Discurso no Senado Federal

Destaque à necessidade de mudanças no cenário político-econômico como forma de conter a crise pela qual passa o País.

Autor
Lasier Martins (PDT - Partido Democrático Trabalhista/RS)
Nome completo: Lasier Costa Martins
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ATIVIDADE POLITICA:
  • Destaque à necessidade de mudanças no cenário político-econômico como forma de conter a crise pela qual passa o País.
Aparteantes
Acir Gurgacz, Ana Amélia, Ataídes Oliveira, Cristovam Buarque, Paulo Paim.
Publicação
Publicação no DSF de 11/02/2015 - Página 96
Assunto
Outros > ATIVIDADE POLITICA
Indexação
  • COMENTARIO, NECESSIDADE, ALTERAÇÃO, CONDUTA, RELAÇÃO, ATIVIDADE POLITICA, ATIVIDADE ECONOMICA, OBJETIVO, EXTINÇÃO, CRISE, POLITICA.

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Desde logo, muito obrigado.

            Sr. Presidente Jorge Viana, Srªs Senadoras, Srs. Senadores, telespectadores da TV Senado, ouvintes da Rádio Senado, estou chegando a esta tribuna pela primeira vez. Uma tribuna consagrada, ao longo do tempo, por grandes pronunciamentos de tantos Senadores eméritos que atuaram ou continuam atuando nesta Casa proeminente entre todos os Parlamentos brasileiros, o que me faz muito consciente da responsabilidade, tanto quanto da honra e do compromisso com os brasileiros e, particularmente, com os gaúchos, em especial, com os 2,145 milhões eleitores que me confiaram o voto e me mandaram para cá, pedindo coerência com o que sempre defendi na televisão e no rádio, de onde venho profissionalmente.

            E venho para trabalhar por mudanças - como acredito seja também o propósito dos meus pares -, ações que tenham por centro uma nova cultura da gestão política, do respeito ao dinheiro público e da atenção aos clamores populares por transparência, ética na política, e que têm custado tanto sair dos discursos.

            Estou chegando, Srs. Senadores, em um momento tempestuoso da vida política e econômica do Brasil. E chego aqui para substituir um dos mais eminentes parlamentares dos tantos que passaram por esta Casa: o respeitado Senador Pedro Simon, referência de correção, espírito público, ética e amor à Pátria, tendo participado dos principais acontecimentos do País nos últimos 50 a 60 anos. Senador brilhante, que daqui se despediu há poucos dias, preocupado com a situação nacional, definida como dramática, porque as coisas têm piorado no Brasil.

            O Senador Simon saiu daqui propondo que se provoque a mobilização das ruas, principalmente pelos jovens, no que esteve mais uma vez inspirado e com um discurso a ser seguido.

            Foi o Senador Simon que, há trinta e poucos anos, me convidou para ingressar na política, o que só agora faço, com muita disposição e propósitos, bafejado pelo curioso destino de vir ocupar justamente aquela cadeira tão dignificada.

            Quero concordar com o mestre Simon que devemos conclamar os jovens à mobilização das ruas, como aconteceu em junho de 2013, naquela memorável onda de protestos que varreu as ruas das grandes cidades contra a ineficácia do Estado e dos serviços públicos e a insatisfação com a representatividade dos políticos. E não se descarta a hipótese da volta das populações às ruas se não tratarmos das mudanças tão insistentemente exigidas. Neste sentido, Srs. Senadores, este Parlamento tem um compromisso transcendental ao encontro das aspirações do povo.

            O Senado não pode fugir a esta sua missão histórica. É preciso dar uma resposta àqueles que representamos, antes que se agrave uma crise institucional que se insinua por conta de uma conjuntura sombria. Um colapso de confiança, agora se materializando nas pesquisas de opinião contra o Governo Federal, com impressionante taxa de pessimismo levantada pelo Datafolha, mostrando que, em três meses, o bom e ótimo da Presidente, de novembro para cá, caiu de 41% para 23%; e o ruim e péssimo cresceu de 17% para 44%. O Governo, inerte, sofre profunda deterioração, o que recomenda imediata e eficaz revisão deste segundo mandato, até agora marcado por erros e muita autossuficiência.

            A população está indignada, Srs. Senadores, e está perplexa com o que vem acontecendo. Após a eleição, esta população despertou em meio a um pesadelo: inflação crescente - a mais alta dos últimos 12 anos -, o Governo perdendo seu controle, quando a meta era de 4,5%, chegou ao teto de 6,5% e agora, com o recente festival de aumentos - combustíveis, energia, taxa Selic etc -, permite previsão de chegar-se, logo ali, a uma inflação de 7%, conforme os analistas e a intuição natural que todos temos.

