Pronunciamento de Wellington Fagundes em 12/03/2015
Discurso no Senado Federal
Destaque à importância dos portos para o desenvolvimento do País, com ênfase na inauguração de obra de expansão dos terminais do porto do Rio de Janeiro.
- Autor
- Wellington Fagundes (PR - Partido Liberal/MT)
- Nome completo: Wellington Antonio Fagundes
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
INDUSTRIA E COMERCIO:
- Destaque à importância dos portos para o desenvolvimento do País, com ênfase na inauguração de obra de expansão dos terminais do porto do Rio de Janeiro.
- Aparteantes
- Elmano Férrer.
- Publicação
- Publicação no DSF de 13/03/2015 - Página 201
- Assunto
- Outros > INDUSTRIA E COMERCIO
- Indexação
-
- REGISTRO, INAUGURAÇÃO, PORTO, LOCAL, RIO DE JANEIRO (RJ), COMEMORAÇÃO, AUMENTO, FACILIDADE, EXPORTAÇÃO, PAIS ESTRANGEIRO, ENFASE, RELAÇÃO, EXPANSÃO, DESENVOLVIMENTO, PAIS, COMENTARIO, IMPORTANCIA, PARCERIA, SETOR PUBLICO, SETOR PRIVADO.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, todos que nos ouvem e nos assistem pela TV e Rádio Senado e ainda pela internet, em meio a tantas situações políticas adversas do momento, quero participar a este Plenário, aos nobres colegas, um fato muito importante que aconteceu nesta quinta-feira: a inauguração do novo superporto do Rio de Janeiro, nome que se dá ao trabalho de expansão dos terminais Libra, MultiRio e MultiCar. O chamado Porto do Futuro foi implementado pelo Grupo Libra e Multiterminais Logística Integrada e também a Companhia Docas do Rio de Janeiro. É uma obra esplendorosa, de grande magnitude, que atinge a cifra de R$1 bilhão de investimentos privados e mais R$800 milhões de investimentos públicos.
Esse investimento em expansão, seguramente, deve fazer com que o Porto do Rio seja alçado a um dos mais importantes portos da América Latina, à segunda posição no ranking com maior movimentação de contêineres do nosso País e, como já disse, da América Latina.
País que tem portos com essa capacidade, com essa configuração que a Presidente acaba de inaugurar, significa ser uma nação forte, uma nação rica, uma nação que tem tudo para ser uma força mundial.
O que eu quero dizer com isso é que todo o dinheiro aplicado nesse grande empreendimento, Sr. Presidente, é fruto de uma bem-sucedida parceria público-privada, construída através da repactuação do contrato de arrendamento com aumento de prazo de exploração, e que teve como contrapartida, evidentemente, a exigência da modernização com os investimentos privados.
Para que todos entendam a magnitude desse investimento, a capacidade anual de movimentação de contêineres com o que foi investido vai passar de 1,2 milhão de contêineres para dois milhões de contêineres - as cifras são realmente expressivas.
Esse megaporto amplia também a capacidade para operação com veículos, passando de 234 mil para 326 mil veículos por ano. Estão ainda previstos, lá nesse porto, a construção de um edifício-garagem, o que vai elevar ainda mais o valor do investimento. São dois cais contínuos de mais de dois mil metros, ou seja, dois quilômetros de pura logística de carga e descarga.
Ao todo, o porto do Rio recebe uma ampliação de capacidade da ordem de 63%. Os investimentos se estenderam, ainda, às adequações de acesso com obras executadas no valor de R$24,3 milhões, ou seja, evitando impactar as belezas e a vida daquela cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro.
A reorganização viária será complementada pela construção de um mergulhão, que fará a ligação entre a pista de chegada da Avenida Brasil à cidade e também ao cais de São Cristóvão e Gamboa, que serão base de apoio para a exploração do pré-sal. Isso evitará que os veículos de carga tenham que ir até às imediações da rodovia para fazer toda essa volta.
Como Presidente da Frente Parlamentar de Logística de Transporte e Armazenamento, Senador Elmano, meu companheiro de partido - e aí, inclusive, V. Exa já se inscreveu como participante desta Frente Parlamentar, e quero dizer que ela é integrada também por Deputados Federais -, eu só tenho a comemorar esse dia e a nossa presença lá no Rio de Janeiro. Fomos muitas vezes lá e conversamos muitas vezes também, no Ministério do Transportes e até no Tribunal de Contas, com o nosso companheiro, ex-colega da Câmara dos Deputados, Aroldo Cedraz, para aprovar também a licitação da nova concessão da Ponte Rio-Niterói, com obras importantes que vão também ajudar na melhora do sistema viário do porto.
