essa tanto faz; o que interessa para eles é a condição do capital, isto é, saber o quanto a mais o capital está lucrando aqui, no nosso País.

            Eu concedo um aparte a V. Exª, com muito prazer, Senador Wellington.

            O Sr. Wellington Dias (Bloco Apoio Governo/PT-PI) - Senadora Vanessa, eu queria saudar V. Exª, o Senador Paulo Paim e o Senador Jarbas. Eu queria só lembrar, aproveitando a deixa da fala do nosso Senador Agripino e da fala que faz V. Exª, que, no ano passado, nesta mesma época, esta mesma lenga-lenga pessimista dos especialistas ocorria. Aliás, o meu pai, que hoje está internado por ter feito uma leve cirurgia, dizia: “Meu filho, se dependesse dos especialistas, o Brasil se acabava amanhã, o mundo se acabava amanhã”. Ele até diz assim: “Eu agora só assisto a futebol, porque, se for assistir...” E olhem que o meu pai não é nenhum ideólogo; ele é um cidadão comum, hoje aposentado, com 76 anos. O que diziam em fevereiro/março do ano passado? Que a inflação estava sem controle - quem não se lembra do tomate? - e que tínhamos uma situação em que o País não iria crescer ou que cresceria negativamente. O Brasil controlou a inflação; o Brasil cresceu positivamente; o câmbio tem estado numa posição normal; e o mais importante, como lembra V. Exª, gerando emprego, gerando renda. Para o povo, Produto Interno Bruto e crescimento econômico é geração de emprego; são mais carteiras assinadas; é mais gente trabalhando e ganhando; é salário subindo; é salário mínimo tendo crescimento real; é melhorando a vida das pessoas em todos os aspectos, inclusive nos investimentos. Amanhã, nós vamos receber a nossa Presidenta no Piauí, onde ela vai anunciar um conjunto de ações importantes para o desenvolvimento daquele Estado. Quero aqui apenas citar algo em relação ao exemplo da dívida que foi dito aqui. Peguem os 20 países mais ricos do mundo - não estou falando dos mais pobres, não - e vejam quem tem a melhor situação em relação ao PIB e à dívida. É o Brasil! Os Estados Unidos, que cantam aí toda essa fantasia, é o mais país mais endividado do Planeta; é um país cujo Congresso, de vez em quando, assusta o mundo, porque não aguenta mais pagar tantos juros. Lá, são US$80 bilhões por mês! Então, é isto que quero dizer aqui: sou do time dos otimistas, sou do time do Brasil que olha para trás e vê o quanto avançamos e que olha para frente e tem toda a tranquilidade para enfrentar os desafios, sou do time da nossa Senadora Vanessa Grazziotin, do Amazonas. Muito obrigado.

            A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Apoio Governo/PCdoB - AM) - Nós é que fazemos parte do time da Presidenta Dilma. E, além de sermos otimistas, Senador, nós somos realistas. E é isto que falta à oposição: ser realista.

            Agora, é óbvio, quem está aí pleiteando ocupar um cargo que já está muito bem ocupado, não havendo nada real, procura criar... De fato, essa tal dessa crise é algo que eles procuram construir. Não é que estejamos dizendo que vai tudo bem, mesmo porque não vai tudo bem, já que o mundo vive uma crise. Mas, comparativamente, sob o ponto de vista principalmente da situação econômica e social do Brasil em relação à situação de outras nações do mundo, sobretudo daquelas que têm um ambiente muito parecido com o nosso e uma condição muito parecida com a nossa, o Brasil vai muito bem.

            A Presidenta Dilma falava, durante sua viagem, de sua extensa agenda para os próximos dias. Aliás, na terça-feira, amanhã, ela não irá apenas ao Piauí; salvo engano, ela irá também ao Estado de Alagoas.

            Em Manaus - aqui, quero falar um pouco do que foi a agenda dela -, eu a acompanhei, juntamente com o Senador Eduardo, com o Senador Alfredo Nascimento e com toda a Bancada dos Deputados Federais. A agenda começou na quinta-feira e, na sexta-feira, contou com a realização de atos e de eventos muito importantes. Não foram feitos somente anúncios, mas coisas concretas foram inauguradas.