            E não é só a aceleração e o descontrole da inflação, estamos diante do desmoronamento da economia, com um PIB melancólico, quase zero, na faixa de 1%; o desestímulo à produção industrial; o desemprego daí decorrente; a ameaça de um desabastecimento de energia, fator que inibe novos empreendimentos e a atração de novas fábricas. Junta-se a este caos a escassez de água na região mais populosa e produtiva do País, com repercussão na economia.

            De pouco adianta ouvirmos, vez por outra, que o Brasil, apesar de tudo, é a sétima economia do mundo, porque logo se antepõe à realidade vivida por nossa gente, quando no ranking da qualidade de vida do nosso povo, o propalado IDH, pesquisado anualmente por um órgão da ONU em 156 países, mostra que há anos vimos amargando um humilde e humilhante 70º lugar, escancarando o abismo que bem caracteriza o Brasil de hoje como um país de brutal desigualdade social e econômica.

            O Brasil é rico em recursos, mas tem uma população empobrecida, com sua maioria de trabalhadores recebendo baixos salários. E nesta crise da economia estagnada, políticas erradas, inflação crescente, insuficiência de energia, restrições a benefícios trabalhistas, elevação de impostos, volta da Cide, cortes parciais de financiamentos para a educação, o injusto veto ao reajuste da tabela do Imposto de Renda, chegou-se agora à exacerbação com o mais explosivo e estarrecedor escândalo da história nacional, ápice da velha e frequente praga brasileira: a corrupção com o dinheiro público.

            E aí o olho do furacão envolvendo gente do Governo na Operação Lava Jato, flagrando absurdos desvios de cifras estratosféricas, na casa dos bilhões, dinheiro que poderia estar resolvendo grandes problemas nacionais, algo inimaginável por qualquer cidadão comum, ainda mais por aqueles que trabalham por salário mínimo.

            Hediondo crime contra o Brasil estamos testemunhando, usando a maior empresa brasileira, aquela que mais emprega, mais investe - ou investia -, nas altas tecnologias para a exploração do petróleo, que um dia fez com que o Sr. Lula da Silva proclamasse que o Brasil tinha chegado à autossuficiência em petróleo. Só que ele não sabia - como nunca sabe - que, naquela ocasião, já se processava, nos bastidores da empresa, um grande assalto sob a vista de omissos ou cúmplices gerentes, que a instrução judicial haverá de apurar.

            Resultado, Srªs e Srs. Senadores, de tamanha inoperância fiscalizadora por parte de tanta gente e tantos órgãos, mantém-se a pergunta que não quer calar o tempo todo: como ninguém viu nada, durante tantos anos, sobre o que se passava na administração da Petrobras, com desvios volumosos, robustos, e com a dívida da estatal crescendo sempre, numa época em que o petróleo deu lucro no mundo inteiro?

(Soa a campainha.)

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Falo da Petrobras, Sr. Presidente, Srs. Senadores, com orgulho e pesar ao mesmo tempo. Com orgulho, porque a Petrobras nasceu de um projeto relatado por um gaúcho trabalhista, padrão de retidão moral e política, o Senador Alberto Pasqualini. Foi ele que, ao tempo do Presidente Getúlio Vargas, relatou o projeto da criação da Petrobras, época em que se discutia se a exploração do petróleo deveria ser por capital estrangeiro ou pela iniciativa privada nacional. Com brilhante argumentação, Pasqualini sustentou que o aproveitamento das fontes naturais de energia do Brasil deveria ser feito não para o lucro do capital privado, mas que deveria se constituir em empreendimento exclusivamente estatal para benefício de toda a coletividade.

(Interrupção do som.)

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Imaginem a indignação do nobre relator do projeto que criou a Petrobras se hoje visse o que fizeram com ela, em detrimento do povo!

            Por singular coincidência, 62 anos depois, este outro trabalhista gaúcho chega ao Senado, mas encontrando a valorosa Petrobras, maior empresa nacional e uma das maiores do mundo, tão aviltada, ultrajada por incontáveis tentáculos de corrupção, tanta gente e partidos se aproveitando de uma riqueza decisiva para a redenção, ao menos parcial, da combalida economia nacional. A que estarrecedora falta de fiscalização, por dez anos consecutivos, obedecia a gestão desta empresa tão importante?