Quero aqui enaltecer também o nosso companheiro ex-Ministro Paulo Sérgio Passos, que muito trabalhou por esse evento, bem como o Presidente da ANTT, Jorge Bastos. Também estivemos no Rio de Janeiro, também estivemos no Tribunal de Contas, para que, na próxima semana, já está definido, tenhamos, então, a licitação da nova concessão da Ponte Rio-Niterói, como já disse aqui, com muitos investimentos. Grande parte da nossa produção que hoje utiliza esse porto terá, é claro, muito mais facilidade para exportar para a Ásia, para a Europa e também para os portos do Sudeste.
Srªs e Srs. Senadores, público que nos assiste pela TV Senado e nos ouvem pela Rádio Senado, a importância dos portos para o desenvolvimento econômico e, sobretudo, a sua modernização no Brasil é uma luta que se confunde com a história brasileira. Em verdade, essa história, Sr. Presidente, vai das instalações rudimentares implantadas logo após o descobrimento do nosso País até a implantação dos grandes complexos portuários e terminais especializados hoje existentes ao longo de toda a nossa costa.
Essa evolução, de acordo com o pesquisador Raimundo Kappel, teve pontos de inflexão importantes, em 1808, com a denominada abertura dos portos às nações amigas, empreendida por Dom João VI, com as principais concessões para a exploração dos portos organizados e das ferrovias que os acessam no final do século XIX e, mais tarde, com a implantação de terminais especializados necessários e compatíveis com a industrialização do pós-guerra, como instrumento da prioridade exportadora dos planos nacionais de desenvolvimento.
Na década de 90, os portos de quase todos os países passaram por profundas reformas, de forma a serem compatibilizados com a nova ordem econômica e política internacional. Os portos brasileiros também avançaram, aproveitando essa esteira internacional.
A chama da Lei de Modernização dos Portos, que aprovamos há pouco tempo, procurou estabelecer um marco para tornar os terminais mais ágeis e competitivos frente ao mercado internacional, visto os custos operacionais superiores ao praticados no exterior - aqui no Brasil, os nossos custos ainda são muito superiores.
Há muito que caminhar. É comum ainda acompanharmos reportagens mostrando congestionamento nos portos brasileiros, principalmente no de Santos, que tem início com o escoamento da safra e, principalmente, o Centro-Oeste brasileiro, que hoje é o maior produtor de grãos, e o porto de Santos é o maior exportador da nossa produção.
Com esses carregamentos que ficam até semana em cima das carretas, aguardando a vez de entrar nos portos, isso impacta a vida das cidades e promove um desacerto na nossa economia, porque uma carga parada significa também aumento dos custos.
Só para lembrar, Sr. Presidente, estamos em meio à crise dos caminhões, com transportadoras e autônomos brigando pela sobrevivência. Muitas vezes, esse transportador acaba perdendo muito tempo no porto para descarregar sua produção, e perde tempo e dinheiro.
Dar a devida atenção aos portos é fundamental. Os navios cresceram, e cresceram muito. Nos portos, estamos evoluindo para um estágio tecnológico com uso de equipamentos cada vez mais possantes e velozes. Hoje, o trabalho portuário é muito mais de inteligência, planejamento e preparo do que de força muscular.
Então, Sr. Presidente, como eu disse, a transformação do porto do Rio de Janeiro é um modelo bem acabado que o Brasil precisa seguir. A Parceria Público-Privada é o caminho a ser mais explorado em nosso País. Precisamos avançar nessa linha. Essa será uma bandeira que vou defender aqui com muita firmeza durante o tempo em que for Senador, porque precisamos desenvolver nossos terminais, modernizar e ampliar os que já existem.
Temos que avançar em novos terminais para movimentação de graneis sólidos, de soja, de grãos em geral, fertilizantes, minérios e outros produtos. Isso vai fazer com que a nossa economia avance no mercado internacional e, claro, temos de falar da logística completa, Senador Elmano.
