Autor
Elmano Férrer (PTB - Partido Trabalhista Brasileiro/PI)
Data
10/09/2015
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

    O SR. ELMANO FÉRRER (Bloco União e Força/PTB - PI. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Meu Presidente, Donizeti Nogueira, eu queria parabenizá-lo inicialmente pela oportunidade que facultou a todos nós, principalmente aos administradores do Brasil, de estarmos presentes aqui, no Senado, no momento em que celebram 50 anos, creio que de regulamentação da profissão de administrador.

    Queria cumprimentar a todos, na pessoa do Sebastião Luiz de Mello, Presidente do Conselho Federal de Administração; cumprimentar também o Carlos Henrique, que é nosso conterrâneo, tenho uma admiração muito grande por ele, já foi Presidente do Conselho Regional de Administração do Piauí; e hoje é do Conselho Federal desta importante categoria.

    Eu queria dar um testemunho de que eu vi nascer, parece-me, há 54 anos, a primeira escola de administração pública, em Fortaleza, no Ceará, mais ou menos 50... Aqui deve haver alguns cearenses da área que devem testemunhar isso, saber disso. E vi o quanto foi importante aquela escola de administração. Também vi nascer várias outras escolas de administração de empresas.

    Sei - este é o testemunho que queria trazer aqui - que estamos num momento difícil, só se fala em crise. Mas vi nesta revista, que, por sinal, recebo em minha casa, pois minha mulher é administradora, embora não exerça essa brilhante e importante profissão, que, falando em crise, realmente temos uma crise, não apenas uma crise econômica e política, mas sobretudo uma crise ética, uma crise moral. A maior de todas, no meu entendimento, é a crise do Estado brasileiro.

    Dentro dela, à luz da realidade que vive o Estado brasileiro, os Estados federados, os Municípios e até, permitam-me, as empresas de todas as áreas, da indústria, do comércio, do agronegócio, de serviços, etc., o grande problema que temos chama-se gestão. Gestão. Esse é o problema.

    Talvez se os senhores estivessem, se essa categoria profissional estivesse no lugar que lhe é devido, à frente das instituições públicas, como administradores... (Palmas.)

    Fui prefeito de uma cidade, Teresina, capital do Estado do Piauí. Aliás, não fui prefeito, fui, de fato, um mestre de obras, fui, de fato, um cuidador da cidade, e senti que os administradores não estavam onde deveriam estar. Talvez, por isso, nós hoje padecemos e assistimos com tristeza ao sucateamento, ao desmoronamento, ao caos das nossas instituições.

    Sei, tenho convicção, permita-me dizer, meu querido Donizeti, que V. Exª, que honra e dignifica essa categoria profissional, poderia ser uma voz, e já está sendo, nesta Casa, para levantar essa questão da gestão não só pública, mas de empresas, de fundações, etc., e que a profissão que o nobre Senador abraçou passasse, de fato e de direito, a ocupar o lugar que foi reservado há cinquenta anos para a categoria de administradores. (Palmas.)

    Então, era o testemunho que eu queria trazer nesta oportunidade, antes de ser Senador, mas de servidor público que ao longo de quase cinquenta anos serviu a coisa pública sem se servir dela, tendo-a como sacerdócio. E é isso que deve encarnar o servidor, seja servidor público, seja servidor de empresa privada. Nós temos que profissionalizar as instituições, sobretudo as instituições públicas.

    Portanto, sem querer tomar mais o tempo de vocês, porque falamos muito e dizemos o que não devemos dizer, eu queria me congratular com todos os senhores administradores e todas as senhoras administradoras do Brasil e dizer que ressentimos, sobretudo, neste País e em qualquer lugar em que estejamos, a ausência dos administradores, que passam cinco, quatro anos em uma universidade, em uma faculdade - até mesmo os tecnólogos, de curta duração -, preparando-se para os lugares que lhes são devidos. Entretanto, essa burocracia, que atrapalha tudo, não permite até que a lei estabelece que os senhores e as senhoras ocupem os lugares que lhes são devidos. Eu espero que tenhamos, amanhã, os senhores ocupando cargos de direção em muitas instituições reservados aos senhores e às senhoras administradores do Brasil.

    Eram essas, Sr. Presidente, as considerações que eu tinha a fazer neste instante, nesta hora, aqui, neste momento tão feliz para V. Exª e para todos os administradores dos País, inclusive a minha mulher, que é administradora. (Palmas.)

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