            Ao que tudo indica, pelas apurações do diligente trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do laborioso e exemplar esforço do eminente magistrado paranaense Sérgio Moro, consequência das delações premiadas, figuras políticas ou gerenciais envolvidas concorriam para o aparelhamento partidário da estatal com objetivos políticos de perpetuação no poder, bem como o de enriquecer o bolso de corruptos e corruptores, dos empreiteiros presos, empresários e alguns beneficiados políticos ainda por serem revelados a público, e dentro de um contexto de uma bela estratégia inteligente do juiz da causa para não comprometer futuras nulidades processuais.

            No caso, Srs. Senadores, se, de fato, queremos abrir uma nova era no Brasil, o Senado deverá estar unido na busca de soluções e respostas à sociedade, removendo os constantes parasitas do dinheiro público, cortando na própria carne se necessário, enfrentando velhas mazelas e práticas viciadas. Para tanto, impõe-se a instauração de uma nova CPI, que vá às últimas consequências, inibindo os abafamentos que marcaram a recente CPI mista sobre o tema aqui no Congresso, que fez de tudo para não aprofundar o trabalho, protegendo suspeitos, chapa-branca, com um final melancólico. Precisamos agora de uma nova CPI, séria e comprometida com as aspirações da população. Será um ponto de partida para pavimentarmos a tão urgente reforma política, assentada sobre a honestidade e princípios democráticos. Se há uma acusação de que o assalto à Petrobras teve por finalidade primeira ajudar as finanças do PT e seus aliados de primeira hora, vamos tirar a limpo isso. Quem não deve não teme. Não podemos nos omitir. O discurso vitimista que se tem ouvido não leva a lugar nenhum. Sobre as suspeitas, não sou eu quem diz, são as investigações, que ainda na semana passada revelaram uma cifra de US$200 milhões, mais de R$0,5 bilhão, de propinas camufladas de doações legais...

(Soa a campainha.)

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - ... tendo como operador o tesoureiro João Vaccari Neto, com função semelhante a que teve Delúbio Soares no escândalo do mensalão. As revelações estão no recente depoimento de quem foi cúmplice do crime, o tal de Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras. Seriam contratos entre os anos de 2003 e 2013. Imaginem dez anos e os governantes nada viam e nada sabiam do que estava acontecendo, a não ser a cândida explicação de que a verba, tida como legal, se destinava ao processo eleitoral cada vez mais caro! Também por isso, este haverá de ser um tema prioritário, necessário e urgente da reforma política, propondo-se o fim das doações de campanha por empresas, notória fonte de comprometimentos, dependência e corrupção.

            O Brasil precisa da reforma política que venha...

(Interrupção do som.)

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - ... devolver a credibilidade à política e aos políticos (Fora do microfone.), uma reforma enxuta, num primeiro momento.

(Soa a campainha.)

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Se quisermos fazer uma ampla reforma, acaba não saindo, como há 12 anos não acontece. Devemos fazer por etapas. Com quatro ou cinco, no máximo, temas, aqueles mais reclamados e pontuais, para que saia logo a reforma, como arrancada para uma mudança de um modelo político e eleitoral do País, atacando as barganhas partidárias, o fisiologismo, os cartéis de empreiteiras, as falcatruas, que tanto prejudicam a população trabalhadora e produtiva.

            Vivemos um presidencialismo de coalizão fisiológica no País, realidade escancarada que tem concorrido para tirar a autonomia do Congresso, tornando-se um Congresso submisso do Executivo.

            Precisamos de um Senado, Sr. Presidente, de um Senado altivo, autônomo, forte, legitimado pelo povo, que nos mandou para cá, não de um paraíso na terra - como ironizava Darcy Ribeiro -, mas de uma fortaleza democrática, pronta para renegar a carga tributária mais cara do mundo, que não tem impedido uma casta corrupta a sugar o trabalho alheio; de um Senado protagonista, que proponha soluções para ajudar o Brasil nesta hora difícil.

            Ou atendemos, Sr. Presidente, a imperiosas mudanças, ou concorremos, por omissão, para o agravamento da crise que se esboça.

            Temos inalienável compromisso com o Brasil e estamos esperando que a Presidente tenha o bom senso de revisar suas diretrizes de governo, fazer uma correção de rota, se quiser evitar um desastre.

            Nós estamos começando uma nova Legislatura, que não pode ficar surda diante dos clamores estrepitosos das ruas, que exige nossa representatividade eficaz.