O nosso Estado de Mato Grosso - repito, maior produtor de grãos do Brasil - está no centro do Brasil, no centro da América do Sul e, por isso, as distancias são muito grandes. O nosso Estado do Mato Grosso não tem nem 1% da área mineral explorada, Senador José Medeiros. Mas, para que isso possa ser explorado, nós precisamos da logística. Precisamos dos investimentos nas ferrovias, na melhoria das nossas estradas, na questão das hidrovias, porque hoje praticamente somos incipientes nessa área.
Ontem ainda, inclusive, tivemos uma audiência com o Ministro dos Transportes, com o Governador do meu Estado, o ex-Senador Pedro Taques, também com o Senador Blairo Maggi e com outros companheiros da Bancada de Mato Grosso, e lá estávamos exatamente cobrando esses investimentos - a BR-163, que está sendo duplicada. Hoje, na viagem, inclusive, com a Presidente Dilma, tive oportunidade de dizer da nossa angústia, porque existe um contrato hoje firmado entre o Ministério dos Transportes, a ANTT, junto com a concessionária, que já está preparando lá, construindo as áreas para a cobrança de pedágio...
O SR. PRESIDENTE (José Medeiros. Bloco Socialismo e Democracia/PPS - MT) - O pedágio já está pronto. (Risos.)
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT) - Já está trabalhando. Mas a empresa concessionária está fazendo a sua parte.
O SR. PRESIDENTE (José Medeiros. Bloco Socialismo e Democracia/PPS - MT) - Eu entendo a preocupação de V. Exª. V. Exª colocou muito bem, porque as obras começam a diminuir e isso nos preocupa. Entendo o ajuste fiscal, mas é importante essa sua colocação.
Esses dias, eu recebi uma crítica e até o defendi. Disseram: “Você está defendendo o modelo PR, Medeiros, porque só fala em logística, logística”. Eu falei: Mas, se o nosso Estado não tiver logística de escoamento, nós vamos fazer o quê? A nossa economia é baseada em exportação.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT) - E é nesse aspecto que quero aqui também me somar com o nosso companheiro Blairo Maggi e com V. Exª, para que a gente possa mostrar essa importância não só para o povo de Mato Grosso, do Centro-Oeste, mas principalmente do Brasil. Porque nós temos, apenas em Mato Grosso, hoje, Senador Elmano, condições de produzir tudo o que se produz no Brasil em grãos, sem impactar na questão ambiental, sem ter que derrubar um pé de árvore.
Em Mato Grosso, nós temos áreas abertas, áreas inclusive degradadas, que podem ser incrementadas, principalmente a região do Araguaia. São mais de quatro milhões de hectares disponíveis para a produção. Agora, a questão da logística é fundamental: é fundamental para escoar a produção; é fundamental para também levar os insumos para essa produção; e também é fundamental para a vida das pessoas.
A questão da BR-163, principalmente do trecho de Rondonópolis, Cuiabá, Posto Gil, segundo a Polícia Rodoviária Federal - e V. Exª, que é também um policial rodoviário federal -, é o trecho com mais acidentes frontais do Brasil. E acidente frontal, normalmente, representa perda de vidas, e com vida a gente não pode brincar.
Por isso a nossa dedicação, o nosso trabalho aqui, como Deputado Federal durante 24 anos, e principalmente agora, como Senador, com um compromisso com a população do meu Estado é exatamente brigar por aquilo que é fundamental para o nosso desenvolvimento, fundamental para as pessoas que acreditaram e foram para a Região Centro-Oeste produzir.
Por isso é que a gente vê com entusiasmo o que aconteceu hoje no Rio de Janeiro, porque, além das estradas, nós precisamos dos portos modernos para que essa produção possa ser escoada com competitividade.
O Custo Brasil é algo a ser trabalhado muito, porque hoje o frete do milho produzido no Mato Grosso chega a custar mais de 50% do valor do produto para chegar ao Nordeste ou a qualquer porto brasileiro.
Por isso, Sr. Presidente, essa parceria público-privada é um caminho mesmo a ser explorado no Brasil; precisamos avançar nessa linha. E é isso que vou defender aqui, com muita firmeza, durante todo o meu mandato como Senador. Precisamos desenvolver no País novos terminais não só nos portos marítimos, mas, principalmente, nos portos fluviais.