            Lá, acompanhada do Ministro das Cidades, Ministro Aguinaldo Ribeiro; do Ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Ministro Thomas Traumann; do Presidente da Caixa Econômica Federal, Dr. Jorge Hereda; de vários secretários, com o da Caixa e o do Ministério das Cidades; e do Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Dr. Robson Andrade, a Presidenta fez uma visita técnica à Arena da Amazônia, que ainda não foi inaugurada apenas porque precisa cumprir 3% do que está faltando. Dos 100%, 97% já foram efetivados, faltando apenas 3%. Ela fez questão de visitar a Arena e de ver de perto como Manaus está sendo preparada para a Copa do Mundo.

            A Presidenta anunciou um montante de recursos importantes que serão liberados ainda neste ano e, efetivamente, entregou mais de cinco mil chaves de unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida. Juntamente com o Presidente Antonio Silva, da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, e com Robson Andrade, da Confederação Nacional das Indústrias, inaugurou o barco-escola Samaúma II, construído também com crédito disponibilizado pelo BNDES, um banco público.

            Srs. Senadores, Senador Wellington, eu tive muito orgulho de estar ao lado da Presidenta e de saber que, dentro das nossas limitações, temos podido não só ajudar, mas também acompanhar este momento importante para a Nação e para o povo brasileiro. Eu tive muita alegria de, com ela, participar de todos os atos. Em todos os lugares aonde chegávamos, havia trabalhadores que erguiam faixas contra a privatização, manifestando-se contra a privatização da distribuição de energia elétrica na cidade de Manaus. As manifestações, quando pacíficas, passam a compor esse novo cenário para o povo brasileiro, para a nossa Nação, um cenário onde a democracia tem importância, onde o povo é ouvido e onde o Governo procura fazer aquilo que o povo quer, aquilo de que o povo necessita.

            Quanto à visita à Arena, eu dizia que 97% do cronograma já foram cumpridos, e os 3% que estão faltando são referentes à conclusão e à finalização da instalação das grades de proteção nas arquibancadas e nas rampas de acesso ao pódio, apenas isso. Já foram iniciados os testes de iluminação e dos sistemas internos dos estádios assim como a limpeza geral da arena, o calçamento do pódio e o acabamento do gramado.

            No domingo, depois da ida até lá da Presidenta na sexta-feira, quem visitou as obras da Arena da Amazônia foi o Secretário-Geral da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Dr. Jérôme Valcke, acompanhado do Secretário-Executivo do Ministério dos Esportes, Dr. Luís Fernandes. Ambos - e o Ministro Aldo foi até lá uma semana antes de a Presidenta Dilma fazer essa visita e cumprir uma agenda em Manaus -, tanto o Secretário-Executivo da FIFA quanto o Secretário-Executivo do Ministério dos Esportes, elogiaram o desempenho da cidade de Manaus na preparação para a Copa do Mundo. Eles elogiaram Manaus como uma das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo.

            Falo isso porque, além da visita do Secretário-Executivo à Arena, foi feita uma visita a Ponta Negra, uma das áreas turísticas de Manaus mais frequentadas não só pelos turistas como também pelo povo daquela cidade. Em Ponta Negra, vai funcionar o que chamamos de Fan Fest, em que será feita a grande festa da Copa do Mundo, que é parte da programação que a FIFA faz em todos os países, em todas as cidades que sediam a Copa do Mundo.

            O Secretário Jérôme afirmou não ter qualquer dúvida de que Manaus executará com sucesso os jogos da Copa do Mundo. Faço questão de repetir aqui, desta tribuna, o que ele declarou à imprensa na cidade de Manaus, abrindo aspas:

Manaus tem um estádio muito bonito, que vai acolher um dos principais jogos na primeira semana da Copa do Mundo. Eu [ele diz] sinto que a cidade está, sim, preparada para este grande jogo [para todos os quatro jogos e, sobretudo, para o grande jogo na primeira semana da Copa, que ocorrerá em Manaus] que é Itália contra Inglaterra.