            Precisamos de um Brasil passado a limpo, depurado das frequentes corrupções e impunidades. Um Brasil de transparência, honestidade com o dinheiro público, melhoria dos serviços...

(Soa a campainha.)

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - ... na contraprestação aos pesados impostos que se pagam, mal distribuídos ou mal aplicados - tema para outra reforma a ser encarada com prioridade e urgência, a do Pacto Federativo, Sr. Presidente, que no Brasil não passa de abstração.

            Somos uma Federação só no papel, na verdade, compomos um aberrante federalismo imperial, onde o rei - ou no caso de hoje, a rainha - recebe nossos recursos de súditos de forma centralizadora, enquanto os Estados e Municípios são servilmente dependentes, à míngua, e em constante procissão de prefeitos à Brasília, suplicando por socorro, assoberbados por encargos, com ônus financeiros, sem bônus correspondente.

            De nada adianta a Constituição falar em autonomia dos Estados, se eles não têm recursos e, a cada vez, têm.mais obrigações.

            O Governo Federal gasta muito e gasta mal, não faz nenhum aceno, presentemente, ao corte de gastos, mesmo em um...

(Interrupção do som.)

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - ... quadro com a economia declinante, inflação crescendo (Fora do microfone.) - estou quase concluindo, Sr. Presidente -, asfixiante tarifaço contra o contribuinte e, cada vez mais, criando as abusivas contribuições tributárias, das quais nada vai para os Estados, ficando privativas do Governo Federal, que as utiliza para sua gastança. Nem mesmo vemos sinalização da regulamentação que irá balizar os pedidos de renegociação das dívidas dos Estados, como a do meu Rio Grande do Sul, que vive uma situação caótica.

            Urge que o Brasil seja, de fato e de direito, uma Federação, com autonomia e recursos nos Estados. E a União sendo uma verdadeira República democrática, de poder político identificado com o povo, sua única razão de existir. Nunca é demais lembrar que o Estado não é um fim em si mesmo, é meio para realização das pessoas, para que tenham assistência à saúde, incentivos à educação, infraestrutura, etc., benefícios que a população brasileira só possui muito precariamente. Nosso cidadão não pode depender de uma vontade única e voraz. Enfim, o Senado tem um papel urgente, intransferível e necessariamente catalisador da massiva discussão nacional que virou palavra de ordem em toda a extensão nacional, mudança, positivas mudanças.

            Termino, Sr. Presidente, com uma frase do grande Senador Alberto Pasqualini, que dignificou esta Casa, quando escreveu: "Se queres mudar a sociedade, comece por mudar o homem". Precisamos mudar. E sem demora.

            A Srª Ana Amélia (Bloco Democracia Participativa/PP - RS) - Senador, Lasier Martins, como Senadora pelo Rio Grande do Sul e tendo vindo da mesma área de V. Exª, da comunicação, não poderia deixar de desejar-lhe boas-vindas ao mundo político. Tive que aprender muito...

(Soa a campainha.)

            A Srª Ana Amélia (Bloco Democracia Participativa/PP - RS) - ... ao longo desses quatro anos do exercício do mandato que os eleitores do nosso Estado me conferiram e aprendo a cada dia, porque aqui há ex-Presidentes da República, ex-Governadores, ex-Ministros, uma massa crítica inteligente, e a gente pode beber nessa fonte de sabedoria. Este Senado foi renovado e V. Exª chega nesse processo de renovação, ocupando o lugar de um grande Senador, Pedro Simon. Agora, o Senador Paulo Paim, do PT; eu, do PP, e V. Exª, do PDT, vamos continuar defendendo os valores da ética, da responsabilidade e do compromisso que nós temos com o nosso Estado, porque um Senador defende o seu Estado. Por isso, aqui a representação é igual: três Senadores por cada Estado brasileiro. É exatamente essa igualdade...

(Interrupção do som.)

            A Srª Ana Amélia (Bloco Democracia Participativa/PP - RS) - ... que nos obriga, como faz (Fora do microfone.) o Senador Jorge Viana, que está presidindo, defendendo o seu Acre, a defender o nosso Estado, junto com adversários políticos, e nós, que somos aliados pela causa do Rio Grande, estamos aqui com essa missão e essa responsabilidade. Então, bem-vindo à Casa da República, bem-vindo à Casa da Federação, bem-vindo a esse grande e novo desafio de ser Senador do Rio Grande, e, aqui, junto com os seus pares, desempenhar essa missão tão difícil num ano muito, muito complicado, com crise econômica e com crise política, como bem definiu V. Exª neste primeiro pronunciamento de inauguração do seu mandato formalmente. Muito obrigada!