Por isso, a Região Norte do Brasil é fundamental. O Porto de Miritituba, tivemos exemplo da navegação lá feita pelo nosso companheiro, Senador Blairo Maggi, começando pelo Porto de Itacoatiara. Hoje é uma realidade, uma necessidade para o Brasil. O investimento na ferrovia também, a interligação da Ferrovia Ferronorte aos portos fluviais, termos a possibilidade de interligar o Porto de Itaqui, no Maranhão, com Miritituba, lá no Pará. E nesse trabalho há uma sintonia entre a bancada federal de Mato Grosso e a bancada federal do Pará, porque todos nós dependemos um do outro para que esse escoamento da produção seja uma realidade.
Objetivamente, significa que o Brasil poderá seguir em muitos passos na busca da competitividade e também da nossa logística, com redução de custos se comparado aos grandes terminais existentes no mundo. Isso vai gerar, é claro, mais emprego. Vamos ter um País melhor não apenas na questão de portos marítimos, colegas Senadores, mas também fazer com que essa interligação seja uma realidade não só na questão das estradas, interligando com as ferrovias, fazendo com que o nosso sistema de logística possa realmente avançar no Brasil.
E aí também quero colocar a questão aeroviária. Na semana passada, o Ministro já anunciou a licitação de novos aeroportos, inclusive cinco aeroportos no Estado do Mato Grosso.
Isso é fundamental, porque existe mercadoria que precisa de pressa, produção que possa chegar em curto espaço de tempo. E, é claro também, a questão no transporte de passageiros.
A nossa região, o Centro-Oeste brasileiro, principalmente o Estado de Mato Grosso, está muito próximo de países como a Bolívia, como o Chile, como o Peru, e não temos uma ligação aérea para que as pessoas possam ir e vir com facilidade. Isso dificulta a nossa ligação, não só em nossa economia, mas em nossa cultura, no desenvolvimento do Mercosul. Eu, inclusive, faço parte do Parlamento do Mercosul e espero que a gente possa fazer com que o Mercosul seja uma realidade no Brasil.
O SR. PRESIDENTE (José Medeiros. Bloco Socialismo e Democracia/PPS - MT) - Senador, o senhor foi de uma felicidade imensa, porque o Estado de Mato Grosso, além de ser carente na parte de rodovias e ferrovias, nós somos muito carentes também nesse setor, porque as nossas distâncias, como V. Exª mesmo citou aqui, elas são muito grandes. De uma ponta a outra do Mato Grosso, o senhor sabe muito bem, são mais de 1.000km. E algumas distâncias... Alguns lugares, inclusive, nem têm estradas.
Ontem, inclusive V. Exª esteve presente, colocamos ao Secretário de Infraestrutura do Estado a questão do aeroporto de Rondonópolis, que está precisando fazer um convênio com o Governo do Estado para que possa ter empresas indo para aquele Município. Hoje, por exemplo, para ir para a sua cidade, você sabe muito bem, tem que ir para Cuiabá e depois andar naquela rodovia ali, que para fazer 200km são seis horas de viagem.
Então, parabéns por ter levantado esse assunto porque é de suma importância para a vida do Estado.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT) - Muito Obrigado.
Quero dizer também que o corredor logístico, que começa com a viabilização das estradas vicinais que ligam o campo, passando pelas cidades, no armazenamento, escoando a produção para o Norte e Sul, de leste a oeste do Brasil, precisa ser também uma forma estratégica para desenvolver ainda mais a nossa economia.
Espaço existe. Modelo existe. Produção, nós temos. Capacidade de investimentos, desde que seja feita com segurança e preservação ambiental, também é possível. Ou seja, o Brasil dispõe de grande capacidade para se reinventar em meio a essa crise, crescer e gerar a tão sonhada paz e justiça social que todos nós desejamos. Aliás, na crise temos que tirar o “S” e criar. Eu acho que essa é a mensagem principal de quem tem fé e acredita neste País.
Estamos vivendo um momento de crise. Hoje mesmo, na viagem com a Presidente, ela com o Ministro da Fazenda, discutíamos essa questão. Mas temos que trabalhar, temos que acreditar. E é aí onde as reformas são necessárias. Espero que, na semana que vem, inclusive, assim como fizemos ontem no Congresso Nacional, aprovando a Medida Provisória, negociando com o Governo, avançando, acho que essa é a solução que encontraremos para vencer essa crise.
O Senador Elmano gostaria de fazer um aparte.