            Essa - talvez, as pessoas não entendam por que digo isto - tem sido a melhor resposta que Manaus pode dar às diversas críticas que recebeu por ter sido escolhida, numa atitude muito ousada, correta, madura e lúcida do então Presidente Lula, como uma das sedes da Copa do Mundo. Eu digo isso porque foram muitos os questionamentos repercutidos, não só pela mídia nacional, mas, sobretudo, pela imprensa internacional, a partir, inclusive, de uma declaração - que considero infeliz - do próprio treinador, do técnico do time da Inglaterra, que criticou a cidade de Manaus. Ele criticou não a cidade ou as pessoas, mas criticou o nosso clima, a nossa localização, dizendo que é um clima muito úmido e muito quente, que os jogadores teriam dificuldade de adaptação e que a cidade também teria dificuldade em receber as pessoas.

            Penso que a presença constante da Presidenta Dilma e do Ministro Aldo Rebelo e essa última visita feita pelo Secretário-Geral Jérôme Valcke mostram que Manaus será, sem dúvida, uma sede que só dará alegria para o Brasil e para o povo amazonense, porque, além de termos instalações adequadas para receber jogos da Copa do Mundo, nós temos lá uma gente que é muito altiva, uma gente muito alegre, uma gente que sabe receber os visitantes. Sei que todos os Senadores que estão neste plenário já visitaram Manaus e que todos levaram consigo as lembranças não só de uma natureza bela, mas também de um povo alegre, de um povo que sabe receber com uma gentileza com que pouca gente recebe os visitantes.

            Manaus teve a sorte, Sr. Presidente, de receber os melhores jogos que acontecerão na primeira fase. Além do jogo entre Inglaterra e Itália, que vai acontecer no dia 14 do mês de junho, no dia 18 acontecerá o jogo entre Camarões e Croácia; no dia 22, Estados Unidos enfrenta Portugal na cidade de Manaus; e, no dia 25, Honduras enfrenta a Suíça.

            Ou seja, essa parte da agenda da Presidenta, complementada com a visita do Secretário-Geral da FIFA, creio, põe fim a toda a polêmica que, até então, foi gerada em torno da cidade de Manaus.

            A Seleção brasileira, assim como a de vários países do mundo, está acostumada a jogar em cidades como Santa Cruz de la Sierra, por exemplo, que tem uma altitude com a qual nós não estamos acostumados. Mas é necessário que esses jogos aconteçam nas cidades que têm essa diversidade climática e de localização. Enfim, não tenho dúvida de que Manaus sairá vitoriosa, como todo o País, na realização da Copa do Mundo.

            Sr. Presidente, em Manaus, a Presidenta Dilma, numa entrevista que deu à imprensa, tendo acertado tanto com o Governador quanto com o Prefeito, anunciou investimentos novos de aproximadamente R$420 milhões para a mobilidade urbana, somando-se isso à quantia de R$1 bilhão, que está disponibilizada para o Governo do Estado e para a Prefeitura já há muito tempo. Além desse R$1 bilhão disponibilizado, a Presidente Dilma anunciou novos R$420 milhões em mobilidade urbana.

            Esses recursos serão investidos na implantação de corredores de ônibus, em obras que serão realizadas pelo Governo do Estado e pela Prefeitura. Esses corredores darão maior fluidez ao trânsito e reduzirão o tempo que os moradores de Manaus gastam para transitar pela cidade. Dos R$420 milhões, R$207 milhões serão em recursos do Orçamento do Governo Federal, ou seja, do Orçamento-Geral da União, e R$212 milhões em recursos disponibilizados através de financiamentos com juros muito mais baixos, com prazo de 30 anos para o pagamento, com quatro anos de carência e com juros de 5,5% ao ano. Somente para a Prefeitura de Manaus, serão direcionados R$120 milhões para a implantação de aproximadamente 48 quilômetros de corredores, sendo R$60 milhões vindos de recursos do Orçamento. O restante será disponibilizado em financiamento à Prefeitura de Manaus, nas condições que acabo de relatar.

            Com esses recursos, Sr. Presidente, serão implantados quatro grandes corredores, todos eles com vias exclusivas e expressas para o transporte coletivo. É bom que se diga que, para que projetos de mobilidade urbana entrem no PAC, uma das exigências do Governo Federal é a de que sejam previstas vias exclusivas para o transporte coletivo. Isso é muito importante, porque é óbvio que quem tem carro precisa de um bom trânsito. Agora, se quem tem carro sofre com o trânsito que não anda, imagina quem anda de ônibus? Esses sofrem muito mais.