            O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Sr. Presidente.

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Muito obrigado, Senadora Ana Amélia, suas palavras são estimulantes e tranqüilizadoras porque nos fazem crer numa sintonia muito grande a partir de agora neste Senado, que haverá de providenciar essas mudanças tão exigidas pela população.

            Ilustre Senador Cristovam Buarque.

            O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Senador Lasier, o senhor e muitos aqui sabem da minha relação fraterna e especial com Pedro Simon. E, como eu mesmo lhe disse, eu achava que seria difícil chegar aqui um Senador do Rio Grande do Sul que pudesse substituir Pedro Simon à altura. Eu quero lhe dizer que o Rio Grande do Sul é mais rico em quadros do que eu imaginava, e que o senhor chega aqui, e, desde o primeiro momento, nas reuniões, nas conversas, eu já percebi o grande quadro que o Rio Grande do Sul mandou para o Senado Federal. O seu discurso amplia ainda mais essa minha sensação. O senhor deu um retrato do Brasil inteiro. Sem deixar de ser gaúcho, inclusive nas citações a grandes nomes, o senhor fez um retrato da República inteira, da crise que nós vivemos, e passou também as suas esperanças, as suas propostas, as suas vontades. Que nós possamos arrumar esta Casa desarrumada que está aí. Eu fico muito feliz de ser do seu Partido, de estarmos juntos e de poder dizer que Pedro Simon tem um substituto à altura.

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Muito obrigado por esse elogio tão grande. Tenho certeza, Senador Cristovam, de que nós haveremos de fazer um trabalho profícuo e, sobretudo, inovador nesta Casa. É com essa esperança e com essa disposição que venho para cá, e o senhor será um grande orientador por sua vasta experiência e cultura.

            Senador Ataídes.

            O Sr. Ataídes Oliveira (Bloco Oposição. PSDB - TO. Fora do microfone.) - Senador Lasier, primeiro, agradeço pelo aparte e quero parabenizar por este belíssimo e competente discurso.

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - O senhor pode ligar o microfone, porque nesse ramo eu tenho alguma experiência.

            O Sr. Ataídes Oliveira (Bloco Oposição. PSDB - TO) - Muito obrigado, mais uma vez. Como disse o Senador Cristovam, em 10 minutos, V. Exª fez um retrato, uma radiografia de como se encontra o nosso País hoje. De forma que a presença, a chegada de V. Exª nesta Casa, não tenho dúvida, será realmente de grande valia para o povo brasileiro. V. Exª, nesse retrato como um todo, falou da Petrobras e da crise hoje, no nosso País, e quero colocar que, enquanto não diminuirmos ou acabarmos com esta corrupção, não equilibrarmos as nossas contas públicas e alavancarmos a economia do nosso País, vamos continuar derrapando da forma que está ou até mesmo pior. V. Exª também falou sobre a Petrobras...

(Soa a campainha.)

            O Sr. Ataídes Oliveira (Bloco Oposição. PSDB - TO) - ... que, hoje, passou a ser a vergonha do povo brasileiro. E, agora, a Presidente Dilma dá mais um tiro no pé, escolhendo este moço por nome de Aldemir Bendine, ex-Presidente do Banco do Brasil...

(Soa a campainha.)

            O Sr. Ataídes Oliveira (Bloco Oposição. PSDB - TO) - ... que foi encontrado há poucos dias com R$200 mil em sua residência. Senado um grande executivo de um dos maiores bancos estatais do mundo, ele não tinha a capacidade, a competência para administrar os seus R$200 mil. Isso me deixa muito preocupado. E, dentro do quadro da Petrobras - que tenho certeza, tem executivos extremamente competentes lá - o nosso Governo, o nosso Governo, não, a Presidente Dilma não conseguiu encontrar alguém para assumir a direção daquela grande empresa Petrobras. Então, quero mais uma vez parabenizá-lo por esse extraordinário discurso e dizer que é uma satisfação muito grande, Senador Lasier, estar aqui ao seu lado nestes quatro anos aí pela frente. Muito obrigado.

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Tenho sido inspirado por V. Exªs, talvez deva este pronunciamento ao que tenho aprendido, porque, há muito tempo, tenho sido telespectador deste canal. De modo que já conheço bastante V. Exªs e as suas ideias de prosperidade que haveremos de levar adiante.