O Sr. Elmano Férrer (Bloco União e Força/PTB - PI) - Nobre Senador Wellington, V. Exª traz um tema muito importante a esta Casa que me remete a um problema idêntico com relação à logística do centro produtor de grãos de Mato Grosso e, hoje, os cerrados do Piauí. Mas, V. Exª iniciou falando sobre a modernização e, sobretudo, a PPP que trata da modernização do porto do Rio de Janeiro, com seus mais de 200 anos. Nós outros, lá no Piauí, há 50 anos, lutamos por um porto, de um lado, e, de outro, pela hidrovia, aproveitando o caudaloso Rio Parnaíba, que dizem, segundo os ambientalistas - e eu confirmo isso - está morrendo. Mas a realidade é que no Piauí, numa nova fronteira agrícola da expansão do agronegócio, nós temos problemas talvez semelhantes ao do seu Estado, o Mato Grosso, que é exatamente a produção que se agiganta, inclusive com muitos paranaenses, gaúchos, o pessoal de Rondonópolis, lá do Estado de V. Exª, chegando àquela nova fronteira agrícola. Nós temos algo em torno de um milhão de hectares de produção, sobretudo de soja, milho e algodão. Mas um dos grandes entraves é exatamente a logística. V. Exª e nosso ex-Governador, que é do nosso bloco aqui do Senado, Senador Blairo, é que têm se reportado a essa questão. Então nós, do Piauí, também temos problemas seriíssimos com relação à logística. E o nosso nobre Senador José Medeiros também tem tratado dessa questão, como os dois brilhantes Senadores do Mato Grosso. Esse é um problema sobre o qual nós temos que nos debruçar, os Srs. Senadores, com relação ao escoamento da produção, da logística lá no Mato Grosso, e nós outros, do Estado do Piauí, lutando por um ramal que deve vir da Transnordestina, que liga os cerrados do Piauí e do Maranhão aos dois portos, principalmente ao porto de Pernambuco e ao Pecém, lá no Ceará. Precisamos de um ramal da Transnordestina para o nosso porto. São duas grandes obras de infraestrutura que estão na nossa pauta, na pauta de todos os políticos, Senadores, Deputados Federais e Governador do Estado do Piauí, com vista ao escoamento da nossa produção nos cerrados. Temos problemas mais ou menos semelhantes. Creio que nós devemos aqui lutar para reforçar a infraestrutura de escoamento da produção das nossas regiões, tanto do Mato Grosso como também dos cerrados do nosso Estado do Piauí. Queria parabenizar V. Exª por trazer um tema da maior importância para os nossos Estados, sabendo que a referência maior foi o porto lá do Rio de Janeiro, através da sua modernização e desse grande avanço que estamos tendo, que é a parceira público-privada. Então queria parabenizar V. Exª por trazer esse tema importante para o Senado.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR - MT) - Senador Elmano, só para se ter uma ideia, no nosso Estado, no Estado do Mato Grosso, são 900 mil quilômetros quadrados. Nós temos menos de 3,5 milhões de habitantes. Portanto temos muito a oferecer ao Brasil e ao mundo. Um Estado formado por brasileiros de todos os recantos, em momentos diferentes do seu desenvolvimento. Tivemos a nossa primeira capital, Vila Bela da Santíssima Trindade, a primeira capital projetada em Portugal para proteger a costa fluvial, uma cidade formada principalmente por uma comunidade negra. Uma negra reinou na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, Tereza de Benguela, por 40 anos. Essa cidade, todo o desenvolvimento daquela região se deu através da Hidrovia Paraguai-Paraná.
Foi assim que o Mato Grosso se desenvolveu. A hidrovia existe há mais de 500, 400 anos, mas, de repente, entenderam que a questão ambiental poderia ser prejudicada.
Olha, nós temos hoje a tecnologia no mundo disponível, e hoje não são mais os rios que têm que se adaptar às embarcações. As embarcações podem perfeitamente se adaptar à condição de cada hidrovia.
Na Europa, nos Estados Unidos, é utilizado isso de forma ampla, qualquer oportunidade é explorada. Então, nós precisamos também vencer esse dogma de que as hidrovias são praticamente intocáveis no Brasil. Como dizia um companheiro lá do Estado de Mato Grosso e hoje, inclusive, o Ministro Edinho falou, são as nossas rodovias líquidas. Aquilo já está pronto, construído por Deus. Só precisamos aproveitar, para que diminuir esse custo Brasil.
Por isso a nossa luta, o nosso entusiasmo de estar aqui nesta tribuna para conversar, para falar, para invocar, porque essa questão da logística tem que ser o investimento para tirar a crise do Brasil.