            Dos quatro corredores previstos com recursos do Governo Federal, um envolve as Avenidas Constantino Nery, Torquato Tapajós, Max Teixeira e Noel Nutels, formando um dos principais corredores urbanos da cidade de Manaus. Outro passa pelas Avenidas Brasil, Coronel Teixeira e Boulevard Álvaro Maia. O terceiro está na Avenida Autaz Mirim, e o outro, nas Avenidas Recife e Paraíba. Ou seja, há a previsão de que toda a cidade de Manaus receberá obras desse projeto de mobilidade urbana com recursos do Governo Federal.

            Para o Estado do Amazonas, Sr. Presidente, foram autorizados aproximadamente R$295 milhões, sendo que metade é do Orçamento-Geral da União, o que significa dizer recursos a fundo perdido, e a outra metade é de financiamentos. Esses recursos viabilizarão a implantação de quase 20 quilômetros de corredores de ônibus, que serão os corredores Leste-Oeste/Complexo dos Franceses, que vai da Avenida das Flores até a Avenida do Turismo, e Colônia Antônio Aleixo até a Bola do São José.

            Esse projeto é muito importante, porque um dos maiores problemas da cidade de Manaus é, sem dúvida alguma, a questão da mobilidade urbana. Manaus, para quem não sabe direito o que ela é, é uma cidade que hoje tem aproximadamente dois milhões de habitantes e que se diferencia das demais, porque é uma cidade que cresceu com uma velocidade muito maior do que as outras cidades brasileiras, sem ter tido tempo e condições objetivas e efetivas para se preparar para esse crescimento.

            Quanto à entrega e à participação da Presidente no Programa Minha Casa, Minha Vida, a Presidente fez uma inauguração e entregou em Manaus 5.384 unidades habitacionais do Residencial Viver Melhor 2. Esse residencial, esse conjunto habitacional está incluído no Programa Minha Casa, Minha Vida. E só esse conjunto, Senador Mozarildo, tem mais de nove mil unidades habitacionais. Já haviam sido entregues três mil e poucas unidades, agora mais cinco mil e poucas unidades. No entorno desse Programa Minha Casa, Minha Vida, outros conjuntos populares foram levantados, o que significa dizer que, na região Norte - esse conjunto está localizado na região Norte da cidade de Manaus, num novo bairro, vizinho ao Bairro de Santa Etelvina -, construiu-se, num curto espaço de tempo, quase que uma nova cidade, uma outra cidade. Somente no Viver Melhor, que é o conjunto habitacional do Minha Casa, Minha Vida, são quase dez mil unidades.

(Soa a campainha.)

            A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Apoio Governo/PCdoB - AM) - Somando-se isso com as outras unidades ao lado, com todos os equipamentos que foram feitos somente nessa área, serão mais de 40 mil pessoas que vão viver naquela localidade. Isso é maior do que a maioria dos Municípios do Estado do Amazonas, Senador Paim. Que a maioria dos Municípios!

            É importante dizer que nós visitamos, com a Presidenta, alguns apartamentos e vimos a qualidade deles. Ela parou uma hora, Senador Paim, e disse assim: “Olha que mudou muito!” Porque, no começo, essas casas, esses apartamentos tinham janelas pequenininhas. As janelas hoje são enormes. São janelas de boa qualidade. O chão era de cimento, apenas pintado com aquela tinha vermelha. Hoje, há porcelanato no chão. Com as paredes, a mesma coisa. Não estão no cru. São casas que têm quase 50 m². Eu mesma morei, logo que me casei, num apartamento, Senador Paim, de 55 m². Ou seja, é o sonho de muita gente, de muitas famílias que está sendo realizado. Grande parte recebe a casa gratuitamente do Governo Federal, e outra paga uma prestação que é muito mais baixa do que o valor de um aluguel, um aluguel de R$400,00, de R$500,00, de R$600,00, contra uma prestação, para os que vão pagar, de R$100,00, de R$50,00, de R$70,00. Ou seja, foi algo que deu muita emoção.