            O Sr. Acir Gurgacz (PDT - RO) - Senador Lasier, por gentileza.

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Meu Líder partidário, Senador Acir.

            O Sr. Acir Gurgacz (PDT - RO) - Muito bem. Fiz questão de apurar um pouquinho o passo para chegar a tempo de lhe fazer um aparte, eu vinha ouvindo V. Exª pelo rádio, quero cumprimentá-lo pelo brilhante discurso. V. Exª fez uma radiografia da situação atual do nosso País.

De fato, nós precisamos e vamos debater muito os temas com relação à economia brasileira, ao que está acontecendo no País neste momento, ao papel do Senado e a como nós temos que nos postar diante de tudo que acontece no nosso País. Eu lhe dou as boas-vindas e o cumprimento pelo excelente pronunciamento. Vamos, sim, fazer com que o Senado tenha como seu papel o debate e o fazer acontecer, para que possamos ajudar os brasileiros, os brasileiros do Rio Grande do Sul, os brasileiros da nossa Rondônia. Nós realmente temos uma missão muito importante, e eu não tenho dúvida de que nós do PDT - agora, com V. Exª junto conosco, nosso Partido recebeu esse reforço - vamos continuar avançando cada vez mais em prol do crescimento e do desenvolvimento do País. Meus cumprimentos a V. Exª.

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Obrigado, Senador Acir. Tenho certeza de que, com sua liderança, e não apenas do nosso sexteto pedetista, nós haveremos de fazer um trabalho uniforme neste Senado. Eu tenho percebido que há uma consciência...

(Soa a campainha.)

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - ... e uma urgência nas transformações de que este País está precisando.

            O Sr. Paulo Paim (PT - RS) - Permite um aparte?

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Senador Paulo Paim, com muito prazer, meu outro coestaduano, que muito respeito e admiro.

            O Sr. Paulo Paim (PT - RS) - Senador, eu não assisti ao seu pronunciamento, porque estávamos numa reunião da Bancada, mas fiz de tudo para chegar a tempo aqui, para lhe dar os meus cumprimentos. V. Exª, como jornalista, sempre teve uma posição muito firme, muito dura em relação à política, e eu diria que, neste momento, aqui, no Parlamento, V. Exª expressa exatamente o que foi ao longo da sua vida. E isso demonstra coerência. Eu queria, neste momento, dizer que podemos divergir em alguns pontos - e é natural, até nós já conversamos sobre isso -, mas eu tenho certeza...

(Interrupção do som.)

            O Sr. Paulo Paim (PT - RS) - ... absoluta de que, em todos os temas que forem de interesse do Rio Grande do Sul, Estado que nós três aqui, V. Exª, eu e a Senadora Amélia, representamos, nós caminharemos juntos. Assim foi com o Senador Zambiasi, assim foi com o Senador Simon. E tenho a clareza de dar este depoimento: os gaúchos e as gaúchas que estão nos ouvindo neste momento podem ter total confiança nos três Senadores, pois estaremos sempre aqui na trincheira de defender os interesses do nosso Estado. Naturalmente, cada um, na sua concepção ideológica e de princípios, há de defender o que há de melhor, no seu entendimento, em interesse de todo o povo brasileiro. Eu tinha de fazer este depoimento rápido - sei que o seu tempo está terminando - demonstrando que temos tudo para caminhar juntos aqui para construir o bem comum. Sou daqueles que dizem sempre que temos a obrigação de fazer o bem sem olhar a quem. Tive a alegria de - V. Exª me solicitou -, na sexta-feira ainda, inscrever-me para que V. Exª tivesse o lugar de destaque na fala no dia de hoje. Perguntaram-me, como falo todos os dias, se eu não vou falar hoje. E eu respondi que não, que hoje eu cedi o meu espaço para o Senador Lasier Martins. Seja bem-vindo à Casa.

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - Isso bem demonstra, Senador Paim, a harmonia com que trabalhamos. De fato, na sexta-feira, por ter compromisso no Rio Grande do Sul, pedi a gentileza de V. Exª me inscrever, e V. Exª chegou a sacrificar o seu tempo.

            É com essa união, mesmo que tenhamos divergências, que haveremos de reconhecer que, no essencial, há um valor mais alto que precisa da nossa união e do nosso entendimento...

(Soa a campainha.)

            O SR. LASIER MARTINS (PDT - RS) - ... que é a recuperação do Brasil.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 11/02/2015 - Página 96