É isso, Sr. Presidente.
Encerrando este pronunciamento em que falo sobre a inauguração desse porto, inclusive como está aqui, nesse demonstrativo, os meganavios estão chegando. Cada dia é um navio com maior potencial. Em 1956, era um navio com 800 TEUs de capacidade. Isso foi evoluindo para 2.500, 4.500, 12.500, 15.000. Hoje já está no volume de 18.000 TEUs. Então, o mundo, como eu já disse aqui, cada dia mais está investindo na tecnologia.
Quero aqui encerrar este meu pronunciamento parabenizando todos os construtores daquele porto, todos os investidores, os trabalhadores, porque é realmente um grandioso projeto, e todos aqueles que acreditam no Brasil. Por isso, quero parabenizar a Presidente Dilma, que lá esteve; quero cumprimentar, mais uma vez, o meu companheiro Ministro dos Portos, Edinho Araújo. Também quero destacar aqui o papel do Deputado Edinho Araújo na questão da ferrovia Ferronorte, ele juntamente com o nosso ex-Senador da República, o histórico Senador Vicente Vuolo, que lutou tanto por aquela ferrovia. E o Edinho teve um papel fundamental, principalmente na ponte rodoferroviária, na divisa de Mato Grosso do Sul com São Paulo.
Quero aqui também parabenizar o Governador Pezão - estivemos com ele no Rio de Janeiro, juntamente com o ex-ministro Paulo Sérgio, discutindo, trabalhando para essa questão da concessão da Ponte Rio-Niterói - por sua simplicidade, mas principalmente por sua dedicação. Com isso, quero parabenizar também o Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que está desenvolvendo, na outra margem, o Porto Rio Maravilha, com investimento turístico que vai embelezar ainda mais a nossa cidade do Rio de Janeiro.
Gostaria de parabenizar o Ministro Joaquim Levy, que lá esteve, com todos os Parlamentares que nos acompanharam. Estendendo esses cumprimentos, quero enaltecer o empreendedorismo do Dr. Luiz Henrique Carneiro e do Dr. Richard Klein, de família tradicional na questão da logística brasileira, que hoje eu considero como amigo.
Quero falar do meu entusiasmo de ver nessa inauguração uma mulher, que falou com tanta competência, com tanta força, com tanta garra, a Drª Celina Carpi, do Grupo Libra. Eles, conjuntamente, apostaram nesse grande projeto. Ao Presidente da Docas do Rio de Janeiro, Dr. Hélio Szmajser, e ainda aos dirigentes da Antaq e da Agência Nacional. Lá estava o meu companheiro do Mato Grosso, que é, hoje, Diretor da Antaq, Adalberto Tokarski, um entusiasta dessa área. Quero parabenizá-lo em nome do Mário Povia e do Fernando Fonseca.
Assim, Sr. Presidente, peço que passemos a olhar de forma determinada para as nossas potencialidades e as possibilidades, porque elas garantem o futuro deste País. Temos que acreditar no Brasil. Na crise, não adianta a gente só reclamar. Acho que aqueles que querem ajudar principalmente o trabalhador, que precisa continuar a ter um emprego de qualidade, porque essa é a forma de a gente poder melhorar a qualidade de vida da população - a partir do governo Lula e do Governo da Presidente Dilma, foram mais de 40 milhões de brasileiros que saíram da pobreza e que, hoje, estão na classe média. Ainda temos mais 20 milhões de brasileiros que esperam por mais oportunidades, mas, como disse, hoje, a Presidente Dilma, o mais difícil não é tirar a pessoa da pobreza, levando-a para a classe média; o mais difícil é garantir ao cidadão que teve uma conquista continuar evoluindo. Claro, quem teve melhor oportunidade quer crescer. Daí a importância desses investimentos na educação. Hoje se enalteceu a parceria público-privada na educação. Esse grupo que fez esse investimento em parceria com o Prefeito Eduardo Paes está investindo num grande projeto educacional, na educação profissionalizante junto com o ensino propedêutico. Então é fundamental que essas parcerias existam.
Destaco também a questão ambiental na Lagoa Rodrigo de Freitas. Esses investimentos só vêm para melhorar a qualidade de vida. São exemplos que podemos ter no Brasil todo.
Portanto, creio que o caminho é a parceria público-privada e, principalmente, acreditar no Brasil.
Muito obrigado, Sr. Presidente.