            Sr. Presidente - eu já caminho para as conclusões -, também por exigência do programa, o empreendimento tem que estar equipado com absolutamente tudo. É por isso que eu digo: é uma outra cidade, com infraestrutura completa, pavimentação, rede de água, de esgoto sanitário, drenagem, energia elétrica, disponibilidade de acesso ao transporte público, grandes vias, inclusive uma das vias, a Avenida das Flores, passa ao lado desse belo e grandioso empreendimento. Serão implantadas brevemente tarifas sociais de água e de energia para favorecer as pessoas, assim como uma creche, porque também o Governo disponibiliza para as prefeituras recursos para a construção e manutenção inicial de creches. Então, em breve também serão implantadas creches naquela área.

            A Presidenta, durante seu discurso, chamou-me a atenção pela forma simples com que se dirigiu às pessoas para as quais fez o discurso, a forma como ela tocou as pessoas. Ela disse o que poucos políticos dizem: “Não precisam me agradecer. As pessoas me agradecem. Quero dizer que sou a Presidenta do Brasil. Fui eleita para fazer o que o povo precisa. E o povo precisa de casa. O dinheiro é público. E o dinheiro público vem de onde? O dinheiro é do povo brasileiro. Tem que voltar para o povo brasileiro. O dinheiro é do povo, tem que voltar para o povo e está voltando da melhor forma possível.” E enfatizou com muita força: “Construir casa é também gerar emprego, é realizar um sonho das pessoas.”

            São poucos os políticos, Sr. Presidente, que dizem: “Eu fiz isso porque isso tem que ser feito.” Pouquíssimos são os políticos que o dizem. Acrescentou ela: “Junto com a chave - e fomos testemunhas disto -, vem o cartão Minha Casa Melhor”, para a compra dos móveis, da máquina de lavar roupa, dos equipamentos, para, assim, tirar um pouco a mulher das obrigações que, muitas vezes, tem sozinha dentro de casa.

            Esses números são impressionantes! De acordo com os dados, Sr. Presidente, em 2011, o programa pulou para 2,75 milhões de casas financiadas no Brasil. Nunca se viu um programa tão forte de habitação popular como o que nós estamos vendo agora.

            Por fim, falando do que foi a agenda da Presidenta, nós nos deslocamos até a sede da Marinha brasileira, ao Batalhão de Operações  
Ribeirinhas, para inaugurar o Barco-Escola Samaúma II, construído em parceria com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e com a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, com recursos oriundos do BNDES. É um barco especializado em panificação, que navega não apenas no interior do Amazonas, mas também de Roraima, Acre e Amapá, para ensinar, dentro do Pronatec, a fim de capacitar pessoas.

            Esse barco, Samaúma II, em especial, está equipado para a formação na área de panificação, cozinha, Sr. Presidente, e para a mecânica de motores de embarcações, a diesel, de popa, de rabeta.

(Soa a campainha.)

            A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Apoio Governo/PCdoB - AM) - É fenomenal! Muitas vezes, as pessoas perguntam: “Por que um barco?” Só quem vive na região sabe o porquê de um barco, o que ele significa para uma cidade como Feijó, lá no Acre, como Tabatinga, lá no Amazonas, como São Gabriel da Cachoeira, como Santa Isabel do Rio Negro. É bom para essas cidades receber um barco, com uma escola, e ver sua juventude estudar e ser formada para o dia a dia.

            É uma atividade tão importante, Sr. Presidente, que, ouvindo o pedido dos empresários, da CNI, da Fiam, prometeu o Governo que disponibilizará recursos para o Samaúma III. Isso é muito importante. Não é a Federação das Indústrias, mas o povo brasileiro que ganha com isso.

            Por último, Sr. Presidente, o inventário que a Presidenta Dilma apresentou sobre as ações do Governo Federal...

(Interrupção de som.)

            A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Apoio Governo/PCdoB - AM) - ...no Estado do Amazonas, na cidade de Manaus, mostrou, na prática, o tamanho do compromisso do Governo Federal com o Brasil e, principalmente, com o Amazonas e com Manaus.

            Quero dizer o seguinte: tivemos, recentemente, duas grandes inaugurações na cidade de Manaus, levadas a cabo, Senador Paim, pela Prefeitura de Manaus. Nessas duas maiores e grandes inaugurações estão os recursos do Governo Federal. Tenho certeza de que muita gente não sabe disso e que muita gente até diz que o Governo tem que mandar mais. Manda! Aqui estou me referindo à inauguração do Mercado Municipal, cujas obras se arrastaram durante mais de sete anos, mas os recursos foram disponibilizados pelo Governo Federal e da inauguração da Ponta Negra. Mencionei que até o Secretário-Geral da FIFA elogiou porque lá será o Fan Fest, lá será a grande festa da Copa do Mundo organizada pela FIFA. A Ponta Negra também foi revitalizada, recuperada, com recursos do Governo Federal.

            Portanto, quero dizer, Sr. Presidente, que a Presidenta foi muito questionada e respondeu. Até saiu num dos canais de televisão do nosso Brasil uma longa entrevista com ela, salvo engano, no Jornal da Globo, falando da importância e da justeza de o Congresso Nacional aprovar a PEC de prorrogação, por 50 anos, da Zona Franca de Manaus. Foi uma entrevista que me trouxe muita emoção. Eu Estava lá, na telinha da televisão, defendendo a Zona Franca, 50 anos de prorrogação para a Zona Franca, a própria Presidenta Dilma. Não tenho dúvida nenhuma de que ela e toda a sua equipe se empenharão, assim como todos nós, que apoiamos o Governo aqui no Congresso Nacional, para ver esse projeto de emenda constitucional aprovado o quanto antes.

            Muito obrigada, Senador Paim.

            Senador Paim, se V. Exª me permite, quero pedir que conste na íntegra o pronunciamento, pois não fui capaz de fazê-lo como um todo.

            Muito obrigada.

 

SEGUE, NA ÍNTEGRA, PRONUNCIAMENTO DA SRª SENADORA VANESSA GRAZZIOTIN

            A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Apoio Governo/PCdoB - AM. Sem apanhamento taquigráfico.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, é com muita alegria que venho a esta tribuna dividir com vocês o orgulho que senti ao acompanhar a vista da presidenta Dilma Rousseff à Arena da Amazônia, na última sexta-feira, em Manaus.

            Lá, todos nós que acompanhamos a comitiva presidencial pudemos constatar que as obras já chegaram a 97% da conclusão com a finalização da instalação das grades de proteção nas arquibancadas e nas rampas de acesso ao pódio.

            Também foram iniciados os testes de iluminação e de sistemas internos do estádio, assim como a limpeza geral da arena, calçamento do pódio e acabamento do gramado.

            No domingo quem esteve visitando as obras da Arena foi o secretário geral da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Jérôme Valcke, e o secretário executivo do Ministério do Esporte (ME), Luís Fernandes. Ambos elogiaram o nosso desempenho na preparação de Manaus como um das 12 cidades-sede que receberá os jogos do Mundial em junho deste ano.

            Após a visita a Arena e a Ponta Negra que abrigará a FIFA Fan Feste, o secretário geral da FIFA, Jérôme, afirmou não ter mais dúvidas de que Manaus executáramos jogos da Copa com sucesso.

            "Manaus tem um estádio muito bonito e que vai acolher um dos principais jogos na primeira semana da Copa do Mundo, e eu sinto que a cidade está, sim, preparada para este grande jogo que é Itália contra Inglaterra", comentou.

            Essa é a melhor resposta que Manaus pode dar às diversas críticas que recebeu por ter sido eleita uma das cidades sede desta copa.

            Foram questionamentos, repercutidos na mídia nacional e internacional, que depreciavam a nossa cidade e agora, a pouco mais de cem dias para o início da Copa do Mundo de 2014, a avaliação positiva do secretário da FIFA encerra as dúvidas sobre a capacidade que Manaus tem em receber um evento deste porte.

            Em Manaus, a presidenta Dilma também anunciou investimentos de mais R$ 420 milhões em mobilidade urbana para o Amazonas, valor que se soma ao R$ 1 bilhão que o governo já havia autorizado para mobilidade urbana no estado.

            Os novos recursos serão investidos na implantação de corredores de ônibus, em obras que serão realizadas pelo governo do Estado e pela prefeitura. Estes corredores darão maior fluidez ao trânsito e reduzirão o tempo que os moradores de Manaus hoje gastam para transitar pela cidade.

            Deste total, R$ 207 milhões serão em recursos do orçamento do governo federal e R$ 212 milhões em financiamento, com 30 anos de prazo para pagamento, quatro anos de carência e juros de 5,5 % ao ano. Somente para a Prefeitura de Manaus serão destinados R$ 125 milhões para a implantação de 48 quilômetros de corredores, sendo R$ 59,9 milhões em recursos do orçamento da União e o restante em financiamento à prefeitura.

            Com estes recursos serão implantados 4 grandes corredores. Um envolvendo as avenidas Constantino Nery, Torquato Tapajós, Max Teixeira e Noel Nutels; outro passando pelas avenidas Brasil, Coronel Teixeira e Boulevard Álvaro Maia; outro na Avenida Autaz Mirim e outro nas Avenidas Recife e Paraíba.

            Para o estado do Amazonas foram autorizados R$ 294,5 milhões, sendo a metade em recursos do orçamento da União e metade em financiamento. Esses recursos viabilizarão a implantação de quase 20 quilômetros de corredores de ônibus, que serão os corredores Leste x Oeste/Complexo dos Franceses, que vai da Avenida das Flores até a Avenida Turismo, e a Colônia Antônio Aleixo/Bola do São José.

            Também acompanhei a entrega das casas do Minha Casa, Minha Vida.

            A presidenta Dilma Rousseff entregou, em Manaus, 5.384 unidades habitacionais do Residencial Viver Melhor 2, que integra o programa Minha Casa Minha Vida.

            O empreendimento beneficiará cerca de 21 mil pessoas com renda mensal familiar de até R$ 1,6 mil, e recebeu investimento total de R$ 313,39 milhões, com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial.

            Localizado no bairro Santa Etelvina, o empreendimento é composto por 4.736 apartamentos; 488 casas térreas; e 160 casas adaptadas para portadores de necessidades especiais; todas divididas em dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço externa.

            Atendendo às exigências de qualidade do Minha Casa Minha Vida, o empreendimento é equipado com infraestrutura completa, pavimentação, redes de água, esgotamento sanitário, drenagem, energia elétrica e disponibilidade de acesso ao transporte público.

            O entorno do empreendimento possui escola de tempo integral, escola de ensino médio, unidade básica de saúde, transporte, quadras de esporte, centro comunitário e parques infantis.

            Fazer casa é gerar emprego, fazer casa é criar um lar para cada brasileiro e para cada brasileira.

            E o dinheiro do povo brasileiro tem de voltar pra onde? Para o povo brasileiro. É essa a regra do Minha Casa, Minha Vida. É essa a idéia do Minha Casa, Minha Vida.

            Junto com a chave, nós entregamos o cartão do Viver Melhor. O Viver Melhor é o seguinte: as pessoas que ganham menos têm imensa dificuldade de ter crédito, têm uma imensa dificuldade de entrar na loja, de pagar, comprar um equipamento e pagar uma prestação. Então, o Viver Melhor é isso. O Viver Melhor é o cartão que o governo oferece para aqueles do Minha Casa Minha Vida comprarem os seus móveis.

            Os números do Programa são impressionantes. No Brasil, quando o programa começou eram 1 milhão de casas, lá em 2009. Em 2011, o programa aumentou para 2 milhões e 750 mil casas financiadas pelo programa no Brasil.

            Além desses projetos, acompanhei o lançamento do barco-escola Samaúma.

            Esse barco, Samaúma II, ele evidencia uma mudança do Brasil. Qual é essa mudança? É o nosso compromisso com a educação, tanto para a gente ter uma trajetória em que tudo que nós ganhamos quando nós reduzimos a desigualdade, e diminuímos até erradicar a extrema pobreza só é perene se tiver educação de qualidade. Para que o Brasil, por outro lado, seja um país que avance na sua competitividade, portanto, na sua produtividade, tem de formar técnicos, tem de capacitar pessoas em todas as suas regiões deste país.

            O inventário apresentado por Dilma aos amazonenses listando as obras que são financiadas pelo governo dela em Manaus também foi a resposta que a população precisava.

            Nunca foi investido tanto no Amazonas como nos governos populares das quais meu partido faz parte.

            Era isso que eu tinha a dizer.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 18/02/2014 - Página 49